“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com

1.7.08

As Mulheres Fazem Política de Forma Diferente?

Tem-se perguntado “por aí” nestas últimas semanas se as mulheres têm uma maneira diferente de estar e de fazer política da dos homens. É a velha história de se as mulheres escrevem de forma diferente dos homens se gerem empresas de modo diferente dos homens etc, etc. Este item da agenda pensante do momento lembrou-me uma cena a que assisti há não muito tempo e que me pareceu interessante, bem como relevante para este caso.

Duas crianças, um rapaz de 7 anos e uma rapariga de 5 anos brincavam com um Action Man que tinha um enorme carro/habitação/quartel-general todo equipado para o conforto, para as imprescindíveis telecomunicações, para defesa, ataque, para camuflagem e para a sobrevivência em geral. O rapaz mexia mais nos gadjets do que no boneco propriamente dito; preparava a secretária para telecomunicar, as armas para defender e atacar, organizava os restantes equipamentos para que estivessem prontos para quando fossem necessários e dedicava-se com atenção a essas tarefas. A menina pegava no Action Man que estava vestido, talvez equipado fosse uma palavra mais correcta, e perguntava-lhe, com ar de quem sabe o que faz, se ele tinha feito cócó e se tinha limpo o rabo, isto perante o olhar atónito do miúdo. Depois disse que ele tinha que ir dormir e foi buscar a rede guardada num canto do veículo multi-funções, tentou desfazer a secretária, isto é a central de telecomunicações, para estender a rede e o pôr a dormir. O rapaz ficou parado, e depois de uma pausa para tentar perceber o que se passava, diz-nos de forma divertida mas paternal: “ela pensa que é a mãe dele!”

Esta cena não me sai da cabeça, mas creio que só posso tirar conclusões mais sérias e daí inferir algo de conclusivo para a forma de ambos os sexos fazerem política quando vir duas crianças, rapaz e rapariga a brincar com uma Barbie. É a peça que falta.

29.6.08

Plataforma contra a Obesidade 41

René Magritte. (1898-1967).
The Portrait


Numa época em que se insiste no truísmo de que “somos o que comemos”, esta ideia de “retrato” no prato de René Magritte faz todo o sentido e ao fazer todo o sentido pomos, num primeiro momento, em causa a retórica surrealista da incoerência, do contra senso e do inesperado. Mas quando o nosso olhar se demora no quadro, deixa-se seduzir pela sua simplicidade, deixa-se encantar pelo seu grafismo “clean”, pelo rigor do desenho, pela uniformidade da cor, pelo esperado dos contornos e das sombras, pelo equilíbrio formal, pela simplicidade temática. Só o olho, aquele pequeno olho na fatia de fiambre, chega para desequilibrar e perturbar a aparente tranquilidade que a paz gráfica nos dá. Quanto mais olhamos, mais nos surpreendemos. Surrealismo no seu melhor, e um quadro fabuloso.

The Flock

Ainda não me habituei a sair de um filme a meio numa sala de cinema. Vejo muito quem o faça, mas até hoje nunca o fiz. Já aprendi a abandonar livros, mas filmes ainda não. O que vi ontem, “The Flock”, traduzido, sabe-se lá porquê, para um “Obsessão Mortal” (porque não uma tradução literal para bando ou rebanho?), foi um sério candidato ao abandono da sala. Mau filme, aliás as primeiras frases do filme, clichés batidos, prenunciam o pior, mas depois de pagar um bilhete não queremos acreditar em maus prenúncios. Um filme sem densidade, sem uma verdadeira “história”, com personagens sem espessura, diálogos fracos, sem tensão dramática, (aliás, sem drama), com violência a rodos obrigando os espectadores (olhei à volta) a ter sempre as mãos próximas dos olhos, e sem sentido, nem propósito para tanta exibição de imagens violentas e soturnas. Um surpreendente (a única surpresa do filme) happy ending - se é que algo pode ser happy num filme tão mau, só piorou o que considerávamos impossível de piorar. Um filme a evitar, só não percebi porque ninguém abandonou a sala, nem eu própria.

O que era implícito, o que era uma dedução lógica, mas simples (como se houvesse contradição entre estes dois termos) tornou-se ao longo desta semana explícito e assumido. Pelo menos agora sabemos todos do que falamos, quando se falam em exames nacionais e sabemos todos para que eles servem.

24.6.08

Da Pobreza

O que se passa com os exames nacionais do ensino básico e secundário é um escândalo: o governo está, deliberadamente, a promover e a premiar a ignorância e a mediocridade sem outro objectivo nobre – e eu nem acredito que a promoção da ignorância e mediocridade possa algum dia ser feita em prole de um objectivo nobre – que não o de contornar estatísticas. Por causa de uns números europeus ou internacionais que medem e mostram o grau de literacia de um país estamos a por em risco a educação, o conhecimento e o rigor. Pura vaidade do nosso Primeiro-ministro que falhando noutras áreas quer fazer bonito aos olhos de fora tapando e escondendo as misérias domésticas. Pura perfídia para com o país (os pais) que paga tantos impostos e espera um ensino capaz e minimamente (já só digo minimamente) exigente, pura mentira para os alunos e professores que se esforçam com seriedade e rigor e vêm os seus esforços serem nivelados ao lado da mediocridade. É um caso de pobreza pura, moral sobretudo, mas também intelectual, porque a pobreza não tem só a ver com o dinheiro que se tem ou não no bolso, nem com as oscilações do mercado que faz subir os preços do petróleo. Mas desta pobreza fala-se pouco, é menos sloganizável.

Aqui no Blasfémias uma síntese de jcd de porque é que, sem entusiasmo mas também sem vergonha temos finalmente um líder em quem se pode votar, o que é já um grande alívio e uma enorme diferença em relação às eleições anteriores.

Dando Excessivamente sobre o Mar 33



Alexandre Cabanel (1823-1889)
The Birth Of Venus

23.6.08


Logo de manhãzinha, ainda a recolher os pedaços de si que se desagregam e se espalham por aí durante a noite, ainda a olhar a luz perplexos, lemos notícias destas e ficamos sem saber se afinal ainda somos actores dos sonhos improváveis das noites de verão ou já acordámos. Depois perguntámo-nos se não será o dia 1 de Abril, e se não haverá algum engano. O pior é preferir nem saber pois já nem nos resta a esperança de que a justiça no fim, como os bons no cinema, vença sempre nem a esperança, para sossego das nossas consciências, de que decrete os culpados e os inocentes separando trigo do joio e repondo ordem. Já nem sequer há Marias Josés Morgados que nos valham. Que país é este?

21.6.08

Dias de Verão 5

Winslow Homer (1836-1910)
Summer Night

20.6.08

Um Post de Generalidades, mas

O tema não merece mais nem melhor. Manuela Ferreira Leite cometeu o pecado de ter enunciado a sua condição de mulher ao dizer que, cito de cor, As mulheres não pensam 24 horas na política, e que pensam noutras coisas. Caiu o Carmo e a Trindade, jornalistas, bloggers, analistas, comentadores, políticos da esquerda, políticos da direita têm-se detido nesta frase e encontrado mil razões para verem nela sinais de incompetência política, feminismo, oportunismo, falta de feminismo, eu sei lá! You name it, they saw it. Para mim a frase revela a mais óbvia das realidades, diria mesmo que é de uma banalidade total, e ao enunciá-la entrarei com gáudio no reino das generalidades: uma mulher, seja ela quem for, nunca pensa 24 horas na mesma coisa. Mesmo que queira, não consegue, porque não a deixam, porque ela não quer, sei lá: porque é assim, ponto. Há sempre um neto que nasce, uma empregada que telefona pois não percebeu o que era o jantar, a caixa de e-mail que nem queremos abrir, um filho que deita sangue pelo nariz, a reunião marcada para as 18 e 30 e as crianças que só podem estar no colégio até às 19 e o pai delas que não atende o telefone, a filha que hoje à noite vai sair e ainda não se sabe bem com quem, a mensalidade do sei-lá-o quê que esqueceu pagar, as calças do marido que já estão prontas na tinturaria há uns dias e ele que teima em se esquecer de ir buscar, a mãe que telefona pela enésima vez a perguntar se não nos esquecemos do aniversário da tia, a sogra que não consegue falar com o filho, o ex-marido que este mês ainda não pagou a pensão das crianças mas foi ao Brasil de férias, aquele fato lindo e que faz tanta falta será que se aguenta até aos saldos, o relatório que não se consegue começar pois o departamento x ainda não mandou os dados, o telemóvel que toca à noite com o(a) chefe a pedir informações para a reunião que vai ter de manhã... Poderia continuar, mas acho que não vale a pena.

Este acontecimento que se criou à volta da frase de MFL fez-me lembrar a reacção dos media franceses quando descobriram que Segolène Royale usava bikini e a fotografaram assim na praia. Então queriam que ela usasse o quê: um fato Chanel? Uma burka? Ela é mulher, e as mulheres vestem bikinis. Eu já vi fotografias dos políticos na praia e não me lembro de os media se deterem no tipo de fato de banho que eles escolhem calção ou sunga, no comprimento dos calções, surfista ou boxer, se são de licra justos ou de sarja largueirões... Escreve-se muito sobre a igualdade de tratamento, mas isso é pura ficção pois as mulheres ainda são tratadas de forma diferente, e isso vê-se no dia em que ousam lembrar a sua condição de mulher e lhes cai o mundo em cima da esquerda à direita: ou porque disse e não devia ter dito, ou porque não disse a coisa correcta da forma correcta.

E continuando com generalidades, pois entre o estereótipo do homem e o estereótipo da mulher, há toda uma interessante gama de cinzentos, poderíamos dizer coisas do género “as mulheres riscam os carros e não se importam, pois para elas, eles são meros objectos utilitários”, “as mulheres têm mais capacidade para ouvir os outros”, “as mulheres são mais sensíveis às questões sociais”. As mulheres dizem coisas destas, será que as mulheres políticas não o podem fazer? Que tipo de discriminação é essa? Voltando ao Caso MFL: o que poderia ter sido uma questão política pertinente sobre a oportunidade ou não da sua ausência e consequente silêncio na semana dos bloqueios, inquinou-se e transformou-se na espuma de uma banalidade e numa questão corriqueira de “MFL se aproveitar do facto de ser mulher”. E já agora: se alguma vez ela se aproveitou ou vier a aproveitar do facto de ser mulher, merece todo o meu respeito e só mostra que é uma mulher a sério e que deve ser levada a sério.


Willem de Kooning (1904-1997).
Untitled VII

19.6.08

Avaliar

A tarefa de avaliar é uma das tarefas mais exigentes que há e uma em que todas as partes envolvidas (não só algumas) esperam boa fé, honestidade e seriedade, isenção e critérios objectivos definidos à partida. No caso da Educação o objectivo da avaliação deve ser o de servir exclusivamente para medir o grau dos conhecimentos adquiridos de uma determinada população estudantil de acordo com o programa estabelecido como objecto de exames e provas. Avaliar permite quantificar através de uma medida (a nota) a quantidade de conhecimentos adquiridos, bem como a capacidade de os aplicar em casos concretos ou de os integrar e relacionar com outros universos do saber contribuindo para a formação da pessoa. Avaliar bem interessa a todos: aos alunos que vêm os frutos do seu trabalho (ou não), aos professores e às escolas que podem através dos resultados dos seus alunos tirar conclusões que eventualmente lhes permitam melhorar o exercício da sua missão de ensinar, aos Pais que financiam a educação dos filhos (quer através dos impostos quer através de impostos e de propinas de estabelecimentos de ensino privados) para que os filhos usufruam do melhor ensino possível, às universidades que podem escolher quem querem ou não aceitar, à sociedade em geral que ao recrutar recursos humanos tenta também sempre ter o melhor possível.

Como disse no início, avaliar é uma tarefa essencial e muito séria, e que devia ser levada a sério por quem tutela da Educação no nosso país. Infelizmente não é isso que temos. Todos os anos se mudam programas objecto de exames, todos os anos se mudam o tipo de exames, todos os anos se ajustam os critérios da avaliação, não em função do seu objectivo desejável que é medir e dar um grau ao conhecimento, mas em função de critérios políticos cujos objectivos são o de mostrar que a iliteracia se vence a cada dia, a cada ano, a cada governo e que em anos que precedem eleições a iliteracia atinge números mínimos até agora nunca vistos. Há também que melhorar o mapa do sucesso escolar para não fazermos má figura face a uma Europa de uma forma geral mais educada e rigorosa quer no ensino, quer na avaliação. Com tantas mudanças de parâmetros cada um faz a estatística que quiser pois não há uma só variável, todos os dados são variáveis e os números são obtidos em função de um resultado político que se pretende e não em função do que cada aluno sabe de facto, do que cada faixa etária num determinado ciclo escolar sabe de facto.

O que se tem passado a este nível é uma forma de mentira institucionalizada em que a mediocridade se espalha pelo universo estudantil como uma nuvem. Quando se estimula a mediocridade criamos o abismo futuro, mas perceber isto é muito complicado para quem só consegue pensar em ciclos de uma legislatura de quatro anos. Ver esta situação revolta-me profundamente por isso, e sem conhecer os detalhes da proposta do CDS/PP de propor uma estrutura independente para conceber os exames nacionais, aplaudo e estou na generalidade de acordo com tal proposta. Aliás só tirando a avaliação dos estudantes desta necessidade – e, infelizmente, facilidade - de fazer boas estatísticas e de servir propósitos eleitoralistas, se pode começar a ter alguma seriedade no ensino. Pode ser um bom começo.

18.6.08

Combate ao Sedentarismo 55

Cyd Charisse (1922-2008)

17.6.08

Velas 14

Hoje. Fim do dia


Ao passar pelo centro da cidade de Lisboa ao fim da tarde ouvi buzinas de vários carros daqui e dali e vi meia dúzia de - noutros tempos chamar-se-iam gatos pingados – cidadãos com ar de quem não sabia muito bem o que fazia nem o que fazer, com cartazes de protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis. O buzinão apesar de barulhento e irritante, pareceu-me pouco convicto. Mas a minha perplexidade reside no facto de não perceber bem o que pretendem os buzinadores barulhentos mas pouco convictos. Como é que eles pensam que se pode baixar o preço dos combustíveis? Que é que eles propõem? Talvez a sua presença numa futura reunião da OPEP para serem ouvidos quanto aos níveis de produção e preços, ou uma intervenção de fundo junto das sociedades chinesas e/ou indianas (por exemplo) persuadindo os cidadãos contentes por estarem mais ricos a continuar a viver frugalmente e a não quererem ter acesso fácil ao consumo. Talvez queiram cotizar-se para fazer prospecção de petróleo ao largo da Figueira da Foz, ou de Vila Moura, ou mesmo considerar a compra dos poços do Iraque, por exemplo, aproveitando a oportunidade para de uma vez resolverem também os problemas políticos da área. Chavez, na Venesuela também poderia ser um bom padrinho das causas nobres e justas dos cidadãos contra o preço do petróleo. Seja o que for, deveriam sempre dizer o que propõem para resolver o problema da carestia dos combustíveis. Nós não ficaríamos tão perplexos.


As contradições atingem por vezes níveis que me atordoam. Hoje, segundo declaram os alunos que o fizeram, o exame de Língua Portuguesa do 12º ano foi fácil. Ontem e hoje ouvem-se os professores das diferentes universidades e faculdades queixando-se de os alunos não saberem escrever português, de darem erros e de terem dificuldade em interpretar. Ontem e hoje ouvem-se os professores do secundário queixarem-se da falta de literacia dos alunos, de não saberem argumentar, comentar, analisar, comparar, textos e do facto de raramente conseguirem alinhavar mais do que meia dúzia de linhas nos testes em que deveriam mostrar algum à vontade na expressão escrita. Queixam-se dos programas de língua e da sua pouca exigência, queixam-se de terem que perder tempo precioso a justificar com relatórios detalhados as más notas que se vêm obrigados a dar, e a nem sequer serem questionados quando dão excelentes notas. E agora os alunos dizem que os exames foram fáceis! Há algo que não bate certo.

A vontade de termos estatísticas bonitas, lindas, brilhantes e muito lisas em termos de sucesso escolar, é mais uma mentira a que este governo nos obriga para nos iludirmos com a penosa realidade da iliteracia e a complexidade que é uma política educacional de sucesso que não se faz em dois ou três anos. Pelos vistos as nossas estatísticas da educação caminham a passo célere para o mundo de plástico e neons que nos tentam impingir, pelo menos e de forma evidente, há três anos.

Nota: pelo que leio na notícia, Saramago com “O Memorial do Convento”, voltou a sair no exame. Será que não há outros autores portugueses dignos de estudo? Teremos que viver perseguidos por Saramago para o restos dos tempos? Este novo riquismo saramaguiano já cansa. Não nos obriguem a maldizer o dia em que lhe atribuiram o Nobel.

15.6.08

Dias de Verão 4

Georges Seurat (1859 - 1891)
Une Baignade, Asnières

Das Palavras

Sou atenta à forma como se usam as palavras e identifico expressões que num momento são moda, noutro cansam e no seguinte se tornam pirosas. Vejo como as palavras cuidadosamente escolhidas por “sábios” tentam tantas vezes dar uma capa de verniz à falta de conhecimentos ou de “mundo” de quem as utiliza, nomeadamente a políticos, mas não só. Muitas vezes divirto-me só com a forma como elas são combinadas, de forma pomposa e pouco natural e até já tenho rido com letras de músicas aqui no blogue.

Tudo isto porque me deparei finalmente aqui (via Portugal dos Pequeninos) com uma expressão que tardava a aparecer e que eu queria saber quem seria a primeira pessoa (que eu lesse, claro – e assumo já que estou longe de ler tudo) a utilizar a expressão, a propósito da crise petrolífera internacional, "mudança de paradigma civilizacional", e ela foi usada por Manuel Maria Carrilho, coisa que não surpreende, nesta frase: Assumir responsável e pedagogicamente os dados da actual crise, assim como a mudança de paradigma civilizacional - na energia, no crédito, no consumo, nos transportes, no turismo, etc. - que ela impõe com urgência. Se olharmos para a forma (com o conteúdo do parágrafo não me demoro, pois estou em sintonia com a ideia) está lá tudo: o estruturalismo, a influência francesa, as tentações “intelectualizantes”, e também um certo desgaste e facilitismo de alguém que pensa, e que cuida a escrita: essa expressão é previsível demais e por isso, como diriam os adolescentes, “já foi”. “Ter mundo” como escreve MMC no artigo, é também saber reconhecer esses sinais.

13.6.08

Ontem à noite num noticiário televisivo vi e ouvi Freitas do Amaral num excerto de uma entrevista. Consegui (excepcional e surpreendentemente) abstrair-me daquele seu ar pomposo e cheio de sef-importance de quem tem um papel fundamental para o desenrolar de qualquer acontecimento, nomeadamente à escala mundial, e por uma vez concordei com o que disse: Já se ouviu a presidência eslovena da União Europeia a dizer alguma coisa? E a Comissão Europeia, já disse alguma coisa? O Banco Europeu? O Parlamento Europeu, que se preocupa tanto com os voos da CIA, não se preocupa com a maior crise mundial que existe nos últimos 100? As pessoas estarão cegas e surdas? Tal como ele tenho a convicção de que se assiste a uma das maiores crises mundiais dos últimos tempos, e acrescentaria que existe uma diferença notável hoje: são as lideranças no mundo ocidental, maioritariamente ocas, plásticas e fracas e nem a a perspectiva de um futuro presidente dos EUA, ainda a maior potência mundial, nos anima.

O governo negociou, pagando (nós) um preço, o fim das hostilidades com os camionistas, (afinal não tem negociado com todos?) apaziguou o país que o próprio primeiro-ministro confessou, dando um sinal de que está cá, ter sentido frágil, mas desenganem-se os que pensam que no pasa nada, que já está tudo bem. A história ainda não acabou como diz Vasco Pulido Valente hoje no Público.

Velas 13

Ontem

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