“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com

13.10.08


Vi ontem o regresso dos Gatos Fedorentos À SIC. Soube-me como sabe comer à Segunda-feira os restos ressequidos do Cozido do Domingo, e só me lembrava do velho provérbio que diz que nunca se deve regressar ao lugar onde se foi feliz. Mas a tentação...


Os mercados asiáticos não abriram em baixa. E só me lembrava da velha frase “I should have known better” do que fazer destes (e dos outros) prognósticos. Mas o cepticismo é também uma tentação. Veremos como corre o dia.

12.10.08

Hoje

Os governos da zona Euro já chegaram a acordo sobre “estratégia comum” para responder à crise muito séria dos mercados financeiros que abala as economias europeias. Em Portugal já se disponibilizaram 20 milhões de euros em forma de garantias para estimular actividade bancária. Todos consideram as medidas intervencionistas por parte dos estados bem vindas. Já nas semanas anteriores medidas semelhantes foram tomadas, nomeadamente nos EUA com o Plano Paulson e outras injecções de moeda quer nos EUA quer na UE. Todos esperam estas medidas, todos as aplaudem. Todos menos o mercado que teimosamente se mantém a descer. Se a crise é de falta de confiança, então estas medidas estão longe de darem a confiança necessária ao mercado. Talvez os mercados não gostem de intervenções estatais. Veremos como abrem os mercados amanhã, olhemos para os mercados asiáticos, os primeiros a abrirem. Eu confesso o meu cepticismo em relação a estas intervenções.

11.10.08

Plataforma contra a Obesidade 43

Gustave Courbet (1819-1877)
Still Life with Apples and a Pomegranate
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O Blogue, Os Blogues e o Mundo

Já são mais de dois anos a fazer este blogue. As semanas sucedem-se a um ritmo impiedoso e reparo que escrevo sempre menos do que o que gostaria e menos do que quereria. Mas mesmo assim o blogue vai-se fazendo. Já me conformei com o facto de que nunca vai ser o que eu pensei que seria, nunca vai ser perfeito, ou o que eu tinha em mente que queria fazer, porque num determinado momento parece que se solta de nós e se sente que o blogue ganha uma vida própria, uma rotina e inércia muito dele – coisa confortável, diga-se - que aponta caminhos, torce o nariz a algumas ideias de post ou a estilos diversos, exige imagens, pede atenção e parece ser avesso a grandes mudanças, pelo menos para já, não sinto o blogue com vontade de mudar seja o que for. Depois da fase inicial, de expectativas, entusiasmo, vontade, estabelece-se o conforto do conhecimento, de uma rotina, a chamada velocidade de cruzeiro. É assim que hoje eu sinto este fazer de blogue, sempre com gosto e prazer.

Ao longo deste segundo ano de vida o Hole Horror tem recebido visitas através das listas de links dos blogues, e também por vezes recebe destaques e menções simpáticas que fazem subir os números de visitantes.

Abrupto, Blasfémias, Corta-Fitas, Quase em Português,
31 da Armada, Portugal dos Pequeninos, Da Literatura, Espumadamente,
Do Portugal Profundo, Combustões, Direito de Opinião, José Maria Martins,
O Insurgente, Origem das Espécies, O Andarilho, Porta do Vento,
Coisas Sem importância, Don Vivo, Holocausto-Shoa, Clube Literário do Porto,
Imagens com Texto,

são os blogues a que me refiro. Tentei não esquecer nenhum, mas por lapso ou ignorância posso ter falhado. Se assim for peço que me alertem para o e-mail no cimo da página. Agradeço quer as visitas que proporcionam através das listas de links quer, no segundo caso, a simpatia da menção ou da referência especial que fazem disparar as visitas ao blogue. Enquanto leitora de blogues confesso que visito bastantes, mas nem sempre me fidelizo. Outras vezes as visitas são motivadas por se tratarem daquilo a que se chama “blogues de referência” e o que lá se escreve ser objecto de comentário noutros blogues, mais do que por eu gostar dom blogue. O acto de concordar, identificar não são são determinantes, concordar é uma motivação marginal ao impulso de ler um determinado blogue. Quero também referir que, para além de visitar os blogues que já mencionei, visito também com carácter regular:

Mar Salgado, A Natureza do Mal, Terceira Noite, Vox Pop,
Atlântico, Cachimbo de Magritte, Arrastão, 5 Dias,
A Causa foi Modificada, Bibliotecário de Babel, O Vermelho e o Negro, Estado Civil,
F-world, Crítico, Pedro Rolo Duarte.

Embora leia muitos blogues colectivos reconheço uma parcialidade especial para com os blogues individuais ou pelo menos aqueles em que o indivíduo se sobrepõe e impõe ao colectivo. Mais do que de blogues gosto dos fazedores de blogues, dos que não se diluem na espuma das notícias do dia ou da polémica do momento e sem se darem conta repetem o mesmo discurso vezes sem fim. Gosto de aprender com os blogues, gosto me me provoquem e desafiem, gosto de opiniões claras, argumentos pensados, teses fundadas e desabafos sentidos. Gosto mais da simplicidade do que da complexidade, gosto mais da incerteza curiosa do que da soberba da bibliografia “correcta”, gosto mais de frases próprias do que de citações, gosto mais do humor do que da arrogância, gosto mais do silêncio do que das piadas. E finalmente gosto sobretudo de sentir o pulsar de uma vida por trás das palavras: esse é o bem mais precioso e que nenhuma retórica ou artifício pode dar e o inimigo primeiro da banalidade.

8.10.08

Capitalismo

Cornelis de Man
Whale-Oil Factory of the Amsterdam Chamber of the Northern Company at Smerenburg (1639)
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Instrumentos Financeiros e Liberdade

Mais um dia conturbado nos mercados financeiros a confirmar a globalidade da crise económica de que todos falamos. Os tempos de crise são tempos complexos, são duros e difíceis para muitos pois trazem perda e privação, para outros trazem depuração, mas para tantos trazem de volta velhos medos e preconceitos muito europeus e pelo menos desde o séc. XIX, tingidos de “esquerda”. Não falta quem declare a morte do capitalismo (as if...) e secretamente rejubile com esta crise que mais parece ter sido feita à medida para dar crédito às antigas, intelectuais e ideológicas desconfianças para com o capitalismo. No banco dos réus sentam-se os gananciosos, os especuladores, o capital, o mercado e os suspeitíssimos instrumentos financeiros. Neste momento é interessante ver o valor que se dão às palavras, como o peso da tradição as marca e como conceitos simples do tipo “ganhar dinheiro”, para uns é “criar riqueza” e para outros é “ganância”. Há hoje uma profunda dissonância na forma de olhar a crise e poderíamos deter-nos longamente nos meandros semânticos que fazem o discurso sobre a crise.

Os instrumentos financeiros são um dos bodes expiatórios apontados a dedo, é-lhes atribuída poderes maléficos, grande culpa pelo descalabro do capitalismo e há até quem declare a sua morte (pelo menos a morte daqueles mais complexos, menos compreensíveis e que por isso tanta desconfiança suscitam pelos poderes ocultos que detêm). Ora os instrumentos financeiros são uma das mais eficazes e simples expressões da liberdade individual e de uma sociedade e assim o têm sido ao longo dos tempos. Liberdade de comprar, liberdade de vender. Por muito sofisticados e abstractos que eles sejam- e às vezes, são-no, são sempre instrumentos da liberdade pois é livremente que alguém os compra ou os vende. Expressam uma vontade de resolver um sem número de situações normais (no sentido lato que envolve um julgamento assim como estatístico) como cobrir riscos, dar opções, precaver o futuro, alargar hipóteses, trocar riqueza, emprestar dinheiro, etc. É pena que o discurso normal sobre eles seja hermético e iniciático, pois essa dimensão confere opacidade e desconfiança a estes instrumentos de “troca”. Se olharmos para a História vemos que as civilizações mais dinâmicas e avançadas foram sempre as que estabeleceram “trocas”, e os instrumentos financeiros poderiam ser rudimentares e não precisarem de complexas fórmulas, mas existiam na mesma, através da palavra, promessa. Desde sempre se comprou hoje o que só existirá amanhã e desde sempre se vendeu o que (ainda) não se tem. Desde sempre que se pede dinheiro emprestado, se empresta e se cobram juros. Desde sempre que se vendem favores e se cobram favores, nomeadamente para cobrir o risco. As civilizações ditas ricas em tantas manifestações nomeadamente na arte são sociedades de mercado – de “trocas”, são sociedades mercantis, A Itália do Renascimento ou a Grécia Antiga, só para citar exemplos óbvios. Não há democracia sem essa liberdade de trocar bens, dinheiro e outros instrumentos financeiros. O contrário pode ser verdade, mas a democracia para florescer precisa de meios para com liberdade criar riqueza (ou ganhar dinheiro, ou se ser ganancioso). Para que haja essa liberdade o Estado não pode controlar todo o sistema de “troca”, se é o Estado que o controla perde-se a liberdade, o engenho. Por isso, os instrumentos financeiros não morrerão e provavelmente muitos novos surgirão depois desta crise anunciada e esperada. O capitalismo está bom e recomenda-se.

5.10.08

Coisas que se podem fazer ao Domingo 29

Henri Matisse (1869-1954).
Large Seated Nude.


Trabalhar os abdominais.

4.10.08

Dando Excessivamente sobre o Mar 35

Degas (1834-1917)
Beach Scene

Sim ou Não

Ainda a propósito do programa “Momento da Verdade”, dizia-me pessoa amiga que interessante seria ver José Sócrates nele. A uma primeira reacção de “o quê?”, pensei melhor e confesso que acho interessante, e aposto que reveladora, a ideia, não só para ele como estenderia a intenção para os restantes líderes políticos, ou outros políticos relevantes, que temos: Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, para começar. O modelo teria de sofrer algumas adaptações uma vez que vida privada destes cidadãos, não seria (nem teria que ser) objecto de escrutínio para além do facto de ser irrelevante para o objectivo em vista. No entanto tudo o que dissesse respeito à vida pública destes políticos nomeadamente escolas e universidades em que estudou, desportos ou outras actividades que tenha feito, associações a que pertenceu e pertence, trabalhos que fez e onde, casas onde morou, e à vida política poderia ser alvo de escrutínio na base da pergunta em binómio: sim ou não. Por muitas explicações e justificações, por muita pedagogia política que se use, no fim ou fica um “sim”, ou fica um “não”. Um programa assim eu veria.

3.10.08

Asas 4

Vários pares de asas. Clicar para ver melhor.

Lixo Televisivo e Honra

Há alturas em que me sinto desfocada deste mundo. Pareço vinda de umas longas viagens que nos fazem demorar a reconhecer a casa onde moramos. Anda por aí, este “aí” num sentido verdadeiramente lato e indefinido, que tanto pode ser pelas ruas que percorremos, lugares em que pousamos, textos que lemos ou gentes cá da terra com quem falamos, uma certa indignação com um programa da televisão que passa na SIC e parece que se chama “Momento da Verdade”. Ao que parece perguntam coisas que, para sossego dos próximos e do mundo em geral, nunca se deveriam perguntar, e muito menos querer saber. Mas os concorrentes acham que não, e lá contam a vidinha toda, entre poses mais ou menos indignadas e ar compungido dos familiares, e vão respondendo a essas ditas perguntas para ganhar um prémio final. Pelo menos isto foi o que consegui detectar nos breves segundos que vi o dito programa, enquanto zapava. Breves segundos mesmo, porque tenho real incapacidade de ver estes programas, Big Brothers e afins. Irritam-me, incomodam-me questionam demasiado as minhas crenças sobre o género humano , fazem mal à alma e poluem, porque todo o lixo polui, incluindo o lixo televisivo.

Tenho, no entanto, seguido na RTP Memória uma série inglesa da LWT (a mesma que fez a Família Bellamy ou Upstairs Downstairs) passada na Ilha de Guernsey durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Nesta época de Dr. House, Perdidos, Donas de Casa Desesperadas, Anatomia de Grey ou Prison Break, é com curiosidade que revemos estas séries doutras épocas. Toda a narrativa é diferente, o ritmo, os enredos, as filmagens, a composição das personagens, os episódios parecem mais decalcados de uma sólida tradição teatral do que da vontade de exploração da televisão ou apostas em complicadas produções. Tudo prima pela sobriedade e ritmo adagio incluindo as paixões que movem as personagens, se é que adagio e paixão são conceitos compatíveis. Num complexo mundo em guerra, conseguem arrumar direitinho as pessoas por categorias: cavalheiros, oficiais, soldados, gente comum, políticos, militares de carreira, militares dos serviços secretos, espiões, etc. O mais interessante na série é ver estas divisões no lado alemão onde a tendência é serem catalogados na gaveta dos “maus”. Outra curiosidade é que o valor mais importante transmitido ao longo dos episódios é o da honra. Hoje em dia seria impensável fazer uma série em que o aspecto mais relevante fosse a honra, poderia ser a lealdade, a coragem, mas a honra está a cair em desuso e tanta gente já nem sabe o que isso é. Talvez se soubessem não fossem ao “Momento da Verdade”.

1.10.08

Amanhecer 3

Com uma ténue neblina. Hoje.
(clicar para aumentar)

29.9.08

Cores de Outono 5

Claude Monet. (1840-1926).
Poplars at Giverny, Sunrise

O Desconforto do Óbvio

Ouvi na semana passada na Quadratura do Círculo sérias objecções por parte de Lobo Xavier e de Pacheco Pereira a todo o processo “Magalhães”: a montagem propagandística da distribuição encenada dos computadores, a falta de software que maximize a sua utilidade bem como permita algum controle parental, os custos que terão as ligações à banda larga, a pertinência e necessidade dos mesmos em idades tão jovens e no início do contacto do aluno com a escrita e a leitura, a falsa nacionalidade do “Magalhães”, e as sérias questões relacionadas com o financiamento desta operação de charme. Aqui faz-se uma espécie de condensação estruturada dos argumentos ouvidos. Eu queria só deter-me nas últimas objecções relacionadas com o financiamento, escrutínio na “compra” dos 500 mil computadores e na logística que requer montar, embalar e distribuir tantos computadores. Não porque sejam as únicas relevantes ou importantes, mas simplesmente porque são as mais fáceis porque muito objectivas, quantificáveis, visíveis e mensuráveis. António Costa foi incapaz de responder de forma clara a estas objecções hesitando e mostrando um evidente desconforto. Para ele os fins justificam os meios (quando era criança uma das primeiras definições que ouvi sobre o comunismo era a de uma ideologia em que os fins justificavam os meios) e saber qual a rubrica do orçamento que contempla esta despesa, ou como é que o governo dá o que não tem, ou tem, mas não se sabe de onde vem, ou saber se houve um concurso público ou não, são questões laterais, tais os benefícios da operação Magalhães e a originalidade e criatividade do governo ao trazerem para Portugal um programa desenhado para os países em desenvolvimento.

Enquanto contribuinte e eleitora sinto um enorme desconforto pela falta de transparência neste processo, e incomoda-me a falta de resposta – e a falta de quem insista em perguntar. Em Portugal continuamos a aceitar com lusitano fado este tipo de buracos negros envoltos em neblinas e com fundo musical de cantos de sereias quando o que está em causa é um uso pouco transparente, opaco diria mesmo, e abusivo dos dinheiros públicos. Eu sinto o desconforto do óbvio.


27.9.08

Pretextos

(1925-2008)

O último pretexto para colocar, com pretexto, mais uma fotografia de Paul Newman neste blogue. Daqui para a frente será sem pretexto, só com a nostalgia do que já foi. "Piercing blue eyes and laid back style" forever.


26.9.08

Caça às Bruxas



Se há algo que considero sinistro é qualquer espécie de caça às bruxas, sejam as bruxas quem forem: bruxas propriamente ditas, pessoas com deficiências que desequilibrem a “normalidade”, pessoas de outras etnias ou raças que tentem trazer o desconhecido para perto de nós, de outras opiniões, etc, etc. A discriminação é uma ideia, é algo do domínio da racionalidade (ou da falta dela) e parece algo que se discute, que se critica. Já a caça às bruxas, apesar dos pretextos sempre “justos” e explicáveis toma dimensões sobretudo viscerais. Caçaram-se ao longo dos tempos as seguintes bruxas: católicos, judeus, protestantes, mulheres de sensibilidade “diferente”, pretos, índios, comunistas, fascistas, colaboracionistas, muçulmanos e tantos mais... Hoje, a caça às bruxas é mais sofisticada, mais metonímica, por exemplo, tomando-se os produtos pelas pessoas, mas faz sempre apelo às vísceras.

Só assim se pode explicar uma capa como a de hoje do jornal Público: de um produto chinês, uma bebida de leite a fazer “la une”. Só assim se pode explicar que hoje de manhã na rádio a notícia sensação tenham sido os caramelos chineses nas lojas chineses que escapam ao controle da AESE, essa grande ameaça à saúde pública europeia. Alguém, no seu perfeito juízo acredita em tal coisa? Hoje os caramelos chineses, iogurtes e bebidas lácteas – eufemismo para “os chineses”, são alvo de caça às bruxas. Ich bin ein Chinesisch Karamell!

25.9.08

Dias de Verão 9

André Derain. (1880-1954).
Landscape near Cassis

Da Periferia da Periferia

José Sócrates ainda parece mais postiço, e ainda parece mais um elaborado produto de um complicado programa inovador e cheio de tecnologia de fazer políticos, quando fala da crise económica e dos mercados financeiros. Nas poucas frases que ouvi na televisão há pouco saltam à vista (ouvido) e surpreendem (ou não) o uso de banalidades e demagogias que um primeiro-ministro informado não deveria sequer pensar em dizer; frases do género (cito de cor): “A ganância que preside a atitudes mais especuladoras", ou ”É inacreditável o que se está a passar” (referindo-se à crise financeira Norte Americana), ou “A Europa vai pagar a crise” (Norte Americana, claro) e “vai pagar a ausência de escrúpulos e a falta de regulamentação dos especuladores Norte Americanos”. O que me parece inacreditável é que um primeiro-ministro use a palavra “especulador” como qualquer militante comunista ou como um sindicalista radical usariam, como se fosse a encarnação de um espectro de forças negras, fantasmagóricas e maléficas da ganância capitalista. Isso não é um especulador. Exige-se um pouco mais de um primeiro-ministro.

José Sócrates, e tantos europeus, parecem esquecer-se que, fosse a Europa uma grande potência económica e financeira, a crise Norte Americana não nos afectaria tanto. A Europa é cada vez menos uma potência relevante no xadrez internacional e essa realidade é que custa aceitar, bem como custa ser lúcido em relação ao porquê da perda cada vez maior de influência da Europa.

Estas declarações de José Sócrates não só mostram, mais uma vez, o político superficial de chavões que ele é e a sedução que a propaganda exerce sobre ele, como mostram a dependência deste nosso país periférico numa Europa cada vez mais periférica. Tomara ela (Europa) ter uma pequena fracção da vitalidade norte-americana, mesmo em momentos de crise.


Embargo total a produtos vindos da China” (ouvido num noticiário televisivo) Pela frase nota-se o prazer de “cá” de finalmente ter um pretexto sólido para proibir algo que venha da China conspurcar o mercado europeu. Note-se, no entanto, que este “total” que dá o pathos à frase refere-se apenas aos produtos lácteos (mais de 15% na sua composição) e que apresentem um potencial perigo para as crianças. É certamente uma medida necessária, mas o velho proteccionismo espreitou nos interstícios retóricos.
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Oh não! Hoje entregam-se computadores aos polícias. Amanhã aos taxistas com GPS incluído? E quem mais estará na lista, agora que percebo que existe uma lista?

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