“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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16.4.10


Ontem tive muito mais sorte do que Cavaco Silva. Ele ouviu estas declarações (certeiras e justas, mas tão incómodas) do presidente Checo até ao fim, não pode escapar, fazer de conta ou assobiar. Esboçou um sorriso e usou da sua melhor diplomacia na resposta, até distraiu os interlocutores lembrando a Irlanda. Eu, igualmente envergonhada, pude mudar de canal, Cavaco Silva não.

E ao mudar parei uns breves momentos na BBC World News onde estava a decorrer o primeiro debate entre os três candidatos a Primeiro-ministro do Reino Unido, num modelo do tipo “Question Time”. Gordon Brown era o mais crispado, David Cameron o mais confiante e Nick Clegg o mais eloquente e agressivo. Ouvi-os sobre a educação. Discutiam Educação; o discurso de Cameron e Clegg era claro: mais disciplina na escola, reforço da autoridade do professor, (um deles referiu que hoje na escola há a situação de os professores serem tratados como crianças e os alunos como adultos), centrar a actividade do professor no ensino, programas lectivos simples e claros, liberdade das escolas e, no fim, um reparo acerca da necessidade do regresso uma maior independência (face ao Estado e aos governos, claro) das instituições avaliadoras. Brown, que nunca rejeitou estas ideias, mas adoptou uma posição mais defensiva, viu-se obrigado a focar o seu discurso na necessidade de a escola servir toda a população. Como eu gostava de ouvir estes tópicos na boca dos nossos candidatos a Primeiro-ministro.


30.9.09


A guerra com o governo está comprada pelo Presidente da República, e não me parece que tome decisões políticas pensando num segundo mandato, e que tal perspectiva o condicione. Agirá sempre em função do que ele considere (bem ou mal) o superior interesse da nação. Cavaco Silva não é Mário Soares nem Jorge Sampaio.

Adenda: O discurso do PR bem dissecado aqui. A ler também esta nota e mais esta.


Parece que o Governo Francês tomou juízo. Isto de haver cidadãos acima da lei só porque são "conhecidos", fazem filmes, são intelectuais (normalmente de esquerda, pois com os de direita há geralmente menos complacência) ou são "amigos" é um pouco escandaloso em estados de direito.

1.8.08

Aposto que se Cavaco Silva tivese feito a declaração ao país num dia qualquer de Novembro, ou Janeiro ou Abril, dizendo exactamente o que disse, as reacções teriam sido diferentes. Às vezes não se percebe onde acaba o incómodo e enfado pelas declarações terem sido feitas a 31 de Julho - dia maldito para pensar em coisas “dessas", e começa o comentário genuino ao seu conteúdo.

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