holehorror.at.gmail.com
20.11.07
18.11.07
Slow Man 4
When did you last go for a walk under the starry sky? You have lost a leg, I know, and ambulating is no fun; but after a certain age we have all lost a leg, more or less. Your missing leg is just a sign or symbol or symptom, I can never remember which is which, of growing old, old and uninteresting. So what is the point of complaining? Hark!
J. M. Coetzee, Slow Man
17.11.07
Concretizar
O Frio
Gosto das estações do ano: gosto do calor do verão e do frio do inverno. Gosto da natureza que muda com as estações, por isso é com alegria que digo: o tempo mudou, entramos finalmente no tempo frio. Posso largar a roupa de verão que já tinha utilizado em abundância, com todas as cambiantes possíveis e que a minha imaginação permitisse, e posso enfim pôr de lado aquelas a que se chamam meia-estação e que nunca sei muito bem o que fazer com elas porque nunca estão na medida certa: com elas acabamos sempre ou com calor ou com frio; nunca se acerta. Também já sentia falta de nuvens que dessem textura ao céu, ao rio e ao mar e que renovasse a paleta de cores que teimosamente não nos largava desde Julho. O excesso de luz, sol, e céu azul por muito que deslumbrasse já me cansava. E quero chuva para limpar o ar, para o humedecer um pouco.
15.11.07
Slow Man 3
Perhaps it is not requital of love that you are after. Or perhaps your request for love disguises a quest for something quite different. How much love does someone like you need (…) objectively speaking? (…) None. None at all. We do not need love, old people like us. What we need is care: someone to hold our hand now and then when we get trembly (…). Care is not love. Care is a service that any nurse worth her salt can provide, as long as we don’t ask her for more.’
The years go by as quickly as a wink. So enjoy yourself while you are still in the pink. It’s always later than you think.
J. M. Coetzee, Slow Man
14.11.07
PSD Profundo: uma dúvida
Na recente disputa da liderança do PSD alguns dos vocábulos mais usados eram populismo, elitismo, bases do partido e “PSD Profundo”. Dividiu-se o partido em dois campos: o campo que ganhou de Luis Filipe Menezes, populista e do "PSD Profundo", e o campo perdedor de Marques Mendes, que entretanto saiu de cena (e bem) deixando o campo opositor, elitista (e sulista) com outros rostos que nós já conhecemos, entre os quais destaco Rui Rio por ser um clássico opositor de Menezes. Desde que o conceito de “PSD Profundo” faz parte do discurso partidário actual que eu me pergunto exactamente o que é que isso quer dizer. Excluo o PSD “não profundo”, isto é, aquele que é visível aos não PSDs. Hoje segui aqui e aqui uma troca de ideias que originou esta reflexão. Não sou militante de nenhum partido, e se a vida política e o governo do país me interessam, a vida partidária deixa-me razoavelmente indiferente, por isso desde já confesso a minha ignorância sobre ela. Mas como eu, haverá muitos portugueses que na hora de votar, no partido A ou B, não hesitam e que no entanto nunca atravessaram qualquer sede de partido, nunca foram a nenhum comício, nem a qualquer sessão de esclarecimento. Talvez parte da minha ignorância seja decorrente de uma natural desconfiança por “estruturas”, que se formam e que se mantêm para exercício do poder e influência de forma pouco visível e escrutinada. (Este tema poderia ser objecto de um outro texto, quem sabe um dia?).
Assim, eu pergunto-me qual é esse rosto do "PSD Profundo" de que tanto se fala? (poderia ser o PS Profundo, mas como a actualidade aponta na direcção do PSD tomo-o como exemplo). São os cidadãos anónimos e eleitores que nas eleições nacionais dão maiorias governativas – a Cavaco Silva e agora a José Sócrates, e que elegem os Presidentes de Câmaras? São gentes absolutamente desconhecidas desses mesmos eleitores sem partido, que com inicial entusiasmo se dedicaram ao trabalho partidário e à luta política, que sem se darem conta investiram nisso a sua vida e que passados anos trabalham e se esgrimem com afã para manterem a sua influência, ou o que resta dela, e o seu poder no único mundo que conhecem? Presumo que naquilo a que se chama influência e poder local e autárquico. Ou será o “PSD Profundo” uma imagem de um Portugal Profundo? Daquele feito de consumismo, reality shows, fins de semana e pontes de chinelo no pé, marisqueiras, peregrinações e debates sobre Madeleine McCann, que raramente está satisfeito com o que quer que seja, mas que raramente questiona e se questiona, ou é verdadeiramente subversivo (piercings, palavrões são normalidade). Qualquer uma das hipóteses (que por serem por mim colocadas – e por isso susceptíveis de padecerem de preconceito) me parece má, mas eu tento perceber melhor o que poderá ser esse “PSD Profundo” que parece ser tão decisivo e importante para Portugal por determinar os destinos do principal partido da oposição, e não consigo. Por falha e ignorância minha, admito, mas haverá uma outra imagem do “PSD Profundo” que nós, cidadãos e eleitores sem filiação partidária nem participação política activa, desconheçamos?
13.11.07
Slow Man 2
J. M. Coetzee, Slow Man
Slow Man
He is not the first person in the world to suffer an unpleasant accident, not the first old man to find himself in hospital with well-intentioned but ultimately indifferent young people going through the motions of caring for him. A leg gone: what is losing a leg, in the larger perspective? In the larger perspective, losing a leg is no more than a rehearsal for losing everything. Whom is he going to shout at when that day arrives? Whom is he going to blame?
J. M. Coetzee, Slow Man
12.11.07
Puxão de Orelhas
Noto que há uma estranha unanimidade apoiando e concordando com o Papa Bento XVI no seu “puxão de orelhas” aos Bispos Portugueses em Roma na visita Ad Limina. Televisões, jornais, todos noticiam com gáudio mal disfarçado o dito “puxão de orelhas”. De repente parece que o país acorda para a excessiva clericalização da Igreja Portuguesa e depressa se aponta o dedo à hierarquia. Não sou excepção e também o aponto, e aponto em várias outras matérias igualmente relevantes que são sistematicamente esquecidas, mas aponto o dedo sobretudo aos tantos católicos portugueses de todas as faixas da sociedade e de todas as idades, que contribuem para essa excessiva clericalização da Igreja quer pela passividade, quer pela falta de exigência consigo próprios e com o clero. Não dispensam o “Sr. Padre A” ou o “Sr. Padre B” para abençoar qualquer decisão moral que tomem, qualquer evento em que participem, qualquer opção significativa para a vida. A figura do “Sr, Padre”, sem nenhum desmerecimento para os Senhores Padres, é ainda hoje no meio católico (mas não só) excessivamente reverencial, algo distante e tantas vezes incontestada. Dou um exemplo que pode parecer irrelevante, mas que ilustra essa distância entre o “clero” e os leigos: por essa europa fora os católicos tratam os padres com que trabalham e/ou convivem pelos nomes próprios; aqui em Portugal – e creio que não me engano – essa é uma situação raríssima. O Padre trata quer pelo nome próprio quer por tu o católico com quem tem maior proximidade, o caso inverso rarisssimamente se aplica. Só o “Sr Doutor” (o médico especialista note-se) ainda tem em Portugal igual grau de reverencialidade, de autoridade e infalibilidade. Se a Igreja em Portugal tem de ser menos clerical cabe também aos leigos portugueses fazê-la mais “sua” e menos “dos padres”. Cabe também aos leigos exigir mais e melhor qualidade nomeadamente do clero. Provavelmente voltarei a este assunto.
11.11.07
Witness
10.11.07
Apeteceu-me
Depois encontrei esta maravilha que vale a pena espreitar: Arturo Toscanini no youtube.

“Porque não te calas?” (diz o Rei de Espanha a Hugo Chavez) é uma frase que veria de bom grado aplicar-se a um vasto número de personalidades, entre elas políticos, mas não só. Não é um convite a que a pessoa se cale, é uma forma de dizer que já não há pachorra para a ouvir, que nada do que diz é interessante, honesto, íntegro ou de boa fé, faz sentido, ou de alguma forma nos estimula, nos ensina e é útil para a sociedade. As horas que se perdem com palavras inúteis, ocas, ofensivas, políticamente correctas e em discursos redondos em que o orador fala para se ouvir a si próprio e que por fim são inevitavelmente aplaudidas é um dos paradoxos (flagelos) actuais. Cimeiras, Forums, Reuniões, Assembleias em que todos falam muito e muito. Uns nada dizem, outros era melhor que nada dissessem, e só uma minoria é digna de ser ouvida com atenção.
8.11.07
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