“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com
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21.9.09
Caro Gabriel Silva, trata-se de uma dessas afirmações que não dizem nada. O que interessa é saber se é melhor que vença o PS ou que vença o PSD, mesmo que não mereça (este "mereça" é todo um programa). Enquanto se espera a perfeição ou El Rei D. Sebastião o país vai-se afundando cada vez mais em dívida e a liberdade vai encolhendo até se revelar mais um conceito de plástico. Agora é escolher.(Em comentário ao post do Blasfémias)

Para além do que se diz aqui e aqui, seria interessante saber se para além da “alegada” “agenda política oculta do Público” existe uma agenda política “oculta” do Provedor do Público. Agora os esforços do Público devem concentrar-se em saber quem é que disponibilizou os emails internos do Público ao DN e ao Expresso, porque sendo o jornal Público o outro dos alvos a “abater” de José Sócrates - uma vez que a TVI já foi - criar no jornal um clima de trabalho onde impera a suspeição, divisão e desconforto é uma boa forma de começar. Só não vê quem não quer.
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20.9.09
Alegado
Alegado(a)(os)(as) é uma palavra sem a qual seria impensável viver no nosso país. Há meses que “alegado” entrou de rompante no nosso vocabulário. O “alegado” é um ersatz da verdade, que em democracia é normalmente apurada pela investigação e pela justiça, verdade essa que , ninguém realmente procura ou quer, pois tem sido sistematicamente substituída por “alegados” qualquer coisa, que inundam os meios de comunicação social, e o pathos colectivo. São “alegados” os faxes, os e-mails, as pressões, as conversas, as acusações, as intenções, os negócios, etc.
Parece que vivemos de “alegado” em “alegado” e que a comunicação social a um ritmo constante alimenta os seus leitores e ouvintes de novos casos onde abundam os “alegados” que fazem os casos dos quais eles, e nós, vivemos. Este período de campanha eleitoral tem sido especialmente fértil em casos concentrando-se pouco no debate sobre o essencial: José Sócrates governou bem nos últimos quatro anos ou governou mal? Porque é que não governou bem, o que fez mal, o que não fez. Se governou bem o que é que fez. O país está melhor? Os portugueses estão melhores? Queremos ou não queremos que ele seja o próximo Primeiro-ministro? Estas matérias estão sistematicamente ausentes das primeiras páginas dos jornais, e do debate público, nomeadamente televisivo porque os casos e os respectivos “alegados” enchem a campanha. Já foi assim após os debates televisivos entre os líderes partidários em que os comentadores se concentravam sobretudo em aspectos formais ou no caso e nos “alegados” do dia. Mas como o país está anestesiado e habituado a seguir um caso e respectivos “alegados” após o outro, já nem estranha a ausência de um verdadeiro debate político, nem o reivindica
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Parece que vivemos de “alegado” em “alegado” e que a comunicação social a um ritmo constante alimenta os seus leitores e ouvintes de novos casos onde abundam os “alegados” que fazem os casos dos quais eles, e nós, vivemos. Este período de campanha eleitoral tem sido especialmente fértil em casos concentrando-se pouco no debate sobre o essencial: José Sócrates governou bem nos últimos quatro anos ou governou mal? Porque é que não governou bem, o que fez mal, o que não fez. Se governou bem o que é que fez. O país está melhor? Os portugueses estão melhores? Queremos ou não queremos que ele seja o próximo Primeiro-ministro? Estas matérias estão sistematicamente ausentes das primeiras páginas dos jornais, e do debate público, nomeadamente televisivo porque os casos e os respectivos “alegados” enchem a campanha. Já foi assim após os debates televisivos entre os líderes partidários em que os comentadores se concentravam sobretudo em aspectos formais ou no caso e nos “alegados” do dia. Mas como o país está anestesiado e habituado a seguir um caso e respectivos “alegados” após o outro, já nem estranha a ausência de um verdadeiro debate político, nem o reivindica
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18.9.09
Ontem na Quadratura do Círculo, António Costa afirmou saber de onde ressurgem as notícias (já antigas) da compra de votos no PSD de Lisboa, e afirmou peremptoriamente que elas tinham origem dentro do próprio PSD. José Pacheco Pereira anuiu com um acenar de cabeça, e essa afirmação deu origem a uma intervenção de António Lobo Xavier sobre o PSD, destacando o facto de dentro do PSD haver uma intensa, feroz e fratricida campanha contra Manuela Ferreira Leite, ao ponto de um determinado sector do PSD, conhecido e com rosto, preferir a vitória do PS de José Sócrates à vitória de MFL. ALX foi muito claro e os outros presentes não só não protestaram como estiveram de acordo. Nada que não se soubesse ou percebesse pela marcação cerrada feita a MFL e pela constante má-fé com que ela é olhada, seus actos dissecados e suas palavras criticadas e objecto de interpretações criativas. Mas agora que tudo foi dito, explicado e afirmado nomeadamente por pessoas que representam sectores e interesses diversos do espectro político nacional, parece que já não sobram dúvidas a ninguém.Por isso creio que vale a pena repetir alto e em bom som, e - parafraseando Paulo Portas na sua frase fetiche desta campanha – falando claro e em bom português:
NINGUÉM ESTÁ MAIS INTERESSADO NUMA DERROTA DE MANUELA FERREIRA LEITE – E NA CONSEQUENTE VITÓRIA DE JOSÉ SÓCRATES - DO QUE UM CERTO SECTOR DO PSD.
Aguardo os desmentidos na comunicação social.
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17.9.09
Erros Políticos e Casos Mediáticos
No Delito de Opinião, Pedro Correia faz um exercício em que enuncia os dez maiores erros de Manuela Ferreira Leite e os dez maiores erros de José Sócrates, mas eu creio que tal exercício se revela faccioso uma vez que coloca os supostos erros de MFL ao mesmo nível dos erros de JS. Isso não é, nem pode ser visto assim. José Sócrates, para o bem e para o mal, (muito mais para o mal do que para o bem, na minha opinião) é o Primeiro-ministro do país e compete-lhe governar e tem que ser responsabilizado pelo resultado da sua governação. Os erros que Pedro Correia lhe aponta e cujo enunciado não discordo em termos genéricos (embora faltem alguns importantes como a sua complicada relação com a verdade) são por vezes abordados de uma forma mais superficial e casual (TVI e Público) não expondo, por exemplo, a sua política de controle (cartão do cidadão, chip do carro), possíveis escutas, controle da RTP e influência nítida noutros órgãos de informação, pressões sobre a justiça; nem expondo a sua política de anúncios e medidas diários e encenações coreografadas, a abundância legislativa de qualidade duvidosa, entre outros casos. São omissões que me parecem importantes, pois definem um estilo de política e uma forma de ser político.
Manuela Ferreira Leite, não tem, nem pode ter, o mesmo curriculum de “erros”, eles não têm o mesmo peso e resultado dos erros de JS. Não são comparáveis sequer e listá-los como iguais parece-me uma forma de distorcer a realidade e absolver a responsabilidade de José Sócrates enquanto Primeiro-ministro. MFL apresenta-se como alternativa a Sócrates. Os seus erros listados por Pedro Correia, e com os quais não concordo (com excepção do erro nº 3, e parcialmente com o nº8), não são erros políticos, nem de política com excepção do caso nº2, que é uma opção da líder. Ao contrário dos erros de José Sócrates - estes são "casos", presunções e ilações tiradas por comentadores e opinadores, e não factos políticos. Nem sequer são enunciados erros sobre as políticas propostas no programa de governo, ou falhas - específicas -do mesmo. Só se apontam “casos” em vez de políticas. Confundir, num óbvio lapso IRC com IRS não pode ser encarado como um erro político, só um preconceito contra MFL pode explicar que se olhe para esse lapso como um erro e que possa ser comparado com os erros de José Sócrates.
Eu sei que a comunicação social se ocupa mais dos “casos” do que da política, e vive dos “casos”, para os quais tem sempre apontado um microfone e virada uma câmara, e que são mais mediáticos e fáceis e menos incómodos e "difíceis" do que a política. Assim, e nas televisões, rádios e jornais vemos sucederem-se “casos” uns atrás dos outros. Todos parecem querer esquecer o que realmente está em causa, como diz João Gonçalves, e que o que vamos julgar é o governo de José Sócrates, olhando para o país e vendo que está pior hoje do que há quatro anos atrás. O voto vai sobretudo dizer se queremos mais do mesmo. Como se costuma dizer, em democracia são sobretudo os governos que perdem, e não as oposições que ganham. Por isso, e por muito que a comunicação social queira com a sua intolerância, impaciência e má fé face a MFL, não são as suas supostas (ou não) gaffes, lapsos, comentários menos felizes, casos (alegados ou não) ou até um raciocino imediatamente toldado por uma sintaxe incompreensível, mas que deu luta e teve graça, sem tentar ser engraçada, na entrevista dos Gatos Fedorentos, que vão a votos. José Sócrates e o que ele fez em quatro anos de governo é que sim.
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Manuela Ferreira Leite, não tem, nem pode ter, o mesmo curriculum de “erros”, eles não têm o mesmo peso e resultado dos erros de JS. Não são comparáveis sequer e listá-los como iguais parece-me uma forma de distorcer a realidade e absolver a responsabilidade de José Sócrates enquanto Primeiro-ministro. MFL apresenta-se como alternativa a Sócrates. Os seus erros listados por Pedro Correia, e com os quais não concordo (com excepção do erro nº 3, e parcialmente com o nº8), não são erros políticos, nem de política com excepção do caso nº2, que é uma opção da líder. Ao contrário dos erros de José Sócrates - estes são "casos", presunções e ilações tiradas por comentadores e opinadores, e não factos políticos. Nem sequer são enunciados erros sobre as políticas propostas no programa de governo, ou falhas - específicas -do mesmo. Só se apontam “casos” em vez de políticas. Confundir, num óbvio lapso IRC com IRS não pode ser encarado como um erro político, só um preconceito contra MFL pode explicar que se olhe para esse lapso como um erro e que possa ser comparado com os erros de José Sócrates.
Eu sei que a comunicação social se ocupa mais dos “casos” do que da política, e vive dos “casos”, para os quais tem sempre apontado um microfone e virada uma câmara, e que são mais mediáticos e fáceis e menos incómodos e "difíceis" do que a política. Assim, e nas televisões, rádios e jornais vemos sucederem-se “casos” uns atrás dos outros. Todos parecem querer esquecer o que realmente está em causa, como diz João Gonçalves, e que o que vamos julgar é o governo de José Sócrates, olhando para o país e vendo que está pior hoje do que há quatro anos atrás. O voto vai sobretudo dizer se queremos mais do mesmo. Como se costuma dizer, em democracia são sobretudo os governos que perdem, e não as oposições que ganham. Por isso, e por muito que a comunicação social queira com a sua intolerância, impaciência e má fé face a MFL, não são as suas supostas (ou não) gaffes, lapsos, comentários menos felizes, casos (alegados ou não) ou até um raciocino imediatamente toldado por uma sintaxe incompreensível, mas que deu luta e teve graça, sem tentar ser engraçada, na entrevista dos Gatos Fedorentos, que vão a votos. José Sócrates e o que ele fez em quatro anos de governo é que sim.
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15.9.09
13.9.09
A Problemática das Marquises
Logo nos primeiros momentos do debate de ontem, Manuela Ferreira Leite marcou pontos, distanciando-se do seu rival José Sócrates ao expor de forma ousada e frontal a sua “credibilidade” de uma vida construída com trabalho, quer académica quer profissionalmente. Houve quem lhe levasse a mal tal exposição (preferiam certamente vê-la a dizer que chora a ver filmes românticos no programa “como nunca os viu" da SIC). Houve quem o considerasse falta de delicadeza, coisa que não se entende, pois ela tem todo o direito de se orgulhar do seu percurso académico e profissional. Que culpa tem ela de não ter assinado projectos de marquises ,nem de ter tirado uma licenciatura a um Domingo ,nem tão pouco de ter feito uma cadeira universitária de Inglês Técnico por fax? É isto que melindra os comentadores e opinadores, porque há um pacto de silêncio sobre o percurso do Primeiro-ministro e lembrá-lo desagrada a José Sócrates. So what? Mas porque teria MFL que se calar e pactuar com esse silêncio? Não só fez bem, como se demarcou de um certo estilo de “ser” que ela não "é". Mostrou frontalidade e coragem, valores pouco usuais neste país de consensos, paninhos quentes e amiguismos. Mas a sua frontalidade não ficou por aqui.
Ao longo do debate MFL marcou pontos trazendo a política para a mesa e deixando de lado a propaganda, a demagogia e as frases decoradas tão do agrado de JS. Foi assim na análise que fez da economia portuguesa antes da crise internacional ousando dizer que esta só foi boa para JS que se serve dela para esconder as suas más políticas económicas e justificar os maus indicadores económicos nacionais. Foi assim ou lembrar a recusa de José Sócrates em ver a crise económica internacional e reconhecê-la tarde. Foi assim ao recusar falar de casos da justiça, mesmo em seu benefício. Foi assim com a crítica que fez a JS de não ter falado toda a verdade sobre as pensões, a desvalorização das ditas até 50%. Foi assim sobre a pressão espanhola no caso do TGV, apesar de ter sido um pouco confusa a formulá-lo. Foi assim sobre a política económica da ajuda e do subsídio em vez de uma política de promoção da riqueza, que lhe valeu um momento genuino e politicamente incorrecto, e por isso tão criticado quando menciona o caso da criança que mata os pais para se dizer orfã, perante o ar escandalizado e reprovador de José Sócrates, o guru do politicamente correcto. MFL não é fotogénica, nem tem talento retórico para embasbacar os simples nem tão pouco para agradar a quem (por má fé, ou incapacidade) não queira perceber o que ela diz. Mas as suas ideias políticas são claras como água, e quando não são ela diz que não sabe, que não promete, que não se pronuncia. Manuela Ferreira Leite pode não resolver os problemas todos do país, nem é um génio político infalível, mas é credível, frontal, educada apesar de não ceder a nenhum tipo de complacências, e colocou quase sempre José Sócrates à defesa.
(continua)
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Ao longo do debate MFL marcou pontos trazendo a política para a mesa e deixando de lado a propaganda, a demagogia e as frases decoradas tão do agrado de JS. Foi assim na análise que fez da economia portuguesa antes da crise internacional ousando dizer que esta só foi boa para JS que se serve dela para esconder as suas más políticas económicas e justificar os maus indicadores económicos nacionais. Foi assim ou lembrar a recusa de José Sócrates em ver a crise económica internacional e reconhecê-la tarde. Foi assim ao recusar falar de casos da justiça, mesmo em seu benefício. Foi assim com a crítica que fez a JS de não ter falado toda a verdade sobre as pensões, a desvalorização das ditas até 50%. Foi assim sobre a pressão espanhola no caso do TGV, apesar de ter sido um pouco confusa a formulá-lo. Foi assim sobre a política económica da ajuda e do subsídio em vez de uma política de promoção da riqueza, que lhe valeu um momento genuino e politicamente incorrecto, e por isso tão criticado quando menciona o caso da criança que mata os pais para se dizer orfã, perante o ar escandalizado e reprovador de José Sócrates, o guru do politicamente correcto. MFL não é fotogénica, nem tem talento retórico para embasbacar os simples nem tão pouco para agradar a quem (por má fé, ou incapacidade) não queira perceber o que ela diz. Mas as suas ideias políticas são claras como água, e quando não são ela diz que não sabe, que não promete, que não se pronuncia. Manuela Ferreira Leite pode não resolver os problemas todos do país, nem é um génio político infalível, mas é credível, frontal, educada apesar de não ceder a nenhum tipo de complacências, e colocou quase sempre José Sócrates à defesa.
(continua)
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12.9.09
11.9.09
Os Políticos que Choram
Esta mania de fazer entrevistas a políticos em que à viva força se tenta encontrar a “outra face” deles, o seu “lado escondido”, deve ter um propósito qualquer que, para além do básico voyerismo à maneira do reality-show que parece dar audiências, me escapa e cujo objectivo político, por mais que tente, não entendo. Mas deve ser problema meu. Falo dos programas da SIC que passaram esta semana às 19h. Não vi um programa sobre Manuela Ferreira Leite, nem sei se ainda o vão passar, ou se não o fizeram.
Pergunto-me se é interessante ou proveitoso saber que os nossos políticos choram todos (surpresa!) nomeadamente a ver ver alguns filmes românticos, José Sócrates gosta de finais felizes (o optimismo sempre em alta), Jerónimo de Sousa (que lembrou a comoção de E Tudo O Vento Levou) também confessou preferir finais felizas e destacou a ternura e as qualidades humanas que triunfam nalguns deles. Louçã – mais à vontade nos transportes públicos do que na sua casa - considerou o E.T. um dos filmes românticos do nosso tempo. Também me questiono sobre a utilidade de ouvir uma prelecção estéril e oca de José Sócrates sobre o humor “fino” e outra sobre poesia, ouvindo-o falar do seu deleite a ler a Ode à Noite (palavras dele que eu não sei bem a que se refere) de Ricardo Reis e como seria interessante instituir (ou obrigar, não lembro a palavra, mas a ideia era esta) nas escolas, presumo, uma hora de leitura diária de poesia. Nem comento a ideia de “obrigar” que isso é uma segunda natureza para José Sócrates, mas penso só o quão divertido isso seria em alunos que só no 9º ano de Português têm o primeiro contacto formal com os clássicos da nossa literatura.
Como se isto não bastasse vimos em pormenor o sashimi e sushi que Paulo Portas – que parecia bem à vontade neste registo - ia comer e cujo paradeiro o preocupou e ficamos a conhecer as propriedades terapêuticas (palavras minhas) que o design de interiores tem para ele, nomeadamente quando se afastou da política. Churchill, Corto Maltese e Sharon Stone são personagens marcantes para ele. A ideia da entrevistadora de interrogar os netos de Jerónimo de Sousa, sobretudo o mais velho, sobre se gosta de ver o avô na televisão, se é amigo do avô, se gosta do avô, se lhe diz que o gosta de ver na televisão, porque é que é amigo dele, e porque é que gosta dele, não lembra o diabo. Para quê tanta pergunta e insistência a uma criança tão nova? Que interesse pode isso ter? Poderia citar outros exemplos de banalidade disfarçada de ver “como nunca vimos” os nossos políticos, mas creio que estes chegam.
A concepção do programa é desinteressante, sobretudo em época eleitoral onde há pouca inocência e muito combate político e nada se faz ou diz sem ser medido e pesado; para além disso a entrevistadora não ajudou: deu pouco espaço aos sujeitos do programa e forçou demasiado a porta da casa (a intimidade) para além de ter adaptado pouco o registo a cada um dos entrevistados, repetindo e insistindo nas mesmas perguntas: parecia obcecada por saber se os políticos choravam, e por saber se eles já tinham excedido os limites de velocidade. Como se isso revelasse algo inédito e como se alguém se surpreendesse. Tudo espremido fica pouco: meia dúzia de lágrimas, que nesta altura mais não são do que de crocodilo.
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Pergunto-me se é interessante ou proveitoso saber que os nossos políticos choram todos (surpresa!) nomeadamente a ver ver alguns filmes românticos, José Sócrates gosta de finais felizes (o optimismo sempre em alta), Jerónimo de Sousa (que lembrou a comoção de E Tudo O Vento Levou) também confessou preferir finais felizas e destacou a ternura e as qualidades humanas que triunfam nalguns deles. Louçã – mais à vontade nos transportes públicos do que na sua casa - considerou o E.T. um dos filmes românticos do nosso tempo. Também me questiono sobre a utilidade de ouvir uma prelecção estéril e oca de José Sócrates sobre o humor “fino” e outra sobre poesia, ouvindo-o falar do seu deleite a ler a Ode à Noite (palavras dele que eu não sei bem a que se refere) de Ricardo Reis e como seria interessante instituir (ou obrigar, não lembro a palavra, mas a ideia era esta) nas escolas, presumo, uma hora de leitura diária de poesia. Nem comento a ideia de “obrigar” que isso é uma segunda natureza para José Sócrates, mas penso só o quão divertido isso seria em alunos que só no 9º ano de Português têm o primeiro contacto formal com os clássicos da nossa literatura.
Como se isto não bastasse vimos em pormenor o sashimi e sushi que Paulo Portas – que parecia bem à vontade neste registo - ia comer e cujo paradeiro o preocupou e ficamos a conhecer as propriedades terapêuticas (palavras minhas) que o design de interiores tem para ele, nomeadamente quando se afastou da política. Churchill, Corto Maltese e Sharon Stone são personagens marcantes para ele. A ideia da entrevistadora de interrogar os netos de Jerónimo de Sousa, sobretudo o mais velho, sobre se gosta de ver o avô na televisão, se é amigo do avô, se gosta do avô, se lhe diz que o gosta de ver na televisão, porque é que é amigo dele, e porque é que gosta dele, não lembra o diabo. Para quê tanta pergunta e insistência a uma criança tão nova? Que interesse pode isso ter? Poderia citar outros exemplos de banalidade disfarçada de ver “como nunca vimos” os nossos políticos, mas creio que estes chegam.
A concepção do programa é desinteressante, sobretudo em época eleitoral onde há pouca inocência e muito combate político e nada se faz ou diz sem ser medido e pesado; para além disso a entrevistadora não ajudou: deu pouco espaço aos sujeitos do programa e forçou demasiado a porta da casa (a intimidade) para além de ter adaptado pouco o registo a cada um dos entrevistados, repetindo e insistindo nas mesmas perguntas: parecia obcecada por saber se os políticos choravam, e por saber se eles já tinham excedido os limites de velocidade. Como se isso revelasse algo inédito e como se alguém se surpreendesse. Tudo espremido fica pouco: meia dúzia de lágrimas, que nesta altura mais não são do que de crocodilo.
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10.9.09
9.9.09
O Preço da Compaixão
Enquanto que por cá se debate e se debatem os debates e se espera pelos debates, algo de verdadeiramente bizarro se passa noutro canto no mundo. Desta vez em África, Primeiros-ministros africanos reunidos para celebrar o 10º aniversário da União Africana, aplaudem Megrahi que em 1988 fez explodir o voo da Pam Am sobre Lokerbie matando 270 pessoas. Os escoceses libertaram-no por uma questão de compaixão. Ele é recebido na Líbia como um herói e é aplaudido por solidariedade. Solidariedade porquê? Por ter cometido um acto terrorista em que matou 270 pessoas inocentes? O mundo está perigoso. Nada que realmente nos devesse surpreender. Só quem teima em não ver os sinais pode fingir espanto, pois eles andam por aí, e não faltam exemplos como a recente polémica em França dos “burkinis” e seu acesso (ou não) às piscinas municipais. É só uma questão de não querer fechar os olhos e de não olhar para o lado. O pior, e o que mais nos ameaça, é ter que medir o preço da compaixão (um valor que tem o seu lugar na nossa sociedade) pois pode começar a ser demasiado elevado.
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É verdade que José Sócrates “encostou” Francisco Louçã e ainda bem. À custa do seu (de JS) conforto da obra feita, uma convicção sua (de JS) que empenhadamente acarinha, e do delírio dos números bem trabalhados e estudados – gostei especialmente dos 130.000 empregos criados pelo governo, (por ele JS), antes da crise internacional, número que até agora não vi ninguém contestar ou pelo menos pedir uma explicação. Mas José Sócrates tem a vantagem de estar no poder e de decidir, algo que FL nem em sonhos nem em delírios imagina como seja. É essa leviandade que lhe (FL) permite abrir a boca e aceleradamente encadear frases demagógicas umas atrás das outras, que esbarraram nalguma realidade do poder e de quem (bem ou mal) decide. Claro que a visão da realidade e do país de José Sócrates é muito artificial e muito feita em laboratório de imagem e marketing, o que por vezes nos dava a sensação de ouvir um debate sobre uma outra dimensão, outro país, outra realidade, tão longe estavam os dois do país real. Um exemplo desse “desfasamento” foi a preocupação (ouvida pela primeira vez) de JS com a classe média e o cuidado em a demarcar do cliché “os ricos”, repetido ad nauseam ao longo da sua legislatura e inspiração para coisas absurdas que empobrecem ainda mais e pobre classe média como a “taxa Robin dos Bosques”. Outro exemplo é a afirmação de JS sobre (cito de cor) a maior crise do século no mesmo dia me que o INE anuncia o fim da recessão técnica ( a expressão “técnica” é toda um programa). Afinal onde estamos?
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7.9.09

No debate de ontem entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã, era impossível não notar, por trás de uma atitude calma e tranquila, a impaciência – ou mais prosaicamente falando, a falta de pachorra, pois é disso que se trata - de MFL face ao discurso de FL. Francisco Louçã é um desses talentos falantes com qualquer coisa de mecânico e automático que parece só precisar que se insira uma moedinha para termos o benefício de um discurso empolgado e retórico, cheio de palavras frases feitas e ideias de esquerda marteladas para ouvidos modernos e ressabiados ou para aqueles que ainda não se tenham conseguido libertar do “complexo de esquerda”. Não importa a verosimilhança do que diz, o compromisso responsável do que propõe ou a honestidade interpretativa de coisas que só ele lê onde elas não estão. Tudo isso é secundário face ao caudal inesgotável (e tão irritante, meu Deus) de palavras que lhe saem da boca. MFL não sabe bem lidar com isso: não lhe está na natureza, e parece não ter interesse em querer aprender e saber dialogar “ao metro”. Momentos houve, no debate, em que me pareceu notar nela umas pequeníssimas pausas, como que uma “ausência” brevíssima de quem ainda não acredita que está ali, a debater com aquele que não se cala mas que diz nada (eu sei que este “nada” seria merecedor de um outro texto, mas o ataque aos “ricos” e os temas “fracturantes”, entre outros, já têm sido merecedores de atenção) e do qual tudo a separa. Um bom treino para o debate com José Sócrates.
12.8.09
Leitura de Verão

Mão amiga fez-me chegar, via Amazon, este simpático livro que olha para o cérebro feminino e mostra o quão diferente ele é do masculino. Nada que nós mulheres, que o somos porque temos um corpo de mulher, ao longo dos tempos não tivéssemos vindo a perceber. Mas até esta intuição, que não precisou de grandes estudos científicos, este gut feeling é explicado,
Gut feelings are not just free-floating emotional states but actual physical sensations that convey meaning to certain areas in the brain. (…). The areas of the brain that track gut feelings are larger and more sensitive in the female brain, according to brain scan studies. Therefore the relationship between a woman’s gut feelings and her intuitive hunches is grounded in biology. (Segue-se uma descrição científica sobre os circuitos e a química cerebrais que me abstenho de transcrever).
Assim, e de uma vez por todas, arrumamos com o feminismo dominante dos anos 70 que pretendia unisexizar tudo e incutir às mulheres a ideia de que elas eram iguais aos homens, incitando-as a fazerem o que os homens faziam segundo as regras por eles estabelecidas ao longo de milénios. Nunca conseguiram estabelecer a diferença entre igualdade tout court e igualdade de oportunidades e direitos. Foi pena. Perdeu-se muito tempo e a sociedade não ficou melhor por isso.
The biological reality, however, is that there is no unisex brain. The fear of discrimination based on differences runs deep, and for many years assumptions about sex differences went scientifically unexamined for fear that women wouldn’t be able to claim equality with men. But pretending that women and men are the same , while doing a disservice to both men and women, ultimately hurts women. (…) Assuming the male norm also means undervaluing the powerful, sex-specific strengths and talents of the female brain.
Estes livros científicos pensados para o grande público e convertidos em best-sellers, feito em que os norte-americanos são exímios, conseguem ser boa leitura. Porque sérios e credíveis para percebermos que não lidamos com videntes, curiosos ou gurus espirituais de uma qualquer escola de auto-ajuda, e porque permitem uma leitura apelativa. A obra é pensada para o leitor: desde a estrutura do livro aos exemplos dados, tudo se lê facilmente, com interesse e bem. Há momentos especialmente engraçados (o capítulo sobre a adolescência é uma mina deles) e o capítulo “The Mature Female Brain” é particularmente interessante. Podem-se, nestes capítulos ler coisas como:
Every brain begins as a female brain (...) it only becomes male eight weeks after conception when excess testosterone shrinks the communication centre, reduces the hearing cortex and makes the part of the brain that processes sex twice as large.
Ou
Connecting through talking activates the pleasure centers in a girl’s brain. Sharing secrets that have romantic and sexual implications activates those centers even more. We’re not talking about a small amount of pleasure. This is huge. It’s a major dopamine and oxytocin rush, which is the biggest, fattest neurological reward you can get outside an orgasm. (…) It keeps them motivated to seek these intimate connections. What they don’t know is that this is their own special girl reality. Most boys don’t share this intense desire for verbal connection. (…) Girls who expect their boyfriends to chat with them the way their girlfriends do are in for a big surprise. (…)The testicular surges of testosterone marinate the boys’ brains. Testosterone has been shown to decrease talking (…). In fact, sexual pursuit and body parts become pretty much obsessions.
Ou
A menopausal woman becomes less worried in pleasing others and now wants to please herself. This change (…) is triggered by a new biological reality based in the female brain as it makes it’s last big hormonal change of life. (…) She’s less interested in the nuances of emotions; she is less concerned about keeping the peace; and she is getting less of a dopamine rush from the things she did before, even talking with her friends.
Estes são alguns excertos, uma pequeníssima amostra deste livro interessante sério e de fácil leitura. Registo, no entanto, as sempre presentes intenções pedagógicas e a pontinha moralista tão características destas obras norte-americanas. Mais uma tentativa – entre tantas já feitas ao longo dos séculos (a psicanálise, por exemplo a que tantas mulheres recorreram sabe Deus porquê) com ou sem base sólida científica - de melhorar o relacionamento entre homens e mulheres (em saudável monogamia, claro) através do conhecimento científico e aprofundado do cérebro feminino e das suas diferenças biológicas e químicas em relação ao cérebro masculino. Este conhecimento permitiria quer à mulher quer ao homem, uma maior compreensão do cérebro feminino ao longo dos anos que deveria ser usado para melhorar os relacionamentos. Talvez assim, homens e mulheres juntos, consigam finalmente, mais depressa e melhor serem felizes para sempre. Nunca se sabe...
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Gut feelings are not just free-floating emotional states but actual physical sensations that convey meaning to certain areas in the brain. (…). The areas of the brain that track gut feelings are larger and more sensitive in the female brain, according to brain scan studies. Therefore the relationship between a woman’s gut feelings and her intuitive hunches is grounded in biology. (Segue-se uma descrição científica sobre os circuitos e a química cerebrais que me abstenho de transcrever).
Assim, e de uma vez por todas, arrumamos com o feminismo dominante dos anos 70 que pretendia unisexizar tudo e incutir às mulheres a ideia de que elas eram iguais aos homens, incitando-as a fazerem o que os homens faziam segundo as regras por eles estabelecidas ao longo de milénios. Nunca conseguiram estabelecer a diferença entre igualdade tout court e igualdade de oportunidades e direitos. Foi pena. Perdeu-se muito tempo e a sociedade não ficou melhor por isso.
The biological reality, however, is that there is no unisex brain. The fear of discrimination based on differences runs deep, and for many years assumptions about sex differences went scientifically unexamined for fear that women wouldn’t be able to claim equality with men. But pretending that women and men are the same , while doing a disservice to both men and women, ultimately hurts women. (…) Assuming the male norm also means undervaluing the powerful, sex-specific strengths and talents of the female brain.
Estes livros científicos pensados para o grande público e convertidos em best-sellers, feito em que os norte-americanos são exímios, conseguem ser boa leitura. Porque sérios e credíveis para percebermos que não lidamos com videntes, curiosos ou gurus espirituais de uma qualquer escola de auto-ajuda, e porque permitem uma leitura apelativa. A obra é pensada para o leitor: desde a estrutura do livro aos exemplos dados, tudo se lê facilmente, com interesse e bem. Há momentos especialmente engraçados (o capítulo sobre a adolescência é uma mina deles) e o capítulo “The Mature Female Brain” é particularmente interessante. Podem-se, nestes capítulos ler coisas como:
Every brain begins as a female brain (...) it only becomes male eight weeks after conception when excess testosterone shrinks the communication centre, reduces the hearing cortex and makes the part of the brain that processes sex twice as large.
Ou
Connecting through talking activates the pleasure centers in a girl’s brain. Sharing secrets that have romantic and sexual implications activates those centers even more. We’re not talking about a small amount of pleasure. This is huge. It’s a major dopamine and oxytocin rush, which is the biggest, fattest neurological reward you can get outside an orgasm. (…) It keeps them motivated to seek these intimate connections. What they don’t know is that this is their own special girl reality. Most boys don’t share this intense desire for verbal connection. (…) Girls who expect their boyfriends to chat with them the way their girlfriends do are in for a big surprise. (…)The testicular surges of testosterone marinate the boys’ brains. Testosterone has been shown to decrease talking (…). In fact, sexual pursuit and body parts become pretty much obsessions.
Ou
A menopausal woman becomes less worried in pleasing others and now wants to please herself. This change (…) is triggered by a new biological reality based in the female brain as it makes it’s last big hormonal change of life. (…) She’s less interested in the nuances of emotions; she is less concerned about keeping the peace; and she is getting less of a dopamine rush from the things she did before, even talking with her friends.
Estes são alguns excertos, uma pequeníssima amostra deste livro interessante sério e de fácil leitura. Registo, no entanto, as sempre presentes intenções pedagógicas e a pontinha moralista tão características destas obras norte-americanas. Mais uma tentativa – entre tantas já feitas ao longo dos séculos (a psicanálise, por exemplo a que tantas mulheres recorreram sabe Deus porquê) com ou sem base sólida científica - de melhorar o relacionamento entre homens e mulheres (em saudável monogamia, claro) através do conhecimento científico e aprofundado do cérebro feminino e das suas diferenças biológicas e químicas em relação ao cérebro masculino. Este conhecimento permitiria quer à mulher quer ao homem, uma maior compreensão do cérebro feminino ao longo dos anos que deveria ser usado para melhorar os relacionamentos. Talvez assim, homens e mulheres juntos, consigam finalmente, mais depressa e melhor serem felizes para sempre. Nunca se sabe...
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6.8.09
Contos de Fadas e Príncipes Encantados
Existe uma grande diferença entre a maioria de futuros votantes do PSD - mesmo os que votarem sem grande entusiasmo, e e os impulsionadores e entusiastas da pessoa de Pedro Passos Coelho. Os primeiros, longe dos dramas internos do partido e da guerra das distritais, estão fartos de José Sócrates, do seu estilo, dos seus casos, das suas mentiras, das suas promessas, da sua governação e querem mais do que tudo uma alternativa política séria e minimamente credível. Manuela Ferreira Leite pode não os entusiasmar, mas acreditam que ela é, substancial e politicamente, diferente de José Sócrates. Os segundos, para além do facto de acreditarem em contos de fadas (ou em príncipes encantados, vai tudo dar ao mesmo), mantidos através de uma atenção ímpar que a comunicação social dedica ao seu “ex-candidato” a líder, revoltam-se mais com o facto de não serem a liderança do PSD ou não terem a liderança do PSD que preferem, do que o que se revoltam com a governação de José Sócrates. Este grau de descontentamento dá que pensar, pois alguns até preferem, ainda que indirectamente, deixar a porta aberta a uma nova victória de José Sócrates, a apostar mesmo que sem grande entusiasmo (mas também, entusiasmo porquê e para quê?) numa alternativa credível, que não é a ideal e que tem todas as fragilidades que todas as coisas que não são contos de fadas nem príncipes encantados têm.
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Índice de Situacionismo (*)
Afinal todas as críticas feitas aos “Índices de Situacionismo” acusando-os de serem baseados em ficcionais teorias conspirativas e/ou em pura má-fé, inveja e em mais-não-sei-quê, conhecem hoje um grande revés com o situacionismo a vir finalmente para a luz do dia e de mão dada com José Sócrates, como convém e o dito "índice" denunciava. Filipa Martins a ex-mandatária de Pedro Passos Coelho na sua candidatura a líder do PSD, que perdeu para Manuela Ferreira Leite, escreve apartir de amanhã no Blogue de Esquerda da Sábado (via). Mais elucidativo do que este gesto é difícil.
(*) Título e conceito, por demais conhecidos, daqui
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(*) Título e conceito, por demais conhecidos, daqui
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Quero Conversar Consigo
Com a usual dificuldade que a pouca mobilidade que ainda tem nas mãos lhe permite, escreveu na página de word sempre aberta e que vai sendo apagada à medida que precisa de escrever mais, “quero conversar consigo”. Virou as costas e foi para a varanda cheia de sol, talvez para não ver a perplexidade que eventualmente se estampasse na minha cara. Segui-o e perguntei se tinha alguma coisa especial que me quisesse dizer ou sobre a qual quisesse falar. Fez que não com a cabeça e olhou em frente com um ar determinado, à espera que eu “conversasse”. Balbuciei umas banalidades sobre o Tejo que se conseguia ver por cima dos telhados das casas do bairro, ele assentiu, mas sem olhar para mim. Depois demorei-me um pouco mais a comentar a casa da frente grande e com jardim que parece albergar várias famílias. Com um gesto do queixo fez-me ver quatro garagens cujas entradas ficavam em frente à sua casa e percebi que eram quatro as famílias. Então lembrei-me de lhe perguntar há quanto tempo vivia naquela casa. Ainda não tinha terminado a frase e já ele, com o passo rápido entrava novamente na sala para escrever, devagar, no computador “8 anos”. Assim começou a nossa conversa ao ritmo desajeitado, mas voluntarioso, com que, entre assentimentos de cabeça e outras perguntas minhas, ia escrevendo uma frase após a outra.
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5.8.09

Eu sei que estamos no fim da legislatura e que nada está garantido para o PS e para José Sócrates para a próxima; mas mesmo assim, José Sócrates deve estar contente. Foi in extremis, mas o que ele tanto queria foi conseguido. Nada será como dantes. Está de parabéns.
Vladimir Putin não faz as coisas por menos. Fotos e vídeo para divulgação. Pensado ao pormenor. Indiana Jones em versão russa. De quoi faire revêr...
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4.8.09
Um Admirável Mundo Novo 2
Querer impor uma total igualdade entre candidatos, que só existe na ficção e que a democracia não reconhece, querer impor um limite à liberdade de opinião, que a democracia não tem, parece ser o caminho traçado por esta entidade reguladoras tão cara ao governo socialista de José Sócrates, que lhe tem dado um relevo e um poder ímpar. Regular, controlar, formatar e conter a comunicação social e o fluxo de notícias e comentários que a alimenta. Igualar com quotas de opinião os partidos ou movimentos, independentemente da expressão representativa de cada um. De facto faltava, um passo só, entretanto dado, para que a ERC interferisse no comentário político desvirtuando o carácter pessoal, individual e único de cada comentador que se converte num mero símbolo ou código acéfalo de um colectivo político e às vezes ideológico, como se fossem meras partes de um todo. Não sei o que será mais interessante e mais saudável para uma democracia: se o comentário de alguém cujos interesses e filiações partidárias são sobejamente conhecidos, e sobejamente reconhecidos nos seus próprios comentários; se a opinião aparente e superficialmente independente de profissionais do comentário que também eles se intitulam de independente, jornalistas, politólogos e outros teóricos da política e da comunicação. Como se essa independência existisse, ou como se fosse mais meritória do que a não-independência. Numa democracia tem de haver lugar para todos.
Neste novo modelo preconizado pela ERC os comentadores deixam de ser vistos como seres humanos únicos, com as suas idiossincrasias, contradições, fobias, indignações, lutas, ódios ou paixões, com a sua retórica própria, o seu humor ou falta dele, e passam a ser vistas meramente como um estereotipo representativo de um partido, de uma organização ou movimento preenchendo uma quota correspondente à organização em causa. As pessoas passam a ser fungíveis, de valor igual: José Pacheco Pereira será igual a Marcelo Rebelo de Sousa; António Costa igual a João Soares, e Lobo Xavier igual a Maria José Nogueira Pinto, para não dar exemplos mais caricatos que facilmente se encontrariam. Esbate-se assim a primazia do indivíduo sobre o colectivo, noção tão cara ao socialismo. Estamos perante o “Admirável Mundo Novo” do comentário político onde – pretensamente - a isenção existe em quem não se “filia” em partido nenhum, ou em quem não se candidata a nada (como se isso fosse possível) nem representa nenhum interesse (seja lá o que isso for, se é que alguma vez o pode ser), a não ser que preencha a respectiva “quota”. De resto sobra a linguagem do “politoliguês”. Que forma tão básica e tão perigosa de ver o mundo.
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Neste novo modelo preconizado pela ERC os comentadores deixam de ser vistos como seres humanos únicos, com as suas idiossincrasias, contradições, fobias, indignações, lutas, ódios ou paixões, com a sua retórica própria, o seu humor ou falta dele, e passam a ser vistas meramente como um estereotipo representativo de um partido, de uma organização ou movimento preenchendo uma quota correspondente à organização em causa. As pessoas passam a ser fungíveis, de valor igual: José Pacheco Pereira será igual a Marcelo Rebelo de Sousa; António Costa igual a João Soares, e Lobo Xavier igual a Maria José Nogueira Pinto, para não dar exemplos mais caricatos que facilmente se encontrariam. Esbate-se assim a primazia do indivíduo sobre o colectivo, noção tão cara ao socialismo. Estamos perante o “Admirável Mundo Novo” do comentário político onde – pretensamente - a isenção existe em quem não se “filia” em partido nenhum, ou em quem não se candidata a nada (como se isso fosse possível) nem representa nenhum interesse (seja lá o que isso for, se é que alguma vez o pode ser), a não ser que preencha a respectiva “quota”. De resto sobra a linguagem do “politoliguês”. Que forma tão básica e tão perigosa de ver o mundo.
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3.8.09
Um Admirável Mundo Novo
Estes são os tempos dos politólogos. Nos últimos anos reproduzem-se com um dinamismo peculiar e a pouco e pouco vão tomando conta de comentário político nas televisões, e outros meios de comunicação. Fazem-nos crer representar um assepticismo pretensamente livre de bactérias partidárias, de vírus corporativos, e não contaminados pelo regime que, no entanto, lhes assenta como uma luva e lhes dá sustento. Falam de alto de uma qualquer cátedra da nossa academia, e comportam-se como se estivessem ”de fora” desse mundo conspurcado que analisam e comentam, assim como quem analisa os comportamentos das abelhas, não fosse aquela luz de cepticismo de quem “já percebeu tudo” e de quem já percebeu “como tudo vai acabar”. Falam de uma realidade que tentam afastar de si, como se nada dentro dessa realidade os movesse ou interessasse, como se nós acreditássemos, e como se isso fosse possível neste pequeno jardim que é Portugal onde todos os interesses se cruzam interligam e traficam. Usam uma linguagem pretensamente académica e normalmente são desprovidos de interesse, de alma e de paixão. Ouvi-los é, para mim, um tédio absoluto e uma irritação.
Parece que este é o caminho que a plastificação da sociedade, que organismos diferentes como a ASEA, ou a ERC, tentam implementar (numa directiva polémica), onde se inclui também a plastificação do comentário político. Na carta que Estrela Serrano escreveu para o Abrupto, ela dá-nos uma antevisão desse mundo de plástico regido por quotas e igualdades impostas artificialmente. Toda a carta é merecedora de atenção e comentário, mas detenho-me numa frase que é exemplar, pois ilustra uma “forma de estar“ que vive da administração, da legislação e da regulação impondo formas pouco naturais (contra-natura), para uma democracia e em sociedades que prezam o indivíduo e a liberdade individual, tal a artificial igualdade e controle que preconizam. Diz Estrela Serrano, nessa frase que
1- a liberdade editorial e os critérios jornalísticos não são absolutos e
2- que em período eleitoral os critérios jornalísticos não podem sobrepor-se ao princípio da igualdade de oportunidades e da não discriminação entre candidatos. A propósito desta segunda parte da frase , mais à frente ela refere-se a candidatos de primeira e candidatos de segunda (acusando JPP de os discriminar uns dos outros).
Em democracia a liberdade de opinião ou é absoluta ou não é. A liberdade editorial ou é absoluta ou não é. Ponto final e parágrafo.
Os candidatos de primeira e os candidatos de segunda não são definidos por JPP, (que parece estar mais do que nunca no auge da sua influência a julgar pela capacidade de irritação que provoca em tantos sectores), por muito que isso lhe custe a ele ou a quem quer que seja que lhe queira imputar essa responsabilidade. O voto popular, traduzido em mandatos, é que determina quem são os candidatos de primeira e os candidatos de segunda. José Sócrates, candidato a Primeiro-ministro e Manuela Ferreira Leite, candidata a Primeira-ministra são simplesmente diferentes de candidatos como Carmelinda Pereira ou como Rui Marques. por muita que seja a simpatia que possamos nutrir quer pelas pessoas quer pelas causas que representam.
(Continua)
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Parece que este é o caminho que a plastificação da sociedade, que organismos diferentes como a ASEA, ou a ERC, tentam implementar (numa directiva polémica), onde se inclui também a plastificação do comentário político. Na carta que Estrela Serrano escreveu para o Abrupto, ela dá-nos uma antevisão desse mundo de plástico regido por quotas e igualdades impostas artificialmente. Toda a carta é merecedora de atenção e comentário, mas detenho-me numa frase que é exemplar, pois ilustra uma “forma de estar“ que vive da administração, da legislação e da regulação impondo formas pouco naturais (contra-natura), para uma democracia e em sociedades que prezam o indivíduo e a liberdade individual, tal a artificial igualdade e controle que preconizam. Diz Estrela Serrano, nessa frase que
1- a liberdade editorial e os critérios jornalísticos não são absolutos e
2- que em período eleitoral os critérios jornalísticos não podem sobrepor-se ao princípio da igualdade de oportunidades e da não discriminação entre candidatos. A propósito desta segunda parte da frase , mais à frente ela refere-se a candidatos de primeira e candidatos de segunda (acusando JPP de os discriminar uns dos outros).
Em democracia a liberdade de opinião ou é absoluta ou não é. A liberdade editorial ou é absoluta ou não é. Ponto final e parágrafo.
Os candidatos de primeira e os candidatos de segunda não são definidos por JPP, (que parece estar mais do que nunca no auge da sua influência a julgar pela capacidade de irritação que provoca em tantos sectores), por muito que isso lhe custe a ele ou a quem quer que seja que lhe queira imputar essa responsabilidade. O voto popular, traduzido em mandatos, é que determina quem são os candidatos de primeira e os candidatos de segunda. José Sócrates, candidato a Primeiro-ministro e Manuela Ferreira Leite, candidata a Primeira-ministra são simplesmente diferentes de candidatos como Carmelinda Pereira ou como Rui Marques. por muita que seja a simpatia que possamos nutrir quer pelas pessoas quer pelas causas que representam.
(Continua)
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27.7.09
Da Modernização do País
Ao entregar o computador 1 milhão no âmbito das Novas Oportunidades (*) o Primeiro-ministro disse tratar-se de “um passo significativo na modernização do país” (cito de cor, ouvido na TV) e explicou ser Portugal o único país do mundo onde um aluno, ao entrar para o primeiro ciclo, tem à sua disposição um computador. Não sei porquê, mas este chavão do “passo significativo na modernização do país” fez-me lembrar um outro chavão: o do “avanço civilizacional” que nos fez avançar 20 anos quando se legalizou o aborto até às dez semanas. Ao fim de um dia, cansados, olhamos para o país e vemos que se vai fazendo assim, de chavão em chavão. Que vai avançando e modernizando assim, com o estado a distribuir computadores e a legalizar o aborto até às dez semanas. Fazem-nos crer que são estes os pólos motores e os símbolos do “avanço” e da “modernização” do país. Mas no fim do dia, cansados, já nem queremos discutir ou contrariar; já só pedimos um pouco de respeito pela nossa inteligência.
Nota. (*) A questão contabilística de como se chegou ao número 1 milhão não foi devidamente esclarecida na peça jornalístico-propagandística. Isso costuma importar pouco a uma política de anúncio e chavões, mas eu gostaria de saber como se chegou a esse número. Estará englobado todo o “choque tecnológico”, sem o qual “tantos portugueses teriam de esperar dez anos para terem estes computadores” (cito de cor o Primeiro-ministro hoje à noite num jornal televisivo), isto é, o Magalhães, o “e-escolas” e o programa Novas Oportunidades? Ou pretenderam passar a comemoração dessa efeméride como um exclusivo das NO? Rigor e propaganda dão-se mal.
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Nota. (*) A questão contabilística de como se chegou ao número 1 milhão não foi devidamente esclarecida na peça jornalístico-propagandística. Isso costuma importar pouco a uma política de anúncio e chavões, mas eu gostaria de saber como se chegou a esse número. Estará englobado todo o “choque tecnológico”, sem o qual “tantos portugueses teriam de esperar dez anos para terem estes computadores” (cito de cor o Primeiro-ministro hoje à noite num jornal televisivo), isto é, o Magalhães, o “e-escolas” e o programa Novas Oportunidades? Ou pretenderam passar a comemoração dessa efeméride como um exclusivo das NO? Rigor e propaganda dão-se mal.
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25.7.09
23.7.09
Portugal dos Pequeninos, Uma Leitura (3)
“Há já uns tempos que o senhor engenheiro não nos fornecia, em nome da modernidade que vagueia na sua soturna cabeça, uma sigla (...) Por isso, chega hoje, certamente em Power Point, o Plano de Acção do Ano Europeu de Oportunidades para Todos (o PNAAEAEOT). O título – pura poesia concreta - mais parece coisa da sinistra 1ª República, ou mesmo da FNAT do ominoso Salazar, do que de modernaços como Sócrates e seus epígonos amestrados.(...)” (1)
Parágrafos como este têm o cunho João Gonçalves que tem o condão de verbalizar o seu desencanto e cepticismo de uma forma muito particular. Usa extensivamente e abusa graças a deus, dos vocábulos que a língua portuguesa lhe oferece, o que lhe permite dar textura e colorir à media os retratos que vai fazendo ao longo do seu livro. Utiliza, desde o calão de bas-fonds às palavras mais densas e sofisticadas, passando pelas banalidades massificadas, com a mesma simplicidade e à vontade para sustentar e servir o seu tom de puros e duros sarcasmos e ironias. (2) Muitas vezes espanta-nos pela sua peculiar capacidade de esgotar uma palavra levando o seu significado ao extremo, ao absurdo, ou simplesmente remetendo e brincando com outros significados, subvertendo a intenção ou decisão iniciais e desarmando a ideia que critica ou contesta. Este jogo quase surrealista tantas vezes surpreende e provoca mesmo o riso. (3)
A falta de “respeitinho“ de JG está também patente na desmistificação das palavras e dos conceitos retirando-lhes a “mística” e o “enevoado”, patines habituais na linguagem do poder e na “langue de bois” (governamental, política, judicial, mediática...) concretizando, e fazendo descer à terra - e tantas vezes ao chinelo - o mais sofisticado dos conceitos, a mais brilhante “ideia”, ou a mais fina imagem.(4) Tédio é uma palavra que não se pode usar para falar do livro Portugal dos Pequeninos.
Notas
(1) Pág 193 “O PNAAEOT”
(2) Pág. 226 “o Puzzle do Dr. Costa”, pág. 128 “O “Mar da Língua?”
(3) Pág. 139 “Novos Monstros”, pág 232 “O Huis clos Socrático”
(4) Pág 167 “Que Deus lhes Perdoe”, pág. 218 “Inala sem Engolir”
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Parágrafos como este têm o cunho João Gonçalves que tem o condão de verbalizar o seu desencanto e cepticismo de uma forma muito particular. Usa extensivamente e abusa graças a deus, dos vocábulos que a língua portuguesa lhe oferece, o que lhe permite dar textura e colorir à media os retratos que vai fazendo ao longo do seu livro. Utiliza, desde o calão de bas-fonds às palavras mais densas e sofisticadas, passando pelas banalidades massificadas, com a mesma simplicidade e à vontade para sustentar e servir o seu tom de puros e duros sarcasmos e ironias. (2) Muitas vezes espanta-nos pela sua peculiar capacidade de esgotar uma palavra levando o seu significado ao extremo, ao absurdo, ou simplesmente remetendo e brincando com outros significados, subvertendo a intenção ou decisão iniciais e desarmando a ideia que critica ou contesta. Este jogo quase surrealista tantas vezes surpreende e provoca mesmo o riso. (3)
A falta de “respeitinho“ de JG está também patente na desmistificação das palavras e dos conceitos retirando-lhes a “mística” e o “enevoado”, patines habituais na linguagem do poder e na “langue de bois” (governamental, política, judicial, mediática...) concretizando, e fazendo descer à terra - e tantas vezes ao chinelo - o mais sofisticado dos conceitos, a mais brilhante “ideia”, ou a mais fina imagem.(4) Tédio é uma palavra que não se pode usar para falar do livro Portugal dos Pequeninos.
Notas
(1) Pág 193 “O PNAAEOT”
(2) Pág. 226 “o Puzzle do Dr. Costa”, pág. 128 “O “Mar da Língua?”
(3) Pág. 139 “Novos Monstros”, pág 232 “O Huis clos Socrático”
(4) Pág 167 “Que Deus lhes Perdoe”, pág. 218 “Inala sem Engolir”
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20.7.09
A ler hoje no Cachimbo de Magritte, sobre o PSD, este post e este post. A estas reflexões acrescentaria uma dúvida minha: qual a diferença do valor - em votos no PSD - entre um PSD com Passos Coelho nas listas para deputado, ou um PSD sem ele. O caso de Manuel Alegre, é diferente porque poderá ter um significado real em termos votos pois, como já sabemos, teve nas presidenciais uma votação expressiva, apesar de ir contra a indicação do aparelho do PS. Passos Coelho nunca foi a votos fora da esfera partidária..
19.7.09
Portugal dos Pequeninos, uma Leitura 2
A leitura do livro Portugal dos Pequeninos dá-nos uma história dos anos da governação de José Sócrates e do seu (de José Sócrates) PS. Ao longo das páginas desfila uma cronologia dos actos governativos em forma de intenção de reformas, legislação, anúncios, nomeações, declarações, influências, gaffes, insucessos, mentiras, casos judiciais em investigação etc. Aviva-se a memória que é coisa sempre salutar, sobretudo em época de balanço e de aferição do que conseguiu um governo com maioria absoluta e condições excepcionais de governabilidade (para usar uma palavra tão na moda) apesar do revés da crise financeira internacional. Esse olhar para trás talvez ajude, ou simplesmente reforce, alguma decisão, de quem lê, para os próximos actos eleitorais. Neste sentido o livro Portugal dos Pequeninos em boa hora se fez e se pôs à venda.
João Gonçalves é senhor de um olhar muito próprio, impiedoso e cortante, e de um apurado sentido crítico que o impede de ceder a qualquer tipo de complacência ou, usando as suas palavras “respeitinho”, seja por pessoas ou por instituições (1). Desmonta impiedosa e lucidamente as intenções e os mecanismos decisórios (2), denuncia os falsos ídolos (3) e denuncia pressões políticas de vários tipos a vários organismos ou instituições (4). O retrato traçado ao longo das páginas do livro destes últimos anos é um retrato desencantado de um país errático que não se encontra nem se sabe. JG não esconde o seu desencanto pelo regime que sustenta a nossa democracia, parece que o considera esgotado, ou pelo menos exausto (5) e esse desencanto e desalento muitas vezes surgem como premonitórios pois é apartir do presente que JG projecta no futuro (6) um insucesso, uma derrota ou ainda mais um impasse, que infelizmente se confirmaram.
Todas estas críticas políticas assentam numa visão também ela desencantada do mundo actual e JG é especialmente perspicaz nos retratos “psico-sociais” - uso o plural pois JG sabe distinguir os diferentes tipos que fazem a aparentemente colorida e heterogénea sociedade (no fundo tão igual) - com os seus tiques comportamentais e as suas modas, bem como na crítica de costumes (7). No entanto, o que dá substância - matéria e alma – ao seu olhar crítico e desencantado sobre o nosso país pequenino e sobre a sociedade actual é a fé e a defesa aguerrida dos valores que considera básicos na civilização ocidental: o primado do Homem, a liberdade e a defesa da vida. São estes os pilares em que assenta o seu olhar e que impede os seus textos de se tornem estéreis, frios e (des)almados como se fossem meros exercícios de deprimida retórica política e social. JG acredita na liberdade que se conquista com o saber e com o pensar, e os seus textos são sempre estímulos e provocações, nem sempre simpáticas, nem sempre de agradável leitura, nem sempre óbvias a que se aprenda e se pense, quanto mais não seja para dele discordar.
Notas:
(1) pág.126 “Emporio”, pág. 135 “Querido Líder”, ...
(2) pág. 148 “Os ‘Testes de Credibilidade’”, ...
(3) pág. 200 “Wotan/Sócrates”, pág. 225 “o Ministro TOYS R US”, pág. 286 “O Mundo Segundo Sócrates”, pág. 265 “AGITROP”, pág. 400 “Soares e os Males da Existência”, ...
(4) Pág. 243 “A Senhora Diectora”, pág. 218 “Inala sem Engolir”, ...
(5) Pág. 290 “Pensar Nisto”, ...
(6) Pág. 125 “O Homem Médio”, pág. 143 “Sócrates e o Lugar-Comum”, ...
(7) Pág. 231 “Os Novos Monstros”, pág. 236 “Sampaio, o Outro”, ...
(Continua)
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João Gonçalves é senhor de um olhar muito próprio, impiedoso e cortante, e de um apurado sentido crítico que o impede de ceder a qualquer tipo de complacência ou, usando as suas palavras “respeitinho”, seja por pessoas ou por instituições (1). Desmonta impiedosa e lucidamente as intenções e os mecanismos decisórios (2), denuncia os falsos ídolos (3) e denuncia pressões políticas de vários tipos a vários organismos ou instituições (4). O retrato traçado ao longo das páginas do livro destes últimos anos é um retrato desencantado de um país errático que não se encontra nem se sabe. JG não esconde o seu desencanto pelo regime que sustenta a nossa democracia, parece que o considera esgotado, ou pelo menos exausto (5) e esse desencanto e desalento muitas vezes surgem como premonitórios pois é apartir do presente que JG projecta no futuro (6) um insucesso, uma derrota ou ainda mais um impasse, que infelizmente se confirmaram.
Todas estas críticas políticas assentam numa visão também ela desencantada do mundo actual e JG é especialmente perspicaz nos retratos “psico-sociais” - uso o plural pois JG sabe distinguir os diferentes tipos que fazem a aparentemente colorida e heterogénea sociedade (no fundo tão igual) - com os seus tiques comportamentais e as suas modas, bem como na crítica de costumes (7). No entanto, o que dá substância - matéria e alma – ao seu olhar crítico e desencantado sobre o nosso país pequenino e sobre a sociedade actual é a fé e a defesa aguerrida dos valores que considera básicos na civilização ocidental: o primado do Homem, a liberdade e a defesa da vida. São estes os pilares em que assenta o seu olhar e que impede os seus textos de se tornem estéreis, frios e (des)almados como se fossem meros exercícios de deprimida retórica política e social. JG acredita na liberdade que se conquista com o saber e com o pensar, e os seus textos são sempre estímulos e provocações, nem sempre simpáticas, nem sempre de agradável leitura, nem sempre óbvias a que se aprenda e se pense, quanto mais não seja para dele discordar.
Notas:
(1) pág.126 “Emporio”, pág. 135 “Querido Líder”, ...
(2) pág. 148 “Os ‘Testes de Credibilidade’”, ...
(3) pág. 200 “Wotan/Sócrates”, pág. 225 “o Ministro TOYS R US”, pág. 286 “O Mundo Segundo Sócrates”, pág. 265 “AGITROP”, pág. 400 “Soares e os Males da Existência”, ...
(4) Pág. 243 “A Senhora Diectora”, pág. 218 “Inala sem Engolir”, ...
(5) Pág. 290 “Pensar Nisto”, ...
(6) Pág. 125 “O Homem Médio”, pág. 143 “Sócrates e o Lugar-Comum”, ...
(7) Pág. 231 “Os Novos Monstros”, pág. 236 “Sampaio, o Outro”, ...
(Continua)
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17.7.09
Portugal dos Pequeninos, Uma Leitura
Apesar de leitora fiel do blogue Portugal dos Pequeninos de João Gonçalves, quase desde o seu início, decidi ler o livro do blogue. O contacto físico com o livro parece que estabelece um contracto mais tangível e relacional entre ele, ou melhor, entre o que lá está escrito, e o leitor. O livro é sempre um blogue editado onde se procura maximizar um estilo, uma lógica, uma coerência. Esse contracto é coisa muito mais ligeira e volátil na leitura, mesmo regular de um blogue: porque se lê aos pedaços, no meio dos pedaços que se lêem dos outros blogues, hoje uns, amanhã outros, uns dias sem ler para depois recomeçar e assim sucessivamente. É verdade que, com o tempo, se vai percebendo um estilo, um fio condutor, mas no livro essa lógica individual revela-se com mais clareza e mais facilidade. Por isso foi com prazer, algumas gargalhadas, umas indignações, meia dúzia de repulsas, bastantes concordâncias – algumas delas, confesso, que a contra-gosto -, e sorrisos cúmplices que li o livro Portugal dos Pequeninos. JG, estabelece, na sua “maldade”, uma cumplicidade e um trato com qualquer leitor que não se consiga impedir de concordar com ele e por isso participar da sua “maldade”. Essa cumplicidade torna-se mais fácil porque JG nunca é ligeiro, leviano ou superficial. Pelo contrário, é um fino observador, culto e de boas leituras apesar de não as exibir, nem delas precisar para “embelezar” os posts que escreve. O seu gosto pela cultura, leitura e música (como se vê no blogue) está a montante dos posts concretos, da coisa escrita; molda a pessoa, mais do que faz o post. Sente-se e percebe-se sobretudo quando não se vê. Privilégio de poucos.
(Continua)
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(Continua)
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16.7.09
Com tantos jovens portugueses impedidos de estudar medicina, e com tantos outros, com meios financeiros, forçados a estudar medicina noutros países, porque cá não tiveram notas suficientemente elevadas para entrar nas diferentes faculdades de medicina, este absurdo, serve quem exactamente? E a política de acesso às faculdades de medicina vai-se manter? Para servir quem? Ninguém percebe que isto é mau demais e que já chega? Eu sei que este post é pouco original, mas notícias deste género, apesar de se repetirem com regularidade, ainda mantêm intacto o poder de me revoltar..
No Bolso de António Costa
O que ao longo dos tempos perdoava qualquer tontice em Helena Roseta era o facto de, para além da inteligência, HR ser irreverente, de se pensar e se crer única e por isso pouco propícia a ser apropriada e devidamente triturada e homogeneizada por máquinas partidárias, ideológicas ou outros interesses mais ou menos instalados, reconhecidos e venerados. O seu movimento “Cidadãos por Lisboa” que começou como um movimento cívico razoavelmente afastado do mainstream partidário veio, a troco de uma quota de lugares na Assembleia Municipal, domesticar-se. Mesmo depois de ouvir as "juras" de HR na SICN ontem, não exite maneira de acreditar que autonomia que HR faz questão de apregoar, dure muito coligada com o PS. Pode ser que me engane, mas os factos e a história provam que o poder tem poderes que o não-poder não tem.
Duvido também que estas coligações em forma de coligatório representem uma soma aritmética de votos. Para todos os efeitos é o PS e António Costa que contam, e muitos dos simpatizantes “Cidadãos por Lisboa” não votarão nem em AC, nem tão pouco no PS. As dúvidas que teria entre votar no movimento de HR ou em Pedro Santana Lopes, esfumaram-se num ápice. Mal por mal, prefiro o já conhecido e multi-resistente “pathos” de PSL, a uma HR que se funde e domestica no bolso de António Costa e se perde no PS.
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Duvido também que estas coligações em forma de coligatório representem uma soma aritmética de votos. Para todos os efeitos é o PS e António Costa que contam, e muitos dos simpatizantes “Cidadãos por Lisboa” não votarão nem em AC, nem tão pouco no PS. As dúvidas que teria entre votar no movimento de HR ou em Pedro Santana Lopes, esfumaram-se num ápice. Mal por mal, prefiro o já conhecido e multi-resistente “pathos” de PSL, a uma HR que se funde e domestica no bolso de António Costa e se perde no PS.
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14.7.09
Do Rigor 2
As notas do exame de Português do 9º ano foram más, não porque o exame fosse difícil, que não foi, mas porque os critérios de avaliação são uma aberração e as indicações e contra-indicações de ME sobre eles parecem saídos de uma sitcom. Pretende-se avaliar o Português como quem avalia a Matemática, mas sem o seu rigor e o seu inequívoco "errado". É totalmente desencorajada a leitura pessoal dos textos, a criatividade perante um objecto (num exame com três textos, só dois eram literários e só um um clássico da língua) bem como a interpretação individual (a “recriação” do objecto) que não siga os rigorosos e (pseudo) objectivos critérios estabelecidos para as respostas. Foi por isso que os bons alunos não brilharam, os maus se safaram e todos ficaram num caldo de notas medianas muito igualitário. Mas ninguém se importa muito: como estes exames só contam 30% para a nota final, raros são os casos em que os resultados realmente fazem diferença. As férias estão à porta e é preciso virar a página inscrevendo os alunos no secundário, quem quer por isso e nesta altura chatear-se com uma nota que “vale” pouco? No fundo, no fundo, no ensino básico é tudo a feijões.
O ensino em Portugal tem sido ao longo do tempo uma verdadeira comédia de costumes. Estes últimos anos esmeraram-se. Pena que os estudantes sejam cobaias de experimentalismos, estatísticas, buscas de consensos culturais e mediáticos, critérios medianos e de finca-pés políticos. Parece que nunca se consegue estabelecer uma rotina em que se conhece a política educacional, em que é previsível o estilo, o rigor e o bom-senso.
(Quem gostar da língua Portuguesa, quem achar, como eu, que o ensino da nossa língua é vilipendiado nos programas escolares, e sobretudo quem quiser “perder” algum tempo pode verificar o exame e os ditos critérios de avaliação aqui).
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O ensino em Portugal tem sido ao longo do tempo uma verdadeira comédia de costumes. Estes últimos anos esmeraram-se. Pena que os estudantes sejam cobaias de experimentalismos, estatísticas, buscas de consensos culturais e mediáticos, critérios medianos e de finca-pés políticos. Parece que nunca se consegue estabelecer uma rotina em que se conhece a política educacional, em que é previsível o estilo, o rigor e o bom-senso.
(Quem gostar da língua Portuguesa, quem achar, como eu, que o ensino da nossa língua é vilipendiado nos programas escolares, e sobretudo quem quiser “perder” algum tempo pode verificar o exame e os ditos critérios de avaliação aqui).
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12.7.09
11.7.09
Fugir para Marte
Não sou um homem de partido - no que sou acompanhado por 95% dos portugueses! - e quero é que eles (partidos) se danem pelo que nos têm tramado. Pode publicar isto...
Assim diz Manuel Villaverde Cabral ontem em entrevista ao i. Também me sinto assim: pertenço aos 95% que nunca militou, nem tão pouco se filiou num partido político e que se sente constantemente refém de máquinas partidárias que não entende – nem gosta do que vê. No entanto isso não tira nenhum tipo de legitimidade de olhar para a “coisa pública” e para a política, pensando, decidindo, pesando argumentos, analisando comportamentos, detectando padrões, nem tão pouco se está inapto a comentar, emitir juízos e claro, exercer o poder formal que se tem sobre a decisão de quem nos governa, votando.
MVC na sua entrevista detem-se sobre o impasse em que o país vive alternando governos entre o PS e o PSD e vai mais longe considerando que o outro lado da nossa ingovernabilidade são a corrupção e a incompetência sistémicas dos dois partidos - até por causa do rotativismo que lhes permite passarem as culpas um para o outro.
Se ainda nutríssemos algumas ilusões quanto à matéria de que são feitos os principais partidos e o tipo de curriculum de tantos dos nossos políticos e detentores de poder (autárquico, governamental, em comissões, etc), José Pacheco Pereira que, ao contrário de MVC, está nos 5% da população que milita num partido e é por isso conhecedor das chamadas “máquinas partidárias”, acabaria com elas num ápice; o tempo de ler o seu artigo de hoje no Público (Edição Impressa, sem link) que nos chega como um balde de água fria. Nada que não suspeitássemos, nada que não se insinuássemos em “casos” que, com um ritmo constante, chegam ao conhecimento público ou aos tribunais, nada que não víssemos nas investigações feitas e publicadas ou ouvidas nesta notícia, naquela referência, naqueloutro recado. Nada que não desabafássemos em conversas mais ou menos informais, nada que não escrevêssemos em posts. Mas dito assim, preto no branco, por quem conhece tem um impacto e um efeito maior, como se a escala com que se olha o mapa mudasse e víssemos muito mais. O artigo é impiedoso recriando histórias de um nascer, fazer e crescer de influência (e nem se falou muito da influência com a comunicação social) desses políticos, cujo prototipo de biografia é esquematizada de forma crua, uma espécie de condenação à morte da inocência com que se poderia ainda tentar olhar para a vida dentro de um partido.
Uma coisa é certa: o sentimento de emparedamento é grande, e a falta de uma luz verde com o sinal “saída” deixa-nos “assim”, no meio de coisa nenhuma porque nem a seriedade e a dedicação de alguns parece chegar para fazer essa luz. Só apetece mesmo é fugir para Marte.
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MVC na sua entrevista detem-se sobre o impasse em que o país vive alternando governos entre o PS e o PSD e vai mais longe considerando que o outro lado da nossa ingovernabilidade são a corrupção e a incompetência sistémicas dos dois partidos - até por causa do rotativismo que lhes permite passarem as culpas um para o outro.
Se ainda nutríssemos algumas ilusões quanto à matéria de que são feitos os principais partidos e o tipo de curriculum de tantos dos nossos políticos e detentores de poder (autárquico, governamental, em comissões, etc), José Pacheco Pereira que, ao contrário de MVC, está nos 5% da população que milita num partido e é por isso conhecedor das chamadas “máquinas partidárias”, acabaria com elas num ápice; o tempo de ler o seu artigo de hoje no Público (Edição Impressa, sem link) que nos chega como um balde de água fria. Nada que não suspeitássemos, nada que não se insinuássemos em “casos” que, com um ritmo constante, chegam ao conhecimento público ou aos tribunais, nada que não víssemos nas investigações feitas e publicadas ou ouvidas nesta notícia, naquela referência, naqueloutro recado. Nada que não desabafássemos em conversas mais ou menos informais, nada que não escrevêssemos em posts. Mas dito assim, preto no branco, por quem conhece tem um impacto e um efeito maior, como se a escala com que se olha o mapa mudasse e víssemos muito mais. O artigo é impiedoso recriando histórias de um nascer, fazer e crescer de influência (e nem se falou muito da influência com a comunicação social) desses políticos, cujo prototipo de biografia é esquematizada de forma crua, uma espécie de condenação à morte da inocência com que se poderia ainda tentar olhar para a vida dentro de um partido.
Uma coisa é certa: o sentimento de emparedamento é grande, e a falta de uma luz verde com o sinal “saída” deixa-nos “assim”, no meio de coisa nenhuma porque nem a seriedade e a dedicação de alguns parece chegar para fazer essa luz. Só apetece mesmo é fugir para Marte.
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10.7.09
9.7.09

Parece que o Zé "faz falta" a ele próprio. Nada que não estivesse já há muito escrito nas estrelas.
Os ganhos na auto-estima dos participantes é um dos efeitos que mais compensou e que, a médio prazo, poderá revolucionar o tecido empresarial. Finalmente, a auto-estima elevada a objectivo político com garantidos efeitos revolucionários a médio prazo.
Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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Manuela Ferreira Leite,
Política
6.7.09
A Barca do Inferno
Creio que o ambiente político e mediático de hoje em Portugal tem inspiração suficiente para que um moderno Gil Vicente pudesse fazer um remake do Auto das Barcas. Não faltam exemplos de candidatos a uma nova Barca do Inferno (a barca dos “maus” que vão para o Inferno, para quem não se lembre). Nesta época pré-eleitoral em que o poder balança e é incerto, e as tentativas de ancoragem a ele por demais óbvias, há suficientes estereo(tipos) que ilustram algumas das “classes” de pessoas que representam as diferentes tendências e interesses que procuram de uma forma ou de outra agarrar um pedaço desse poder. Normalmente detestam a liberdade dos outros de (bem ou mal, mas abertamente) olharem e perceberem aquilo que de facto representam e os move.
José Pacheco Pereira, que por acaso tem um programa novo no horário nobre de Domingo à noite na SICN, fez o favor (e deu-se ao trabalho) de simplificar a tarefa de escolha de insultos e vocabulário vernáculo ao publicar uma interessante compilação de insultos dos tempos modernos que lhe são dirigidos, e que podem bem ser usados pelo diabo. Só podem ser saudades de Gil Vicente.
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5.7.09
A Problemática do "nós"
Não percebo nada de marketing político nem tão pouco de como se faz uma campanha política, mas Deus deu-me dois olhos, dois ouvidos e tento fazer um tão bom uso deles quanto possível. Como gosto de símbolos, simbologias, semióticas, e afins dificilmente consigo ser indiferente a mensagens que queiram transmitir, sobretudo quando têm alguma importância na minha escala de valores. Ao confrontar-me com este “outdoor” do PS para as legislativas fico perplexa. Parece-me que se concertaram para encontrar as opções erradas, ou que continuam longe da realidade que os rodeia. Ou ignorância ou soberba; ambas más.

Primeiro o slogan: “Nós conseguimos!” É por demais óbvia a ligação ao slogan “Yes, we can!” de um Obama estreante e entusiasta com um “estilo novo” e que se propunha iniciar um primeiro mandato com presidente. Outra coisa é José Sócrates, desgastado com quatro anos de uma governação polémica e difícil centrada muito mais no pronome pessoal “eu” do que no “nós”. O PS nestes quatro anos viu-se reduzido a Sócrates, o governo é Sócrates, a imagem do desgaste é Sócrates. Os portugueses, ou pelo menos um número muito considerável, está simplesmente cansado e farto de Sócrates; do curso de Sócrates, dos projectos de engenharia de Sócrates, da casa da mãe de Sócrates, da ligação de Sócrates ao Freeport, dos “momentos-Chavez” de Sócrates, dos anúncios de Sócrates, das mentiras de Sócrates, das contradições de Sócrates. Sócrates, animal feroz, depois coelhinho manso, Sócrates teimoso, decidido, arrogante e determinado foi sempre o marco desta legislatura que está a acabar. Os seus ministros, com duas ou três excepções, viveram à sombra do líder, ao ritmo do líder, de acordo com o líder, mesmo quando os víamos serem desmentidos ou desautorizados. Nunca se percebeu que a governação fosse colegial, fosse um trabalho de “nós”. Os eleitores (pelo menos aqueles a que me referi) também sentiram Sócrates sempre distante da realidade e do quotidiano das gentes e do país: ao hostilizar as diferentes classes profissionais, ao ignorar a crise e suas severas consequências sociais, ao minimizar o descontentamento, ao controlar a informação. A derrota nas eleições para o parlamento europeu foram uma chamada para a realidade da qual Sócrates cada vez mais se alheara. Esse “nós” do slogan nos outdoors soa a falso, a quem quer atirar areia para os olhos - não toca nem implica o eleitor.
Em segundo lugar a fotografia: é uma contradição do slogan, mas mais fiel à realidade no que diz respeito ao “estilo Sócrates”, que é, ele também, centrado na sua pessoa. José Sócrates destaca-se num primeiro plano sobressaindo nítido, a cores e muito clean no meio de um “nós”algo esbatido pelo tom monocromático com que se compõe a fotografia para se insinuar os tons da bandeira portuguesa (com Sócrates no meio). Este “nós” não é “povo”, não são os portugueses reais do dia a dia, são também eles parte de um arranjo, muito clean, muito direitinho, muito sorridente e embevecido, muito casting, muito artificial, muito programado para admirar o grande líder. É essa a visão do “nós” – bem distante da realidade – dada pela campanha eleitoral do PS; mais uma vez o alheamento da realidade é notório. Aquele “nós” é artificial. Com José Sócrates não há nós, há um produto de casting, pré-programado e pronto a ver e aplaudir o grande líder. Só não vê quem não quer. Tudo se mantém igual ao que foi, tudo será como até agora foi: longe da realidade, longe da verdade.
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Em segundo lugar a fotografia: é uma contradição do slogan, mas mais fiel à realidade no que diz respeito ao “estilo Sócrates”, que é, ele também, centrado na sua pessoa. José Sócrates destaca-se num primeiro plano sobressaindo nítido, a cores e muito clean no meio de um “nós”algo esbatido pelo tom monocromático com que se compõe a fotografia para se insinuar os tons da bandeira portuguesa (com Sócrates no meio). Este “nós” não é “povo”, não são os portugueses reais do dia a dia, são também eles parte de um arranjo, muito clean, muito direitinho, muito sorridente e embevecido, muito casting, muito artificial, muito programado para admirar o grande líder. É essa a visão do “nós” – bem distante da realidade – dada pela campanha eleitoral do PS; mais uma vez o alheamento da realidade é notório. Aquele “nós” é artificial. Com José Sócrates não há nós, há um produto de casting, pré-programado e pronto a ver e aplaudir o grande líder. Só não vê quem não quer. Tudo se mantém igual ao que foi, tudo será como até agora foi: longe da realidade, longe da verdade.
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3.7.09
Espuma dos Dias que Foram 18
Saí de Portugal com a crise/eleições do Benfica a dominar paredes meias com o estado político já eleitoral, a agenda mediática. Uma das coisas aborrecidas do futebol é que nunca temos férias do dito, pois mesmo quando não há jogos há transferências, contratações, férias de futebolistas e crises clubísticas, nomeadamente a do Benfica. Nos primeiros minutos em que passeei em Praga deparei-me com esta variante de matrioskas que me custa entender, mas que parecem vender bem tanta a abundância das ditas por tudo quanto é loja de souvenir. Eu não consigo perceber quem é quer destas matrioskas feitas futebolistas com as camisolas dos clubes? Enfim, nem em Praga tenho férias do futebol, nomeadamente do Benfica. Chegada cá que é que domina a agenda mediática? Claro, as eleições do Benfica.
(Eu sei que esta afirmação é retórica. O debate do Estado da Nação e a demissão de Manuel Pinho estão, como é óbvio, também na agenda mediática).
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1.7.09
Rasgar e Romper
Manuel Pinho com seu coreografado gesto na entrevista na SICN e mostrado no Jornal da Noite, de, levando à letra as palavras de Manuela Ferreira Leite, rasgar a folha de papel com uma grelha onde a amarelo estavam amplamente destacadas as medidas de combate à crise do seu governo, não fez mais do que reforçar a nossa vontade de ver isso mesmo: um enorme rasgão a essas medidas pensadas em cima do joelho e sem nexo nem coerência que foram sobretudo feitas com intuitos eleitoralistas. Anunciadas a um ritmo constante e perseverante, até hoje muitas delas não foram sequer implementadas (provavelmente será caso para dizer “ainda bem”) outras mereciam alguma análise que verificasse o seu real âmbito de influência e a sua eficácia no tão desejado combate à crise.
Creio que Manuel Pinho queria com esse seu gesto dramatizar a intenção de MFL e encher-nos de temor perante a desgraça que pode acontecer ao país se o PSD ganhar eleições. Essa táctica foi amplamente usada pelo PS (nomeadamente por Santos Silva) no período eleitoral que antecedeu a eleição presidencial, não foi uma estratégia ganhadora! Na minha opinião MP conseguiu o contrário: a visualização da volatilização desses “medidas”, “linhas de crédito” e “incentivos” vários e dispersos só aguça o apetite quer dos descontentes do PS quer de quem votará no PSD para que se acabe com tudo rasgando e rompendo e se recomece de novo. Nomeadamente na Educação.
Creio que Manuel Pinho queria com esse seu gesto dramatizar a intenção de MFL e encher-nos de temor perante a desgraça que pode acontecer ao país se o PSD ganhar eleições. Essa táctica foi amplamente usada pelo PS (nomeadamente por Santos Silva) no período eleitoral que antecedeu a eleição presidencial, não foi uma estratégia ganhadora! Na minha opinião MP conseguiu o contrário: a visualização da volatilização desses “medidas”, “linhas de crédito” e “incentivos” vários e dispersos só aguça o apetite quer dos descontentes do PS quer de quem votará no PSD para que se acabe com tudo rasgando e rompendo e se recomece de novo. Nomeadamente na Educação.
24.6.09
Aprendendo com Tolstói (*)
O que é a vida, o que é a morte? Que força governa tudo? (...) E não tinha resposta para nenhuma destas perguntas, excepto uma, ilógica, que, na verdade, não respondia a estas questões. A resposta era. “ Morremos e acaba tudo. Morremos e ficamos a saber tudo, ou deixamos de perguntar”. Mas também morrer era assustador.
Lev Tolstói, Guerra e Paz
(Título roubado daqui)
Lev Tolstói, Guerra e Paz
(Título roubado daqui)
23.6.09
Aprendendo com Tolstói 2 (*)
A mente humana não tem acesso à totalidade das causas dos fenómenos. A alma humana, porém, foi provida da necessidade de procurar as causas. Assim, a mente humana, incapaz de penetrar na imensidade e na complexidade das condições que geram os fenómenos, cada uma das quais em separado pode afigurar-se-lhe a causa, agarra-se à primeira e à mais próxima, à mais compreensível e diz: eis a causa.
(*) Título roubado aqui.
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(*) Título roubado aqui.
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Aprendendo com Tolstói (*)
É este o destino não dos homens grandes, não do grand homme que o espírito russo não reconhece, mas dos homens raros e solitários que, ao perceberem os desígnios da Providência, submetem-lhe a própria vontade. O ódio e o desprezo da multidão castigam essas pessoas pela compreensão das leis superiores.
Lev Tolstói, Guerra e Paz
(*) título roubado aqui.
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Lev Tolstói, Guerra e Paz
(*) título roubado aqui.
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21.6.09
Guerra e Paz 5
Aquela ferida na alma da mãe não podia sarar. (...) Mas a ferida que tirou meia vida à mãe, foi para Natasha a nova ferida que a incitou a viver. Uma ferida da alma causada pelo rasgão do corpo espiritual, tal como uma ferida física, apenas sara e cicatriza, por mais estranho que pareça, com a força da vida que irrompe de dentro.
Desta forma sarou a ferida de Natasha. Pensava que a vida tinha acabado, mas, de repente, o amor pela mãe mostrou-lhe que a essência da sua vida – o amor – ainda estava viva. Voltou a despertar o amor, despertou a vida. Os últimos dias (...) tinham ligado Natasha à princesa Mária. A nova desgraça aproximou-as ainda mais.
(...)
Falavam sobretudo dos seus passados longínquos. A princesa Mária contava coisas da sua infância, da mãe, do pai, dos seus sonhos; e Natasha, que dantes, com uma incompreensão tranquila não queria saber daquela existência devota e submissa da princesa Mária, nem daquela poesia do auto-sacrificio crsitão, agora, (...) começou também a amar o passado da princesa e a compreender aquela faceta da vida que antes lhe era inacessível. Não pensava aplicar à sua alma a submissão e o auto-sacrifício, porque estava habituada a procurar outras alegrias, mas compreendia e começava a amar na outra as virtudes que dantes não compreendia. Para a princesa Mária, quando ouvia Natasha contar a sua infância e a sua primeira juventude, também se revelava um lado da vida que dantes não entendia: a fé na vida, o prazer da vida.
Lev Tolstói, Guerra e Paz
Natasha e a princesa Mária são as duas mais importantes personagens femininas de Guerra e Paz. Natasha, pelo seu amor à vida, entusiasmo, espanto, pela sua entrega, pelo seu olhar que brilha, é uma personagem irresistível de quem é impossível não gostar. Vêmo-la crescer e tornar-se uma mulher, seguimos o seu percurso talhado de momentos de prazer e felicidade familiar, de brilho nos círculos aristocráticos de Moscovo e São Petersburgo, e de momentos de decisão, a ânsia da felicidade, o prazer dos pequenos momentos, o percurso de dor, a perda de saúde, o renascimento tal como o que se refere o início deste excerto e um renascimento que lhe permite aceitar o mundo com o olhar mais sábio e ir trilhando finalmente o seu caminho que é o seu. A princesa Mária pertencente a uma das melhores famílias e socialmente acima de Natasha, representa o contrário: a rapariga submissa, inteiramente dedicada ao pai, um velho excentrico e ateu que despreza a sua fé e não reconhece o valor nem da sua inteligência nem da sua generosidade. Mária, ao contrário de Natasha, não teve uma infância e juventude alegre e feliz e uma casa sempre cheia de família e amigos, por isso dedicava-se à oração e à caridade. Muitas vezes, na sua solidão, se perguntava se encontraria um homem com quem se casasse e pudesse constituir uma família.
As mulheres não pertencem ao “mundo da guerra”, mas a guerra, nas suas múltiplas faces, acaba por entrar no mundo destas duas mulheres expondo-as ao sofrimento e modificando para sempre quer as suas vidas quer as suas almas. Natasha recolhe-se em si, para dentro; a princesa Mária torna-se autónoma e abre-se ao mundo, para fora.
O romance é um hino à sempre espantosa manifestação da natureza humana na plenitude: fraquezas e riquezas, e nesse exercício de olhar e escrutínio, percebemos, como o exemplo destas duas mulheres nos mostra, que as circunstâncias que num primeiro momento parecem afastar e antagonizá-las, acaba por uni-las num percurso paralelo de sofrimento, de dor e de transformação. O entendimento e a sólida amizade que se forja, toma assim uma dimensão que está além da pertença social, do entendimento, da personalidade ou da opinião. Começa no sentir e estende-se à dimensão espiritual.
Desta forma sarou a ferida de Natasha. Pensava que a vida tinha acabado, mas, de repente, o amor pela mãe mostrou-lhe que a essência da sua vida – o amor – ainda estava viva. Voltou a despertar o amor, despertou a vida. Os últimos dias (...) tinham ligado Natasha à princesa Mária. A nova desgraça aproximou-as ainda mais.
(...)
Falavam sobretudo dos seus passados longínquos. A princesa Mária contava coisas da sua infância, da mãe, do pai, dos seus sonhos; e Natasha, que dantes, com uma incompreensão tranquila não queria saber daquela existência devota e submissa da princesa Mária, nem daquela poesia do auto-sacrificio crsitão, agora, (...) começou também a amar o passado da princesa e a compreender aquela faceta da vida que antes lhe era inacessível. Não pensava aplicar à sua alma a submissão e o auto-sacrifício, porque estava habituada a procurar outras alegrias, mas compreendia e começava a amar na outra as virtudes que dantes não compreendia. Para a princesa Mária, quando ouvia Natasha contar a sua infância e a sua primeira juventude, também se revelava um lado da vida que dantes não entendia: a fé na vida, o prazer da vida.
Lev Tolstói, Guerra e Paz
Natasha e a princesa Mária são as duas mais importantes personagens femininas de Guerra e Paz. Natasha, pelo seu amor à vida, entusiasmo, espanto, pela sua entrega, pelo seu olhar que brilha, é uma personagem irresistível de quem é impossível não gostar. Vêmo-la crescer e tornar-se uma mulher, seguimos o seu percurso talhado de momentos de prazer e felicidade familiar, de brilho nos círculos aristocráticos de Moscovo e São Petersburgo, e de momentos de decisão, a ânsia da felicidade, o prazer dos pequenos momentos, o percurso de dor, a perda de saúde, o renascimento tal como o que se refere o início deste excerto e um renascimento que lhe permite aceitar o mundo com o olhar mais sábio e ir trilhando finalmente o seu caminho que é o seu. A princesa Mária pertencente a uma das melhores famílias e socialmente acima de Natasha, representa o contrário: a rapariga submissa, inteiramente dedicada ao pai, um velho excentrico e ateu que despreza a sua fé e não reconhece o valor nem da sua inteligência nem da sua generosidade. Mária, ao contrário de Natasha, não teve uma infância e juventude alegre e feliz e uma casa sempre cheia de família e amigos, por isso dedicava-se à oração e à caridade. Muitas vezes, na sua solidão, se perguntava se encontraria um homem com quem se casasse e pudesse constituir uma família.
As mulheres não pertencem ao “mundo da guerra”, mas a guerra, nas suas múltiplas faces, acaba por entrar no mundo destas duas mulheres expondo-as ao sofrimento e modificando para sempre quer as suas vidas quer as suas almas. Natasha recolhe-se em si, para dentro; a princesa Mária torna-se autónoma e abre-se ao mundo, para fora.
O romance é um hino à sempre espantosa manifestação da natureza humana na plenitude: fraquezas e riquezas, e nesse exercício de olhar e escrutínio, percebemos, como o exemplo destas duas mulheres nos mostra, que as circunstâncias que num primeiro momento parecem afastar e antagonizá-las, acaba por uni-las num percurso paralelo de sofrimento, de dor e de transformação. O entendimento e a sólida amizade que se forja, toma assim uma dimensão que está além da pertença social, do entendimento, da personalidade ou da opinião. Começa no sentir e estende-se à dimensão espiritual.
20.6.09
Do Rigor
As intenções de rigor e exigência patentes na linha traçada pela Ministra da Educação deste governo de José Sócrates estão a desfazer-se perante o nosso olhar. O resultado dos testes de aferição dos 4º e 6º anos com a sua percentagem de positivas de 90% desmente qualquer tentativa séria de avaliação e qualquer intenção de rigor na escola em geral e do ensino - o que de facto se aprende – em particular. O cenário parece querer repetir-se no caso dos exames nacionais do 9º ano, em que estes, ao contrário dos anteriores que são irrelevantes e um desbaratar de recursos para um resultado “político” e estatístico simpáticos, já contam para a nota final - uns meros 30%, mas pelo menos poderão eventualmente fazer alguma diferença. O exame de Português foi muito fácil, dizem os alunos. De facto e depois de olhar com mais atenção deparo-me com esta pergunta extraordinária (que neste vídeo do Público alguns alunos disseram ser a parte mais difícil de um exame facílimo e “básico”) sobre um excerto dos Lusíadas, as estrofes 122 e 123 do Canto III:
Redige um texto expositivo (...) no qual explicites (*) o conteúdo das estrofes 122 e 123. O teu (*) texto deve incluir:
• uma parte introdutória em que identifiques (*) o episódio a que pertencem as estrofes e as personagens históricas nelas mencionadas;
• um desenvolvimento, no qual indiques (*) a decisão referida na segunda estrofe e as razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão;
• uma parte final, em que refiras (*) o sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e a razão que originou esse sentimento.
Lendo esta questão percebemos que o enunciado dá a resposta: explicita a sua estrutura (limitando a escolha) e aponta as soluções; só não escolhe as palavras para responder. Com perguntas destas em que a resposta está à partida formatada e dada é impossível errar e difícil premiar a diferença do mérito de quem sabe e estudou aquele bocado mais que faz a diferença entre o bom e o muito bom. Não sou favorável a que se façam exames dificeis, mas tem que haver em qualquer exame uma ou duas questões feitas para que se pense, para premiar o esforço e trabalho de quem estudou um pouco mais e um pouco melhor. Um exame destes é paternalista, limitativo e condiciona o estudante cortando-lhe criatividade. O bom aluno e o mau darão resposta iguais. Enfim, tudo muito mau, muito medíocre, muito igual, desse perigoso igualitarismo pastoso com que insistem em nos moldar a todos. Se é para isto que serve o rigor...
Notas:
Redige um texto expositivo (...) no qual explicites (*) o conteúdo das estrofes 122 e 123. O teu (*) texto deve incluir:
• uma parte introdutória em que identifiques (*) o episódio a que pertencem as estrofes e as personagens históricas nelas mencionadas;
• um desenvolvimento, no qual indiques (*) a decisão referida na segunda estrofe e as razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão;
• uma parte final, em que refiras (*) o sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e a razão que originou esse sentimento.
Lendo esta questão percebemos que o enunciado dá a resposta: explicita a sua estrutura (limitando a escolha) e aponta as soluções; só não escolhe as palavras para responder. Com perguntas destas em que a resposta está à partida formatada e dada é impossível errar e difícil premiar a diferença do mérito de quem sabe e estudou aquele bocado mais que faz a diferença entre o bom e o muito bom. Não sou favorável a que se façam exames dificeis, mas tem que haver em qualquer exame uma ou duas questões feitas para que se pense, para premiar o esforço e trabalho de quem estudou um pouco mais e um pouco melhor. Um exame destes é paternalista, limitativo e condiciona o estudante cortando-lhe criatividade. O bom aluno e o mau darão resposta iguais. Enfim, tudo muito mau, muito medíocre, muito igual, desse perigoso igualitarismo pastoso com que insistem em nos moldar a todos. Se é para isto que serve o rigor...
Notas:
- (*) Não percebo também a necessidade de, em circunstâncias formais e oficiais, que é o que os exames nacionais são, tratar o interlocutor, mesmo que seja aluno, por “tu”, mas isso será esquisitice minha.
- Como pude constatar (ou confirmar) no vídeo, os umbigos à mostra deram lugar este ano aos “cai-cai”. Também houve quem fizesse o exame de fato de banho com top de alças por cima. No vídeo não pude confirmar as calças dos rapazes pelo meio do rabo a mostrar calções de banho ou boxers, mas aposto que todos andavam de chinelas havaianas. Tenho que dar razão à Sra. Ministra que timidamente e noutros tempos menos eleitoralistas, ousou falar em fardas para as escolas.
19.6.09

Notícias da Albânia (*):
O Primeiro-ministro muda de personalidade após derrota eleitoral. Ver aqui um retrato comparativo.
As notas de Português e Matemática das provas de aferição dos 4º e 6º anos contam com 90% de positivas.
Trabalhadores interrompem negociações com a Administração na Autoeuropa.
(*) com o devido respeito pela Albânia.
O Primeiro-ministro muda de personalidade após derrota eleitoral. Ver aqui um retrato comparativo.
As notas de Português e Matemática das provas de aferição dos 4º e 6º anos contam com 90% de positivas.
Trabalhadores interrompem negociações com a Administração na Autoeuropa.
(*) com o devido respeito pela Albânia.
17.6.09
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