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1.12.08

28.11.08
Ver os Filmes dos Livros 2

As relações entre as pessoas nomeadamente entre Charles e os diferentes membros da família, bem como com Brideshead itself, são líquidas e sem contornos definidos no romance (e na série): não há casualidades explícitas. No filme essas relações são estandardizadas e simplificadas ao estilo telenovela em binómios, o primeiro do qual assenta no sistema de classes, e em modelos fáceis e explicados para consumo de massas. A homossexualidade de Sebastian, primeiro insinuada e só no fim percebida é convertida num patético manifesto gay, a ligação entre Charles e Julia aparece como contraponto da ligação entre ambos com Sebastian e não como uma fluída complementaridade, bem como a explicitude da relação entre Charles e lady Marchmain são exemplos dessa estandardização das relações perdendo-se a teia complexa e dinâmica em que todos estão ligados a todos. A própria Lady Marchmain (que nem Emma Thompson consegue salvar) é demasiado vulgar. Sebastian um autómato, Julia uma personagem oca, só Charles consegue ter um pouco de densidade, mas só se nunca nos lembrarmos do Charles interpretado por Jeremy Irons, coisa de difícil concretização.
No fim do filme, à laia de moral da história (coisa horrível) Julia pergunta a Charles o que é que ele afinal quer, e Charles acusa-se por ter querido ter tudo (ainda o binómio de classes). Não poderia discordar mais dessa visão reducionista e tão “actual”. A culpa dele não é a de ter querido tudo, se é que quis tudo, esse não é o centro da questão, nem ninguém naquele universo se preocuparia com tal mundaneidade. A culpa vem deles, vem de sempre, vem de serem como são, de não conseguirem ousar serem “felizes” (só Lord Marchmain o tentou), Charles ao ser mergulhado naquela família também não consegue escapar à culpa mesmo sem saber bem de onde vem: de trair Sebastian, de querer Julia? De não corresponder às expectativas de Lady Marchmain? A dúvida de uma culpa que não se percebe é que atormenta Charles.
O filme afasta-se demasiado do espírito do romance, simplificando-o e apatetando-o sem nos dar nada de novo, de ousado e interessante em troca: a realização é pastosa e cheia de clichés, o processo narrativo não é ousado e o flash-back é o esperado, os actores carecem de qualquer espessura, parecem bonecos postos num cenário que tenta ser grandioso, a fotografia que poderia ser boa é também banal. O filme deu-me uma vontade enorme de rever a série de tal forma foi uma posta perdedora.
27.11.08

Miguel Sousa Tavares no seu comentário semanal na TVI considerou os atentados em Mumbai mais como uma manifestações de extremismo religioso típico da Índia do que de um atentado terrorista e face do terrorismo extremista que hoje nos ameaça.
Confesso a minha perplexidade entre esse preciosismo de ser fruto de extremismos “locais” versus extremismos “globais”. Realmente isso é indiferente uma vez que o tom de ataques deste género afectando civis e inocentes indiscriminadamente foi dado pela Al Qaeda que foi essa organização que mudou a face do terrorismo. Depois é difícil estabelecer fronteiras nítidas entre as “intenções” ou “origens” deste tipo de terrorismo uma vez que a Al Qaeda é uma organização que funciona com células autónomas e descentralizadas que podem decidir autonomamente como agir.
Também confesso o meu espanto perante a sua preocupação pelas manifestações de extremismos religiosos na Índia uma vez que nunca o ouvi sobre os recentes ataques de Hindus às comunidades cristãs. Mas, claro, sobre isso nunca interessa falar.
Ver os Filmes dos Livros
Há casos interessantes de livros que dão filmes. Alguns criam sucesso próprio, outros não. Uns conseguem ser uma peça que vale só por si, outros não e nunca conseguem ganhar vida “própria” e mérito “próprio”. Não sei qual é o segredo, e se todos soubessem todos fariam belas peças de arte. Há duas situação: a primeira é a de tentar olhar para o filme como uma peça isolada sem muita comparação com o livro. Lembro-me de como gostei de ler “O Nome da Rosa” de Umberto Eco (um best-seller dos anos 80) e de como o filme me desiludiu, uma vez que não consegue transportar toda a riqueza do romance. Revi-o passado uns anos e tentei não o colar ao romance, tentei pensá-lo como um filme autónomo sem referência a nada e apercebi-me que não era assim tão mau. O segundo caso é o de de seguir à letra o romance o que leva muitas vezes a que se faça uma série e não um simples filme. Foi assim em “The Jewel in the Crown” uma belíssima série (1984) de uma tetralogia subestimada "Raj Quartet" de Paul Scott. Ambos romance(s) e série de altíssima qualidade. Foi assim com "The Lord of the Rings"de Tolkien também cujos filmes de Peter Jackson ganharamn Oscares.
Mas nos últimos anos temos assistido a um fenómeno interessante: fazer um filme de um romance que entretanto já deu origem a uma série de grande sucesso e qualidade. Tudo fica ainda mais complicado: há duas referências boas e aclamadas o terceiro desafio é, por isso, muito ousado e há que o ser na concretização do projecto mostrando-nos algo de novo. Assim aconteceu com o grande clássico “Pride and Predjudice” de Jane Austen cuja série de 1995 fez enorme sucesso e que posteriormente deu origem a um filme de 2005 de Joe Wright que, confesso, conseguiu surpreender. Não concordando com todas as suas opções e percebendo-o qui e ali longe do romance, reconheço que o filme vive por si, a produção tem qualidade e mérito, as opções funcionaram o ritmo prende e reconheço que foi uma aposta ganha. “Brideshead Revisited (The Sacred and Profane Memories of Captain Charles Ryder)” é outro exemplo, e ainda melhor, desta vontade arrojada de fazer sobre o que já existe e que é reconhecido como brilhante: um romance conhecido e valorizado de Evelyn Waugh que dá origem a uma das melhores séries televisivas de sempre (1981) de qualidade irrepreensível, fidelissima ao espírito do romance e aclamada unanimemente. Fazer um filme nestas condições é muito arrojo.
(continua)
26.11.08
25.11.08
Ser ou não Ser Político
23.11.08
Igual a si Própria
Sair de Cena 4
21.11.08
A Espuma dos Dias que foram 16
Today is Not a Good Day for Adultery
Today is not a day for adultery.
The sky is a wet blanket
Being shaken in anger. Thunder
Rumbles through the streets
Like malicious gossip.
Take my advice: braving
The storm will not impress your lover
When you turn up at the house
In an anorak. Wellingtons,
Even coloured, seldom arouse.
Your umbrella will leave a tell-tale
Puddle in the hall. Another stain
To be explained away. Stay in,
Keep your mucus to yourself.
Today is not a day for sin.
Best pick up the phone and cancel.
Postpone until the weather clears.
No point in getting soaked through.
At your age, a fuck’s not worth
The chance of catching ‘flu.
Roger McGough
Sair de Cena 3
20.11.08

Também me pergunto como estarão os sindicatos? Continuam iguais a si próprios? E os professores? Continuarão todos a afirmar que querem ser avaliados, mas..., ou só que...?
Sair de Cena 2
O Banco de Portugal não fez o que deveria fazer, não esteve onde deveria ter estado, e alguém deve responder por isso. Ao constatar este facto percebe-se que uma época da história do BP acaba agora e uma nova era se abre. Constâncio pertence ao passado e ele já não é mais do que uma sombra: é isso que nós de fora vemos. Muitos pedem a sua demissão, e eu pergunto-me porque é que ele próprio não põe o seu cargo à disposição. Porque é que é sempre tão difícil perceber a mudança, perceber que o hoje já é outra coisa, porque é tão difícil sair de cena.
18.11.08
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