“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com
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30.12.08

"Com ou sem divergências sobre este diploma específico, a obrigação do Presidente da República é continuar a colaborar com o Governo, pois até se candidatou vencendo as eleições presidenciais em nome dessa cooperação estratégica. O mesmo dever é atribuível ao Governo, em nome da melhor concretização dos interesses nacionais, o que tem feito com a maior correcção e empenhamento", diz Carlos César.
Há quem nunca perceba, nem sequer tenha o mínimo de sensibilidade nem sentido de oportunidade, que às vezes é melhor estar calado. Não dizer nada. Ficar em silêncio. A tentação de falar aproveitando o momento aparentemente propício e em que as circunstâncias são aparentemente favoráveis é demasiada, mas não se dão contam que perdem o tino nas palavras, nas considerações e nas explicações e que, sem querer se tornam tão patéticas.
Há quem nunca perceba, nem sequer tenha o mínimo de sensibilidade nem sentido de oportunidade, que às vezes é melhor estar calado. Não dizer nada. Ficar em silêncio. A tentação de falar aproveitando o momento aparentemente propício e em que as circunstâncias são aparentemente favoráveis é demasiada, mas não se dão contam que perdem o tino nas palavras, nas considerações e nas explicações e que, sem querer se tornam tão patéticas.
29.12.08

Os únicos “óscares” da blogosfera que realmente contam, mas que ninguém admite e muito menos menciona, foram ontem atribuídos. Assobia-se para o ar.
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A Trilogia do Cairo
Li na Ipsilon as escolhas em estilo “Best of” de 2008 que estão reproduzidas no blogue Da Literatura. Creio que ninguém resiste a estas listas em que se resume tematicamente o passar de um ano. Como quem fecha um capítulo antes de virar a página para o próximo. Há os resumos dos principais acontecimentos políticos nacionais e internacionais, dos momentos culturais importantes, dos avanços tecnológicos e científicos, dos ilustres que morreram, dos filmes e dos livros que saíram, etc. Ficamos sempre surpreendidos com a quantidade de acontecimentos que cabem num ano e estranhamos o passar tão rápido do tempo tudo parece ter acontecido entre ontem e o mês passado.
Voltando à lista das escolhas de livros da Ípsilon. Não li nem metade dos livros referenciados, embora esteja a ler um e já estejam dois na calha de leituras próximas, mas apesar desta confissão fico espantada por ter visto a “Trilogia do Cairo” de Naguib Mahfouz em décima oitava posição ora, para mim, esta obra mereceria um lugar de topo numa lista dos melhores romances do século XX. Pergunto-me quem é que a terá lido mesmo e que critérios usam para classificar as obras. Bem sei que se trata de um romance já “velho”, isto é, dos finais dos anos cinquenta do século passado e que nunca mereceu nenhum tipo de curiosidade ou entusiasmo português apesar do Nobel atribuído ao autor em 1988 e das excelentes críticas internacionais, mas finalmente é traduzido e editado em Portugal e é recebido com indiferença reverencial, (só assim se explica o lugar na lista) mais do que com aplauso e gosto. A Triologia do Cairo, que li faz muito tempo numa tradução em Inglês, não corresponde aos cânones das obras modernas pois é daqueles romances inteligentes e de grande fôlego, uma enorme saga familiar que se estende por várias décadas que nos remete para escritores clássicos tais como Dickens, Tolstoi ou Flaubert e não para autores contemporâneos nem tão pouco para romances abstractos e “sem história”. É uma obra riquíssima, com histórias – aliás várias histórias dentro da história – e muita História, que retrata uma família, uma cidade, um país em constante mudança política, e os seus costumes, religião, modos de vida e desejos das personagens ao longo desses anos. Tem uma grande panóplia de personagens riquíssimas e psicologicamente densas, que agem numa teia às vezes mais visível do que outras e um pathos muito próprio. É uma obra muito gratificante e que dá um prazer imenso ler, desafiando e desaquietando o leitor, sobretudo o leitor ocidental, mas de uma grande sensibilidade e momentos de verdadeiro lirismo.
Confesso a minha perplexidade perante estas listas que se subjugam a critérios de “moda” e “conveniência” incompreensíveis para leigos que gostam de ler e de bons romances.
Voltando à lista das escolhas de livros da Ípsilon. Não li nem metade dos livros referenciados, embora esteja a ler um e já estejam dois na calha de leituras próximas, mas apesar desta confissão fico espantada por ter visto a “Trilogia do Cairo” de Naguib Mahfouz em décima oitava posição ora, para mim, esta obra mereceria um lugar de topo numa lista dos melhores romances do século XX. Pergunto-me quem é que a terá lido mesmo e que critérios usam para classificar as obras. Bem sei que se trata de um romance já “velho”, isto é, dos finais dos anos cinquenta do século passado e que nunca mereceu nenhum tipo de curiosidade ou entusiasmo português apesar do Nobel atribuído ao autor em 1988 e das excelentes críticas internacionais, mas finalmente é traduzido e editado em Portugal e é recebido com indiferença reverencial, (só assim se explica o lugar na lista) mais do que com aplauso e gosto. A Triologia do Cairo, que li faz muito tempo numa tradução em Inglês, não corresponde aos cânones das obras modernas pois é daqueles romances inteligentes e de grande fôlego, uma enorme saga familiar que se estende por várias décadas que nos remete para escritores clássicos tais como Dickens, Tolstoi ou Flaubert e não para autores contemporâneos nem tão pouco para romances abstractos e “sem história”. É uma obra riquíssima, com histórias – aliás várias histórias dentro da história – e muita História, que retrata uma família, uma cidade, um país em constante mudança política, e os seus costumes, religião, modos de vida e desejos das personagens ao longo desses anos. Tem uma grande panóplia de personagens riquíssimas e psicologicamente densas, que agem numa teia às vezes mais visível do que outras e um pathos muito próprio. É uma obra muito gratificante e que dá um prazer imenso ler, desafiando e desaquietando o leitor, sobretudo o leitor ocidental, mas de uma grande sensibilidade e momentos de verdadeiro lirismo.
Confesso a minha perplexidade perante estas listas que se subjugam a critérios de “moda” e “conveniência” incompreensíveis para leigos que gostam de ler e de bons romances.
26.12.08

A DREN classifica de “brincadeira de mau gosto” o incidente em que alunos ameaçam a professora com uma arma de plástico e filmam o sucedido. Para além dos desajustes da leitura da realidade entre a DREN e o Conselho Executivo da escola, bem como o espanto da Direcção Regional pelo facto de o incidente ter chegado primeiro ao conhecimento da comunicação social do que da Direcção Regional, este é mais um incidente que demonstra o desnorte em termos de responsabilidade e de valores com a DREN a personalizá-lo impecavelmente. Tudo normal num mundo em que se glorifica quem atira sapatos ao Presidente Norte Americano numa conferência de imprensa no Iraque, ou em que se concorda com quem atira ovos e tomates a uma ministra. Não se pára um segundo para exercer algum tipo de actividade crítica sobre as intenções, sobre os meios e o mérito dos actos praticados. Discordar e saber escolher os suportes que exteriorizem essa discórdia, protestar sabendo argumentar o protesto, ou brincar e saber respeitar a integridade e dignidade do outro dá muito mais trabalho do que atirar sapatos, ovos e ameaçar com armas de plástico filmando. Para além disso um atirar de sapatos ou de ovos bem como ameaças com armas de plástico a professores dão uns óptimos vídeos que poderão eternizar esse grandiloquente momento no youtube. E, claro, dar oportunidades únicas à comunicação social que repetirá à exaustão os vídeos que farão a delícia de quem vê e correrão em horas o mundo nas páginas da internet...
21.12.08
Léxico Socrático 3
Depois de um “once in a life time crisis” pronunciado no seminário promovido pelo Diário Económico sobre o tema “Como Crescer em Crise”, em que o primeiro-ministro pastoreou cinco receitas para crescer que deve ter deixado impressionados os participantes desse dia que nunca se riram e que acataram, quais alunos bem comportados, os ensinamentos do mestre (fazendo fé no que vi na televisão, a tentação é demasiada de classificar a plateia de bloco central mostrando, mais uma vez, como é pequenino o nosso país), temos agora os anunciados “apoios financeiros a funcionários públicos em dificuldade”. Tudo propaganda que deixa adivinhar um ano eleitoralista que deitará por terra qualquer esforço de contenção orçamental, num país sem rumo que há muito esqueceu as reformas prometidas, com um governo a seduzir o eleitorado. Nunca mais critiquem quem oferecia frigoríficos e torradeiras, pois os cordões à bolsa abrem-se perante o olhar atónito dos contribuintes que não se deixam iludir com falsas promessas de ajudas e que pagarão, mais uma vez, esta factura de desnorteamento que a “Crise” está a permitir. A mais pura propaganda e demagogia.
19.12.08
Encontros e Desencontros
Aqui há umas semanas fui surpreendida, quando ouvia rádio no carro, pela voz mágica da Simone. Há tanto tempo não a ouvia que até, infelizmente, já nem me lembrava que existia, num daqueles desencontros de que é feita a vida. Reconheci logo a sua voz , mas fiquei espantada por a ouvir num dueto com o Luis Represas, um odiozinho de estimação meu que só tem igual ao que nutro por Mafalda Veiga. Problema meu, eu sei, e sem razão aparente por isso no seu esplendor irracional, mas não consigo ouvir as canções deles, não suporto a voz melodiosamente bonita e correcta, no caso Luis Represas, nem as letras “mundo metafórico dos afectos correctos” à maneira de Mafalda Veiga. Fiquei num impasse radiofónico, entre o mudar de estação ou continuar, entre a vontade e sedução da voz de Simone e a irritação causada por Represas. Simone venceu, e tenho conseguido ouvir o seu dueto “Desencontro” algumas vezes que tem um refrão a duas vozes muito bem conseguido (apesar de Represas ser tão Represas como era esperado que fosse). Este refrão fez-me imediatamente pensar numa outra música de um outro tempo cantada pelos grandes Chico Buarque e Maria Bethânia, “Sinal Fechado”, toda ela cantada num fôlego, intensamente dramática na sua grande simplicidade e realismo. Sempre considerei esta música um daqueles casos raríssimos em que, aparentemente sem se querer e sem se saber como, se constrói uma pequena obra-prima. Voltar a lembrá-la, e perceber que ainda a sabia de cor, foi um dos prazeres que o dueto Simone/Represas me trouxe.
17.12.08

“Passos Coelho alerta…”, lê-se aqui. Não é aquilo para que ele alerta que surpreende, é o facto de alertar. Passos Coelho já deixou de “parece-me que...”, “creio que”, “na minha opinião...” para uma posição de grande autoridade partidártia (e nacional porque lhe dão cobertura) “alertando”. Pois ele pode alertar quem quiser sobre o que quiser que eu, pelo menos para já, não lhe reconheço autoridade, nem curriculum, nem obra suficientes para me sentir alertada por muito que se dê ares de “reserva política e moral” do PSD e que já se sinta capaz de “alertar”. Já agora gostava de saber se não há, também no PSD, mais candidatos a “alertar” e porque é que só é dado espaço mediático a este "alerta".
16.12.08
Mário Soares e a Roleta Russa
Confesso que tenho pouca paciência para com Mário Soares. Creio que todos nós portugueses já lhe pagamos com complacência, indulgência e tolerância suficientes tudo o que lhe devemos pelo seu papel na consolidação da democracia em Portugal. Já há muito que o saldo não está a seu favor, mas a nosso, tal como o resultado da sua candidatura presidencial o demonstrou. Já ninguém lhe deve nada porque as contas já há muito que estão saldadas. Só ele parece não perceber isto. Lê-lo (aqui no DN de hoje) é muitas vezes penoso, mas quando escreve sobre economia é um verdadeiro atentado contra a integridade intelectual de qualquer um. Para além de utilizar uma linguagem de café que dispensávamos, mistura tudo: conceitos, ideias, demagogia, slogans, frases feitas esquerdizantes, e expressões tipo : “na roleta russa das economias de casino” num pot-pourri de lugares comuns.
Para Mário Soares, uma economia de mercado é uma economia de casino e as desvalorizações bolsistas são roletas russas. O que choca nesta frase, para além da ignorância, é insinuação de negócio ilícito, escuro, lucros chorudos para uma máfia ilícita e a exploração de pobres inocentes. Nada mais errado. Nos países ocidentais, pelo menos, o negócio de Casinos, apesar de lucrativo (senão ninguém o quereria fazer) é extremamente regulado, taxado e cheio de contrapartidas e é por isso uma mau exemplo de economia de mercado que se quer mais fluída e menos regulada. Além de tudo o mais só vai ao casino quem quer: nenhum estado obriga os cidadãos a jogarem e a exporem-se. Não conheço, do ponto de vista estatístico, os padrões de incidências da roleta russa, acredito por isso que sejam algo diferentes dos padrões (estatísticos, também) de subida/descida dos índices bolsistas, mas uma coisa é certa, tanto há imprevisibilidade na roleta russa como num investimento bolsista ou dito de outra forma, tão previsível é uma bala que acabará por ser disparada, como um índice bolsista que acabará um dia por descer.
A visão de Mário Soares é a de um esquerdista que desconfia do mercado e que acha que as crises financeiras são complots dos ricos (os multimilionários que engordam) contra os pobres que acabam sempre por pagar a crise. Diferente é a visão de quem acredita no funcionamento do mercado, e que é a de que os mercados se ajustam e corrigem eles próprios os seus excessos. MS também não quer que “os Estados desviam(em) milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas”, os que acreditam no funcionamento do mercado também não porque sabem que numa economia de mercado as instituições ou empresas que não são viáveis e eficientes acabam por desaparecer, processo importante para regenerar e limpar a própria economia. Se estamos de acordo na crítica ao desvio de fundos para os bancos, não o estamos pelas razões porque ele não deve ser feito, nem na forma como nos relacionamos com a crise e o mercado.
Estamos também de acordo, na importância pelo cumprimento da Lei numa democracia: se há quem viole a Lei por ter permitido transacções e investimentos ilícitos, por ter mentido aos accionistas ou enganado-os deliberadamente bem como aos clientes, deverá ser punido porque em democracia quem viola a Lei deve responder por isso. Simples.
Para Mário Soares, uma economia de mercado é uma economia de casino e as desvalorizações bolsistas são roletas russas. O que choca nesta frase, para além da ignorância, é insinuação de negócio ilícito, escuro, lucros chorudos para uma máfia ilícita e a exploração de pobres inocentes. Nada mais errado. Nos países ocidentais, pelo menos, o negócio de Casinos, apesar de lucrativo (senão ninguém o quereria fazer) é extremamente regulado, taxado e cheio de contrapartidas e é por isso uma mau exemplo de economia de mercado que se quer mais fluída e menos regulada. Além de tudo o mais só vai ao casino quem quer: nenhum estado obriga os cidadãos a jogarem e a exporem-se. Não conheço, do ponto de vista estatístico, os padrões de incidências da roleta russa, acredito por isso que sejam algo diferentes dos padrões (estatísticos, também) de subida/descida dos índices bolsistas, mas uma coisa é certa, tanto há imprevisibilidade na roleta russa como num investimento bolsista ou dito de outra forma, tão previsível é uma bala que acabará por ser disparada, como um índice bolsista que acabará um dia por descer.
A visão de Mário Soares é a de um esquerdista que desconfia do mercado e que acha que as crises financeiras são complots dos ricos (os multimilionários que engordam) contra os pobres que acabam sempre por pagar a crise. Diferente é a visão de quem acredita no funcionamento do mercado, e que é a de que os mercados se ajustam e corrigem eles próprios os seus excessos. MS também não quer que “os Estados desviam(em) milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas”, os que acreditam no funcionamento do mercado também não porque sabem que numa economia de mercado as instituições ou empresas que não são viáveis e eficientes acabam por desaparecer, processo importante para regenerar e limpar a própria economia. Se estamos de acordo na crítica ao desvio de fundos para os bancos, não o estamos pelas razões porque ele não deve ser feito, nem na forma como nos relacionamos com a crise e o mercado.
Estamos também de acordo, na importância pelo cumprimento da Lei numa democracia: se há quem viole a Lei por ter permitido transacções e investimentos ilícitos, por ter mentido aos accionistas ou enganado-os deliberadamente bem como aos clientes, deverá ser punido porque em democracia quem viola a Lei deve responder por isso. Simples.

Manuel Alegre diz-se num “processo”: “Isto é um processo, não quer dizer que, no futuro, não possa desembocar num partido, mas não é um partido o que está a ser feito. Nem um partido se faz assim. Estes processos são assim, são feitos de ambiguidades e de tensões, não posso dizer se vou fundar partido ou não. Isto é um processo, um caminho.” (Público Ed. Impressa de hoje) Não percebo nada do que é que Manuel Alegre quer, e calculo que como eu, a comunicação social tenha ficado perplexa com as suas intenções. Aguardemos, pois que o processo se processe, para vermos no que dá.
No CDS a contestação a Paulo Portas (com os seus 95% de votos no congresso) adensa-se com militantes a abandonar o partido pois questionam a falta de rumo deste bem como a sua liderança.
Quem nos últimos meses concentrou toda a atenção nos sempre tumultuoso PSD, pensaria que nos restantes partidos se respira um ar puro sem conspiração, parece afinal que o PSD não é detentor exclusivo da conspiração fratricida. Estes turbilhões à esquerda e à direita tão pessoais quanto políticos (se não mais ainda) dão oportunidade, por um ou dois dias, a Manuela Ferreira Leite de poder respirar à vontade: as luzes não estão voltadas para ela, e ninguém tomará a sua respiração por “gaffe”.
No CDS a contestação a Paulo Portas (com os seus 95% de votos no congresso) adensa-se com militantes a abandonar o partido pois questionam a falta de rumo deste bem como a sua liderança.
Quem nos últimos meses concentrou toda a atenção nos sempre tumultuoso PSD, pensaria que nos restantes partidos se respira um ar puro sem conspiração, parece afinal que o PSD não é detentor exclusivo da conspiração fratricida. Estes turbilhões à esquerda e à direita tão pessoais quanto políticos (se não mais ainda) dão oportunidade, por um ou dois dias, a Manuela Ferreira Leite de poder respirar à vontade: as luzes não estão voltadas para ela, e ninguém tomará a sua respiração por “gaffe”.
15.12.08
Léxico Socrático 2
“Plano anti-crise”, expressão que ouviremos amiúde, vai servir de desculpa para esbanjar milhões a um ritmo bastante acelerado. Aliás os primeiros sinais do dinheiro deitado aos pardais já está aí, com Teixeira dos Santos, numa atitude algo patética, a dizer que é preciso pressionar os bancos para que o dinheiro das linhas de crédito chegue à economia real, isto é às empresas. Nada que não se tivesse previsto, convinha só esclarecer o que é que é isso de “pressionar os bancos” e como é que o ministro o propõe fazer. Quem é que vai pressionar? Ele aparentemente não consegue. O Banco de Portugal que até agora mostrou o péssimo supervisor que é? O Primeiro-ministro? As ONGs? O depositante? A polícia? O fisco? E como é que isso se faz? Com cartas intimidatórias? Manifestações de rua? Aplicação de sanções? Como? Eu não faço ideia e aposto que os bancos, neste caso, serão muito pouco pressionáveis. O dinheiro já está do lado deles. Talvez se descubra mais cedo do que prevíamos as virtudes do capitalismo e o quão inconveniente pode ser o braço longo do Estado.
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