“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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10.2.08

O Projectista 2

As fotografias dos projectos assinados por José Sócrates e que ele assumiu como seus, foram como um balde de água fria que se despejou por cima do ambicioso militante do PS, ex-Ministro do Ambiente preocupado com o planeamento, e agora Primeiro-ministro regulador, liso, que faz jogging, que cita nomes sonantes a torto e a direito, faz férias cosmopolitas, evita o colesterol e que calça sapato Prada. E foi um balde de água fria por cima de todos nós que nos preocupamos com estética, preservação do património e vemos nos azulejos exteriores, nas varandas ampliadas, nos acrescentos descaracterizados e nos telheiros fora de contexto modelos de mau gosto, desordem, terceiro-mundismo e símbolos tão presentes e visíveis de um Portugal pouco educado e culto que não evolui e não se desenvolve. Ninguém fica indiferente perante a banalidade e a ausência de qualquer preocupação estética quando olha para os resultados destes pequenos projectos, e a perplexidade é muita, sobretudo porque tão dissonante do seu posterior percurso político traçado a tinta da china com régua e esquadro, para que nada saia do lugar, e os seus antecedentes familiares (o pai de JS é arquitecto) que não deixavam prever a sua assinatura em tais calamidades estéticas.

Hoje e perante o nosso Primeiro-ministro, como é que nos podemos impedir de olhar com olhos de ver e de analisar o seu percurso técnico e académico? Como é que é possível não tirarmos conclusões? Conhecemos os resultados dos seus projectos, lemos o seu exame de Inglês Técnico, sabemos dos seus exames ao Domingo, enfim, confrontamo-nos com improbabilidades, coincidências e erros que escondem, tudo leva a crer, mentiras e provavelmente ilegalidades. O desconforto perante a pessoa de José Sócrates é grande, e para além de uma questão de carácter é também uma questão política. Num percurso onde vale tudo, sem rumo que não a ambição e a concretização, caótico e dissonante, como podemos hoje olhar para o Plano Tecnológico sem rir ou para o Simplex com confiança? Como podemos enquanto eleitores e cidadãos assistir aos saltos de dúvida em dúvida perante os grandes investimentos sem perplexidade ou acreditar na seriedade e bondade das políticas reformistas ou mesmo perceber o rumo que é traçado para o país? Os “casos Sócrates” I (académico) e II (técnico) não são fait divers, não são intromissões sem importância num passado longínquo de duendes maus e de fadas boas. O percurso passado do nosso PM enquanto militante de um partido político onde se fez politicamente interessa, é revelador de um carácter e de um estilo. Eu não gosto.

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