“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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10.11.07

Apeteceu-me

Wagner, e ouvi Solti e a Orquestra Sinfónica de Chicago em


Depois encontrei esta maravilha que vale a pena espreitar: Arturo Toscanini no youtube.

9.3.07

Uma ideia de Europa

Pandoraand The Flying Dutchman

Nos últimos anos está na moda falar em Caixa de Pandora nas mais variadas circunstâncias. Eu gosto da história de Pandora, a ideia de que algum dia todos segredos e todos os males possam ter estado fechados numa caixa é sedutora, tanto como é compreensível a curiosidade que levou a que se abrisse a caixa. Hoje, a propósito de um manual Europeu de História para o ensino, vem de novo a imagem de Pandora, mas parece-me que neste caso se trata não de abrir uma caixa, mas sim da intenção de fechar de novo os males e segredos numa caixa, ou seja num manual de História. A decisão de saber o que é um mal, um flagelo, um segredo, de saber quais os relevantes e em que proporções, de modo a não ferir susceptibilidades nacionalistas, étnicas ou políticas é que será interessante e seguramente objecto de clivagens, discórdias, desentendimentos. Os bons valores comuns europeus seriam exaltados e valorizados se se estudasse mais arte, mais escultura, mais pintura, mais arquitectura, mais música, mais literatura, mais teatro, mais ópera, mais mitologia, mais filosofia. Depressa se tornaria irrelevante a ideia de um manual de História comum.

25.2.07

As Valquírias

Foi com sapatos assim e com outros acessórios bem escolhidos como capelines pretas e véus, quais viúvas em funerais, que as Valquírias ontem entraram em cena no S. Carlos e cantaram, na encenação de Graham Vick de “A Valquíria”, segunda Ópera da Tetralogia “ O Anel dos Nibelungos” de Riched Wagner, uma alegoria sobre o poder (e o amor, e a inveja, e a mortalidade, e o bem, e o mal, e...)

A encenação é ousada com o S. Carlos virado do avesso, mas a noite é memorável tal a intensidade e dramatismo da obra, música e libreto, bem interpretados quer pela orquestra quer pelos cantores. O palco enorme está sempre cheio, nunca sobra, nem mesmo nos momentos mais líricos em que só dois estão em palco. No entanto a noite é das Valquírias e no terceiro acto o palco transbordou quer em emoção, quer literalmente nomeadamente no Prelúdio e início da Primeira Cena onde é impossível não associar o efeito cénico e plástico à célebre cena dos helicópteros do Apocalypse Now, mas creio que hoje é impossível não o fazer. O meu destaque para as Sopranos Susan Bullock (Brünnhilde) e Anna-Katharina Behnke (Sieglinde) com valiosas interpretações. A última cantou descalça, mas a primeira cantou sempre em tacões altos e finos - tem toda a minha admiração por isso - com excepção dos momentos finais. A noite acabou tarde, mas noites destas dificilmente se esquecem. Para o ano há mais.

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