“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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26.4.10

Conversas de Café e Brainstorming

Depois da “espontaneidade” saída de uma conversa de de três jovens juristas que não querem provocar mas somente sensibilizar, soubemos agora de mais espontaneidade no seu melhor, saída de um “brainstorming”. Parece que o Papa se está a tornar num alvo por parte das sensibilidades das causas fracturantes, e . Cá, um país maioritariamente católico, sobra anti-clericalismo, às vezes até misturado com devoções várias, que hoje se sente aconchegado e que nunca perde oportunidade de se mostrar na sua faceta mais primária, radical e pouco tolerante. Lá, onde o catolicismo é minoritário e o islamismo corre sérios riscos de ser maioritário, perante a lenta dissolução de uma Church of England que consegue ser tudo e o seu contrário, há um anti-papismo secular que as ditas sensibilidades das causas fracturantes descobrem no seu esplendor. Não é em vão que anualmente se celebra com fogo de artifício a derrota do catolicismo e morte de Guy Fawkes.

Uma coisa é certa: as conversas de café que nos anos 60 e 70 propiciaram tanta produção intelectual (não discuto a qualidade da dita) conhecem há muito uma decadência que está bem patente no resultado: distribuir preservativos antes/depois das missas do Papa. Se não fosse patético, dava vontade de rir. O brainstorming, um sucedâneo das ditas conversas de café mas em salas de reunião com toque yuppie e glamour à anos 80 e que produzia sobretudo soluções “corporate” ou “marketing”, (para usar inglês técnico), já conheceu também melhores dias. Estas brilhantes e originais ideias, (ver primeiro e últimos parágrafos), saídas de uma sala de reunião do Foreign Office, já o obrigaram a pedir desculpa ao Vaticano. Nem dá para rir, tal o nível de infantilidade e imbecilidade (com patrocínio governamental).

Razão tem o Bispo de Chester:

16.4.10


Ontem tive muito mais sorte do que Cavaco Silva. Ele ouviu estas declarações (certeiras e justas, mas tão incómodas) do presidente Checo até ao fim, não pode escapar, fazer de conta ou assobiar. Esboçou um sorriso e usou da sua melhor diplomacia na resposta, até distraiu os interlocutores lembrando a Irlanda. Eu, igualmente envergonhada, pude mudar de canal, Cavaco Silva não.

E ao mudar parei uns breves momentos na BBC World News onde estava a decorrer o primeiro debate entre os três candidatos a Primeiro-ministro do Reino Unido, num modelo do tipo “Question Time”. Gordon Brown era o mais crispado, David Cameron o mais confiante e Nick Clegg o mais eloquente e agressivo. Ouvi-os sobre a educação. Discutiam Educação; o discurso de Cameron e Clegg era claro: mais disciplina na escola, reforço da autoridade do professor, (um deles referiu que hoje na escola há a situação de os professores serem tratados como crianças e os alunos como adultos), centrar a actividade do professor no ensino, programas lectivos simples e claros, liberdade das escolas e, no fim, um reparo acerca da necessidade do regresso uma maior independência (face ao Estado e aos governos, claro) das instituições avaliadoras. Brown, que nunca rejeitou estas ideias, mas adoptou uma posição mais defensiva, viu-se obrigado a focar o seu discurso na necessidade de a escola servir toda a população. Como eu gostava de ouvir estes tópicos na boca dos nossos candidatos a Primeiro-ministro.


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