Apelidar esta situação de excesso de objectores de consciência nos serviços de obstetrícia, de caricatural, é mostrar um profundo desconhecimento do que é a realidade do nosso país, dos recursos do SNS, e da mentalidade portuguesa, no que tem de mau e de bom, e é continuar a recusar ver e perceber a diferença ética e moral que existe entre fazer um aborto “a pedido”, ou fazê-lo por “razões médicas” ou outras razões de excepção anteriormente previstas na lei. Mesmo que se ordenem os serviços de obstetrícia dos hospitais públicos a organizarem-se de modo a que haja médicos não objectores nos seus quadros, será sempre difícil garantir a 100% a aplicabilidade de tal ordem. A não ser que se criem quotas nos serviços de obstetrícia para médicos não objectores de consciência, ou que ao admitir médicos para os seus quadros, os hospitais façam “discriminação positiva” perguntando ao admiti-los se eles serão ou não objectores. Também se poderia tentar a chantagem: se fores objector não tens emprego.
holehorror.at.gmail.com
15.6.07
Ordene-se
Apelidar esta situação de excesso de objectores de consciência nos serviços de obstetrícia, de caricatural, é mostrar um profundo desconhecimento do que é a realidade do nosso país, dos recursos do SNS, e da mentalidade portuguesa, no que tem de mau e de bom, e é continuar a recusar ver e perceber a diferença ética e moral que existe entre fazer um aborto “a pedido”, ou fazê-lo por “razões médicas” ou outras razões de excepção anteriormente previstas na lei. Mesmo que se ordenem os serviços de obstetrícia dos hospitais públicos a organizarem-se de modo a que haja médicos não objectores nos seus quadros, será sempre difícil garantir a 100% a aplicabilidade de tal ordem. A não ser que se criem quotas nos serviços de obstetrícia para médicos não objectores de consciência, ou que ao admitir médicos para os seus quadros, os hospitais façam “discriminação positiva” perguntando ao admiti-los se eles serão ou não objectores. Também se poderia tentar a chantagem: se fores objector não tens emprego.
13.6.07
Outra vez José Saramago
Saramago, há uns anos atrás, quando lançava Ensaio sobre a Lucidez, incitava publicamente, num exercício de destemida ousadia (pensava ele), os eleitores a votarem em branco. Leio hoje aqui no Público que numa conferência no Norte de Espanha, noutro exercício de destemida ousadia (continua ele a pensar), apela à insubmissão da população contra as “democracias contemporâneas, que na sua opinião não passam de plutocracias”. Eu sei que ser escritor e escrever ficção abre todas as portas do possível e a maioria das portas do impossível, mas em conferências em que se pretende ser lúcido e crítico em relação à realidade e se afirmam inusitadas pérolas de sapiência do género já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder, ou ainda antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda, fica-se com vontade de lhe pedir que, por favor, quede-se em Lanzarote a escrever livros, que esses só lê quem quer e só compra quem quer, pois de cada vez que sai de lá e vai a conferências para mais uma mostra da sua habitual e afectada pomposidade nós somos bombardeados com as suas palavras sem nos podermos defender.
12.6.07
11.6.07
Porque será que esta notícia (via Insurgente) não só não me surpreende como até me parece que tardou. O grande argumento utilizado para a liberalização do aborto tal como foi referendado e legislado, era acabar com o “vão de escada”. Como vemos pela notícia, só no Hospital de Santa Maria, 80% dos médicos invocaram objecção de consciência e os outros têm outras prioridades, o que se traduz no facto de muito poucos abortos serem de facto feitos em hospitais públicos. Também já sabemos, e já aqui escrevi sobre o assunto, que a opção de não praticar abortos por parte dos médicos tem custos (o hospital terá que pagar a intervenção numa clínica ou noutro hospital), mas que a opção de abortar não tem, fazendo jus à frase “aborto a pedido”, podendo haver número ilimitado de “a pedido” sem qualquer custo para quem pede, mas sempre com custo para quem invoca o direito de não o fazer. Como previsto, chegou um novo e próspero negócio: as clínicas que fazem abortos e que serão subsidiadas por todos nós. Pelas facturas que o estado, através de anúncios de televisão, nos lembra simpaticamente que temos que pedir. Nunca perceberam que o “vão de escada” é uma mentalidade, e não uma realidade sociológica, e que o “vão de escada” será sempre mais discreto, mais prático e mais rápido.
Sobre Terrorismo
10.6.07
Ocean's 13
Há sempre quem goste dos hambúrgueres do McDonald’s, das diversões da Disneyworld, das pizzas da Pizza Hut, de ler Margarida Rebelo Pinto, de fazer excursões a Londres, de comprar time-sharing no Nordeste Brasileiro, e eu percebo o desejo e vontade de escolher pré-cozinhados, pré-embalados, pré-fabricados, pré-preparados, enfim coisas que de certa maneira têm o conforto de não nos surpreenderem muito, e de não exigirem muito de nós.
Recentemente desfrutei de um destes “pré-qualquer-coisa” na forma Ocean’s 13 de Steven Soderbergh: o conforto de o filme correr exactamente como esperado, a tranquilidade do argumento ser o que gostaríamos que fosse, a familiaridade dos actores consigo próprios na pele que já vestem e despem sem esforço, os gags que são como gostamos que sejam, os diálogos como imaginamos que vão ser, os ambientes como queremos ver, até as surpresas são as que surpreendem só na medida em que queremos ser surpreendidos, tudo tranquilo, sem exigir demasiado de ninguém, nem de um lado nem do outro. Não é um filme para emoções fortes, ou para marcar a história do cinema, muito menos para teses ou para militantes tomadas de posição sobre a arte ou sobre a existência humana. Só para ver e divertir, coisa simples. Eu gostei.
8.6.07
Lugar comum
Plano Nacional de Leitura
Ontem na Feira do Livro num pavilhão com livros para jovens - como se eles não pudessem ler livros sem ser para “jovens”, vi uns com títulos de uma pseudo-banalidade que dão logo vontade de não comprar. Mas para meu espanto vinham com um auto-colante que dizia algo do género (cito de cor) “recomendado pelo Plano Nacional de Leitura”. Fiquei ainda mais desconfiada.
6.6.07
Uma ideia da Europa 15
5.6.07
Ontem, outro debate na televisão sobre a Ota. Confesso que já há muito que perdi o interesse em tanto debate, tanta análise de conclusões de estudos, tanta opinião. Continuo perdida nesta polémica sem saber bem o que pensar. Uma coisa parece-me certa: não gostaria, que o Aeroporto da Portela fosse desactivado, e temo o pior caso o(s) governo(s) actual e futuros o decidam fazer. O Aeroporto da Portela é uma activo valiosíssimo, que tem a enorme vantagem de estar perto da cidade e torná-la competitiva em termos quer de negócios, quer turísticos, nomeadamente em viagens de curta duração. Os candidatos à Presidência da Câmara de Lisboa deveriam ser claros quanto às intenções relativamente à desactivação do Aeroporto da Portela. A defesa da manutenção do aeroporto, num esquema Portela + 1 é um argumento interessante em tempo de campanha que poderá clarificar posições e ganhar votos. Mais do que debater a Ota é interessante pensar no futuro da Portela. Sim à Portela poderia ser um slogan a adoptar. No fim-de-semana passado, António Costa fez, de bicicleta, um percurso do Príncipe Real à Torre de Belém. Gostaria de lhe deixar a seguinte sugestão: fazer, igualmente de bicicleta, num dia de semana o percurso inverso, da Torre de Belém ao Príncipe Real. Será que mantém o mesmo entusiasmo por esse meio de transporte que tão bem se adapta a Lisboa? Se a campanha para a Câmara de Lisboa se mantiver a estes níveis banalmente confrangedores, tipo descidas de bicicleta, frases “O Zé faz falta” e outdoors deprimentes, fico sem saber se no dia 15 devo ou não ir para à praia.
3.6.07
Computadores e EMEL
Por favor Senhor Primeiro-ministro: quando distribuir os computadores lembre-se que não é só nas escolas que eles fazem falta, ao pessoal da EMEL e aos autuados também lhes dava jeito. Veja também se é possível que o Simplex lá chegue e que os procedimentos sejam simplificados reduzindo o papel utilizado como convém a um bom ecologista, e reduzindo significativamente o tempo lá gasto evitando perdas na produtividade nacional. Por último, será que uma palavrinha a alguém conhecido da PSP Trânsito e a alguém da CGD não poderia resolver o problema da incompatibilidade das coimas e do Multibanco?
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