“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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10.5.10

Ontem adormecemos nauseados com isto, não pelo acontecimento em si, mas pelas horas sem fim nas televisões nomeadamente nos canais informativos, que reduziram a informação a multidões a celebrar o título e opiniões dos populares (um vício do jornalismo primário que nos é fornecido pelas tvs). Um apontamento de dez minutos não chegava?

Hoje acordamos nauseados com isto. E, novamente, as promessas que se quebram, sem honra nem pudor, o que se disse ontem que se desdiz hoje e que amanhã também já será diferente, o ónus sempre do lado do contribuinte, o não percebermos uma política de contenção da despesa do estado, o sem rumo em que vivemos governados por gente desonesta e incompetente.

6.5.10

Irreflectidamente


Há muitas maneiras de ser irreflectido. Conheço sobretudo quem, irreflectidamente, diga a verdade, quando esta é inconveniente. Há quem seja “sincero” e diga mais do que o que deve, ou simplesmente fale demais aborrecendo o outro com confissões e desabafos escusados. Outros, irreflectidamente, cortam rapidamente uma conversa com um “vai aqui ou acolá” ou um “vai-te fazer isto ou aquilo”, dependendo do tipo de calão de que normalmente fazem uso e insultando mais ou menos o interlocutor. Pôr-se em fuga também pode ser algo que se faz irreflectidamente, como ontem na Holanda, quando uma multidão fugiu de algo que não passou de um falso alarme. Há muitas formas de ser “irreflectido”, mas agora deparo-me com uma forma de expressar essa irreflexão que desconhecia e que é, nem mais nem menos, “tomar posse”. Parece que há quem, "irreflectidamente", “tome posse” de objectos que não lhe pertencem. Como diria o povo: se fosse pobre era ladrão, assim, como é político “toma posse”.

Ouvi na televisão Ricardo Rodrigues, mais uma face do Socratismo (*), em conferência de imprensa, declarar-se vítima de “violência psicológica insuportável”. Está visto que ser entrevistado – e provavelmente confrontar-se com a realidade e a verdade, mesmo passada, é demasiada pressão para RR, homem frágil e de sensibilidade delicada que, no entanto, “irreflectidamente” “toma posse” de objectos que não são seus. A natureza humana no seu melhor. Para seu bem, sugeria que deixasse a política, nomeadamente uma certa Comissão de Inquérito onde se interrogam pessoas de forma intensiva e onde factos complexos se tentam apurar e se dedicasse a um trabalho mais rotineiro e em que a exposição pública fosse menor: por exemplo um lugar administrativo num escritório bem longe dos olhares e pressão psicológica dos demais.

(*) As faces do Socratismo. Dever-se-ia fazer, um dia, a história das faces do Socratismo: começando por José Sócrates ele mesmo, passando entre outros pelo tio, o primo, os professores da Universidade Independente, os clientes dos projectos das casas, Armando Vara, Rui Pedro Soares, etc, e acabando em Pedro Silva Pereira.

22.4.10

Depois de uma manhã atribulada, o PS ameaça com uma birra tipo assim, eu não brinco. As leituras políticas vão sendo feitas. Aguardam-se os próximos capítulos.


Uma Irritação

Ao passar os olhos pela página inicial do Público Online vi na secção “vídeos” um vídeo com o “O Escocês que detesta a Islândia”. Só de olhar pareceu-me uma coisa sem graça e banal, nada merecedora de qualquer tipo de atenção. Perguntei-me até se não haveria um vídeo mais apelativo para destaque. No entanto a curiosidade foi mais forte e fui espreitar o vídeo do dito escocês na levíssima esperança de encontrar algo que justificasse o dito destaque. São 19 segundos da mais pura banalidade, em que se ouve um homem com ar de hooligan e sotaque escocês gritar duas vezes “I Hate Iceland”. É tudo. Ao fim de quase uma semana de interrupção de ligações aéreas este é o vídeo em destaque no Público porque,


O que me irritou foi o facto de eu ter pensado que, mesmo que remotamente, pudesse haver algo de interessante ou até divertido no vídeo...

11.4.10

Um Deslumbramento

O país político, e sobretudo a comunicação social, está deslumbrado com Pedro Passos Coelho, um verdadeiro líder e construtor de unidade. Ouvi-o brevemente na sexta-feira no discurso inaugural: parecia um aluno bem comportado, muito asseado e com a lição esmeradamente estudada. Um orgulho para os demais, estou certa. Como nenhum músculo meu mexeu ao ouvi-lo, mudei de canal. Mas parece que se esperam grandes feitos e obras dele, e as sondagens, até aqui renitentes para com o PSD, parece que até já se mexem. E isto sem ainda ter tido tempo de fazer os ditos feitos e obras que todos esperam, mas já arrastando consigo os slogans da mudança e da unidade. Como será quando fizer? Tanta eficiência, tanta eficácia, tanto deslumbre. Eu esperarei sentada, se não se importam.

25.2.10


Depois de ouvir o que Henrique Monteiro disse ontem na dita Comissão de Ética, confirmo, para meu grande constrangimento, que:

Eles não têm vergonha (entre as outras muitas coisas que não têm, por exemplo, sentido de Estado).

O pais merece-os. O que seria notícia de primeira página nos jornais de hoje em qualquer país civilizado e que preze a democracia, a liberdade e a independência entre instituições e poderes, é relegado para segundo plano e o país ouve tais declarações com a tranquilidade (às vezes parece mais estupor do que tranquilidade) de quem come castanhas. Estranho país, estranha gente.

9.2.10

O Quê?

Ouvi no Primeiro Jornal da SIC que os promotores da manifestação de 5ª feira Todos pela Liberdade pedem que os manifestantes se vistam de branco. O quê? Vestir de branco? Para quê? Ninguém explicou e justificou esse estranho pedido e por muitas voltas que dê à cabeça, juro que não entendo, nem a motivação para tal pedido nem o possível simbolismo deste branco. Deve ser algo de muito rebuscado.

Este é um caso típico de decisão folclórica e absolutamente dispensável e desnecessária, (mas certamente tomada com entusiasmo), que irá afectar a eficácia e a seriedade de uma iniciativa por muito mérito que tenha. Também é preciso manter os pés na terra, e do ponto de vista prático, pergunto-me qual a disponibilidade de quem trabalha (é um dia de semana) e em pleno Inverno se vestir de branco, para uma manifestação à hora do almoço.

Dito isto. Assinei a petição e aplaudo a iniciativa cujo mérito está em abordar uma das mais importantes questões na forma como vivemos a nossa democracia: a independência, ou falta dela, dos diferentes grupos de comunicação social face ao governo e que invariavelmente afecta e condiciona a liberdade, ou não, de expressão, nomeadamente a que se manifesta e ganha corpo quer através da livre expressão de opiniões pessoais, quer a livre decisão sobre linhas editoriais nos diferentes meios de comunicação social. Poderia também falar, por exemplo, da forma como o Estado dá publicidade aos diferentes meios de comunicação social, condicionando assim também a liberdade de expressão.




5.2.10

Sabe Eduardo, o problema é que há sempre quem teime em não perceber, nem em querer perceber, a grande diferença que é, por um lado, ser um (o) accionista principal (dono) de uma empresa privada e despedir seja quem for, ou mesmo ser director dessa empresa e não gostar nem aprovar o trabalho que alguém produziu, e por outro, ser um político que tenta influenciar, pressionar, abusar do seu poder e planear para conseguir algo em seu benefício em empresas privadas das quais não é nem accionista, nem executivo. Isto só para falar em abstracto. Os casos dos últimos meses na comunicação social mostram que quando o Primeiro-ministro não gosta, (coisa que, em circunstâncias normais em democracia, seria só azar dele) há afastamentos e despedimentos.

2.2.10

Parece que afinal a “asfixia democrática" sempre existe, se até o Expresso, na voz do seu director, já diz que
diz também que
e ainda acrescenta
Manuela Ferreira Leite, a eterna desprezada, a bota-abaixista - entre outros qualificativos, claro - parece que não errou uma declaração, uma previsão.

Sobram dúvidas sobre o tipo de Primeiro-ministro que temos? Os casos passados e este não bastam ainda para discernir um padrão? Acredito que os próximos dias sejam férteis em revelações. Diz-nos a História que a tendência dos homens do poder de chamarem “loucos”, “paranóicos” ou psicóticos a precisar de apoio, a todos os que lhe fazem frente, contradizem e mostram oposição é um mau sinal.

Há um cheiro pronunciado a declínio – a fim. Será que chegamos ao princípio do fim?

21.1.10


Ao contrário do que se diz aqui, creio que não vamos precisar de esperar pelo que dizem os bloggers sobre o “evento” do jovem político cujo livro, de que ninguém se lembrará daqui a um ano ou dois, é lançado hoje. As televisões não tardarão a encher os ecrãs da juventude e mudança que serão amplamente apregoados, estou certa. No entanto é pena “aquilo” do Sá Pinto, outro jovem que nunca desilude, que poderá, logo nas televisões, roubar algum protagonismo.

Enquanto isso, Manuela Ferreira Leite, avalia o Orçamento de Estado para 2010; mas o OE não é notícia que abra jornais televisivos.


19.1.10

Pedro Passos Coelho teve hoje a seus pés (vi na televisão) uma comunicação social atenta, agradecida e obrigada na apresentação do seu livro com título de inspiração obamiana e com capítulos de títulos giros, tipo “De Boa Saúde”. Depois do que li nesta notícia do “i”, gostei especialmente da parte sobre “medicamentos”. Uma proposta interessante numa área e com uma classe com quem tem sido fácil para os governos trabalhar.

É tão fácil pôr meia dúzia de chavões políticos simpáticos e razoavelmente consensuais em livro. Mas desengana-te Manuela, tu, mesmo que escrevesses os Lusíadas, só terias direito a 22 segundos de notícia e 15 de filmagem que, por coincidência seriam na altura precisa em que a tua cara estava numa posição estranha.

16.1.10

Um Estilo

Não quero, não consigo e não gosto do “estilo” José Sócrates. Ontem, na AR, aquele que sistematicamente se diz vítima de calúnias e ataques pessoais foi, mais uma vez, deselegante no seu ataque à líder do PSD - a propósito do PEC - com pequenas e maldosas, insinuações do género: “É tudo muito simples para quem já desistiu de liderar (...) e para quem quer ir embora” (ver aqui). Isto porque Manuela Ferreira Leite ousou desmontar o “estilo”, a forma de fazer política e a má-fé do governo ao denunciar o anúncio diário de medidas com implicações orçamentais antes da discussão orçamental. José Sócrates está muito enganado: MFL não é do “género” de desistir, e não o faz, sendo contundente nas suas intervenções e sempre presente no cenário da discussão política nacional, pese este facto a muitos, nomeadamente e especialmente a um sector do PSD que minimiza as suas intervenções pois gostaria que ela se tivesse demitido do cargo para que foi eleita no dia seguinte às eleições legislativas.

MFL, como sempre, esteve certeira, mas nunca na comunicação social as suas palavras encontram o eco que merecem. Mesmo não gostando dela, do seu "estilo", mesmo achando-a sem jeito e sem piada, mesmo achando a “velha” (mas já Manuel Alegre, esse, não é “velho”), as suas intervenções enquanto líder da oposição mereceriam, numa sociedade menos “asfixiada comunicacionalmente”, destaque e discussão. De facto, neste mundo pateta, é melhor ser engraçado do que ter graça.

O líder do CDS foi oportuno ao dizer que “quando se negoceia, não se ameaça”, pois estar num processo negocial ameaçando é mais uma prova (como se precisássemos de mais) deste “estilo” que transpira má-fé e muito “à Sócrates”. Primeiro, e pela voz do seu ministro das Finanças, tenta condicionar o PSD e o CDS ameaçando uma subida de impostos caso este mantenha na mesa negocial a proposta do fim do PEC e a revisão da Lei sobre as Finanças Regionais.”. Num momento posterior, e porque a ideia de subida de impostos começa a ser em Portugal e finalmente, cada vez menos popular e cada vez mais olhada com desconfiança, José Sócrates “explica” que o governo não “quer” aumentar impostos e, vitimizando-se (outra das faces do “estilo”) diz que o governo é que está refém das votações da AR.

Tempos difíceis se adivinham, sobretudo para o PSD, nesta fase negocial sobre o orçamento com este governo liderado por José Sócrates, e que, em bom rigor, não sei se deveria ou não ser viabilizado. Sobrará sempre para o PSD. Será preso por ter cão e preso por não ter.

4.1.10

Polvos que Dão à Costa

De regresso ao nosso país fustigado pela chuva e vento, aqueço a casa, ligo a televisão e vejo que a notícia de destaque são as toneladas - ou centenas ou milhares, não percebi bem devido à nossa endémica falta de precisão numérica (que, note-se, parece nunca ter afligido nada nem ninguém, por muito estranho que possa parecer), de polvos que deram à costa e uma perna ou pé (também aqui ouvi e vi dados divergentes que pouco interessa apurar, diga-se) humano calçado. Este pormenor é que não falhou, como se a presença do sapato (ou bota) fosse o cerne da preocupação deste insólito caso.

Depois ouvi e li sobre a Mensagem de Ano Novo do Presidente Cavaco Silva que ao que parece se mostrou firme nas suas convicções sobre o estado do país, acabou com os equívocos sobre ingovernabilidade e – dizem – deu sinais de uma recandidatura. Hoje de manhã, entre nadas noticiados, vejo aqui denunciada mais uma manobra “criativa” de camuflar, esconder e iludir a verdade por parte do executivo de José Sócrates. Nada de novo, portanto.

O país começa o ano de 2010 com o mesmo entusiasmo com que acaba o de 2009. A única diferença parece estar nos polvos que dão à costa.

10.12.09

Da Igualdade

Parece que a moda pegou e que não há maneira de sair desta linha de argumentação: quem não gosta do PSD, ou melhor, deste PSD, ou melhor, de Manuela Ferreira Leite, mais tarde ou mais cedo, e por muitos ares que se dê de distanciamento político e de isenção, acaba sempre por cair no argumento trivial e grau zero da argumentação política: “são todos iguais”. Eu sei que é fácil ceder ao populismo e à audiência “taxista”, e eu sei que a vida nem sempre é fácil e que às vezes é preciso despachar uma opinião para um jornal ou uma televisão como quem faz a lista de supermercado, mas de certos comentadores espera-se (espera-se mesmo?) um pouco mais de seriedade na análise.

O último caso que me chamou a atenção foi este artigo de Constança Cunha e Sá (via). Esta frase o mal, como se vê, está bem distribuído pelas aldeias, uma versão aparentemente mais elaborada e sofisticada do “são todos iguais”, mostra preconceito (para não dizer má-fé) em relação aqueles que questionam – e querem esclarecimentos sobre – a conduta do Primeiro-ministro. Os factos apontam para que o Primeiro-ministro tenha, numa conversa que foi escutada no âmbito de uma investigação de que era objecto o seu interlocutor, mostrado que interferiu na area da comunicação social através de um negócio que disse, na altura no Parlamento, desconhecer. A ser verdade há aqui matéria para investigar. São questões da esfera política ligadas à forma como tem exercido o seu cargo público. Por isso as questões levantadas são legítimas, tal como as dúvidas, até agora nunca esclarecidas, que todos temos em relação ao caso Freeport, e à questão da discrepância de biografias de José Sócrates no Parlamento, por exemplo.

Dúvidas deste género não se colocam nem no caso de Manuela Ferreira Leite, nem no caso de Aguiar Branco, (ou de outros anteriores dirigentes socialistas, por exemplo) por muitos erros politicos que comentam, por muita falta de “jeito para a política” (seja lá o que isso for) que tenham. Não gostar de um politico não faz dele um “igual” a outro de quem não se gosta também, mas que está (e tem estado em permanência) sob suspeita de ter cometido e cometer actos ou ilegais ou menos éticos do ponto de vista politico. Querer "igualar" é não querer perceber a óbvia diferença. Por muito que insistam, nomeadamente os que gostam de ver a “diferença” em Pedro Passos Coelho (as if...), nunca farão de Manuela Ferreira Leite uma “igual” a José Sócrates, nem (infelizmente) de José Sócrates um “igual” a Manuela Ferreira Leite.

Não, não são todos iguais. Não, o mal não está igualmente distribuído pelas aldeias.
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7.12.09

Outra 1ª página horrorosa e o novo tom ou estilo ou linha editorial ou seja-lá-o-que-for que se impõe sem surpresa: cada vez mais banal, superficial e previsível. A ler aqui.


18.11.09

Se dúvida houvesse sobre a intencional, gradual, mas bem visível tabloidização do Público, elas dissipar-se-iam com a primeira página de hoje. O grafismo da edição impressa de hoje tem pouco que ver com a do jornal de referência que o Público pretende ser, pois o jornal de hoje já quase parece um prospecto publicitário do Continente. Mais um esforçozinho e fica tal e qual.
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12.11.09

Do Fascínio

Hoje na rádio já ouvi falar em “alegadas conversas” quando se referiam às conversas entre José Sócrates e Armando Vara que foram escutadas no âmbito do processo Face Oculta” e que sempre foram "conversas" sem o indispensável "alegadas" . (Que seria deste país sem alegados?). Não, não são as escutas que são “alegadas escutas” (uma vez que há o problema de serem ou não válidas do ponto de vista jurídico) são as conversas, aquelas que existiram mesmo, pois foram escutadas, que são “alegadas”. Estes mecanismos comunicacionais (e não só) de distanciação do real fascinam-me.
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6.11.09

Ontem, Miguel Sousa Tavares na TVI pôs o dedo na ferida elogiando a intervenção da líder da oposição, sobre o deficit e a insustentabilidade económica do país. Ao contrário do que a televisão (nomeadamente a SICe a TVI) mostram – Paulo Portas - quando em voz off falam de oposição, MST sabe que é Manuela Ferreira Leite e o "seu" PSD com quase o triplo da votação do CDS-PP, a líder da oposição. Essa estranha e persistente atracção (ou má-fé?) da comunicação social por Paulo Portas em detrimento e contra MFL, de tão óbvia, já cansa. Mas, voltando a MST, ele indignou-se perante a indiferença do executivo face à situação económica e financeira do país e à resposta, que ficou por dar, quando o Primeiro-ministro foi interpelado por MFL. José Sócrates continua a não dar respostas. Como sempre.

Também o comentário de MST ontem teve um outro momento de destaque quando falou sobre a corrupção em Portugal e a descreveu não tanto como corrupção de grande dimensão, mas sim como um enraizado e tentacular tráfego de influência e permanente promiscuidade entre o Estado e as empresas participadas ou não pelo Estado. Todos fazem favores a todos, todos “dão um jeito” a todos, todos beneficiam da complacência de todos e da longa e generosa mão estatal através de lugares dados, concursos ganhos, subsídios atribuídos, etc. Mal mesmo fica quem, longe desses “esquemas”, paga imposto, desconta para uma segurança social sem saber se terá retorno um dia, nunca recebe subsídio e nunca mereceu (nem deveria, note-se), ao contrário de tantos outros ali mesmo ao lado, um átomo de atenção do estado.
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2.11.09

A propósito de editorias de jornais – ou outras publicações - serem ou não assinados, Eduardo Pitta lembra aqui alguns casos de publicações estrangeiras nomeadamente o Economist em que os editoriais não são assinados. No entanto esquecece de referir que a linha editorial do Economist, (e de tantas outras publicações sobretudo anglo-saxónicas) é “crystal clear”: liberdade, liberdade individual, direito de escolha, mercado aberto livre e concorrencial, impostos reduzidos, e que o Economist, onde também não existem artigos assinados, toma sempre uma posição, também ela “crystal clear” e devidamente explicada e justificada em momentos que considere relevantes: eleições no Reino Unido ou nos EUA, para dar exemplos políticos. Não existem “estados de alma” editoriais, mas opções claras sem a conversa de chacha que o editorial do Público ontem nos impingiu e que fala em coisas vagas e que servem tudo e todos de acordo com a necessidade do momento. Senão que é que é isso de “queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos”?
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1.11.09


Para além da suposta percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal (o quê?), temos também,

os editoriais, (que) a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. (...) Há 20 anos, quando nascemos, foi decidido que os editoriais seriam assinados com base em duas ideias: seriam mais acutilantes e comprometeriam apenas o seu autor. Hoje sabemos que essa ideia original se tornou utópica e que um editorial compromete todo o jornal - é a cara do jornal - e não pode, por isso, ser veículo da opinião de uma só pessoa.

Desconfio sempre quando se substitui a liberdade e a responsabilidade individual por um colectivo amorfo (que outra coisa pode ser o “pensamento de um jornal como instituição”? Seria bom defini-lo já) que nunca se sabe bem o que é nem quem é, mas onde fermenta sempre um caldinho morno que alimentará quem for preciso alimentar aqui e ali. Domage.

E que dizer desta conversa de chacha: Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos? Julguei que o Jornal Público cujos leitores são os mais exigentes, tivesse uma já maturidade que dispensasse este tipo de conversa típica da pós-adolescência (sem desprimor para a dita). Enganei-me.
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Acerca de mim

temposevontades(at)gmail.com