“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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5.2.10

Sabe Eduardo, o problema é que há sempre quem teime em não perceber, nem em querer perceber, a grande diferença que é, por um lado, ser um (o) accionista principal (dono) de uma empresa privada e despedir seja quem for, ou mesmo ser director dessa empresa e não gostar nem aprovar o trabalho que alguém produziu, e por outro, ser um político que tenta influenciar, pressionar, abusar do seu poder e planear para conseguir algo em seu benefício em empresas privadas das quais não é nem accionista, nem executivo. Isto só para falar em abstracto. Os casos dos últimos meses na comunicação social mostram que quando o Primeiro-ministro não gosta, (coisa que, em circunstâncias normais em democracia, seria só azar dele) há afastamentos e despedimentos.

27.5.09

Da Maledicência

José Sócrates, de cada vez que fala da “maledicência” e a confunde com crítica, naquele seu habitual discurso em que mistura conceitos e exorciza o pessimismo e a crítica que não combatem a crise nem resolvem problema algum, prova uma vez atrás da outra que nada percebe sobre a democracia, nem sequer de um ponto de vista teórico.


16.12.08

Mário Soares e a Roleta Russa

Confesso que tenho pouca paciência para com Mário Soares. Creio que todos nós portugueses já lhe pagamos com complacência, indulgência e tolerância suficientes tudo o que lhe devemos pelo seu papel na consolidação da democracia em Portugal. Já há muito que o saldo não está a seu favor, mas a nosso, tal como o resultado da sua candidatura presidencial o demonstrou. Já ninguém lhe deve nada porque as contas já há muito que estão saldadas. Só ele parece não perceber isto. Lê-lo (aqui no DN de hoje) é muitas vezes penoso, mas quando escreve sobre economia é um verdadeiro atentado contra a integridade intelectual de qualquer um. Para além de utilizar uma linguagem de café que dispensávamos, mistura tudo: conceitos, ideias, demagogia, slogans, frases feitas esquerdizantes, e expressões tipo : “na roleta russa das economias de casino” num pot-pourri de lugares comuns.

Para Mário Soares, uma economia de mercado é uma economia de casino e as desvalorizações bolsistas são roletas russas. O que choca nesta frase, para além da ignorância, é insinuação de negócio ilícito, escuro, lucros chorudos para uma máfia ilícita e a exploração de pobres inocentes. Nada mais errado. Nos países ocidentais, pelo menos, o negócio de Casinos, apesar de lucrativo (senão ninguém o quereria fazer) é extremamente regulado, taxado e cheio de contrapartidas e é por isso uma mau exemplo de economia de mercado que se quer mais fluída e menos regulada. Além de tudo o mais só vai ao casino quem quer: nenhum estado obriga os cidadãos a jogarem e a exporem-se. Não conheço, do ponto de vista estatístico, os padrões de incidências da roleta russa, acredito por isso que sejam algo diferentes dos padrões (estatísticos, também) de subida/descida dos índices bolsistas, mas uma coisa é certa, tanto há imprevisibilidade na roleta russa como num investimento bolsista ou dito de outra forma, tão previsível é uma bala que acabará por ser disparada, como um índice bolsista que acabará um dia por descer.

A visão de Mário Soares é a de um esquerdista que desconfia do mercado e que acha que as crises financeiras são complots dos ricos (os multimilionários que engordam) contra os pobres que acabam sempre por pagar a crise. Diferente é a visão de quem acredita no funcionamento do mercado, e que é a de que os mercados se ajustam e corrigem eles próprios os seus excessos. MS também não quer que “os Estados desviam(em) milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas”, os que acreditam no funcionamento do mercado também não porque sabem que numa economia de mercado as instituições ou empresas que não são viáveis e eficientes acabam por desaparecer, processo importante para regenerar e limpar a própria economia. Se estamos de acordo na crítica ao desvio de fundos para os bancos, não o estamos pelas razões porque ele não deve ser feito, nem na forma como nos relacionamos com a crise e o mercado.

Estamos também de acordo, na importância pelo cumprimento da Lei numa democracia: se há quem viole a Lei por ter permitido transacções e investimentos ilícitos, por ter mentido aos accionistas ou enganado-os deliberadamente bem como aos clientes, deverá ser punido porque em democracia quem viola a Lei deve responder por isso. Simples.

12.5.08

Votar ou não votar no PSD, eis a questão.

Manuela Ferreira Leite fez mal em explicar-se. Um dos pilares da democracia assenta no voto secreto, e um dos pilares da liberdade individual é, no nosso silêncio e solidão, podermos votar sem ter que dizer, explicar ou justificar em quem ou porquê, e esta premissa é válida para todo e qualquer cidadão incluindo os militantes partidários, os líderes dos partidos que foram, são ou hão-de ser.

Honestamente não percebo porque é que o “obviamente não respondo de MFL” causou tanta indignação, nem tão pouco percebo porque é que ela tem sido tão criticada, por tantos sectores, todos eles amantes de valores como a liberdade, liberalismo, individualismo e outras palavras da mesma área semântica. Em nome de quê, é que ela, ou outro qualquer cidadão tem que revelar o seu voto. Será que não se reconhece a MFL o direito de votar como quer, como a sua consciencia dita, como a sua razão recomenda, como o seu ímpeto condiciona? Não terá ela, ou outro qualquer cidadão o direito de, pertencendo a um partido, votar noutro porque isto, porque aquilo ou simplesmente porque sim? Não é isso uma face da liberdade individual que todos os dias reclamamos a propósito de tudo e de nada? Porque é que tem ela, mesmo pertencendo a um partido político, repito, que revelar ou explicar o que deveria ser uma opção individual e secreta? Ou será que a liberdade tem condições pesos e medidas diferentes conforme os casos?

22.4.08

Bento XVI nos EUA, 2

Dos Direitos Humanos

A apologia dos valores culturais do mundo ocidental nunca deixam de estar presentes nas diferentes intervenções do Papa o que também aconteceu nesta sua viagem aos EUA. Na ONU ele abordou a questão dos direitos humanos da sua importância para a paz e ousou apelar a uma universalidade no reconhecimento dos mesmos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) adoptada pelas Nações Unidas após os tantos abusos decorrentes da Segunda Guerra Mundial, nunca teve um carácter vinculativo e tem tido ao longo dos tempos os seus opositores mais ou menos silenciosos e continua ainda hoje a ser um tema que condiciona tantas vezes a agenda diplomática e política internacionais e, mais importante, condiciona a vida de milhões e milhões de seres humanos que são vítimas de abusos. Apelar à universalidade dos direitos, é insistir na profissão de fé na cultura humanista predominante no mundo cultural judaico-cristão e desafiar e impelir de forma clara a organização que os reconheceu e declarou a uma maior exigência dos seus membros no respeito pelos direitos humanos.

Também no encontro com os jovens e lembrando a sua juventude durante o regime nazi, Bento XVI falou da necessidade de prezar a liberdade, democracia e respeito pelos direitos humanos que os jovens hoje, em contraste com a sua juventude, gozam nos EUA e nas democracias ocidentais. E mais uma vez, o Papa foi mais longe alertando contra os perigos do multiculturalismo e do relativismo moral. Se a referência ao relativismo moral é um tópico caro a Bento XVI, já a referência aos perigos do multiculturalismo é ousada porque mais incómoda dado que nos meios mais tolerantes se tende a uma posição algo passiva, que prefere tantas vezes fechar os olhos para não ter que se confrontar com problemas como o desrespeito pela democracia, liberdade de expressão, igualdade entre sexos e o abuso da violência. Alertando para os perigos do multiculturalismo Bento XVI questiona a “bondade” de todas as tradições e culturas que se confrontam (não necessariamente no sentido bélico) hoje e tão de perto com a nossa.

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