
Albert Gleizes
Houses in a Valley
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Eu, que não percebo nada de Direito, pergunto-me qual destas fugas ao segredo de justiça é mais grave: o aviso aos suspeitos do caso Face Oculta que estavam a ser escutados, ou a divulgação de uma (pequeníssima, ao que se diz) parte dessas mesmas escutas?



Ontem, Miguel Sousa Tavares na TVI pôs o dedo na ferida elogiando a intervenção da líder da oposição, sobre o deficit e a insustentabilidade económica do país. Ao contrário do que a televisão (nomeadamente a SICe a TVI) mostram – Paulo Portas - quando em voz off falam de oposição, MST sabe que é Manuela Ferreira Leite e o "seu" PSD com quase o triplo da votação do CDS-PP, a líder da oposição. Essa estranha e persistente atracção (ou má-fé?) da comunicação social por Paulo Portas em detrimento e contra MFL, de tão óbvia, já cansa. Mas, voltando a MST, ele indignou-se perante a indiferença do executivo face à situação económica e financeira do país e à resposta, que ficou por dar, quando o Primeiro-ministro foi interpelado por MFL. José Sócrates continua a não dar respostas. Como sempre.
A propósito de editorias de jornais – ou outras publicações - serem ou não assinados, Eduardo Pitta lembra aqui alguns casos de publicações estrangeiras nomeadamente o Economist em que os editoriais não são assinados. No entanto esquecece de referir que a linha editorial do Economist, (e de tantas outras publicações sobretudo anglo-saxónicas) é “crystal clear”: liberdade, liberdade individual, direito de escolha, mercado aberto livre e concorrencial, impostos reduzidos, e que o Economist, onde também não existem artigos assinados, toma sempre uma posição, também ela “crystal clear” e devidamente explicada e justificada em momentos que considere relevantes: eleições no Reino Unido ou nos EUA, para dar exemplos políticos. Não existem “estados de alma” editoriais, mas opções claras sem a conversa de chacha que o editorial do Público ontem nos impingiu e que fala em coisas vagas e que servem tudo e todos de acordo com a necessidade do momento. Senão que é que é isso de “queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos”?

Fiquei admirada por concordar tão facilmente com esta conclusão do Pedro Correia “José Sócrates não tem nada a temer desta oposição”, num breve texto sobre o PSD no Corta-Fitas, mas depois vi o texto de Tiago Geraldo no 31 da Armada que deu origem a tal conclusão, e percebo que afinal só concordamos na conclusão e que divergimos radicalmente nos pressupostos. É por causa de comportamentos como os de Passos Coelho, que não consegue não se pôr em bicos de pés dia sim dia sim, apesar da actual líder do PSD se manter legitimamente em funções, dos restantes PSDs se manterem entretidos e distraidos a olhar para o seu umbigo, e da comunicação social não fazer outra coisa que não seja também olhar para o PSD de todos os ângulos possíveis salivando e especulando sem peias, que José Sócrates não está a ter a oposição que deveria nesta semana em que o tom do seu próximo estilo de governação foi claramente dado: uma encenada e falsa abertura ao diálogo, chantagismo, demagogia a rodos, e a dose certa (para as alturas certas) de vitimização, pois eu sou tão dialogante e os outros líderes tão pouco operantes. É ele, José Sócrates que tem de procurar e encontrar soluções de estabilidade governativa. Por muito que lhe custe, por muito que o não queira esse ónus é seu, foi-lhe dado pelo voto.








Venceu “o Sócrates”. Venceu o Senhor Engenheiro. Venceu o optimismo de pacotilha, a política feita de belos cenários, músicas que enchem o coração, e frases pensadas, ensaiadas e repetidas ad nauseam. Venceu “ter-se boa imagem”. Venceu o parecer em vez do ser. Venceram as máquinas partidárias que fizeram ganhar ou perder as eleições. Venceram as agências de comunicação. Venceu a relação difícil com a verdade. Venceu o discurso político grau zero. Venceu o marxismo, leninismo e afins.