“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com

19.6.09


Notícias da Albânia (*):

O Primeiro-ministro muda de personalidade após derrota eleitoral. Ver aqui um retrato comparativo.

As notas de Português e Matemática das provas de aferição dos 4º e 6º anos contam com 90% de positivas.

Trabalhadores interrompem negociações com a Administração na Autoeuropa.

(*) com o devido respeito pela Albânia.


17.6.09

Em Flor 21

Da unidade no PSD

Da leitura de alguns blogues (sobretudo colectivos) dos últimos dias há uma nota curiosa que teima em aparecer, assumindo, em certos blogues, mais relevo do que noutros.

A ideia central é a de que só poderá o PSD estar preparado para enfrentar os próximos actos eleitorais e ter esperança de bons resultados, eventualmente uma vitória, com uma unidade que abarque em listas de deputados e em cargos todas as facções opostas (nomeadamente e sobretudo Pedro Passos Coelho). Esta preocupação e insistência com a unidade hoje – depois da vitória no último acto eleitoral que vale o que vale, nem mais nem menos – levanta-me algumas questões. A primeira e fundamental é o porquê desta preocupação hoje, a três meses (aproximadamente) do próximo acto eleitoral, quando três meses antes das eleições europeias choviam críticas em relação à líder do PSD, à sua estratégia, seu estilo, sua oportunidade, seu timing. Nessa altura uma certa opinião não escondia a premonição (óbvia sublimação de desejo?) de desastre e derrota deixando sempre a suspeita desse desejo nunca explícito de que MFL pudesse ser rapidamente declarada redundante e despachada. Nessa altura tudo o que MFL fazia ou dizia era alvo de forte crítica, até a nomeação de Paulo Rangel: por se perder um bom líder parlamentar, porque Marques Mendes teria sido melhor, porque foi tarde, porque, porque. Durante a campanha e com um certo entusiasmo a pairar Pedro Passos Coelho ousou acompanhar a líder, mas não surpreendeu, pois manteve-se fiel a si próprio: melífluo pediu – quando ninguém ousava sequer sonhar – uma vitória. Porque é que a unidade do partido hoje é tão mais importante do que era há três meses atrás? Porque a vitória já não é uma miragem ou improbabilidade, mas sim do domínio da possibilidade?

A segunda questão tem a ver com o tipo de “pressão” que é exercido com estes apelos à unidade. Parecem demasiado apelos ao não esquecimento, por isso à manutenção, da esfera de influência que essas “facções” têm ou possam ainda ter e que não querem – compreensivelmente – deixar de ter. Quando do debate interno no PSD e depois dele criaram-se essas “bolsas de influência” que mantiveram PPC nos media de forma sustentada e constante; que acontecerá se o seu papel nos próximos actos eleitorais não for marcante? Porque é que não leio a hipótese de voluntariamente e com dignidade (tal como MFL o fez quando Santana Lopes era líder) se manter afastado das listas de deputados por não concordar com a linha e estilo da liderança? A unidade – mais do que uma soma de partes - pressupõe uma liderança forte, uma direcção clara, um programa coerente e pessoas que acreditem neles: ninguém melhor do que o(a) líder para decidir quem, e renovar onde achar que há que renovar.

A terceira questão prende-se com o valor que essas “facções” internas do PSD têm no momento do voto. Isto é: perante os eleitores do país “real” que não são maioritariamente filiados em partidos, e que a votarem PSD votam também ou sobretudo em “não Sócrates”; quanto valem de facto os votos de Pedro Passos Coelho? Será que esse valor fará a diferença, ou estará PPC sobrevalorizado, por quem o acha imprescindível, em termos de votos de eleitores? De onde vem o valor de PPC perante um eleitorado “extra-muros” do PSD? Será que alguém sabe? Até prova em contrário, e sobretudo agora depois da vitória do PSD nas eleições europeias, mantenho sérias dúvidas em relação ao seu valor (em votos, claro). Para mim, e até agora, esse rei vai nu.


15.6.09

Há dois dias (clicar para aumentar)
Parece um porta qualquer coisa, mas não vejo o quê.

Nota: Um amável leitor esclarece-me, e diz tratar-se do porta-aviões Principe das Astúrias, o segundo maior navio da frota espanhola.


Hoje Acordei Assim *

Oh the wind whistles down
The cold dark street tonight
And the people they were dancing to the music vibe
And the boys chase the girls with the curls in their hair
While the shy tormented youth sit way over there
And the songs they get louder
Each one better than before

And you're singing the songs
Thinking this is the life
And you wake up in the morning and you're head feels twice the size
Where you gonna go? Where you gonna go?
Where you gonna sleep tonight?

And you're singing the songs
Thinking this is the life
And you wake up in the morning and you're head feels twice the size
Where you gonna go? Where you gonna go?
Where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonight?

So you're heading down the road in your taxi for four
And you're waiting outside Jimmy's front door
But nobody's in and nobody's home 'til four
So you're sitting there with nothing to do
Talking about Robert Riger and his motley crew
And where you're gonna go and where you're gonna sleep tonight

And you're singing the songs
Thinking this is the life
And you wake up in the morning and you're head feels twice the size
Where you gonna go? Where you gonna go?
Where you gonna sleep tonight?
Where you gonna sleep tonight?


Amy MacDonald, This is the Life.
AQUI

(* Com a devida vénia)


14.6.09

Georgia O' Keeffe (1887-1986)
Evening Star, Nº III
.

13.6.09

Guerra e Paz 4

Na barraca da sua prisão, Pierre ficou ciente, não só com a inteligência, mas com todo o seu ser, com a sua vida, de que o homem foi criado para a felicidade, que a felicidade residia no próprio homem (...) e que toda a desgraça não provinha da carência, mas do excesso; (...) (e) ficou ciente de mais uma nova verdade consoladora; no mundo nada havia de assustador. (...) Do mesmo modo que não existia uma situação em que o homem fosse totalmente feliz e livre, também não existia para o homem uma situação de felicidade absoluta e de privação total de liberdade. Ficou a saber que havia um limite para o sofrimento e um limite para a liberdade, (...).

Só agora Pierre percebia toda a força da capacidade da sobrevivência humana e a força salvadora, dada ao homem, da transferência da atenção, à semelhança daquela válvula de segurança nas máquinas a vapor que permite a descarga do excesso de vapor mal a sua densidade ultrapassa determinada medida. (...)

(...)Aquilo que dantes o atormentava, aquilo que procurava constantemente – o objectivo da vida – já não existia para ele. (...) E era esta inexistência (...) que lhe dava aquela consciência plena e feliz de liberdade que, nesses dias, constituía a sua felicidade.

Agora não podia ter objectivo porque tinha fé: não uma fé numas quaisquer regras, ou palavras ou ideias, mas a fé num Deus vivo, constantemente sentido. Dantes procurava-O nos objectivos que se colocava. A sua procura de objectivo era tão só a procura de Deus (...).
Lev Tolstói, Guerra e Paz

A busca da felicidade tem muitas caras e toma muitas formas. Pierre, talvez a personagem central de Guerra e Paz, vive com um pé no mundo da Paz: o mundo urbano da sociedade aristocrática que vive em luxo e conforto; e o outro pé no mundo da guerra, sobretudo na altura da batalha de Borodino e na ocupação de Moscovo: o mundo dos homens que estão nos diferentes ramos das forças armadas e que fazem a guerra defendendo o seu país. Ele começa por ser uma personagem intrigante e estranha com dificuldade em se afirmar no mundo em que, de repente, se vê pertencer. Teve o privilégio de uma esmerada e completa educação no ocidente (França sobretudo), mas havia sempre algo que lhe escapava, que lhe faltava e procurava incessantemente aquilo a que chamava o objectivo da vida, ou felicidade pois parecem ambos, neste caso funcionar como sinónimos. Tentou várias formas e escolheu várias caras, mas via sempre a felicidade, mais cedo ou mais tarde, escapar-lhe de cada vez que sentia, com alguma ingenuidade – própria das “boas pessoas” - que a conseguiria aprisionar. Tomou decisões fez escolhas, mudou de rumo, mas tudo parecia em vão, uma procura estéril dessa ilusão que é a felicidade que se “encontra” nisto ou naquilo, ou na descoberta do objectivo da vida nesta ou naquela ideologia e teoria.. Como todas as personagens deste romance, Pierre vive uma vida peculiar, cresce interiormente, sofre, adapta-se às circunstâncias, molda-se e descobre-se. Nestes breves excertos do romance tirados de capítulos diferentes e “colados” de uma forma que tento que faça um todo tão coerente quanto possível (um só excerto parecia-me demasiado redutor para personagem tão complexa), percebe-se que Pierre um dia é feliz: quando descobre que existe um limite ao sofrimento que se suporta, que a felicidade nunca é absoluta e que – mesmo em cativeiro – nunca há privação total da liberdade. Talvez mais importante, e num segundo momento, ele percebe que não precisa já não procura o objectivo da vida, em regras, palavras ou ideias, pois tem fé num Deus vivo e que é sempre sentido.

Atrevo-me a dizer que Pierre concordaria com o João Gonçalves: toda a felicidade, a não ser a dos tolos, pressupõe amargura, solidão e sofrimento.

12.6.09

Overdose 2

Um jejum de José Sócrates dá imediatamente lugar a outro tipo de alienações: ao benfiquismo (diferente do Benfica) que, como sempre, ocupa demasiado espaço mediático; aos desapontamentos em relação à selecção nacional que – tal como o país que representa - parece fadada ao empate; e ao Ronaldismo fenómeno nacional que envolve sempre movimentações de milhões de euros, porque vai para o real Madrid, ou porque espatifou um Ferrari, ou porque comprou uma casa, ou porque passa férias com os famosos em Los Angeles. Hoje o caso culmina com uma verdadeira dúvida existencial que o deve atormentar em LA onde foi avistado a brindar com Paris Hilton. Grande Ronaldo!

11.6.09

Hoje

Overdose

Confesso o bom que é este jejum de José Sócrates que a ressaca eleitoral e os feriados seguidos de fim-de-semana nos impuseram. As breves declarações do Primeiro-ministro ontem nas comemorações do 10 de Junho quando abordado pelos jornalistas, porque mais “naturais” e porque tão pouco usuais nele, não contam. De facto há vários dias que não leio "anúncios" nos jornais nem os vejo nas TVs, naquele ímpeto salvífico de quem tem que salvar rapidamente a pátria do desastre e por isso “toma medidas”. Não nego que há um mérito em “decidir” e “tomar medidas” e que ninguém nega a determinação do nosso primeiro-ministro. Dois problemas, no entanto: a qualidade das medidas e sua oportunidade, e a comunicação dessas medidas que com este governo se tem centrado nos anúncios à medida de um telejornal. Não há debate sobre a substância e o formato tem sido pouco variado, e pela persistência e regularidade com que o ritual é cumprido tem, inevitavelmente (e porque a verdade vem sempre acima) emergido a artificialidade do acto de encenar, de cada vez, um anúncio. Sem nos apercebermos fomos, ao longo destes anos com especial incidência nos últimos meses, objecto de uma intoxicação e de uma overdose de José Sócrates como nunca o fomos de mais nenhum primeiro-ministro. Nestes dias notam-se os sintomas de abstinência: uns talvez com pena, outros nos quais eu me incluo com considerável alívio.

9.6.09

Dias de Verão 12

Gifford Beal (1879–1956)
Mayfair


8.6.09

Muito boa a análise de Eduardo Cintra Torres no Público caderno principal da edição impressa de hoje com o título: Dez Derrotados na Comunicação. A saber, mesmo que seja importante ler todo o artigo: 1 - A reportagem opinativa, 2 - A campanha enviesada da RTP, 3 – A Credibilidade das sondagens, 4 – A artificialidade comunicativa do PS e da LPM, 5 – A comunicação arrogante e sufocante, 6 – Os comentadores da direita socratista, 7 – Miguel Sousa Tavares, 8 – A sobrevalorização da sondagem das legislativas na SIC, 9 – A infelicidade do humor, 10 – O novo riquismo cenográfico (RTP).

7.6.09

Que alívio!

Depois dos discursos de Paulo Rangel e de Manuela Ferreira Leite, os grandes vencedores da noite, registo o alívio que é finalmente ouvir discursos com sentido. O de Paulo Rangel foi particularmente bem conseguido, estruturado, claro, incisivo e politicamente pertinente e oportuno, quer para os seus eleitores quer para os seus opositores: levantou a questão da mudança do quadro político em Portugal que impede o governo de tomar decisões que comprometam a próxima legislatura e as gerações futuras. É um alívio sair do modelo redondo e vazio dos discursos de circunstância, de anúncios e unidireccionais de José Sócrates que com a sobranceria da superficialidade ignora sistematicamente a oposição e a crítica e seus argumentos.

Hoje

Guerra e Paz 3

Além das suas rezas, Platon Karatáev não sabia nada de cor. Quando começava os seus discursos, parecia não saber como os iria terminar. (...) Platon não conseguia lembrar-se do que dissera um minuto antes (do mesmo modo que nunca conseguia dizer a letra da sua cantiga preferida). Havia nestas cantiga palavras – “querida”, “betulazinha”, e “estou muito triste” – mas, recontadas, nunca faziam qualquer sentido. Karatáev era incapaz de compreender o significado das palavras fora do discurso. Cada palavra e cada procedimento seus eram manifestações de uma actividade espontânea e que era a própria vida. Entretanto, a vida, tal como ele a encarava, não tinha sentido como vida separada. Apenas tinha sentido como partícula de existência geral que ele permanentemente sentia. As palavras e os actos de Platon derramavam-se de forma tão regular, necessária e espontânea como o cheiro emana da flor. Era incapaz de compreender o valor e o significado de uma acção ou de uma palavra tomadas em separado.
Lev Tolstói, Guerra e Paz

Platon Karatáev é uma personagem menor, mas com grande valor simbólico num romance onde abundam personagens da aristocracia culta que de formas diferentes procuram encontrar o sentido da vida e um objectivo que as faça agir. Karatáev é um camponês inculto, mas dotado de uma sensibilidade existencial muito peculiar. Ele, tal como o excerto acima nos diz, existe em ligação com o mundo, uma partícula na existência que ele sente e sabe, não deixando muito espaço ao cultivo do ego, estados de alma ou a problemas existenciais relacionados com o sentido da vida ou os objectivos das opções que se tomam e que caracterizam na obra as personagens principais. Ele existe como contraponto a essas personagens e é capaz de seduzir quelquer um pela simplicidade e harmonia do seu ser e viver. Como parte integrante de um universo e de uma existência que o transcende, mas que ele sente ternamente na vida que vive e que vê ser vivida, ao seu redor pelos homens, cães, árvores ou flores, Karatáev não questiona o que lhe acontece, não combate o seu fado - pelo contrário entrega-se, sem ressentimentos nem questionamentos e com uma simplicidade e aceitação tão naturais quanto desarmantes que, nesta sua forma de estar perante o mundo e o momento presente, ele acaba por transmitir aos que o rodeiam paz e ternura em momentos de dor e de aflição. Há nele uma entrega à vida, e consequentemente à morte, que espanta quem o rodeia, no seio dos quais está Pierre, que será fortemente marcado por este homem camponês e iletrado, mas dono de uma sabedoria e liberdade imensas.

O meu conhecimento de filosofia é infelizmente (e tal como o de tantas outras matérias) muito limitado, mas sei reconhecer neste excerto matéria que nos remete, pelo menos, para questões filosóficas antigas, sobre as quais não sou capaz de dissertar. Ouso, no entanto, algumas deixas; mais uma vez o Platonismo e o Nominalismo e Realismo que na Idade Média ocuparam tantos filósofos e teólogos.

6.6.09

5.6.09

Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa!

Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa!

Esta frase que Paulo Rangel elegeu para palavra de ordem é um alívio para a alma. Estamos fartos de socialismo. Abstenho-me agora de comentar José Sócrates, a sua imagem cultivada em think tank de marketing, as suas frases inventadas em laboratório de ideias e desenhadas e arquitectadas de modo a bastarem-se por si, no discurso redondo que usa tão típico dos monólogos por ele promovidos às horas que lhe convém, não vale a pena agora explorar o que ele representa de superficialidade e frivolidade, nem alongar-me nas incessantes dúvidas sobre o seu percurso e as razoáveis dúvidas sobre o seu carácter. Deixemos isso hoje.

Basta de socialismo! Estamos fartos do peso do Estado do seu excessivo poder, do crescente endividamento da sociedade portuguesa, do constante e crescente peso do fisco sobre as pessoas e as empresas, da prepotência das medidas tomadas aleatoriamente, dos ajustes directos entre o estado e empresas que promovem as ideias que geram anúncios que nem sempre se vão realizando. Estamos fartos de projectos megalómanos que servem para dar a ilusão e a patine moderna ao país pobre em dinheiro e em espírito que somos. Parafraseando Vasco Pulido Valente hoje no Público: para um povo melancólic(o), desiludid(o) e sem esperança. Que lhe pode trazer um novo regime: uma terceira auto-estrada?

Paulo Rangel conseguiu gerar algum ímpeto e entusiasmo numa campanha eleitoral que normalmente mobiliza pouco e em que a Europa e os seus impasses foram os grandes ausentes, mas que permitiu ao eleitor aperceber-se e ver que se desenha uma alternativa ao PS e a José Sócrates. Muito mérito de Paulo Rangel certamente, mas mérito também de Manuela Ferreira Leite. A líder do PSD que não entusiasma ninguém, que fica bem criticar, e que se confronta diariamente com a má fé e com os seus maiores críticos dentro do seu partido, é a grande responsável pela escolha e pelas decisões tomadas no PSD. Por muito hábil, e comum, que seja a retórica iluminada que tente demarcar Paulo Rangel de MFL, não o conseguirão. Qualquer vitória dele será sempre uma vitória dela. Eu espero por Domingo, e espero que Domingo um passo mais na direcção do Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa! seja dado.
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4.6.09

Andy Warhol
Hammer and Sickle
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Educação Sexual na Escola

Eu sou muito crítica em relação a muito do que é a Escola hoje. E por escola entendo quer a escola pública, quer a privada, pois ambas têm que seguir as disciplinas, os programas e os horários estabelecidos pelo Ministério da Educação. Em Portugal não há, infelizmente, verdadeira liberdade no ensino. A escola privada não pode escolher os seus programas, os pais não podem escolher o que os filhos aprendem. Ninguém se queixa muito!

Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.

Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.

Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.


Vejam só: fizeram o mesmo ao meu dinheiro! Se Manuel Pinho assim o determina, quem sou eu para o contradizer? Então parece que só nos resta esperar tranquilamente os dividendos que receberemos deste, e de todos os outros negócios altamente rentáveis que em nosso nome e para nosso bem o Estado fez nestes últimos tempos. Ficaremos ricos em breve.

Ah, estes bloggers dotados de bom humor matinal...
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