“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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31.12.06

BEM-VINDO 2007 !


Um Bom Ano para todos.

30.12.06


Nestes dias de festas, malgré moi, já vi três filmes para crianças: Artur e os Minimeus, Por Água Abaixo, e Charlie e a Fábrica de Chocolate, este último em DVD. O primeiro e o último, ressalvando os aspectos positivos que pouco me dizem mas que reconheço: aspectos gráficos, efeitos, e afins, pouco me interessaram. O do meio, e confesso que fui surpreendida, divertiu-me como nem o Madagáscar e o Shrek tinham conseguido! Nem dei pelo tempo passar. Recomendo...

Manhãs de nevoeiro 2

Saddam Hussein e a Forca 2

Já aqui escrevi que sou contra a pena de morta sejam quais forem as circunstâncias. E sempre me surpreendeu porque é que em questões de pena de morte os europeus e os americanos, (generalizando e cometendo todas as imprecisões que as generalizações obrigam), têm uma sensibilidade e uma posição tão distinta sobre algo que, a mim, parece ser tão claro e tão simples. Qualquer execução me choca e me entristece, mas hoje o que li aqui o Presidente norte-americano, George W. Bush, já fez saber que a execução do ex-Presidente iraquiano é um "marco importante" para a democracia no país, deixou-me ainda mais perturbada e desconfortável, com a sensação de que o mundo é um local cada vez menos seguro.

28.12.06

Leonardo da Vinci
Estudos para Presépio

Um código

Nestes dias de festas tive a minha primeira experiência de “Código Da Vinci”: em forma de filme - um DVD oferecido - por isso é sobre o filme, e não o livro que não li, que me pronuncio. Não fiquei abismada com a superficialidade do filme, nem com o mau desempenho de Hanks, a insignificante presença de Tatou ou o vazio das personagens apesar de embelezadas por pseudo-sofisticados e subtis percursos: espirituais, académicos ou profissionais. Não fiquei espantada com as referências históricas quer factuais quer lendárias quer de personagens, muitas vezes metidas a martelo na narrativa de uma forma arbitrária e sem nexo. Quase nem me irritei com a previsibilidade dos diálogos, a pobreza do que é dito e a ausência de humanidade das personagens. O que realmente me deixou abismada, espantada e profundamente irritada foi a desonestidade intelectual em que tudo: enredo, personagens e tese especulativa, assenta e que paira do primeiro ao último momento do filme. Todas as referências culturais sejam elas quais forem: teológicas, filosóficas, físicas, históricas, factuais ou mitológicas, policiais, e outras merecem tratamento igual e sempre descontextualizado num caldeirão indiscriminado e fervilhante, pronto a espantar a ignorância e a superficialidade dos ocidentais moldados pelas filosofias do marketing e do consumo. Já tenho visto muitas coisas superficiais, banais, mal feitas e de fraca qualidade, e às vezes até tenho gostado... mas este filme pomposo e pretensioso com ar de quem descobriu um código, é demais!

27.12.06

Presépio Copta

26.12.06

Grandes Portugueses 2

Andar pelas ruas da cidade no dia 25 é um desafio às noções mais elementares de civismo e de bom gosto. Espero que com tanta “Formação Cívica” nos currículos escolares este espectáculo desapareça, senão, quem sabe, talvez se crie mais uma entidade reguladora, desta vez de (bom) Comportamento Cívico. Claro que falo do lixo nas ruas que apressadamente os cidadãos põem na rua, mesmo sabendo que não há recolha de lixo, par poderem manter as suas casas limpas e asseadas... E o espectáculo é desolador: primeiro por estar lixo na rua, coisa que em muitas cidades de um outro mundo em que não se anunciam choques ideológicos é proibido dando lugar à aplicação de multa ao infractor, e depois porque esse lixo está invariavelmente mal acomodado num desses ícones moderno idolatrado e indispensável ao cidadão que é o saco de plástico do supermercado. O lixo não está arrumado, embalado e devidamente fechado em sacos de lixo grandes e fortes, não, Nada disso! São dezenas de pequenos sacos tirados às escondidas dos supermercados enquanto se arrumam as compras perante o olhar complacente das meninas das caixas. Uma questão de poupança doméstica. São nesses incontáveis e amontoados sacos pequenos, finos, furados, tantas vezes rotos e invariavelmente mal fechados que o Natal urbano português se esvai sem dignidade nem orgulho. (ver mais aqui)

25.12.06

PERUVIAN NATIVITY CANDLESTICK
This design, known as the Tree of Life, is unique to the highlands of the Ayacucho region of Peru

24.12.06

Feliz Natal

Presépio Mexicano
Pintura

23.12.06

Natal

Presépio em madeira de oliveira
Feito pela comunidade cristã árabe da Palestina

Liberdade Religiosa

Apesar de vagamente anestesiada entre escândalo Apito Dourado na sua versão updated, melhorada e cheia de promessa justiceira e entre compras de Natal, trânsito e inevitáveis excessos próprios desta quadra, não me passam despercebidas as palavras de Bento XVI. A sua clareza e coragem em sair de um discurso vago e redondo que caracteriza tantos dos discursos que hoje políticos e ideólogos adoptam sempre no medo de ferir susceptibilidades ou então no medo de perder votos, são notáveis. Dizer que “o mundo muçulmano deve aceitar os direitos humanos e a liberdade religiosa, tal como a Igreja Católica foi pressionada a fazer no passado”, é algo de inédito. Primeiro porque pressupõe que os direitos humanos são aceitáveis pelo mundo muçulmano e que não o sendo, este mundo muçulmano, ou pelo menos parte dele, ficará à margem, excluídos de uma ordem moral laica e aceite internacionalmente. Segundo porque claramente diz e assume o facto de a Igreja ter sido, no passado, pressionada a fazê-lo referindo-se nomeadamente ao Iluminismo. As questões relacionadas com a liberdade religiosa no mundo muçulmano são demasiado sérias para que o mundo continue em silêncio.

22.12.06

78

Leio que o 78 da STCP vai ser descontinuado em Janeiro. Como portuense que sou, embora hoje já lá não viva, poderia contar a história da minha infância e sobretudo da minha juventude a partir do 78: dos pontos de partida, dos destinos, dos trajectos, dos tempos de espera, dos “trincas”. Eram mesmo assim: verdes e de 2 andares.

Inverno

O tempo

Tenho visto na blogosfera algumas referências ao tempo, nomeadamente à sua passagem (A Lei da Vida) e aos efeitos que essa passagem produz, à contagem e medição e consequências que sentimos na forma como se vivem as 24 horas de cada dia (Perguntas Entre O Espaço e o Ciberespaço, 7) e os sete dias de cada semana. Mas o que eu sei realmente é que é Natal cada vez com mais frequência, que o tempo que medeia o desfazer de uma árvore de Natal e o fazer de outra é cada vez mais curto...

21.12.06

Solstício

Natal à porta


Pai Natal no supermercado, Pai Natal no centro comercial, Pai Natal na rua, Pai Natal na loja e, claro, os inevitáveis a trepar as janelas ou varandas das casas já com um ar velho e gasto coitados - eles foram novidade há quatro ou cinco anos e agora parecem carregar aquele ar de quem já foi. Ou então aquelas músicas que, desde meados de Novembro, ouvimos em qualquer área comercial. Penso como será trabalhar um dia inteiro, dias seguidos e semanas a fio sempre a ouvir o mesmo... O trânsito está insuportável em ruas enfeitadas cheias de luzes, as pessoas apressadas, os embrulhos, laços e fitas, as luzes e as cores não largam o nosso horizonte visual nas lojas e em casa. A maior árvore de Natal da Europa (oh orgulho nacional...) Não há tréguas. O Natal está à porta e já estamos cansados de tanto Natal...

20.12.06

Bom dia!

Já nem se repara

Já aqui escrevi uma vez sobre o facto de considerar que, a par da veia reformista de José Sócrates, ele tem uma vontade de estabelecer uma nova “ordem moral”. Este ímpeto missionário, numa versão moderna e politicamente correcta de uma procura de conversão por parte do povo indígena - enganado e iludido - a essa superior ordem moral está bem latente, quer na forma sua e do seu governo de actuarem, quer nas decisões políticas tomadas quer na forma subtil com que se insinua em áreas que deveriam ser independentes do executivo tentando manipulá-las. Nestes dias, na expressão “nunca, jamais” de António Costa vemos mais uma, neste caso a mais óbvia porque outras haveria, ilustração dessa atitude. Mas andamos todos tão ocupados com o Natal e tantas outras coisas que fazem um quotidiano, que já nem se repara.

18.12.06

No original: Ich küsse ihre Hand Madame - 1912
Music by: Ralph Erwin, Lyrics by: Fritz Rotter

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