“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com
Mostrar mensagens com a etiqueta Europa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Europa. Mostrar todas as mensagens

23.5.09

Da Natureza das "Coisas"

A ler José Pacheco Pereira no Público de hoje sobre o “falso” debate sobre a Europa, e do adormecimento perante o unanimismo.

(...) Todo este dinheiro atirado para cima de "acções de esclarecimento" nada tem de inocente. Contribui e muito para reforçar um falso debate, viciado à partida por ter um só lado. E um meio comunicacional já muito dependente de um aparente "consenso" europeu, que aliás reflecte o "consenso" político, ainda se torna mais pobre quando é manipulado por estas actividades. Na verdade, elas não são muito diferentes nos seus resultados, nas suas técnicas de "massagem do ego" (...) Não se trata de venialidade, mas de manipulação, e da moleza que vem da proximidade, do contacto, do grupismo, e, no fundo, da vaidade de se ter sido convidado e da vontade de responder à amabilidade do convidante. É um contrato invisível, mas é um contrato.

A propósito desta moleza não deixo de reparar como, de repente e bem visível no blogue Papa Myzena, os Passoscoelhistas se converteram (adaptaram, reconciliaram, querem lugares no parlamento, assessorias, nas consultorias, é mais uma questão de significado do que de significante....) ao mainstream do partido depois de todas as críticas e ataques a Manuela Ferreira Leite pelo que ela é, pelo que representa, pela forma de comunicar, pela forma de manter-se em silêncio quando nada tinha a dizer, pelas “gaffes” que tanto notaram, ridicularizaram e tanta visibilidade lhes deram, e pela escolha de Paulo Rangel para cabeça de lista às europeias. Eu sei que em tempo de guerra não se limpam armas, mas há algo que é difícil ignorar: por muito que o partido seja o mesmo e o sentido do voto seja o mesmo, a natureza das coisas não o é: isto é, as pessoas não o são. Passos Coelho (tal como José Sócrates) é de diferente natureza de Manuela Ferreira Leite. Mas parece que isso agora, já não conta.

2.11.08

Obama

Porque não sou cidadã norte americana, e porque não sou espectadora atenta, não me sinto à vontade para me pronunciar sobre estas eleições nem os seus candidatos, nem tão pouco sobre as propostas eleitorais de cada um. No entanto com um olho mais ou menos aberto vou seguindo ao longe a disputa eleitoral. Simpatizava com a candidatura de Hillary Clinton, desconhecia McCain e desconfiava da retórica escorreita e da lisura de Obama. Continuo a sentir que desconheço McCain e a desconfiar da fluidez de Obama e da eficácia com que colou o seu slogan “change” (o que é isso mesmo?) a todos, dentro e fora dos EUA. Dizem as sondagens que Obama está claramente à frente e que será o futuro presidente dos Estados Unidos.

Se assim for, e independentemente de Obama himself, não deixo de ficar comovida com a ideia de um presidente de cor nos EUA. Eu sei que ele é de uma cor “diferente” da cor negra dos Afro-Americanos descendentes de escravos, eu sei que ele tem feições “caucasianas” e um percurso de “branco”, também sei que a cor não deveria ser importante, mas mais forte do que todas essas certezas é a de que um homem de cor na presidência dos EUA é algo de extraordinariamente revelador da forma como a América tem sabido integrar os seus imigrantes e de como eles têm sido ao longo dos tempos e ainda são, parte estruturante do seu tecido social. É também a ilustração fiel de que tudo é possível nesse “american way of life”. Esta sim é uma lição para o mundo e para uma Europa arrogante onde se tolera tanto a diferença em belos discursos ideológicos cheios de culpa e complacência, mas onde a mentalidade é tão pouco propícia a uma eficaz integração e aceitação da diferença.


25.9.08

Da Periferia da Periferia

José Sócrates ainda parece mais postiço, e ainda parece mais um elaborado produto de um complicado programa inovador e cheio de tecnologia de fazer políticos, quando fala da crise económica e dos mercados financeiros. Nas poucas frases que ouvi na televisão há pouco saltam à vista (ouvido) e surpreendem (ou não) o uso de banalidades e demagogias que um primeiro-ministro informado não deveria sequer pensar em dizer; frases do género (cito de cor): “A ganância que preside a atitudes mais especuladoras", ou ”É inacreditável o que se está a passar” (referindo-se à crise financeira Norte Americana), ou “A Europa vai pagar a crise” (Norte Americana, claro) e “vai pagar a ausência de escrúpulos e a falta de regulamentação dos especuladores Norte Americanos”. O que me parece inacreditável é que um primeiro-ministro use a palavra “especulador” como qualquer militante comunista ou como um sindicalista radical usariam, como se fosse a encarnação de um espectro de forças negras, fantasmagóricas e maléficas da ganância capitalista. Isso não é um especulador. Exige-se um pouco mais de um primeiro-ministro.

José Sócrates, e tantos europeus, parecem esquecer-se que, fosse a Europa uma grande potência económica e financeira, a crise Norte Americana não nos afectaria tanto. A Europa é cada vez menos uma potência relevante no xadrez internacional e essa realidade é que custa aceitar, bem como custa ser lúcido em relação ao porquê da perda cada vez maior de influência da Europa.

Estas declarações de José Sócrates não só mostram, mais uma vez, o político superficial de chavões que ele é e a sedução que a propaganda exerce sobre ele, como mostram a dependência deste nosso país periférico numa Europa cada vez mais periférica. Tomara ela (Europa) ter uma pequena fracção da vitalidade norte-americana, mesmo em momentos de crise.


Embargo total a produtos vindos da China” (ouvido num noticiário televisivo) Pela frase nota-se o prazer de “cá” de finalmente ter um pretexto sólido para proibir algo que venha da China conspurcar o mercado europeu. Note-se, no entanto, que este “total” que dá o pathos à frase refere-se apenas aos produtos lácteos (mais de 15% na sua composição) e que apresentem um potencial perigo para as crianças. É certamente uma medida necessária, mas o velho proteccionismo espreitou nos interstícios retóricos.
----

Oh não! Hoje entregam-se computadores aos polícias. Amanhã aos taxistas com GPS incluído? E quem mais estará na lista, agora que percebo que existe uma lista?

6.7.07

Uma ideia da Europa 17

A máquina fotográfica, a fotografia, os postais ilustrados, as imagens, o cinema.

15.6.07

Uma ideia da Europa 16

Marx e Engels. O Manifesto Comunista. A Revolução Industrial e o proletariado. A luta de classes. O Marxismo. O Comunismo.

6.6.07

Uma ideia da Europa 15

Alice no País das Maravilhas, O Gato das Botas, A Gata Borralheira, A Bela Adormecida, Branca de Neve e os Sete Anões, o Polegarzinho, Capuchinho Vermelho. Era uma vez... Perrault, Irmãos Grimm, Hans Christian Anderson. A literatura infantil. As princesas belas e de bom coração e os príncipes encantados que as salvam. Os lobos maus. Mitologias, lendas, sonhos e psicanálise.

25.5.07

Uma ideia da Europa 14

Futebol, Ténis, Rugby. Desporto. Mens sana in corpore sano. Jogos Olímpicos. Competição e fair-play. Amadorismo.

17.5.07

Uma ideia da Europa 13

Sorbet, gelados. Casas do gelo. Férias de verão, calor. Sonhos de evasão.

9.5.07

Uma ideia da Europa 12

Titian, Rapto da Europa

A Europa. As nações. A identidade, a pertença. A ideia, a vontade política, a união. A Comunidade Europeia. A livre circulação de pessoas e de bens. O Euro. A incerteza do futuro. A riqueza de ser europeu.

E mais uma vez, a pintura. A mitologia, as lendas, os deuses, os humanos.

4.5.07

Uma ideia da Europa 11

Creme Nivea, simplicidade e eficiência alemã num creme para todos. Investigação, laboratórios. Cosmética, requinte, promessas e sonhos. Perfumes e sinfonias de cheiros. Design e tradição.

1.5.07

Uma ideia da Europa 10

Rudolf Nureyev, Bolchoi, Ballet. Ópera. Espectáculo, noites de gala, salas cheias e "encores". Festivais e Ciclos. Público.

19.4.07

Uma ideia da Europa 9

Macarrons, patisseries, viennoiseries, croissants, éclairs e jesuitas. Bombons e chocolates. Bolos, gâteaux e cakes. Bolos de aniversário, bolos de noiva. Confeitarias, pastelarias cafés e bistrots. Esplanadas aquecidas no inverno. Esplanadas nos fins de dia de verão. As conversas que se começam. Os cigarros que se apagam.

13.4.07

Uma ideia da Europa 8

Sócrates, Platão e Aristóteles. Decartes, Kant e Hegel. A filosofia. Santo Agostinho, S. Tomás de Aquino. A teologia. A oratória, a retórica. A ideologia. O pensamento. A escultura, clássica e moderna.

24.3.07

Uma ideia da Europa 6

Jan van der Heyden, 1637-1712
(vale a pena clicar para ver melhor)

A Pintura. A Flandres. O mar, os portos, o comércio, a burguesia. O protestantismo, o catolicismo, o judaismo.

19.3.07

Uma ideia da Europa 5

O pão, o tomate e o presunto. As coisas simples, o prazer, o calor, a siesta, os amigos, a mesa, o vinho. O campo.

15.3.07

Uma ideia de Europa 4

Madame Bovary, os grandes romances do séc. XIX, as línguas europeias, a Literatura, a Literatura, a Literatura.

12.3.07

Uma ideia de Europa 3

Ferrari Testarossa. O Design, a criatividade, o estilo, a marca, a tradição, o supérfulo.

10.3.07

Uma ideia de Europa 2

A Catedral de Lincoln, em Inglaterra. A Idade Média. A Magna Carta. O Gótico. Os Cânticos Gregorianos. A reforma. Church of England.

Gostei de A Questão Europeia aqui.

Acerca de mim

temposevontades(at)gmail.com