De nada serve estudar anos seguidos, decorar manuais, códigos, pesquisar e a tirar boas notas. De nada serve fazer um mestrado e outro, cursos de Magistratura, passar provas com distinção, se faltar o bom senso e se nunca se perceber que as Leis são para servir os cidadãos e não os cidadãos para servir as Leis. Nesta história chocante de condenação do Pai Adoptivo fica patente a confiança dos cidadãos de bem na Justiça do estado que é, infelizmente, tão bem ilustrada nas declarações da Juíza: ...foi uma decisão colegial, em consciência e sem qualquer dúvida. Note-se bem: sem qualquer dúvida. Destas consciências, deste Juízes e desta Justiça (deste Estado) eu tenho é medo!
holehorror.at.gmail.com
17.1.07
Não se pede Sensibilidade; só Bom Senso.
De nada serve estudar anos seguidos, decorar manuais, códigos, pesquisar e a tirar boas notas. De nada serve fazer um mestrado e outro, cursos de Magistratura, passar provas com distinção, se faltar o bom senso e se nunca se perceber que as Leis são para servir os cidadãos e não os cidadãos para servir as Leis. Nesta história chocante de condenação do Pai Adoptivo fica patente a confiança dos cidadãos de bem na Justiça do estado que é, infelizmente, tão bem ilustrada nas declarações da Juíza: ...foi uma decisão colegial, em consciência e sem qualquer dúvida. Note-se bem: sem qualquer dúvida. Destas consciências, deste Juízes e desta Justiça (deste Estado) eu tenho é medo!
16.1.07
Os Princípios
Anne Brontë, The Tennant of Wildfell Hall
15.1.07
14.1.07
As “Boas Pessoas”
13.1.07
Dilemas morais
Depois de ter lido esta nota de JPP, não deixo de querer fazer um breve comentário. É precisamente porque a questão do aborto levanta “outro tipo de dilemas morais” que é tão polémica, fracturante, funcionando como uma espécie de caixa de Pandora de onde vão saindo cada vez mais questões, quer do foro íntimo quer do foro social, morais e éticas, financeiras e políticas. O aborto toca na “vida”, e na “vida” cabe tudo. Discutir o aborto é complexo e eu creio que a abordagem “less is more” é provavelmente aquela que evita extremismos, demagogias fáceis, certezas absolutas, slogans datados ou arrogâncias morais. A parte que me levanta dúvidas prende-se com o “tipo de dilemas morais” que poderão determinar uma opção de aborto. Eu não duvido que sejam genuínos, legítimos, naturais e normais (num sentido estatístico de normalidade), o que questiono é se, na valoração moral estas questões terão o mesmo peso que a “vida”. Primeiro porque quando falamos na questão da “vida” sabemos do que falamos, e quando falamos de “outro tipo de dilemas morais”, não sabemos do que falamos, tornando-se mais difícil essa valoração.
A lei actual contempla alguns conhecidos dilemas morais: violação, saúde da mãe (de forma muito abrangente) e mal formação do feto. Existirão muitos mais, sobretudo no foro íntimo de cada ser humano. Mas como pode ser feita essa valoração? Deve a sociedade fazer uma lei que acautele, esses “outro tipo de dilemas morais”, e só durante as primeiras dez semanas, em detrimento de um valor que se considera maior e que é a “vida”?
12.1.07
11.1.07
Arbitrariedade do Estado
Público, Editorial de hoje, sobre os casos das notas de exames decididas em tribunal, porque o Ministério não soube acautelar a igualdade de circunstâncias para todos os alunos. Este caso, de contornos evidentemente injustos e pantanosos provocados por incompetência e leviandade do Governo, e denunciados neste Editorial continua no entanto, a não merecer a atenção, indignação e a reprovação que esperaria. Que mais faltará?
Peritos?
Que peritos são estes que propõem a criação de mais um imposto? Desta vez na área da Saúde. Para propor criação de impostos não é necessário chamar nem pagar a peritos: qualquer um consegue fazê-lo. Peritos e sábios são os que, sem criação de novos impostos, propõem a racionalização de um serviço evitando as derrapagens financeiras. Claro que uma racionalização, reorganização e controle de custos (as ditas reformas estruturais!) é decididamente mais complexo, polémico, demorado e não gera dinheiro fácil já... Mas esta proposta de peritos é certamente a má opção. Nunca é demais dizê-lo: o país vive sufocado com tanta carga fiscal.
10.1.07
Há dias de Inverno assim 4...
Utagawa HiroshigePeople on a Bridge Surprised by Rain (1856-8)
(from the series One Hundred Famous Views of Edo)
Em que o carro vai para a revisão.
9.1.07
O NIM
Parece que alguns movimentos de apoio ao SIM no referendo ao aborto começaram a perceber onde tudo se joga. Tal como no voto partidário em que o chamado “centrão” decide o sentido do voto, também neste referendo é ao NIM que terão de ir buscar votos e uma decisão. O SIM está a perceber que um discurso demasiado voluntarista que se baseie numa concepção de liberdade que põe em causa a liberdade de existir do feto, ou em slogans do tipo: “aqui mando eu” ou em discursos inflamados sobre desigualdades sociais (que se irão manter) afastam votos. Cabe ao NÃO agora, aproveitando o maior argumento do respeito pela vida, abandonar de vez um discurso demasiado taxativo e de alguma arrogância moral, no qual muitas mulheres, e também homens, ou porque já abortaram sendo “contra” o aborto, ou porque têm consciência que um dia poderão ser confrontadas com uma situação de dilema sobre abortar ou não, não se revêem e rejeitam.
Será difícil: o discurso sobre a liberdade e o direito à decisão está tão enraizado na história recente das lutas e reivindicações feministas, e o aborto tão dependente de uma certa noção de direito da mulher que dificilmente certos sectores conseguirão olhar para esta questão de outra forma. O grande terreno comum parece ser o da rejeição do aborto e o da rejeição da condenação de uma mulher por ter feito um aborto. É neste, pelo menos aparente, desequilíbrio partilhado pelo NIM que se joga a decisão do referendo.
8.1.07
Carolina 2
CCB

Hoje demorei a folhear o livrinho da programação do CCB para Janeiro, Fevereiro e Março. Vi com atenção, marquei as páginas com espectáculos que me pareciam interessar para com mais tempo decidir o que me apetece ver ou não. Já há muito que não o fazia este ritual pois, nos últimos anos abria o livro e depressa o via, muitas vezes deitando-o fora de seguida por nada me ter entusiasmado. Nos anos que se seguiram à inauguração do CCB, pude lá espectáculos, sobretudo de ópera e bailado, de enorme qualidade coisa que nos últimos anos não consegui fazer porque as propostas me eram desconhecidas ou simplesmente não me interessavam. Vejo agora com agrado o regresso de propostas de obras “clássicas” conhecidas e apreciadas, nomeadamente ópera, numa das boas salas da cidade de Lisboa.
7.1.07
6.1.07
Dia de Reis
Galleria Degli Uffizi
Parece ser impossível não gostar, sempre, de Sandro Botticelli. Vêm modas estéticas com as suas teorias inovadoras, vêm diferentes valorizações da memória artística, ou manias, gostos, estados de alma, psicanálise simbólica da obra de arte, chuva, vento ou sol desabrido, mas desde o dia em que se viu o primeiro quadro de Botticelli que ficamos presos à sua obra. Não há excessos de postais ilustrados de pormenores da Primavera, nem poster de gosto mais ou menos duvidoso do Nascimento de Vénus que perturbe esta admiração. Mesmo cercados por enxames de turistas polifónicos e barulhentos, numa sala mal iluminada dos Uffizi, depois de esperar para lá entrar... nada parece abalar este gostar imenso que nos deixa rendidos perante a sua obra.
5.1.07
Engenharia e Bruxarias

Não havia nenhuma razão para que não resistisse (...), Eu sei dessas coisas, foi para isso que estudei. As ondas e as correntes eram as mesmas que incidiam no primeiro. A linha de fuga, idêntica, assim como a profundidade das fundações submarinas. Os operários insistiram comigo para que desse ouvidos ao Arquimedes, mas eu achei que era um capricho de velho bêbedo para justificar o ordenado. E construí-o onde me pareceu. Em má hora amigo Ricardo! Meti-lhe o dobro das pedras e da argamassa do primeiro, e o maldito desfazia-se-me uma e outra vez. Provocava remoinhos que alteravam toda a zona envolvente e criavam correntes e marés que tornaram a praia um perigo para os banhistas. Em menos de seis meses, o mar fez-me o endemoninhado esporão em pedaços e deixou-o transformado na ruína que viste. Cada vez que por lá passo fico com a cara a arder. Um monumento à minha vergonha! A Câmara multou-me e fiquei a perder dinheiro. (...) As explicações que ele dá não são explicações (...). São patetices. Como “O mar ali não aceita”, “Ali não encaixa”, “Ali vai mexer, e se mexer, a água rebenta com ele”. Parvoíces assim sem pés nem cabeça. Bruxarias, (...) ou o que quer que seja. Mas, depois do que me aconteceu na Costa Verde, eu calo-me muito caladinho, e é o que o velho disser. Em matéria de esporões não há engenharia que valha: ele sabe mais.
4.1.07
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