“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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13.10.09

A Palavra Mais-valia

Não percebo porque é que as conclusões deste estudo não foram divulgadas antas das eleições... Eles não dão tréguas: a máquina fiscal já começa a querer encontrar novas formas de tributação sob a capa da simplificação, paridade, justiça social etc. Temos que esperar para ver. No entanto o capítulo em que se refere à tributação das mais-valias em bolsa chamou-me a atenção. O investimento privado em Portugal já é tão pouco significativo que este agravamento proposto é certamente uma maneira de evitar a sua expansão e de diminuir a liquidez de um mercado de capitais pequeno. Depois há que notar este parágrafo,

“A generosidade fiscal que, entre nós, existe relativamente às mais-valias obtidas na alienação de valores mobiliários – em particular das acções – é frequentemente considerada fonte de manifesta injustiça fiscal”, refere o relatório. “A nosso ver (...), a perda de receita e a redução da equidade parecem-nos bem mais importantes do que um suposto factor de apoio ao mercado de capitais. Em países como a Espanha ou o Reino Unido, para citar apenas dois exemplos, tributam-se estes ganhos e não é por isso que o seu mercado de capitais se ressente”,

para ver a estupidez do estudo, e até onde vai o proselitismo socialista de boas intenções e de preocupações sociais. Quando e como é que é possível comparar o nosso mercado de capitais com o do Reino Unido (o maior da Europa e um dos maiores do mundo) ou mesmo o espanhol? Tributar ainda mais as mais valias obtidas no nosso mercado de capitais é penalizar e sufocar o investimento e a iniciativa privada essenciais para a criação de riqueza e desenvolvimento do país. A esquerda sempre se deu mal com a palavra “mais-valia”, e esse é um problema de fundo que, entre outros claro, impede que países como o nosso tenha uma economia desenvolvida.
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4.6.09

Vejam só: fizeram o mesmo ao meu dinheiro! Se Manuel Pinho assim o determina, quem sou eu para o contradizer? Então parece que só nos resta esperar tranquilamente os dividendos que receberemos deste, e de todos os outros negócios altamente rentáveis que em nosso nome e para nosso bem o Estado fez nestes últimos tempos. Ficaremos ricos em breve.

Ah, estes bloggers dotados de bom humor matinal...
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3.12.08

Capitalismo

(Enviado por mail)

13.10.08


Vi ontem o regresso dos Gatos Fedorentos À SIC. Soube-me como sabe comer à Segunda-feira os restos ressequidos do Cozido do Domingo, e só me lembrava do velho provérbio que diz que nunca se deve regressar ao lugar onde se foi feliz. Mas a tentação...


Os mercados asiáticos não abriram em baixa. E só me lembrava da velha frase “I should have known better” do que fazer destes (e dos outros) prognósticos. Mas o cepticismo é também uma tentação. Veremos como corre o dia.

8.10.08

Instrumentos Financeiros e Liberdade

Mais um dia conturbado nos mercados financeiros a confirmar a globalidade da crise económica de que todos falamos. Os tempos de crise são tempos complexos, são duros e difíceis para muitos pois trazem perda e privação, para outros trazem depuração, mas para tantos trazem de volta velhos medos e preconceitos muito europeus e pelo menos desde o séc. XIX, tingidos de “esquerda”. Não falta quem declare a morte do capitalismo (as if...) e secretamente rejubile com esta crise que mais parece ter sido feita à medida para dar crédito às antigas, intelectuais e ideológicas desconfianças para com o capitalismo. No banco dos réus sentam-se os gananciosos, os especuladores, o capital, o mercado e os suspeitíssimos instrumentos financeiros. Neste momento é interessante ver o valor que se dão às palavras, como o peso da tradição as marca e como conceitos simples do tipo “ganhar dinheiro”, para uns é “criar riqueza” e para outros é “ganância”. Há hoje uma profunda dissonância na forma de olhar a crise e poderíamos deter-nos longamente nos meandros semânticos que fazem o discurso sobre a crise.

Os instrumentos financeiros são um dos bodes expiatórios apontados a dedo, é-lhes atribuída poderes maléficos, grande culpa pelo descalabro do capitalismo e há até quem declare a sua morte (pelo menos a morte daqueles mais complexos, menos compreensíveis e que por isso tanta desconfiança suscitam pelos poderes ocultos que detêm). Ora os instrumentos financeiros são uma das mais eficazes e simples expressões da liberdade individual e de uma sociedade e assim o têm sido ao longo dos tempos. Liberdade de comprar, liberdade de vender. Por muito sofisticados e abstractos que eles sejam- e às vezes, são-no, são sempre instrumentos da liberdade pois é livremente que alguém os compra ou os vende. Expressam uma vontade de resolver um sem número de situações normais (no sentido lato que envolve um julgamento assim como estatístico) como cobrir riscos, dar opções, precaver o futuro, alargar hipóteses, trocar riqueza, emprestar dinheiro, etc. É pena que o discurso normal sobre eles seja hermético e iniciático, pois essa dimensão confere opacidade e desconfiança a estes instrumentos de “troca”. Se olharmos para a História vemos que as civilizações mais dinâmicas e avançadas foram sempre as que estabeleceram “trocas”, e os instrumentos financeiros poderiam ser rudimentares e não precisarem de complexas fórmulas, mas existiam na mesma, através da palavra, promessa. Desde sempre se comprou hoje o que só existirá amanhã e desde sempre se vendeu o que (ainda) não se tem. Desde sempre que se pede dinheiro emprestado, se empresta e se cobram juros. Desde sempre que se vendem favores e se cobram favores, nomeadamente para cobrir o risco. As civilizações ditas ricas em tantas manifestações nomeadamente na arte são sociedades de mercado – de “trocas”, são sociedades mercantis, A Itália do Renascimento ou a Grécia Antiga, só para citar exemplos óbvios. Não há democracia sem essa liberdade de trocar bens, dinheiro e outros instrumentos financeiros. O contrário pode ser verdade, mas a democracia para florescer precisa de meios para com liberdade criar riqueza (ou ganhar dinheiro, ou se ser ganancioso). Para que haja essa liberdade o Estado não pode controlar todo o sistema de “troca”, se é o Estado que o controla perde-se a liberdade, o engenho. Por isso, os instrumentos financeiros não morrerão e provavelmente muitos novos surgirão depois desta crise anunciada e esperada. O capitalismo está bom e recomenda-se.

26.9.08

Caça às Bruxas



Se há algo que considero sinistro é qualquer espécie de caça às bruxas, sejam as bruxas quem forem: bruxas propriamente ditas, pessoas com deficiências que desequilibrem a “normalidade”, pessoas de outras etnias ou raças que tentem trazer o desconhecido para perto de nós, de outras opiniões, etc, etc. A discriminação é uma ideia, é algo do domínio da racionalidade (ou da falta dela) e parece algo que se discute, que se critica. Já a caça às bruxas, apesar dos pretextos sempre “justos” e explicáveis toma dimensões sobretudo viscerais. Caçaram-se ao longo dos tempos as seguintes bruxas: católicos, judeus, protestantes, mulheres de sensibilidade “diferente”, pretos, índios, comunistas, fascistas, colaboracionistas, muçulmanos e tantos mais... Hoje, a caça às bruxas é mais sofisticada, mais metonímica, por exemplo, tomando-se os produtos pelas pessoas, mas faz sempre apelo às vísceras.

Só assim se pode explicar uma capa como a de hoje do jornal Público: de um produto chinês, uma bebida de leite a fazer “la une”. Só assim se pode explicar que hoje de manhã na rádio a notícia sensação tenham sido os caramelos chineses nas lojas chineses que escapam ao controle da AESE, essa grande ameaça à saúde pública europeia. Alguém, no seu perfeito juízo acredita em tal coisa? Hoje os caramelos chineses, iogurtes e bebidas lácteas – eufemismo para “os chineses”, são alvo de caça às bruxas. Ich bin ein Chinesisch Karamell!

25.9.08

Da Periferia da Periferia

José Sócrates ainda parece mais postiço, e ainda parece mais um elaborado produto de um complicado programa inovador e cheio de tecnologia de fazer políticos, quando fala da crise económica e dos mercados financeiros. Nas poucas frases que ouvi na televisão há pouco saltam à vista (ouvido) e surpreendem (ou não) o uso de banalidades e demagogias que um primeiro-ministro informado não deveria sequer pensar em dizer; frases do género (cito de cor): “A ganância que preside a atitudes mais especuladoras", ou ”É inacreditável o que se está a passar” (referindo-se à crise financeira Norte Americana), ou “A Europa vai pagar a crise” (Norte Americana, claro) e “vai pagar a ausência de escrúpulos e a falta de regulamentação dos especuladores Norte Americanos”. O que me parece inacreditável é que um primeiro-ministro use a palavra “especulador” como qualquer militante comunista ou como um sindicalista radical usariam, como se fosse a encarnação de um espectro de forças negras, fantasmagóricas e maléficas da ganância capitalista. Isso não é um especulador. Exige-se um pouco mais de um primeiro-ministro.

José Sócrates, e tantos europeus, parecem esquecer-se que, fosse a Europa uma grande potência económica e financeira, a crise Norte Americana não nos afectaria tanto. A Europa é cada vez menos uma potência relevante no xadrez internacional e essa realidade é que custa aceitar, bem como custa ser lúcido em relação ao porquê da perda cada vez maior de influência da Europa.

Estas declarações de José Sócrates não só mostram, mais uma vez, o político superficial de chavões que ele é e a sedução que a propaganda exerce sobre ele, como mostram a dependência deste nosso país periférico numa Europa cada vez mais periférica. Tomara ela (Europa) ter uma pequena fracção da vitalidade norte-americana, mesmo em momentos de crise.

15.9.08


Não deixa de impressionar ver este pequeno vídeo, mas há algo que salta logo aos olhos: a diferença abissal entre Portugal, e diria até a Europa Continental, e os Estados Unidos e Grã-Bretanha onde se vive numa economia muito menos intervencionistas. Estas imagens de empregados de colarinho branco a saírem às centenas dos bancos nos EUA e na Grã-Bretanha, com caixas com objectos pessoais seriam – arrisco a dizer – impossíveis no nosso país, e isso não é necessariamente uma coisa boa. Já há quem classifique esta segunda-feira como um dos dias mais negras nas finanças americanas (ver também este vídeo da BBC) que promete não acabar por aqui.

29.4.08

Crise Alimentar

Há qualquer coisa de realmente perverso na ideia de uma crise alimentar, na possibilidade que se desenha de escassez de alimentos face às constantes subidas de preços dos cereais nos mercados de mercadorias, e das subidas de preço previsíveis para os supermercados. Há décadas que se diz que há comida para todos no mundo, nós (o mundo ocidental, claro) é que não queremos ou sabemos distribui-la. Que o que se produz é mais do que suficiente para alimentar a população mundial. Falou-se de um excesso de produção de leite e houve um tempo de montanhas de manteiga que a então CEE impedia de circular, bem como subsídios para que agricultores deixassem de produzir. Não percebo nada. Toda uma vida a fazerem-me acreditar, e a tentarem dar-me má consciência, que o problema da alimentação era um problema de distribuição e má vontade das nações “ricas” bem como dos efeitos dos malévolos agentes económicos. Afinal parece que andei a ser enganada, a questão da escassez coloca-se afinal.

16.1.08

O melhor resumo de tudo o que tem sido sobre a novela BCP é dado simples e inequivocamente pelas reacções do mercado, mais do que pelos votos dos accionistas, por vontades políticas de consensos ou fiscalizações das entidades reguladoras. (Não aprendem). Próxima OPA à vista? Ver aqui.

3.3.07

Temos o que merecemos

Não era preciso tanto espalhafato, nem perder tanto tempo e gastar tantos recursos para afinal o Estado e seus tentáculos dizerem o que todos sabíamos, mas que alguns tanto gostariam de estar enganados: em Portugal não há mercado, não há cultura de mercado e há medo dum mercado a funcionar.

Ver mais aqui e aqui

2.3.07

Blindagem

A questão não é se se devem ou não desblindar e como, em que condições ou para que fins. A questão é que nunca deveriam ter sido blindados.

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