“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com

19.1.08

Expiação

Li Atonement de Ian McEwan há uns anos quando o romance saiu. Foi um romance de que gostei bastante (muito mais do que de Amsterdam que lhe valeu o Booker) tal como gostei de On Chesil Beach. Não posso agora, e porque não o reli recentemente, fazer uma análise mais completa do romance mas lembro que uma das ideias mais marcantes que a obra me deixou foi, para além do facto de ter uma escrita muito cuidada, a forma como desde o início, com uma espécie de aquecimento dos motores ou de preparação do terreno, se dá conta de um percurso individual de expiação. Não é arrependimento, é mesmo expiação, no sentido cristão de expiar um pecado, uma culpa; carregá-lo toda a vida como quem carrega um fardo. Toda a vida da personagem é moldada por essa expiação.

Foi com curiosidade – cautelosa - que fui ver o filme “Expiação” de Joe Wright. O filme começa bem, mas creio que a segunda parte perde um pouco em termos de densidade. A primeira parte é muito bem feita do ponto de vista formal com leituras diferentes dos pedaços que constituem os acontecimentos, conforme estejam a ser os olhos de uns ou de outros que os “vêem”. Nesta diferença de olhares começa o terreno a ser preparado para a possibilidade e a concretização do pecado ou culpa que marcará e mudará a vida de todas as personagens. O espectador está perturbado, mas entende o porquê. A partir daqui o filme perde-se querendo ser mais do que deveria querer, porque parece perder o seu objectivo central que circula à volta da culpa. De repente sentimos que estamos perante uma conturbada história de amor em cenário de guerra (excessivo), por muito legítima ou interessante que essa história seja. O romance, da mesma forma que na primeira parte preparou o terreno para o pecado, na segunda centra-se no percurso pós pecado, no efeito da culpa focando o arrependimento, as tentativas de reparação, mas não a redenção, o que deixa a personagem “pecadora” em situação de expiação até ao fim dos seus dias. É esta densidade que falta ao filme na segunda parte e que não é tão bem traduzida nem sequer a nível formal. Apesar dos cenários de guerra e dos feridos em enfermarias cai-se em alguma banalidade tornando o fim menos interessante do que princípio e deixando-nos, espectadores, um pouco insatisfeitos. Dos actores, saliento o trabalho de Keira Knightley que se afirma enquanto actriz madura.

18.1.08

Fumos 2

Do Glamour

Quando se olha para esta fotografia associamos o fumo de um cigarro e o fumar ao glamour e sedução e pensamos como é bonita a fotografia de Lauren Bacall de cigarro na mão. Mas bonita é Lauren Bacall: bonita, elegante, fotogénica, bem maquilhada, bem penteada, bem vestida. Ela é uma actriz e esta é uma fotografia de uma das muitas “personas” por ela encarnada, são poses estudadas no ângulo certo, com a luz certa, tiradas por profissionais para que tudo esteja bem e o preto e branco a dar um toque de estúdio. Não é o cigarro que dá o glamour.

Nesta outra fotografia de Anna Magnani, não é o glamour que é valorizado, mas sim o lado mais “intelectual” do cigarro pois Anna Magnani não tem a beleza mais “óbvia” de Bacall. Aqui é a intensidade que conta, o poder, a fragilidade, a escolha, a decisão, enfim um lado mais interior de uma outra faceta de sedução a que tantas vezes também se associa o cigarro e o acto de fumar. Mas mais uma vez, é também uma fotografia de estúdio de um ser que tem a sorte de ser fotogénico. Anna Magnani é que tem magnetismo e intensidade, não é o cigarro.

Os instantâneos de gente comum a fumar são bem diferentes, sem glamour, sem intensidade, e certamente muito menos mistério. O melhor que se pode dizer é que são banais. Claro que os instantâneos seja de quem for são todos eles banais; é verdade, mas abstenho-me de nomear e listar algumas diferenças entre instantâneos de fumadores e os outros de tão óbvias e tão pouco glamorosas, intensas e sedutoras que são. Por isso há que não perder o norte e pensar que sem o cigarro lá se vai o mistério, a beleza, e que a discussão intelectual fica sem intensidade. A vida continua.

Dando Excessivamente sobre o Mar 22

Edward Hopper (1882-1967)
Rooms by the sea

17.1.08

Fumos

Num ambiente na comunicação social e nos blogues ainda marcado pela síndrome de abstinência de tantos fumadores que vêm limitado (um pouco, só) o seu direito de acender um cigarro onde quer que seja, leio posts indignados com o ambiente de proibição em que se vive hoje, num saudável saudosismo do “é proibido proibir” dos idos anos 60 que nunca é mau lembrar, e vejo glamorosas imagens de homens (se é que Serge Gainsbourg alguma vez foi glamoroso...) e mulheres de cigarro na mão ou na boca tentando demonstrar e elevar a estética do acto de fumar. Primeiro dos direitos. A seguir do glamour.

Dos direitos

O meu direito e a minha liberdade individual de não respirar em ambientes de fumo e de não ser fumadora passiva foi, desde que me lembro, objecto de muito pouca preocupação quer por parte do estado quer por parte dos fumadores que comigo privavam e ainda privam, com raríssimas e honrosas excepções. Anos e anos trabalhei em ambientes de fumo com fumadores desde as primeiras horas da manhã (e não sabem o que custa) e respirei o ar que eles poluíam, tomei refeições olhando e respirando cinzeiros cheios, arranjei o cabelo em cabeleireiros onde outras senhoras afastavam de suas cabeças acabadas de pentear o fumo dos seus próprios cigarros. São estes alguns dos exemplos de uma lista que poderia continuar. Custou-me sempre acreditar que o meu direito de não respirar ar sujo e estragado pelo cigarro dos outros tenha sido ao longo do tempo objecto de tão pouca consideração, respeito e preocupação. Mais do que o fumo de um cigarro que um amigo possa fumar perto de mim, e que pouco incomoda de facto, o que revolta tantos não-fumadores foi, e é, o facto de ser dado como adquirido o nosso acordo – tácito, em respirar o ar sujo pelo fumador, mostrando, esse sim, pouco respeito pela nossa liberdade e saúde. E tratar da minha saúde é um direito que me assiste e que exerço como e quando quero, tal como o direito dos fumadores de, na privacidade ou em locais apropriados fumarem tanto quanto queiram. Finalmente o estado pela mão deste governo e de outros anteriores (e este blogue não pode ser acusado de simpatias com o governo que hoje nos governa) tem vindo a proteger um direito meu e de uma tão grande maioria de, em locais públicos e fechados se respirar ar sem fumo.
(continua)

16.1.08

O melhor resumo de tudo o que tem sido sobre a novela BCP é dado simples e inequivocamente pelas reacções do mercado, mais do que pelos votos dos accionistas, por vontades políticas de consensos ou fiscalizações das entidades reguladoras. (Não aprendem). Próxima OPA à vista? Ver aqui.

15.1.08

14.1.08

Pouco Encantada

Enchanted”, uma produção da Disney, foi o último filme que vi desta temporada infantil que vem (e vai) com o Natal. No entanto não fiquei tão encantada com Enchanted como gostaria e resumiria a minha opinião a um “vê-se!” Apesar de três ou quatro momentos bem conseguidos sobretudo no início do filme, ele desenvolve-se e acaba numa banal previsibilidade, que presumo seja intencional para não tornar o filme demasiado “inteligente” e/ou "exigente" para o público. Os actores surpreenderam-se positivamente com excepção de Patrick Dempsey (o Dr. Shepperd da Anatomia de Grey). Para o ano há mais.

13.1.08

Serviço

O exercício de um cargo político, ou de outro cargo público com poder e elevada capacidade de decisão, deveria ter por base a noção de serviço. Num mundo ideal tem, e num outro mundo menos imediatista em que o carácter se forma com base em valores pouco visíveis e não consumíveis, de vez em quando também tem. Complementando essa disponibilidade de serviço, deve estar a competência e a integridade. Todas as outras possíveis ou desejáveis características ao lado destas são, em última análise, irrisórias e servem sobretudo para encher jornais. A ambição, a visibilidade, a atracção pelo poder ou a ilusão de que se exerce esse poder, o estar lá nos centros de decisão ou a ilusão de que realmente se decide, o querer-se e saber-se influente, a certeza de que hoje um cargo político é um degrau seguro para um futuro confortável num cargo público ou numa empresa pública, semi-pública ou privada dessas que vivem na promiscuidade que é o nosso regime, são hoje os principais factores motivacionais de quem abraça um cargo de serviço público. Mesmo quando o discurso é sobre a vontade de servir o país os actos, um a um, desmentem-no.

Esta semana que passou ilustrou esta ausência da noção de serviço de forma dolorosamente visível e não deixou também dúvidas quanto à competência e à integridade. Um momento verdadeiramente confrangedor esse em que vimos Mário Lino sentado ao lado de José Sócrates, (ou deverei dizer: em que vimos José Sócrates sentado ainda ao lado de Mário Lino?) enquanto o PM anunciava a decisão de construir o aeroporto em Alcochete... Tal momento, já por demais analisado e dissecado, em que se destaca a constante desfaçatez do PM e a passividade amestrada do ministro, deixou-nos boquiabertos e hoje continuamos a ter dificuldade em acreditar que se tenha mesmo passado. O mesmo aconteceu quando fomos confrontados, já não só com a possibilidade da administração da CGD poder ir para o BCP e Armando Vara com ela, mas com o facto de este último ter pedido licença sem vencimento à CGD para não perder o vínculo laboral que o prende à instituição pública.

Coisas que se podem fazer ao Domingo 21

Romano (fim do séc I AC.)
Aphrodite "Vénus d'Arles"


Imaginar um vestido

10.1.08

Hoje

9.1.08

Grau Zero 3

Se em matéria de símbolos e prática religiosa se tem como objectivo um higiénico vazio, outras áreas nomeadamente relacionadas com o pensar, o questionar, o criticar, o analisar, parecem também estar a sucumbir à mesma redução ao grau zero. A perspectiva que começa a desenhar-se de se acabar com todos os partidos políticos incapazes de fazer prova de terem nos seus registos mais de 5000 militantes, ou o “não” ao referendo sobre a questão europeia são algumas ilustrações desta onda redutora e de terraplanagem da sociedade. Fica um vazio ideológico e de debate, em que a diferenciação não é bem-vinda começando por isso a ser metodicamente eliminada deixando um espaço amplo ao centrão que alimenta o regime para que, de acordo com o soprar dos ventos, este se encha e se tinja de algumas cores para dar uma patine de pensamento, reflexão e de pluralidade. Ambiente, aquecimento global, casamentos gay dão um ar de esquerda, ex-combatentes e liberalizações de alguns sectores de actividade normalmente reservadas ao estado, reforço de autoridade dão o ar de direita, e o ar moderno e actual de quem está na linha da frente é dado com os temas das novas tecnologias ou pelas preocupações com a vida saudável. Está tudo previsto.

Assim nasce uma sociedade grau zero: feita de indivíduos bi-dimensionais, lisos e brilhantes como o aço polido das belas e modernas cozinhas onde impera a higienização e as facas de cabos de cores diferentes, ou gentes polidas de acabamento cuidado e de design perfeito como os sapatos Prada, ou então luminosas, cintilantes, rápidas e eficientes como as luzes dos computadores e de qualquer gadget moderno filho das novas tecnologias. Tudo sem debate, tudo sem colesterol, tudo muito liso, tudo muito igual, tudo muito vazio. Aldous Huxley não fez melhor.

Tardes de Inverno 7

Edouard Manet
Au Café (1878)

8.1.08

Grau Zero 2

O grau zero de referências a, e de sinais religiosos cria um vazio na sociedade em que ele nasce. Os vazios têm os seus perigos, por muito modernos, brilhantes e zen que sejam, nomeadamente o de o serem por pouco tempo, porque algo irá ocupar esse “espaço” de nada: outra simbologia, outros sinais, outras referências, e outros valores. Não sei se a sociedade fica a ganhar se paulatina mas inexoravelmente for substituindo os símbolos e valores de um cristianismo liberal, que é o que se vive na maioria das sociedades europeias, por outros símbolos e valores de cariz laico, por esemplo ligados ao republicanismo e que serviram de suporte ideológico à Revolução Francesa (também eles uma evolução “laica” de valores cristãos) ou, outro exemplo, ligados a aspectos mais materiais, consumistas e de “progresso económico”. Também não sei se a sociedade fica a ganhar se forem outros os símbolos e valores que a pouco e pouco e se forem nela entranhando, nomeadamente se forem ligados ao Islamismo, uma religião expansionista e agressiva que preza pouco a laicidade e a separação entre Estado e Religião. Muitos países Europeus estão a confrontar-se com sérios problemas de valores com as suas comunidades muçulmanas.

Eu creio que no aqui e agora, e prevenindo o que poderá ser um mau futuro, as investidas dos que se reclamam herdeiros de valores republicanos e laicos, e viram o seu combate em direcção à igreja Católica, poderiam tomar também outros rumos. Vou deixar aqui um pequeno inventário de questões, apesar de ainda pouco visíveis em Portugal e de dimensão inferior à de uma parte relevante dos países europeus, que directa ou indirectamente estão ligadas à religião. São práticas que poderiam e mereceriam ser monitorizadas e objecto de análise pois muitas delas são contrárias aos princípios de igualdade de oportunidade, de dignidade e respeito pela individualidade e integridade física, moral e financeira dos indivíduos, e são claríssimas violações da lei.

  • Cumprimento de escolaridade obrigatória por parte de todas as crianças e jovens nomeadamente do sexo feminino.
  • Liberdade de escolha, nomeadamente sobre o seu próprio casamento, se, quando e com quem, ou sobre a religião que se quer professar.
  • Cumprimento da Lei no que diz respeito aos direitos patrimoniais da mulher.
  • A excisão feminina é uma prática a que Portugal não é alheio. Esta é uma questão que merece um combate sem tréguas e uma tolerância zero.

7.1.08

Plataforma contra a Obesidade 29

Georges Braque (1882-1963)
Black Fish
(clicar para aumentar)

6.1.08

Grau Zero

O artigo de ontem no Público de Vasco Pulido Valente transcrito aqui e aqui, lembrou-me o tão recente episódio gerado pela notícia do dia 2 deste mês no Correio da Manhã. Porque tenho dificuldade em acreditar na inocência de uma legislação que condiciona a escolha de um nome de patrono que terá que ter/ser “reconhecido valor de personalidade que se tenha distinguido na região, nomeadamente no âmbito da cultura, da ciência ou educação,podendo ainda ser alusivas à memória da expansão portuguesa, à antiga toponímia ou a características geográficas ou históricas do local onde se situam os estabelecimentos de educação ou de ensino”, ou na bondade dos orgãos regionais do MNE, que segundo o desmentido ao desmentido, (e porque não houve desmentido ao desmentido do desmentido) terão dado indicações de que se evitassem nomes de cariz religioso, creio que estamos perante mais uma investida da nova ordem moral tão cara a José Sócrates - e ao seu mentor do politicamente correcto, José Luis Zapatero. Uma investida discreta, em que as instruções são insinuadas de forma informal para conseguirem passar a mensagem sem grandes perturbações e testar as reacções das partes implicadas. Indo devagar, aprovando uma medida hoje, outra amanhã para não levantar ondas e evitar as manifestações que enchem as ruas, vão-se tirando as cruzes das enfermarias dos hospitais mesmo contra a vontade dos utentes, aprovando estatutos para os capelães que deixam de ter autonomia para de visitar qualquer doente, tudo em nome da laicidade e imparcialidade do Estado, mas inspirados por ímpetos republicanos e jacobinos de outras épocas, para tornar o país e a sociedade tão limpa quanto possível das bafientas, maléficas e ameaçadoras referências à religião católica, e afastá-la tanto quanto possível do convívio com a hierarquia da Igreja Católica maioritária no país e parte fundamental e integrante da nossa tradição, história e cultura.

De um ponto de vista antropológico seria interessante estudar esta vontade de despir a sociedade dos seus valores religiosos (que hoje, só para lembrar quem teime em viver no passado, não são nem coercivos nem opressores) que a formaram, que lhe são específicos e que são tão naturais ao ser humano. Seria interessante perceber esta vontade de criar um vazio, um grau zero de religiosidade social e do Estado, numa altura em que temos um Estado inegavelmente laico (e ainda bem) e em que a religiosidade hoje se manifesta mais através de alguns rituais, de referências e de feriados (que ninguém ousa tocar, com excepção do católico Cavaco Silva quando era Primeiro-ministro) do que através de uma prática que transborde e influencie determinantemente o Estado. Mais interessante ainda seria perceber esta intolerância face ao que é “nosso” (num sentido lato) face às nossas referências religiosas de que fala VPV e que resulta da tolerância à diversidade. Se hoje se tolera na sociedade ocidental, e provavelmente em Portugal também - só que ainda não o sabemos - a propaganda islâmica, se preferirem, de ensino corânico, que prega a perversidade essencial do Ocidente e tenta promover a sua expeditiva eliminação (cintando VPV), como é possível que alguns sectores se sintam ameaçados na sua liberdade, nos seus conceitos por coisas simples, mas que inegavelmente traduzem uma identidade, uma religião, uma cultura, uma tradição, que as nossas, como nomes de Escolas, a presença de um Bispo numa inauguração ou um cantar de Janeiras?

Coisas que se podem fazer ao Domingo 21

Apollo Sauroctonos. Roma Imperial, séc. I-II DC(?).
Copia de um original grego de Praxiteles, 340 AC(?)
(Clicar para aumentar)

Apanhar lagartos.

4.1.08

Dando Excessivamente sobre o Mar 21

Odilon Redon (1840-1916)
Fishing Boat

3.1.08

100 things we didn't know last year

Para escapar a tanto fumo, diverti-me com esta lista das 100 Coisas que não Sabíamos no Ano Passado. Gosto de listas e enumerações, acabo sempre por aprender alguma coisa com elas e esta absolutamente aleatória é deliciosa e cheia de informação pertinente. Para os mais cépticos, deixo aqui alguns exemplos, dos muitos, que contém material para reflexão. O item 30 merece uma visita mais detalhada.

12. Georgic is a punishment dished out to Eton pupils which involves the copying out of hundreds of lines of Latin.

15. 10% of university work from across the UK is plagiarised.

17. Two cups of spearmint tea a day is thought to control excessive hair growth for women.

26. Harvesting rhubarb in candlelight helps preserve its flavour.

30. Serving anything more than tea and biscuits at a political meeting is an offence called "treating" and punishable by a year in prison or an unlimited fine, under the the Representation of the People Act 1893.

31. There is mobile phone reception from the summit of Mount Everest.

40. A new three-bedroom house must have at least 38 plug sockets.

46. Peanuts can be made into diamonds.

53. Renowned atheist Professor Richard Dawkins likes singing Christmas carols.

63. Cats can be police constables.

70. IP addresses will run out in 2010.

79. Woodwork lessons are known as "resistant materials" in schools.

87. Relocating crocodiles doesn't work - they come back.

88. Deep-voiced men have more children.

97. There have been at least two children given the name "Superman" in the UK since 1984.

2.1.08

O ano começa com práticas correntes em França onde se queimam carros, práticas que não são inéditas no Quénia onde se queimam pessoas e práticas novas a que teremos de nos habituar. Nada de inesperado nem de bom se augura para 2008.

Por cá, na Costa Oeste da Europa, anda todo o mundo atordoado com o fumo, incluindo o Presidente da ASAE que o afasta de si e teima em o deitar para os nossos olhos. O ímpeto legislativo, politicamente correcto e obrigacionista de mãos dadas com os brandos costumes e hipocrisia.

Sou surpreendida com as várias e sempre inevitáveis entrevistas de rua que os jornais televisivos nos mostram – neste caso entrevistas de café - em que, de repente, nenhum não-fumador se diz incomodado com o fumo. Eu fico feliz por saber que posso almoçar e jantar fora o tempo que quiser sem respirar cinzeiros e fumo nem ficar com a roupa toda a cheirar a tabaco. Só lamento que tenha sido preciso fazer uma lei para que isto aconteça, e para que o ambiente sem fumo seja um dado para um não-fumador. É o mundo que temos.

1.1.08

Tardes de Inverno 6

FRAGONARD, Jean-Honoré (1732-1806)
Jeune fille à la lecture

31.12.07

Quase 2008

Um Bom Ano de 2008 para todos.

30.12.07

Dos Balanços do Ano 2

A omnipresença

De Deus. Ele está em todo o lado, e 2007 não foi excepção. No Kosovo, na entrada da Turquia na UE, nos atentados de Argel, na Birmânia, no Afeganistão, na Rússia, no Sudão, no Médio Oriente. Na intolerância, na radicalização religiosa, na perseguição, na discriminação (sobretudo das mulheres). Nas revoluções dos costumes, no aborto, no casamento dos homossexuais, no divórcio, na contracepção, na inseminação artificial, nas experiências em embriões, nos preservativos. Na política, em Sarkozy na viagem a Roma, no Papa Bento XVI e a sua cruzada constante sobretudo na Europa (à deriva, segundo ele) pela valorização do legado cultural cristão bem como dos valores cristãos numa sociedade (ocidental) cada vez mais materialista e relativista.

De José Sócrates. Ele está em todo o lado, tal a preocupação em zelar pelo nosso interesse, sobretudo onde não deve. Na obesidade que devemos combater, no jogging que não fazemos e que em qualquer lado do mundo ele nos lembra, nos cigarros que fumamos, nas graçolas que dizemos aos colegas de trabalho, no dever de dizer quando sabemos quem não paga imposto, no óleo em que fritam os rissóis que vamos comprar, nas consultas para deixar de fumar, no estímulo à natalidade, nas certidões de habilitações passadas ao Domingo, nos momentos de glória “porreiro, pá!”, na distribuição de computadores pelas escolas nos “momentos Chavez”, no Inglês Técnico do Middle West, na West Coast Of Europe, no Allgarve, nos sapatos Prada, na revolução tecnológica que não percebemos e que tantas vezes simplesmente não funciona. E enfim, ele está presente no governo que nos governa, e na oposição que não temos.

Dos Balanços do Ano


Invejo quem consegue fazer balanços (um de que gostei aqui) dos anos que passam, listas (sempre exaustivas e implacáveis aqui) de coisas boas, más e assim-assim, lembrar os livros, lembrar os filmes, destacar os factos e as figuras internacionais e nacionais. Chegado este período, abro os jornais e fico sempre pasmada com a sucessão de acontecimentos a relembrar que enchem cada ano que passa, porque para mim tudo se perde e mistura na espuma dos dias que passam e das coisas que se fazem e fica apenas uma ténue marca temporal qualquer que o subconsciente se encarrega de produzir, para que, posteriormente e com um pouco de esforço consiga localizar o facto no tempo. Uma questão de sobrevivência intelectual, por assim dizer. De repente, parece que o referendo ao aborto foi “há que tempos”, que o caso Maddie continua “sempre presente”, e que as manifestações na Birmânia foram há uns bons meses, este ano certamente. O mesmo se passa com livros que li, filmes que vi: tudo vago. Lembro dois ou três, e só depois todos os outros vêm lentamente à superfície da memória. Acredito hoje, época de balanço, que a minha vontade de ter um blogue talvez também tivesse como objectivo o de ancorar temporalmente esta sucessão de ideias, opiniões, factos, desabafos, e organizá-los para que não vagueem soltos e sem nexo. Agora, se quiser fazer balanços e listas só me falta mesmo, para além da vontade, da paciência e do tempo, consultar o arquivo do blogue para ver, ou ajudar a lembrar o que foi o “meu” ano.

28.12.07

Combate ao Sedentarismo 46

(Lembrado aqui)

27.12.07

Sendo o BCP um a instituição privada, é com dificuldade que olho para esta situação actual tão promiscua com os partidos políticos do chamado “centrão” a envolverem-se e a opinarem numa luta pela influência e poder pouco dignas de sociedades desenvolvidas e com uma sociedade civil sólida. Questiono a intervenção do Banco de Portugal e da CMVM reunindo accionistas, “avisando”, “sugerindo”, insinuando perigos como sendo detentora de uma qualquer superioridade informativa pouco condigna de mercados transparentes e de regimes em que a separação de poderes é escrupulosamente respeitada. O tom moral é absolutamente insuportável e impensável também nas sociedades com uma economia realmente desenvolvida. Sendo o BCP uma instituição privada não há lugar nem a paternalismos, nem a accionistas atentos e obrigados que acatam avisos, ameaças, e de imediato se colocam numa situação reverencial perante os símbolos do regime. Se há matéria judicial, que se se avancem com inquéritos e processos, (parece que deveriam já ter avançado há muito e que, mais uma vez, se chega tarde), mas lançar suspeitas sobre todos e tudo de um determinado período é facilitismo levado ao absurdo e à irresponsabilidade, numa névoa cinzenta em que tudo em Portugal mergulha, para que mais tarde a culpa possa sempre morrer solteira, como em tantos outros inquéritos e julgamentos.

Entre uma rabanada, um presente que se desembrulha, um cântico de Natal estafado e as luzes do presépio, continua lenta e firme a saga BCP cada vez mais embrulhada e requentada, cada vez mais igual ao país que somos. Ficaram aqui umas notas sobre o que mais choca nos recentes desenvolvimentos da saga e que parecem ser aceites, comentados e dissecados com tanta naturalidade.

24.12.07


FELIZ NATAL

23.12.07

Magnificat 11 (fim)

Gloria Patri, et Filio,
Et Spiritui Sanctu
Sicut erat in principio,
Et nunc, et semper,

Et in saecula saeculorum, Amen

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Tardes de Inverno 5

Pompeo BATONI (1708-1787)
La Vierge de l'Annonciation

22.12.07

Magnificat 10

Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

A propósito do Acordo Ortográfico

Não sinto nenhum tipo de paixão acerca do acordo ortográfico nem sequer curiosidade suficiente que me leve a lê-lo. Considero-o sobretudo um acto político, pois acredito que as línguas não se mudam nem evoluem por decreto ou acordos. E a minha visão é tão simples que raia o simplismo: desde que não me obriguem a escrever “ato” em vez de “acto”, ou a escrever esporte em vez de desporto, eu até digo sim ao acordo que tudo parece permitir porque, em última análise, será irrelevante. As línguas não se mudam no papel, nem sequer porque as elites gostam ou não, no entanto uma vontade de uniformização de critérios de aceitação de diferentes ortografias não me parece condenável. Por duas grandes razões: a primeira decorre de uma verdade de lapaliciana - a de que uma língua é um organismo vivo que evolui sempre, e quem conheça um pouco a sua história, no nosso caso da língua portuguesa, sabe que hoje se escreve e fala diferentemente do que se fazia há cem, duzentos, quinhentos anos, e por aí fora. A segunda razão prende-se com a inevitabilidade da globalização e de uma aproximação com todas as comunidades que falam as várias formas de Português, e com o peso que queremos que o Português tenha a nível mundial que depende essencialmente do peso quer em termos numéricos, quer em termos de influência no mundo, do Brasil e do português do Brasil.

Se olharmos com atenção para o português que falamos hoje notamos, sem esforço nenhum, a enorme influência que o “brasileiro” tem exercido na nossa língua desde que Gabriela Cravo e Canela inaugurou o período de importação de telenovelas e impôs um novo paradigma da língua nas casas portuguesas. De repente começaram a contar-se “estórias”, e ninguém protestou. Hoje quem é que fala na “bicha” de trânsito, ou na “bicha” para comprar bilhetes para o concerto? Era esta a nossa maneira de falar, mas a influência do Brasil, quer através da televisão quer por causa do peso da imigração, obrigou-nos a mudar para um mais prudente “fila” em todas as circunstâncias; o que não falta são exemplos. O mesmo se passa com “cara” que a pouco e pouco vai ficando cada vez mais “rosto” e ninguém protesta. Já ninguém cora ao dizer “amo-te”, algo impensável há duas décadas atrás. “Rapariga” está muito enraizado, mais do que os outros exemplos, mas um dia virá em que quase só teremos moças neste país, e rapariga será vocábulo a evitar. Quando esse dia chegar, acredito que já escreveremos ato, Vitor, batismo, e não teremos escapado aos “k”s e os “x”s que invadirão não só o português, mas tantas outras línguas. A LME (Lei do Menor Esforço) é uma das leis mais poderosas do universo, e a língua é uma das áreas em que ela se manifesta de forma mais notória. Quem quiser olhar para trás, já pode ver como será o futuro.

21.12.07

Magnificat 9

Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

.

O BCP, um espelho do nosso Portugal.

O parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2006 do Tribunal de Contas, um retrato do Estado Português.

Plataforma contra a Obesidade 28

Jan Davidsz. de HEEM (1606-1683/4)
Fruits et riche vaisselle sur une table
(clicar para aumentar)

Mais Pobres

O absurdo em que tantas vezes se converte o quotidiano atinge o seu auge nos dias que antecedem o Natal. O Espírito Natalício nunca o foi, e ao percebê-lo o Natal começa a perder o sentido que sonhamos numa inocência perdida da infância e a ser triturado na espiral de violência urbana em que assenta a nossa vida e no delírio consumista que toma conta do nosso mundo. Este ano, este build up natalício parece-me pior e mais falso ainda do que nos anos anteriores.

Assim lembro: o caos do tráfico, a multiplicação desmesurada de tarefas, solicitações e afazeres, as músicas natalícias que enchem qualquer espaço comercial (este ano também elas me parecem piores, como se isso fosse possível), as intermináveis listas que elaboramos a propósito de tudo o que se possa imaginar, os supermercados absurdamente cheios de coisas que durante o ano nem víamos, o cansaço estampado na cara das pessoas, as luzes que enfeitam as zonas comerciais e a cidade que ou são inexistentes ou são azuis, frias e pindéricas, pateticamente (ver Av. Da Liberdade) patrocinadas por um banco. Mas o que me impressiona mais este ano são as lojas. As lojas que, depois de meses e meses vazias, de repente, encheram e borbulham numa excitação artificial. O facto de o tempo ter estado quente até meados de Novembro também não ajudou, mas que não restem ilusões: os portugueses estão a perder poder de compra, e a empobrecer a olhos vistos, e as lojas que andaram durante meses literalmente vazias, estão agora numa agitação que às vezes lembro um último fôlego, um último suspiro.

20.12.07

Magnificat 8

Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI




Dando Excessivamente sobre o Mar 20

Turner, Joseph Mallord William, 1775 - 1851
The Evening Star
(clicar para aumentar)

19.12.07

Magnificat 7

Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Outros Mundos

Enquanto que em muitos países do mundo em que o secularismo está bem radicado e em que há uma clara separação entre o poder (político, judicial e legislativo) e a religião, se insiste em criticar, condenar e por vezes até ridicularizar qualquer acto ou ritual religioso que envolva um mínimo aparato e visibilidade noutros, como o caso do mundo islâmico hoje, vive-se uma festa religiosa importante, Aïd El-Kebir (no Norte de África, sendo também conhecida como Eid ul Adha). Manda a tradição que, em memória do primeiro profeta cuja submissão a Deus o teria levado a sacrificar o seu filho, cada família sacrifique um carneiro (ou outro animal). Cabe ao pai de família, numa mostra de religiosidade e de masculinidade, degolar o carneiro sob o olhar atento dos familiares, nomeadamente dos seus filhos que terão que aprender a um dia a fazê-lo, e de acordo com um determinado ritual. Quem vive em apartamentos ou casas pequenas fá-lo na rua, que se enche de gente, carneiros ainda vivos, outros já degolados e sangue que em abundância escorre por todo o lado. Nesses países poucas vozes criticam os rituais religiosos e poucos defendem o secularismo do Estado. Outros mundos.

Combate ao Sedentarismo 45

18.12.07

Magnificat 6

Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Tardes de Inverno 4

Petrus-Paulus RUBENS (1577-1640)
Hélène Fourment au carrosse
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Magnificat 5

Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

17.12.07

Promessa Cumprida

Depois de A Bússola Dourada quis ver um filme que não me desiludisse, e aproveitei o facto de não estar exactamente de bom humor (sim, que há certas coisas que não se conseguem fazer tão bem de espírito limpo), e fui ver o filme de David Cronenberg Eastern Promises - traduzido para um indiferente e banal Promessas Perigosas. Não conheço todos os filmes de Cronenberg, mas os que conheço (sobretudo os mais antigos) nunca me desiludiram. Também confesso que a dupla Viggo Mortensen e Naomi Watts não foi indiferente ao apelo que o filme exercia sobre mim.

O filme é tido como um thriller, mas confesso que nunca tive dúvidas nem senti grande suspense, não tanto sobre o desenrolar do enredo nas suas nuances, mas quanto à progressão narrativa e ao padrão dessa progressão, por isso a tensão era razoavelmente constante e o suspense foi substituído pelo incómodo constante, pela violência, por aquilo que nós, espectadores, sabemos que está mal, e nem sequer no final do filme esse sentimento é aliviado. O filme não terá um clímax no sentido clássico de atingir o pico de tensão e de posteriormente a resolver preparando o final, porque a tensão é permanente, com momentos mais ou menos em que a violência, mais do que o suspense é sua catalisadora. A cena mais violenta, e magistralmente feita, filmada e coreografada em que o actor se expõe sem limites numa entrega à câmara de filmar muito pouco comum, dura, segundo dizem, 4 minutos - para mim foi uma eternidade, e eu creio que não consegui ver nem metade: fechei os olhos e depois tapei os ouvidos pois mesmo sem ver, o som era de um grafismo demasiado evidente e arrepiante. Cronenberg é um realizador que põe sempre em evidência, trabalhando e olhando de formas diferentes, a fisicalidade e a plasticidade dos corpos, e no que eles têm de específico e diferente e este filme não é excepção. Viggo Mortensen é simplesmente fabuloso em todos os aspectos: desde o penteado até à forma como apaga o cigarro. Naomi Watts de uma forma menos óbvia mostra também como é uma grande actriz na sua personagem determinada mas frágil, que quer o fazer o que está certo, mas que não é totalmente inocente. Vincent Cassel é também um actor convincente numa história que nunca faz concessões ao fácil ou ao óbvio. Apesar de ter fechado os olhos algumas vezes, senti-me vingada da chatice que foi ter visto dois dias antes um filme enfeitado mas vazio, e foi um prazer ver um bom.

16.12.07

Magnificat 4

Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI


Velas 9

Velas... de fim de semana
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Coisas que se podem fazer ao Domingo 20

Estátua de Nakhthorheb a rezar
Época Baixa, 26ª dinastia, (595-589 AC.)
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Rezar

15.12.07

Magnificat 3

Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Golden Compass

Começou a minha época natalícia de filmes que todos os anos desejo que seja bem curta. Começou mal com um Bússola Dourada que não me convenceu nada e eu até estava predisposta a gostar sobretudo depois da boa experiência que foi de Stardust (como referi aqui).

Os efeitos especiais, naves bizarras, paisagens extraordinárias, metamorfoses e feiticeiros só por si não me convencem. Nem uma Nicole Kidman impecável na sua frieza, me fez fraquejar. O filme (o primeiro de uma trilogia) é pobre sobretudo se o compararmos (coisa inevitável tal a abundância de referências que ele carrega) com a trilogia O Senhor dos Anéis, ou mesmo a saga Harry Potter, e o recente filme As Crónicas de Nárnia. Parece uma manta de pequenos retalhos tirados daqui e dali que fazem uma história sem interesse apesar de nos ser servida com complexidade científica e mágica. Uma bússola, que não passa de um gadjet que não vale nada, e refiro-me ao nível simbólico, uns ursos irrelevantes e pacóvios, uns “maus” que não se sentem nem se sabe bem de onde vêm, e um “bom” (o tio, interpretado por Daniel Craig) que não se percebe bem o que faz, porquê e para quê, e uns alter-egos (os animais) que são talvez a ideia mais original e interessante do filme. Deixo para o fim a personagem principal, a menina esperta de 12 anos que decide, revolta-se, desobedece, luta, incentiva, lidera. É de mais para uma criança, mesmo num filme fantástico para a época natalícia: irritou-me desde o primeiro momento. Assim não se pode gostar do filme.

Ainda semi atordoados com os sucessivos sucessos do nosso Primeiro-ministro, e por isso do nosso Portugal, no palco das cimeiras realizadas nas últimas semanas a um ritmo frenético, deparamo-nos hoje, e sem pausas para respirarmos e retomarmos o fôlego, com o Primeiro-ministro real, dos anúncios de promessas reais e concretas - mas de cumprimento relativo, ao ritmo previamente pensado e estabelecido. Nada deixado ao acaso. Por isso tudo parece querer voltar à normalidade na Costa Ocidental da Europa.

E em época natalícia, nada melhor do que anunciar novas creches.

13.12.07

Magnificat 2

Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Asas 2

Aliás, hélices.
Hoje na zona de Belém onde se assina o Tratado de Lisboa
(Adenda: diz-me um leitor que não são hélices, mas sim rotores.)

Amanhecer 2

Ontem
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12.12.07

O Saco de Plástico

O saco de plástico é, num país ainda novato em matéria de consumismo e depois de décadas a ser educado para poupar, um símbolo de esbanjamento e progresso, bem como uma verdadeira praga da nossa “modernidade”. Portugal não escapa a ele, aliás até deve ser um país que o usa e abusa, assim a meio caminho entre o mundo desenvolvido e “sofisticado” que os evita e prefere o de papel, e um mundo menos desenvolvido mais pobre e por isso menos consumista.

Os sacos de plásticos de supermercado então, são todo um caso a merecer estudo, doutoramento até, tal a sua proliferação e sucesso entre os consumidores. São um objecto feio sem excepção, exibem grandes e desajeitados logos de cores fortes e são, também sem excepção, de uma qualidade que desafia a paciência de qualquer um. Comprar um ananás ou outro qualquer produto que tenha uns ângulos mais pontiagudos ou duros e chegar a casa sem o saco rasgado e os produtos a tombarem é um feito digno de registo. Tenho-lhes tanto horror que inúmeras vezes no supermercado me esforço por encher cada um de uma forma pensada (eu sei, pensar para encher sacos é de uma presunção!) esforçando-me para trazer o menor número possível deles para casa. Esforço esse tantas vezes em vão, pois os funcionários(as) da caixa parecem gostar de os encher pouco e de os dar liberalmente aos clientes num gesto de condescendente generosidade e cumplicidade, numa lógica que me ultrapassa, gastando muitos mais do que eu gastaria. É que eles sabem. Sabem que apesar de feios, e de má qualidade há toda uma cultura enraizada de pegar e levar tantos quanto possível, mesmo novos e sem usar, com o secreto pretexto de os utilizar para o lixo: o segredo mais bem guardado dos lares portugueses. Também nunca se sabe de quando podemos precisar de um saco de plástico, e isto de ser previdente nunca fez mal a ninguém, - as tais décadas a poupar de que falei. É uma imagem triste e confrangedora a do(a) português(a) que leva na mão um saco de supermercado rasgadito aqui e ali, a abarrotar de lixo e mal fechado para o contentor mais próximo de casa. Para o lixo deviam ser utilizados sacos de lixo: é para isso que eles são feitos, é para isso que eles servem. Acabar com a tentação do saco de plástico foleiro do supermercado para o lixo poderia, isso sim, ser uma prioridade nacional.

Mas ouvir o governo falar em impor um custo ao saco de plástico, isso é que não! Não me oponho a que as grandes superfícies cobrem aos clientes os custos de um saco, mas então que seja um saco de dimensões e qualidade razoável, e não estas coisas que eles esbanjam, no entanto sou ferozmente contra a intervenção do Estado e a criação de um novo imposto com a desculpa de uma política ambiental. Basta de interferência, basta de taxas e impostos. O Ikea é um bom exemplo de grande superfície que cobra os sacos que os clientes querem usar e por isso vende-os e eles são de uma razoável qualidade: de papel, grandes e resistentes. A lógica assim pode funcionar, porque o cliente paga, também poupa, porque grandes e resistentes, podem servir para muitos produtos, porque de papel poluem menos do que os de plástico e finalmente... nunca servirão para lixo.

11.12.07

Magnificat

Magnificat anima mea Dominum.

Johann Sebastian Bach e Nikolaus Harnoncourt AQUI

Combate ao Sedentarismo 44

(Grace Kelly and James Stewart got thirty seven kisses in three minutes in the film Rear Window)

Parece que o nosso Primeiro-ministro numa entrevista a um jornal espanhol terá confessado, num premeditado, preparado e ensaiado momento de abertura, descontracção e espontaneidade, que calçava Prada. Se assim é, it's a big mistake, José! Os homens em quem se confia calçam Church’s. Basta clicar para ver a diferença. Quem não entende, que meta explicador.

9.12.07

Gostar de África 3

Jovens leões - África do Sul
(clicar para aumentar)

Gostar de África 2

Mercado, Guiné-Bissau
(imagem daqui)

8.12.07

Gostar de África

Sahara (Argélia)
(clicar para aumentar)

Plataforma contra a Obesidade 27

Henri Matisse
Still Life with Oysters (1940)
(clicar para aumentar)

Pedem-me para nomear cinco filmes, mas talvez porque tenha chegado Quase em Português, fiquei sem perceber bem o critério da nomeação. Os melhores? Os que mais me marcaram (seja lá o que for que isso quer dizer nos diferentes momentos da vida que vamos vivendo), os que vêm primeiro à cabeça, os que vimos mais vezes, os que compramos em DVD, os últimos que vimos, os que..., os que...

Mesmo que faltando critérios de selecção eu, que já gostei de cinema mais do que hoje em que me limito a gostar de ver alguns filmes de forma mais confortável a nível de exigência, não tenho dificuldade em nomear cinco, nem mesmo cinquenta. Assim, nomeio sem ordem nem critério que não seja o “porque sim”:

1. O Meu Vale Era Verde, de John Ford. John Ford é, talvez, o meu cineasta preferido, e poderia nomear qualquer um dos seus filmes, mas este é especial porque “marcou”. Maureen O’Hara está fabulosa.

2. Lawrence da Arábia, de David Lean. Um filme contemplativo que desperta o fascínio pelo deserto, com dois belos actores. Nunca me canso de o ver.

3. A Dama de Xangai, de Orson Welles. Sempre gostei mais deste do que de O Mundo a seus Pés. Magia entre Rita Hayworth e Orson Welles.

4. O Terceiro Homem, de Carol Reed. Dispensa comentário. Uma bela história. A voz de Orson Welles é fabulosa, assim como a cena final.

5. O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme. Um bom thriller com uma dupla de actores que se desafiam. Diálogos bons. Jodie Foster no seu melhor.

Não sei como pude deixar de fora “E tudo o Vento Levou”, e como não nomeei nenhum Hitchcock, mas se começar a pensar vejo que deixei muitos "essenciais" de fora. Passo o desafio ao Menino Mau, ao CAA, ao Eduardo e à Miss Pearls.

7.12.07

Tardes de Inverno 3

FRAGONARD, Jean-Honoré (France, 1732-1806)
La lettre
(clicar para aumentar)

5.12.07

A Cimeira UE-África, ou Porreiro, pá! (bis)

D. Daniel Adwok Bispo auxiliar de Cartum diz não compreendo a decisão da presidência portuguesa da União Europeia. Pois já somos dois se me for perdoada a arrogância de pretender perceber e sentir seja o que for do que se passa em Darfur. Não só não compreendo a criação do tabu direitos humanos, tema a banir da agenda, como não compreendo o porquê da necessidade de realizar uma cimeira UE-África, que parece sobretudo talhada à medida para servir um qualquer "orgulho nacional” assumido por um primeiro ministro vaidoso e que nunca escondeu a vontade de deixar uma marca da sua presidência na história da UE. O tratado de Lisboa e agora a Cimeira. Espero que a UE não pague muito caro o preço desta vaidade.

Não sei o que é que de concreto se pode esperar desta cimeira, nem porque é que ela é necessária, nem tão pouco em que é que as relações entre a Europa e África possam visivelmente melhorar. A vontade da fotografia de grupo é maior do que ter um pingo de decência e vergonha que nos impeça de celebrarmos (a palavra parece adequada, infelizmente) uma cimeira lado a lado com a pior espécie de líderes políticos. O nosso Primeiro-ministro juntamente com Durão Barroso cuja febre africana e “orgulho nacional” o une a José Sócrates na vontade desta cimeira, vão literalmente - e porque cederam à chantagem da imposição de uma agenda e imposição de tabus, apadrinhar toda uma série de regimes políticos bárbaros e corruptos, bem como os seus líderes políticos igualmente bárbaros e corruptos para além de toda uma parafrenália de regimes obscuros, ditatoriais ou democraticamente musculados (como gostam de ser chamados), corruptos e opressivos, nas versões mais “soft” num universo em que a democracia é uma excepção. As vítimas, os africanos sem terra, sem trabalho sem condição de viver enquanto os líderes enriquecem a olho nu, serão mais uma vez esquecidos, entre uns discursos, umas palmadinhas nas costas, um espumantesinho erguido e uns “porreiro, pá!"

O Bispo de Cartum revolta-se porque sente na pele dos seus, também a sua, a barbárie do regime em que vive. Nós revoltamo-nos sobretudo de um ponto de vista intelectual e político. Se fosse um sentir tão visceral como o do Bispo, esta cimeira revoltar-nos-ia muito mais.

Dando Excessivamente sobre o Mar 19, sem mar, mas com rio

Na minha pesquisa para encontrar pinturas para o tema “Dando excessivamente sobre o Mar” agora com um cunho mais invernal e céus texturados, tive inevitavelmente que procurar entre os chamados Românticos Ingleses. Depois de declarar a minha paixão pela pintura flamenga renascentista que tanto glosei há meses, e continuarei certamente com outros pretextos, declaro o meu total fascínio pela escola dos românticos ingleses, eu que já gostava deles da literatura. Constable tem sido uma admirável surpresa, pois era um pintor que antes pouco me dizia. Ter um blogue há-de servir para alguma coisa!

Com o pretexto ambiental e tão politicamente correcto, o governo acabou de inventar mais um imposto. O imposto do saco de plástico. Uma mina de ouro. A peso desmesurado da carga fiscal deste país não terá fim à vista? E nós aceitamos tudo?

4.12.07

Sair de Cena

A acompanhar há meses, ou há anos, com fingido desinteresse, a novela da vida real chamada BCP, deparamo-nos com a figura intrigante de Jardim Gonçalves indissociável da imagem do banco que com tanto sucesso criou e fez crescer. Jardim Gonçalves figura sempre polémica que gerou amores e ódios fez lealdades e inimigos, decidiu destinos, desfez e criou, teve sempre uma qualquer estrela que o talhava como uma personagem de contornos shakespeareanos. Nunca como hoje, em que teimosamente quer continuar colado a um destino que já não é dele, a sua estrela brilha no firmamento da tragédia, mostrando a sua dimensão humana e a sua total fragilidade perante a incapacidade de aceitar e fazer o gesto último e digno: sair de cena.

Dando Excessivamente sobre o Mar 19

John Constable (1776 - 1837)
Weymouth Bay

3.12.07


Creio que escrever neste blogue me fez mais atenta. Reparo e presto atenção a coisas que doutra forma poderiam passar por mim como a areia que passa entre os dedos. Retenho um detalhe aqui, uma frase ali, um livro, um texto, uma música, um filme, uma conversa, uma ideia, uma imagem. Alguns destes pedaços de quotidiano servem, às vezes, de ponto de partida para um texto, uma pintura, um desabafo, outras vezes perdem-se nos dias que passam, nos momentos que não foram ou porque não houve tempo ou porque não houve disposição e oportunidade para escrever. Se há posts que faço que são pensados nos dois minutos que antecedem o publicar, já outros são planeados e outros ainda são procurados olhando com mais intensidade para o que a vida trás. Percebi então, tal o afã em encontrar possíveis futuros posts que não deixem a “folha em branco” por muito tempo, que não há tanta espontaneidade como pensava nem talvez tanta inocência assim – há, no entanto e sempre, a predisposição para olhar o mundo, ver, ouvir, procurar e descobrir. E tantas vezes descobrir o descoberto.

2.12.07

Coisas que se podem fazer ao Domingo 19

Joseph Nollekens 1737-1823
Diana

Fugir
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