“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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14.4.10

Filipe Nunes Vicente escreveu hoje este post de leitura obrigatória. É, no entanto um texto escrito “de fora” e não “de dentro” (da Igeja Católica, claro). Nota-se, entre outras coisas que decorrem da leitura, num aspecto mais formal: o modo como FNV nomeia o Papa (uma escolha nada inocente): Ratzinger e não Bento XVI. Nota-se também em duas ou três afirmações que, apesar de fazerem sentido no contexto de uma leitura mais atenta do texto, podem ser consideradas imprecisas ou polémicas. A mais óbvia é o facto de afirmar que João Paulo II foi “Papa inofensivo”, afirmação sobre a qual não me detenho, mas a principal para mim, porque pode ser geradora de um “mal-entendido” numa leitura mais rápida do texto, é a de que Ratzinger tem desprezo “pela liberdade como valor universal”. FNV teve o cuidado de não dizer só “liberdade”, mas sim "liberdade como valor universal".

S. Paulo, por exemplo, fala muito na liberdade na Epístola aos Gálatas “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gal. 5, 1), ou “Irmãos, de facto foi apara a liberdade que fostes chamados” (Gal. 5, 13) e enfatiza a importância da liberdade no cristianismo. De acordo com o Catecismo da Igreja, Cristo ressuscitado libertou-nos do pecado para que sejamos livres. Deus quer-nos livres, e porque somos livres podemos escolher entre o bem e o mal. Faria algum sentido o perdão de Deus (expresso através do sacramento da confissão) sem liberdade? A liberdade é-nos dada por Deus e ela torna-nos responsáveis. O Papa não despreza a liberdade.

Parece-me por isso importante não confundir a liberdade que nos é dada por Deus, da “liberdade universal” que o Papa despreza, de acordo com FNV. Quando era nova lembro-me de me explicarem que a liberdade andava sempre de mãos dadas com a responsabilidade, coisa que impedia um alívio mais imediato que vem associado à ideia de uma liberdade como uma mera possibilidade de escolher e optar. Ora escolhe-se e opta-se em função dos valores sociais dominantes que, esses sim, serão objecto de desprezo por parte do Papa Bento XVI. Presumo que seja a este desprezo que FNV se refere.


Resumindo os ditos valores: a cultura da experimentação, a tentação equalizadora, o politicamente aceitável, a soberba intelectual (o dito aparelho universitário), as ideias estreitas, banais e fáceis, o folclore e o excesso de ruído comunicacional (o aparelho mediático). Eu acrescentaria o imediatismo, o facilitismo, a aparência, o sucesso.

7.3.10

Há uma cena magistral (a melhor) no filme “An Education. (Atenção, spoiler). Penso na cena da revelação em que Jenny, percebendo-se enganada e traída, pede a David enfática, mas dignamente, para que ele não a obrigue a ter de dizer a verdade aos seus (dela) pai e pois ele deve-lhe, a si e a eles, a verdade da sua (dele) boca. Dá-lhe dois minutos e sem contemplações ela sai do carro e entra em casa de cabeça erguida com a maquilhagem dos olhos desfeita pelas lágrimas. Ele fica no carro, espera, bebe um golo, espera. Ela espera, os seus pais esperam. Finalmente ela ouve o carro dele a arrancar e partir. Ela fica só perante o olhar aturdido dos pais. Senti logo que só uma mulher poderia ter concebido e feito uma cena destas carregada de significado ou significados, bem como de história de história. Lembrei-me desta cena depois de ter lido este texto de Teresa Ribeiro em que fala actual presença das mulheres a fazer cinema.


3.3.10

Lady Chatterley

Diz-se aqui, a propósito do aniversário (octogésimo) da morte de D. H. Lawrence (a Serpente Emplumada, por exemplo, marcou a minha forma de ver e sentir o México) que "de qualquer modo, lady Chatterley, hoje, está no poder". Que ela está, está. Mas se é no poder eu já não sei - pensei com os meus botões ontem, logo depois de ler o post. Lembrei até a violência doméstica e no que ela “dá” em poder a todas as lady Chatterleys que eventualmente estejam ou sejam cada mulher. O Francisco José Viegas é um optimista, ou melhor, um ficcionista.

Ainda ontem, mas ao fim do dia, enchi o tanque do carro na Galp e paguei mostrando o meu cartão “Fast Woman” (um nome que poderia ser, neste nosso mundo acelerado, um ersatz de Lady Chatterley). Tenho destes cartões que esqueço de converter em bens - que muitas vezes não preciso, por isso ainda bem – e que até hoje só serviram (o da BP, não o da Galp) para comprar bilhetes para o Rock in Rio, (onde nunca fui, note-se). Voltando ao pagamento: perguntaram-se se queria comprar um chocolate que dava pontos extra para o cartão. Não obrigada. Ofereceram-me o jornal i, sim obrigada; e o senhor da caixa perguntou-me se queria a Happy. Não obrigada. Mas é oferta, insistiu. Oferta? Sim, para as senhoras que gastem acima de um determinado montante. Embora cabendo nas duas categorias, recusei novamente porque sei como é a Happy, sei que mesmo que a abra não a lerei, e tenho pouca vontade de trazer tralha para casa. Mas esta é a última e a senhora vai gostar, insistiu o senhor da caixa enquanto me passava a Happy para as mãos.


Cheguei a casa e olhei para a capa. Entre outros assuntos a abordar no interior da revista, são anunciados estes dois interessantes temas: “SEXO: Inquérito revela o que elas querem” e ao lado, “QUER SER INFIEL? Site propõe-se a arranjar-lhe um amante”. Pensei novamente na lady Chatterley de Francisco José Viegas e na ilusão de que ela, hoje, está no poder. Não está, a realidade é outra: tem muitas vezes mais a ver com trabalho árduo e pensões alimentares para filhos que nunca são pagas a horas, quando o são. Não se deixe enganar pelas Happys e Cosmopolitans que se publicam e que enchem de ideias chatterleyanas raparigas e mulheres da cidade e do subúrbio.


Duas Visitas Diárias (ou quase), Duas Referências

Comecei a ler o Blasfémias quando ele surgiu e lembro-me de como gostava de ler opiniões avisadas, mas com alguma frescura e irreverência que vinha da aparente (pois não sabia sequer quem eram os autores do blogue nem nunca tinha ouvido falar deles) ausência de peias ao “sistema”, sobre a omnipresença e o excessivo peso do Estado na nossa economia e sobre o intransigente respeito pela liberdade individual. O blogue cheirava a Norte (norte do país, claro) e mostrava uma face oriunda das velhas tradições liberais da cidade Invicta. Hoje, os seus colaboradores são já quase “estrelas”, alguns até já estão no comentário político “oficial” dos meios de comunicação tradicionais. As adesões mais tardias, quase todas sulistas e de pessoas com curriculum, quer noutros blogues (jcd), quer na política (Paulo Morais), quer no jornalismo (Helena Matos e José Manuel Fernandes), têm contribuído para a enorme visibilidade e crescente influência do Blasfémias. Por esse ar fresco opinativo e por essa irreverência está de parabéns o Blasfémias.

O Insurgente, que comecei também a ler quando surgiu, facilitando a minha tarefa de visitar diferentes blogues "liberais", e cuja visão de uma economia mais livre e autónoma do estado vinha também de encontro à minha, é um blogue sólido, uma âncora do pensamento liberal blogosférico, onde se respira um ar sobretudo académico. Não fogem à polémica, e usam muitas vezes como armas, para além dos seus sólidos e pensados argumentos, referências (que podem ser mesmo excertos de textos) a autores que influenciem o seu pensamento ou estudo, a bem de uma política económica mais liberal. Parabéns pelos cinco anos que completaram.


28.2.10

O Estado a Que Isto Chegou retratado aqui.

Ora vejam só: que topete achar que Rangel é um predestinado a mudar o país, porque sim, e Passos que consideram igual a Sócrates, porque sim, também Porque será? Ainda por cima desprezam a política e votam todos PSD ou CDS. Que malandros estes amigos.

5.2.10

Sabe Eduardo, o problema é que há sempre quem teime em não perceber, nem em querer perceber, a grande diferença que é, por um lado, ser um (o) accionista principal (dono) de uma empresa privada e despedir seja quem for, ou mesmo ser director dessa empresa e não gostar nem aprovar o trabalho que alguém produziu, e por outro, ser um político que tenta influenciar, pressionar, abusar do seu poder e planear para conseguir algo em seu benefício em empresas privadas das quais não é nem accionista, nem executivo. Isto só para falar em abstracto. Os casos dos últimos meses na comunicação social mostram que quando o Primeiro-ministro não gosta, (coisa que, em circunstâncias normais em democracia, seria só azar dele) há afastamentos e despedimentos.

31.1.10

Dos Blogues

A curiosidade aqui expressa sobre o modo de funcionamento dos blogues colectivos é a que eu também nutro há muito. Aliás já aqui confessei várias vezes a minha preferência, em abstracto, por blogues individuais, ou pelo menos por aqueles que, sendo colectivos, deixam transparecer de maneira inequívoca a individualidade, a forma e o tom de cada um dos elementos. Eu também nunca percebi como funcionam os blogues com dezenas de colaboradores nem como se organizam e gerem, nomeadamente nos exemplos dados neste post e já vi/li demasiadas dissidências para acreditar que “tudo” se faz “naturalmente”. As estruturas informais (palavras de Miguel Castelo Branco) parecem-me facilmente permeáveis a mal-entendidos, equívocos e susceptibilidades várias, que se vão acumulando e que não sei como são contornadas e/ou resolvidas. Às vezes não são, como já todos nós (bloggers) testemunhámos, e a dissidência pode tomar contornos bem pouco discretos. Mas não é só o modo de funcionamento dos blogues colectivos que me deixa perplexa no mundo dos blogues, colectivos ou não. Há outros aspectos:

As caixas de comentários.
Há-as para todos os gostos e feitios. Confesso que visito pouco caixas de comentários, pois rarissimamente vi nelas alguma discussão que merecesse, e fosse linear, ser seguida. Há no entanto diferenças significativas entre as caixas de comentários dos diferentes blogues. Umas são as que considero laudatórias: sobretudo usadas por outros membros do blogue e alguns fieis leitores desse mesmo blogue cuja função principal é louvarem-se mutuamente usando ao infinito expressões e formas várias de dizer “ai que giro!”, “gostei muito”, “obrigado por” ou “bom post”. Neste casos lemos facilmente uma ou duas dúzias de comentários que nada dizem a não ser estas banalidades: às vezes até me pergunto se não haverá uma política concertada de louvor para aumentar as audiências do blogue, uma vez que parto do pressuposto que quem escreve em blogues é suficientemente autónomo e “crescidinho”, e não precisa propriamente de ser incentivado ou acarinhado paternalisticamente.

Outro tipo de caixa de comentário são as abusivo-insultuosas. Estas geram grandes dezenas (às vezes ultrapassam a centena) de comentários e são sobretudo, mas não exclusivamente, frequentadas por aquilo a que chamaria de anónimos “puros e duros”. Insultam quem escreve o post, treslêem o que está lá explícito e constroem todo um pressuposto implícito impossível de ver a olho nu, e que muitas vezes é mostra de pura má fé. Postam um comentário a seguir ao outro, a um ritmo que atordoa e intriga. Este exercício, de gosto duvidoso e propósito nulo, de liberdade – que é como lhe chamam - rima pouco com responsabilização e é absolutamente dispensável a não ser que, neste caso também, as audiências fomentadas por estes verdadeiros ninhos de vespas sejam elas, mais do que a discussão livre, o objectivo. Há ainda outros tipos de caixas de comentários, por exemplo aquelas cheias de “private jokes” entre comentadores ou/e elementos do blogue que, podem ter graça para quem as faz, mas interessa pouco a quem as lê. E finalmente há as caixas bizarro-conspirativas: comentadores estranhos vindos não se sabe de onde que enchem as caixas de links para sites estranhos pejados de conspiração: muito cheias de névoa.

As listas de links.
As barras laterais das listas de links são outro dos elementos dos blogues que parecem ter vida e códigos próprios. Nem sempre os entendo. Por exemplo, nunca percebi porque, ao fim de dois ou três anos e sem que nada se tenha modificado nas opções, no estilo ou no tom do blogue em causa, se exclui um blogue da lista de links. Como quem tem um blogue faz o que quer e bem lhe apetece do dito, esta estranheza minha é realmente só isso: pura estranheza. As listas de links são também elas propícias a gerar “links de cortesia” de outros blogues incrementando assim as audiências de ambos, e dando visibilidade ao tráfico que conseguem gerar. Ao contrario das caixas de comentários que visito pouco, eu uso muito as listas de links dos outros blogues e já sei que blogues têm os links para este o aquele outro blogue que gosto de visitar, por isso noto qualquer alteração.

As audiências.
Sempre presentes como quem mede o tamanho disto ou daquilo. É justo. Um dos interessantes objectivos – tantas vezes claramente enunciado – de vários blogues da esquerda à direita é conseguirem ultrapassar as audiências do Abrupto que, por sinal, é um blogue individual. Tal fixação leva-me a concluir que se toda a balança tem o seu fiel, todo o blogue tem o seu Abrupto.

4.1.10

Percebi agora porque é que não me apetece ver Avatar. Trata-se de um aparatoso filme de entretenimento, com quase três horas de efeitos 3D que deixam qualquer espectador exausto, com o sentido da visão momentaneamente perturbado, (mas feliz por isso). (Em A Terceira Noite, e os parentesis são meus de forma a não modificar o sentido geral do texto). Eu não quero ficar exausta e dificilmente ficaria feliz estando-o depois de três horas de efeitos 3D que deixam o sentido da visao perturbado. Para mim dez minutos de "efeitos especiais" já me deixam cansada e enfadada. Imagine-se três horas de "efeitos 3D" que requerem óculos e tudo. Parece que há matérias em que sou uma real conservadora mas, quem sabe, talvez mude de opinião quando sair o DVD e eu puder ver o filme em casa em pequenas porções.

Ao contrário de Avatar, já Rosebud me entusiasma. (Basta olhar para os nomes). Eduardo Pitta, agora a solo no Da Literatura que completou recentemente cinco anos de existência, dá-me razões para querer ler Rosebud de Pierre Assouline, um “escrutinador de almas", que procura o Rosebud de cada biografado.


Cortex Frontal, a nova casa de José Medeiros Ferreira e um novo blogue a seguir.

Este fim/início de ano blogosférico mais parece o período de transferências e de compras e vendas do mundo do futebol.


João Gonçalves, no seu melhor estilo cáustico, diz-nos onde foram parar os ex-“Corta-Fitas”. Impossível não rir.

10.12.09

(...) Estamos todos, aliás (de passagem). É pena que a maior parte das pessoas morra sem perceber esta trivialidade.
Aqui
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25.11.09

Para que não se perca o sentido das proporções e a noção das coisas. E como se usa dizer: não poderia ter sido melhor dito. Aqui.
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24.11.09

Francisco José Viegas diz tudo neste post (e links). Só não percebi essa subtileza política que é a palavra “confronto”. Parece-me, (comme d’habitude), bom trabalho concertado: um alisa o terreno (ainda iremos ver os indispensáveis e modernos truques de comunicação e marketing político, inventando palavras, anunciando, contornando promessas e instituindo inverdades) para o outro depois poder passar com a carroça. Nós, ao vê-los passar, seremos obrigados a atirar uma ainda maior quantidade das nossas moedas de ouro para que a carroça se encha cada vez mais e eles possam “redistribuir” toda a nossa riqueza conforme decidirem.

Nada que surpreenda. Manuela Ferreira Leite, que olhava para o país sem fantasia nem delírio, parece que tinha um discurso “pela negativa” e desajustado, assim o povo, os comentadores e demais politólogos decretaram e assim se votou com nojo de tanto negativismo e “bota-abaixismo”. Agora que não se queixem do optimismo.

2.11.09

Ainda estou sem perceber de que posts mais gostei nestas últimas semanas, particularmente inspiradas, digo eu, dA Natureza do Mal. Se deste, ou deste, ou deste, ou deste, ou de um dos outros.
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A propósito de editorias de jornais – ou outras publicações - serem ou não assinados, Eduardo Pitta lembra aqui alguns casos de publicações estrangeiras nomeadamente o Economist em que os editoriais não são assinados. No entanto esquecece de referir que a linha editorial do Economist, (e de tantas outras publicações sobretudo anglo-saxónicas) é “crystal clear”: liberdade, liberdade individual, direito de escolha, mercado aberto livre e concorrencial, impostos reduzidos, e que o Economist, onde também não existem artigos assinados, toma sempre uma posição, também ela “crystal clear” e devidamente explicada e justificada em momentos que considere relevantes: eleições no Reino Unido ou nos EUA, para dar exemplos políticos. Não existem “estados de alma” editoriais, mas opções claras sem a conversa de chacha que o editorial do Público ontem nos impingiu e que fala em coisas vagas e que servem tudo e todos de acordo com a necessidade do momento. Senão que é que é isso de “queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos”?
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19.10.09

Com a Verdade me Enganas

Com o sarcasmo a que já nos habituou, João Miranda põe o dedo na ferida. Imprensa e blogues vivem intensamente o dia de amanhã do PSD e esquecem o país hoje. É um exercício interessante ver na blogosfera o que dizem e escrevem, hoje, alguns dos que no período eleitoral se conotavam com a actual liderança do PSD e faziam campanha política nomeadamente em blogues como o Jamais. Depois dos inevitáveis e normais balanços e análises sobre os resultados eleitorais e sobre o modo como decorreram as campanhas, pararam de fazer oposição a José Sócrates e pararam de denunciar o seu modo de actuação bem como o do seu, ainda em funções, governo, pois estão sobretudo preocupados em encontrarem uma posição no tabuleiro de xadrez que é para eles o PSD numa corrida à nova liderança iniciada pela comunicação social e por eles próprios.

Em tempos de cantos de sereias e de tentações, nada melhor do que alguma estabilidade e solidez para que o tempo (esse grande fazedor) dê, sem precipitações nem ansiedades o sinal de partida. Mas não: esperar, ser perseverante e paciente são conceitos pouco interessantes sobretudo para alimentar uma comunicação social ligeira e feita de casos e intrigas. Manuela Ferreira Leite que parece não se querer (e bem, no meu ponto de vista) recandidatar à liderança em Maio (ou seja quando for), tem toda a legitimidade para dar o tom de oposição que quer que o PSD seja, e que os eleitores escolheram (eu assim escolhi) e quem confiou nela em Setembro, deveria confiar nela agora. Ela não mudou, mesmo que resultados eleitorais não tenham sido aqueles que os militantes e adeptos do PSD esperariam e desejariam. Mas tanto impulso autofágico é assustador para quem olha de fora. Agora é tempo de oposição a José Sócrates. Dias virão para um tempo de maior instabilidade interna no PSD até se encontrar um novo líder.
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17.10.09

Fiquei admirada por concordar tão facilmente com esta conclusão do Pedro Correia “José Sócrates não tem nada a temer desta oposição”, num breve texto sobre o PSD no Corta-Fitas, mas depois vi o texto de Tiago Geraldo no 31 da Armada que deu origem a tal conclusão, e percebo que afinal só concordamos na conclusão e que divergimos radicalmente nos pressupostos. É por causa de comportamentos como os de Passos Coelho, que não consegue não se pôr em bicos de pés dia sim dia sim, apesar da actual líder do PSD se manter legitimamente em funções, dos restantes PSDs se manterem entretidos e distraidos a olhar para o seu umbigo, e da comunicação social não fazer outra coisa que não seja também olhar para o PSD de todos os ângulos possíveis salivando e especulando sem peias, que José Sócrates não está a ter a oposição que deveria nesta semana em que o tom do seu próximo estilo de governação foi claramente dado: uma encenada e falsa abertura ao diálogo, chantagismo, demagogia a rodos, e a dose certa (para as alturas certas) de vitimização, pois eu sou tão dialogante e os outros líderes tão pouco operantes. É ele, José Sócrates que tem de procurar e encontrar soluções de estabilidade governativa. Por muito que lhe custe, por muito que o não queira esse ónus é seu, foi-lhe dado pelo voto.
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21.9.09

Caro Gabriel Silva, trata-se de uma dessas afirmações que não dizem nada. O que interessa é saber se é melhor que vença o PS ou que vença o PSD, mesmo que não mereça (este "mereça" é todo um programa). Enquanto se espera a perfeição ou El Rei D. Sebastião o país vai-se afundando cada vez mais em dívida e a liberdade vai encolhendo até se revelar mais um conceito de plástico. Agora é escolher.
(Em comentário ao post do Blasfémias)


17.9.09

Erros Políticos e Casos Mediáticos

No Delito de Opinião, Pedro Correia faz um exercício em que enuncia os dez maiores erros de Manuela Ferreira Leite e os dez maiores erros de José Sócrates, mas eu creio que tal exercício se revela faccioso uma vez que coloca os supostos erros de MFL ao mesmo nível dos erros de JS. Isso não é, nem pode ser visto assim. José Sócrates, para o bem e para o mal, (muito mais para o mal do que para o bem, na minha opinião) é o Primeiro-ministro do país e compete-lhe governar e tem que ser responsabilizado pelo resultado da sua governação. Os erros que Pedro Correia lhe aponta e cujo enunciado não discordo em termos genéricos (embora faltem alguns importantes como a sua complicada relação com a verdade) são por vezes abordados de uma forma mais superficial e casual (TVI e Público) não expondo, por exemplo, a sua política de controle (cartão do cidadão, chip do carro), possíveis escutas, controle da RTP e influência nítida noutros órgãos de informação, pressões sobre a justiça; nem expondo a sua política de anúncios e medidas diários e encenações coreografadas, a abundância legislativa de qualidade duvidosa, entre outros casos. São omissões que me parecem importantes, pois definem um estilo de política e uma forma de ser político.

Manuela Ferreira Leite, não tem, nem pode ter, o mesmo curriculum de “erros”, eles não têm o mesmo peso e resultado dos erros de JS. Não são comparáveis sequer e listá-los como iguais parece-me uma forma de distorcer a realidade e absolver a responsabilidade de José Sócrates enquanto Primeiro-ministro. MFL apresenta-se como alternativa a Sócrates. Os seus erros listados por Pedro Correia, e com os quais não concordo (com excepção do erro nº 3, e parcialmente com o nº8), não são erros políticos, nem de política com excepção do caso nº2, que é uma opção da líder. Ao contrário dos erros de José Sócrates - estes são "casos", presunções e ilações tiradas por comentadores e opinadores, e não factos políticos. Nem sequer são enunciados erros sobre as políticas propostas no programa de governo, ou falhas - específicas -do mesmo. Só se apontam “casos” em vez de políticas. Confundir, num óbvio lapso IRC com IRS não pode ser encarado como um erro político, só um preconceito contra MFL pode explicar que se olhe para esse lapso como um erro e que possa ser comparado com os erros de José Sócrates.

Eu sei que a comunicação social se ocupa mais dos “casos” do que da política, e vive dos “casos”, para os quais tem sempre apontado um microfone e virada uma câmara, e que são mais mediáticos e fáceis e menos incómodos e "difíceis" do que a política. Assim, e nas televisões, rádios e jornais vemos sucederem-se “casos” uns atrás dos outros. Todos parecem querer esquecer o que realmente está em causa, como diz João Gonçalves, e que o que vamos julgar é o governo de José Sócrates, olhando para o país e vendo que está pior hoje do que há quatro anos atrás. O voto vai sobretudo dizer se queremos mais do mesmo. Como se costuma dizer, em democracia são sobretudo os governos que perdem, e não as oposições que ganham. Por isso, e por muito que a comunicação social queira com a sua intolerância, impaciência e má fé face a MFL, não são as suas supostas (ou não) gaffes, lapsos, comentários menos felizes, casos (alegados ou não) ou até um raciocino imediatamente toldado por uma sintaxe incompreensível, mas que deu luta e teve graça, sem tentar ser engraçada, na entrevista dos Gatos Fedorentos, que vão a votos. José Sócrates e o que ele fez em quatro anos de governo é que sim.
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6.8.09

Índice de Situacionismo (*)

Afinal todas as críticas feitas aos “Índices de Situacionismo” acusando-os de serem baseados em ficcionais teorias conspirativas e/ou em pura má-fé, inveja e em mais-não-sei-quê, conhecem hoje um grande revés com o situacionismo a vir finalmente para a luz do dia e de mão dada com José Sócrates, como convém e o dito "índice" denunciava. Filipa Martins a ex-mandatária de Pedro Passos Coelho na sua candidatura a líder do PSD, que perdeu para Manuela Ferreira Leite, escreve apartir de amanhã no Blogue de Esquerda da Sábado (via). Mais elucidativo do que este gesto é difícil.

(*) Título e conceito, por demais conhecidos, daqui
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