“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com

20.7.08

Educação Para a Morte 1

(imagem tirada daqui)

Filipe Nunes Vicente (co-autor e principal animador de O Mar Salgado) escreve bem demais para que o que diz faça sentido, faça um sentido, pensei eu ao começar a ler o seu ensaio, cuja retórica atordoa de prazer numa espécie de circuito semântico fechado cujas inúmeras referências filosóficas, literárias e outras servem de ponto de partida para os brevíssimos textos. Confesso que há muito tempo que um livro escrito em língua portuguesa editado recentemente não me dava tanto prazer ler, embora eu saiba que sou péssima a julgar pois leio pouco em língua portuguesa. Assim esta “Educação para a Morte” é uma peça literária antes de mais nada, e um belíssimo livro, com um título que ilude pois nada lá é educativo ou pedagógico quer no sentido mais pragmático quer na intencionalidade com que é talhado; não são apontados caminhos a seguir ou soluções a considerar, ficamo-nos pelas constatações, pela perplexidade, pelos tantos paradoxos que a vida nos traz, pela tentação de uma generalização que não chega a ser feita, pelo evitar da esperança que aconchega.

Sempre enleada ao ler as suas reflexões, fui a pouco e pouco entrando no domínio da alegoria, do símbolo, da alusão, da referência, ancorando-me ao fio de sentido e de continuidade – uma continuidade que é mais uma sequência do que um desenrolar - que cada série nos dá, num trabalho sempre notável e de rara sensibilidade. Ao longo da leitura pensei em Gil Vicente e no "Auto da Alma", pois parecia que estava perante uma versão menos pedagógica, mais erudita, mais moderna (óbvio) e mais existencialista do caminho das almas neste mundo. Tudo isto faz deste livro um livro para os vivos: muito mais para os vivos do que para os mortos. Enganam-se aqueles que esperam educar-se para a morte (a sua ou a dos outros) na tradição de Kubler-Ross ou mesmo de Hennezel. Neste livro a morte, ou dizendo melhor: o morrer é o grande ausente, num ensaio feito sobre a(s) ausência(s) que a morte gera.

Voltarei a este tema, e a este livro.

Coisas que se podem fazer ao Domingo 27

Auguste Rodin. (1840-1917).
The Three Shades



Acertar a estratégia ganhadora.

19.7.08

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és, assim reza o provérbio. Esta tem sido uma semana interessante para José Sócrates: ontem José Eduardo dos Santos, hoje Kadhafi, ambos importantes parceiros estratégicos, ambos notáveis e, claro, ambos amigos de Portugal. É também nestes momentos que vemos, com algum embaraço, como somos um país pobre.

15.7.08

Hoje cedo
(Clicar para aumentar)

14.7.08

Da Compaixão

Li com alguma sofreguidão e muita comoção o artigo do Caderno P2 do Público sobre Ingrid Bettancourt baseado em entrevistas dadas por ela a vários media internacionais. É todo ele um ensinamento dado com a enorme simplicidade que o sofrimento que se vence a cada dia com persistência, vontade, disciplina e trabalho interior vai expondo e, pareceu-me num primeiro momento, com uma linguagem que todos entendemos, ou pelo menos deveríamos entender que é a linguagem da humanidade do facto de todos partilharmos esse denominador comum que é sermos seres humanos.

Engano meu. Num relato, tudo ele pungente, Ingrid Bettancourt faz uma afirmação que me deixou chocada, porque ao quantificá-la a tira do universo abstracto das afirmações que se vão tornando lugares comuns ouvidos amiúde do tipo: os nazis eram implacáveis, ou os Khmer Rouge não tinham um pingo de compaixão ou a crueldade estalinista não tinha limites. Creio que ninguém no seu perfeito juízo procura compaixão (não um afastado “ter pena de”, mas um mais próximo “sofrer com”) num movimento terrorista cheio de fanáticos guerrilheiros que sabemos serem treinados e vigiados, nomeadamente para serem carrascos e implacáveis. No entanto, são de seres humanos que falamos e quando se lê nestes relatos de IB que terei contactado com mais de 300 guerrilheiros de todas as idades, de todas as condições. Destes 300, não terá havido mais de dois ou três a revelar um comportamento de compaixão, é profundamente perturbador e esta quantificação é duma violência enorme. Ao longo de seis anos de cativeiro e entre 300 guerrilheiros só dois ou três terão mostrado um comportamento de compaixão; ela mencionou um que lhe forneceu remédios, não falou nos outros dois, não sabemos o que fizeram, quem sabe se um deles se limitou a olhá-la como um ser humano olha para outro? O pior, diz ela, foi ter percebido que os seres humanos podem ser tão horríveis com outros seres humanos. E nós percebemos que a solidão que vem dessa constatação e dessa condição é imensa.

Admiro profundamente a dignidade desta mulher que – sabemos e ela nem precisava dizê-lo que só por ter sido a única mulher em cativeiro terá sofrido mais do que os outros reféns, que ela hoje considerou como a sua família lá - soube na solidão na provação e no sofrimento manter-se sã, de alma, de espírito, e também de corpo (tocante a forma como descreve a primeira noite dormida numa cama depois de tanto tempo em cativeiro) sem descrições, comiserações ou vitimizações desnecessárias e com, ela sim, verdadeira compaixão para com os seus carrascos. Ela sabe que perdoar a torna livre.

10.7.08

Best Of Booker


Perguntam-me às vezes onde fui buscar um nome tão horroroso para o blogue. Fiquei espantada por me ir apercebendo com o tempo e o fazer do blogue que, pelos vistos, tinha um blogue com um nome horroroso. Seja. Mas quem reparar na frase que está por baixo do título Hole Horror, talvez perceba de onde veio essa aversão (Horror) aos buracos (Hole, Vacancy) que vamos criando em nós, bem dentro. Veio de uns belíssimos primeiros parágrafos de um dos melhores romances das últimas décadas “Midnight’s Children” escrito por Salman Rushdie que hoje está (mais uma vez) de parabéns e este blogue, com horror aos vazios, não pode deixar de mencionar e se congratular com mais uma distinção, Best of Booker, desta obra.

7.7.08

Dando Excessivamente sobre o Mar 34

Henri-Edmond Cross (1856-1910)
Les Iles d'Or

5.7.08

A capa da edição impressa do Público de hoje é um primeiro passo importante no dever de indignação nacional face à promoção da ignorância e da mediocridade através da mentira. Ao contrário do preço dos combustíveis, factor que cede pouco a indignações e que tem pouca cura com “medidas” governamentais – eu acredito pouco nas medidas “sociais” de governos face a crises económicas deste tipo, os exames do secundário espelham as políticas educativas aberrantes que temos tido ao longo dos anos e dos governos e muito especialmente as avaliações feitas com mentira e má-fé promovidas por este governo em particular. A indignação nesta área poderá dar frutos e criar pressão no governo, para que se comece a limpar o ensino da tralha que o asfixia e se passe a ensinar e exigir e a preparar desde cedo os alunos para um mundo e um mercado de trabalho exigente e competitivo. Não querem reprovações, acabem com elas e passem certidões de “Frequência” a quem frequentou mas não tem nota que satisfaça, mas que se permita sempre aos alunos aprovados poderem destacar-se uns dos outros, e que se possa sempre premiar o mérito, o trabalho, o esforço e a excelência. Não se pode é nivelar por baixo.

4.7.08

A baixa da taxa de reprovação a matemática tem sido, nos últimos três anos interessante: cada ano é metade da anterior. Por este caminho para o ano será um número insignificante o da taxa de reprovação e em três anos Portugal dá o grande salto em frente com taxa residual de chumbos a matemática do 12º ano. Se não tomarmos medidas arriscamo-nos a ser um país de sábios e de matemáticos natos, pois é preocupante o enaltecimento desta melhoria dos resultados que se “verifica pelo terceiro ano consecutivo”.

A Português, as variações parecem mais normais, o que não é normal é a média das classificações. Médias de dez (algo mais ou algo menos) é um sinal evidente da falta de preparação dos alunos para a utilização da sua Língua Materna e um sinal claro de baixo nível de literacia.

Entretanto vale a pena ler Maria Filomena Mónica (Edição Impressa do Público, P2) sobre os exames de Português, num exercício de verdadeiro Serviço Público. Só é pena que se tenha debruçado apenas sobre o Português.

1.7.08

Dias de Verão 6

Edward Hopper (1882-1967)
Sunlight in Cafeteria
(clicar para aumentar)

As Mulheres Fazem Política de Forma Diferente?

Tem-se perguntado “por aí” nestas últimas semanas se as mulheres têm uma maneira diferente de estar e de fazer política da dos homens. É a velha história de se as mulheres escrevem de forma diferente dos homens se gerem empresas de modo diferente dos homens etc, etc. Este item da agenda pensante do momento lembrou-me uma cena a que assisti há não muito tempo e que me pareceu interessante, bem como relevante para este caso.

Duas crianças, um rapaz de 7 anos e uma rapariga de 5 anos brincavam com um Action Man que tinha um enorme carro/habitação/quartel-general todo equipado para o conforto, para as imprescindíveis telecomunicações, para defesa, ataque, para camuflagem e para a sobrevivência em geral. O rapaz mexia mais nos gadjets do que no boneco propriamente dito; preparava a secretária para telecomunicar, as armas para defender e atacar, organizava os restantes equipamentos para que estivessem prontos para quando fossem necessários e dedicava-se com atenção a essas tarefas. A menina pegava no Action Man que estava vestido, talvez equipado fosse uma palavra mais correcta, e perguntava-lhe, com ar de quem sabe o que faz, se ele tinha feito cócó e se tinha limpo o rabo, isto perante o olhar atónito do miúdo. Depois disse que ele tinha que ir dormir e foi buscar a rede guardada num canto do veículo multi-funções, tentou desfazer a secretária, isto é a central de telecomunicações, para estender a rede e o pôr a dormir. O rapaz ficou parado, e depois de uma pausa para tentar perceber o que se passava, diz-nos de forma divertida mas paternal: “ela pensa que é a mãe dele!”

Esta cena não me sai da cabeça, mas creio que só posso tirar conclusões mais sérias e daí inferir algo de conclusivo para a forma de ambos os sexos fazerem política quando vir duas crianças, rapaz e rapariga a brincar com uma Barbie. É a peça que falta.

29.6.08

Plataforma contra a Obesidade 41

René Magritte. (1898-1967).
The Portrait


Numa época em que se insiste no truísmo de que “somos o que comemos”, esta ideia de “retrato” no prato de René Magritte faz todo o sentido e ao fazer todo o sentido pomos, num primeiro momento, em causa a retórica surrealista da incoerência, do contra senso e do inesperado. Mas quando o nosso olhar se demora no quadro, deixa-se seduzir pela sua simplicidade, deixa-se encantar pelo seu grafismo “clean”, pelo rigor do desenho, pela uniformidade da cor, pelo esperado dos contornos e das sombras, pelo equilíbrio formal, pela simplicidade temática. Só o olho, aquele pequeno olho na fatia de fiambre, chega para desequilibrar e perturbar a aparente tranquilidade que a paz gráfica nos dá. Quanto mais olhamos, mais nos surpreendemos. Surrealismo no seu melhor, e um quadro fabuloso.

The Flock

Ainda não me habituei a sair de um filme a meio numa sala de cinema. Vejo muito quem o faça, mas até hoje nunca o fiz. Já aprendi a abandonar livros, mas filmes ainda não. O que vi ontem, “The Flock”, traduzido, sabe-se lá porquê, para um “Obsessão Mortal” (porque não uma tradução literal para bando ou rebanho?), foi um sério candidato ao abandono da sala. Mau filme, aliás as primeiras frases do filme, clichés batidos, prenunciam o pior, mas depois de pagar um bilhete não queremos acreditar em maus prenúncios. Um filme sem densidade, sem uma verdadeira “história”, com personagens sem espessura, diálogos fracos, sem tensão dramática, (aliás, sem drama), com violência a rodos obrigando os espectadores (olhei à volta) a ter sempre as mãos próximas dos olhos, e sem sentido, nem propósito para tanta exibição de imagens violentas e soturnas. Um surpreendente (a única surpresa do filme) happy ending - se é que algo pode ser happy num filme tão mau, só piorou o que considerávamos impossível de piorar. Um filme a evitar, só não percebi porque ninguém abandonou a sala, nem eu própria.

O que era implícito, o que era uma dedução lógica, mas simples (como se houvesse contradição entre estes dois termos) tornou-se ao longo desta semana explícito e assumido. Pelo menos agora sabemos todos do que falamos, quando se falam em exames nacionais e sabemos todos para que eles servem.

24.6.08

Da Pobreza

O que se passa com os exames nacionais do ensino básico e secundário é um escândalo: o governo está, deliberadamente, a promover e a premiar a ignorância e a mediocridade sem outro objectivo nobre – e eu nem acredito que a promoção da ignorância e mediocridade possa algum dia ser feita em prole de um objectivo nobre – que não o de contornar estatísticas. Por causa de uns números europeus ou internacionais que medem e mostram o grau de literacia de um país estamos a por em risco a educação, o conhecimento e o rigor. Pura vaidade do nosso Primeiro-ministro que falhando noutras áreas quer fazer bonito aos olhos de fora tapando e escondendo as misérias domésticas. Pura perfídia para com o país (os pais) que paga tantos impostos e espera um ensino capaz e minimamente (já só digo minimamente) exigente, pura mentira para os alunos e professores que se esforçam com seriedade e rigor e vêm os seus esforços serem nivelados ao lado da mediocridade. É um caso de pobreza pura, moral sobretudo, mas também intelectual, porque a pobreza não tem só a ver com o dinheiro que se tem ou não no bolso, nem com as oscilações do mercado que faz subir os preços do petróleo. Mas desta pobreza fala-se pouco, é menos sloganizável.

Aqui no Blasfémias uma síntese de jcd de porque é que, sem entusiasmo mas também sem vergonha temos finalmente um líder em quem se pode votar, o que é já um grande alívio e uma enorme diferença em relação às eleições anteriores.

Dando Excessivamente sobre o Mar 33



Alexandre Cabanel (1823-1889)
The Birth Of Venus

23.6.08


Logo de manhãzinha, ainda a recolher os pedaços de si que se desagregam e se espalham por aí durante a noite, ainda a olhar a luz perplexos, lemos notícias destas e ficamos sem saber se afinal ainda somos actores dos sonhos improváveis das noites de verão ou já acordámos. Depois perguntámo-nos se não será o dia 1 de Abril, e se não haverá algum engano. O pior é preferir nem saber pois já nem nos resta a esperança de que a justiça no fim, como os bons no cinema, vença sempre nem a esperança, para sossego das nossas consciências, de que decrete os culpados e os inocentes separando trigo do joio e repondo ordem. Já nem sequer há Marias Josés Morgados que nos valham. Que país é este?

21.6.08

Dias de Verão 5

Winslow Homer (1836-1910)
Summer Night

20.6.08

Um Post de Generalidades, mas

O tema não merece mais nem melhor. Manuela Ferreira Leite cometeu o pecado de ter enunciado a sua condição de mulher ao dizer que, cito de cor, As mulheres não pensam 24 horas na política, e que pensam noutras coisas. Caiu o Carmo e a Trindade, jornalistas, bloggers, analistas, comentadores, políticos da esquerda, políticos da direita têm-se detido nesta frase e encontrado mil razões para verem nela sinais de incompetência política, feminismo, oportunismo, falta de feminismo, eu sei lá! You name it, they saw it. Para mim a frase revela a mais óbvia das realidades, diria mesmo que é de uma banalidade total, e ao enunciá-la entrarei com gáudio no reino das generalidades: uma mulher, seja ela quem for, nunca pensa 24 horas na mesma coisa. Mesmo que queira, não consegue, porque não a deixam, porque ela não quer, sei lá: porque é assim, ponto. Há sempre um neto que nasce, uma empregada que telefona pois não percebeu o que era o jantar, a caixa de e-mail que nem queremos abrir, um filho que deita sangue pelo nariz, a reunião marcada para as 18 e 30 e as crianças que só podem estar no colégio até às 19 e o pai delas que não atende o telefone, a filha que hoje à noite vai sair e ainda não se sabe bem com quem, a mensalidade do sei-lá-o quê que esqueceu pagar, as calças do marido que já estão prontas na tinturaria há uns dias e ele que teima em se esquecer de ir buscar, a mãe que telefona pela enésima vez a perguntar se não nos esquecemos do aniversário da tia, a sogra que não consegue falar com o filho, o ex-marido que este mês ainda não pagou a pensão das crianças mas foi ao Brasil de férias, aquele fato lindo e que faz tanta falta será que se aguenta até aos saldos, o relatório que não se consegue começar pois o departamento x ainda não mandou os dados, o telemóvel que toca à noite com o(a) chefe a pedir informações para a reunião que vai ter de manhã... Poderia continuar, mas acho que não vale a pena.

Este acontecimento que se criou à volta da frase de MFL fez-me lembrar a reacção dos media franceses quando descobriram que Segolène Royale usava bikini e a fotografaram assim na praia. Então queriam que ela usasse o quê: um fato Chanel? Uma burka? Ela é mulher, e as mulheres vestem bikinis. Eu já vi fotografias dos políticos na praia e não me lembro de os media se deterem no tipo de fato de banho que eles escolhem calção ou sunga, no comprimento dos calções, surfista ou boxer, se são de licra justos ou de sarja largueirões... Escreve-se muito sobre a igualdade de tratamento, mas isso é pura ficção pois as mulheres ainda são tratadas de forma diferente, e isso vê-se no dia em que ousam lembrar a sua condição de mulher e lhes cai o mundo em cima da esquerda à direita: ou porque disse e não devia ter dito, ou porque não disse a coisa correcta da forma correcta.

E continuando com generalidades, pois entre o estereótipo do homem e o estereótipo da mulher, há toda uma interessante gama de cinzentos, poderíamos dizer coisas do género “as mulheres riscam os carros e não se importam, pois para elas, eles são meros objectos utilitários”, “as mulheres têm mais capacidade para ouvir os outros”, “as mulheres são mais sensíveis às questões sociais”. As mulheres dizem coisas destas, será que as mulheres políticas não o podem fazer? Que tipo de discriminação é essa? Voltando ao Caso MFL: o que poderia ter sido uma questão política pertinente sobre a oportunidade ou não da sua ausência e consequente silêncio na semana dos bloqueios, inquinou-se e transformou-se na espuma de uma banalidade e numa questão corriqueira de “MFL se aproveitar do facto de ser mulher”. E já agora: se alguma vez ela se aproveitou ou vier a aproveitar do facto de ser mulher, merece todo o meu respeito e só mostra que é uma mulher a sério e que deve ser levada a sério.

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