“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberdade. Mostrar todas as mensagens

14.3.10

O quê?

Depois admirem-se. José Sócrates deve estar com dificuldade em conter o riso, e com razão. Foi para isto que se fez um congresso? Eu realmente não entendo a vida partidária, mas esta do PSD passa os limites da racionalidade e da razoabilidade.

Manuela Ferreira Leite, e todos os que denunciaram a asfixia democrática (não é, Paulo Rangel?) que se foi impondo na sociedade por influência directa do governo de José Sócrates, devem estar ou siderados ou anormalmente dissonantes. Santana Lopes, mais uma vez, numa “simpática” jogada política, levou a água ao seu moínho, numa altura de campanha interna em que os candidatos evitam grandes polémicas. Mas, pergunto-me, que género de gente é esta (os delegados ao congresso) que votam maioritariamente tais aberrações democráticas? São assim tão facilmente manipulados? E porque é que fico (eu e outros, com certeza) com a sensação que esta proposta de PSL, com o cheiro do rancor, visa um ajuste de contas com José Pacheco Pereira?

9.2.10

Assis diz que Paulo Rangel passou para um estado de verdadeiro delírio. Outro que não resiste à fácil (e nada nova) tentação de acusar a oposição de estar louca ou ensandecida. Tão fim dos tempos. Tão declínio à vista. E sobretudo tão irracional (pouco razoável). De Assis esperava melhor, (esperava mesmo?). Paulo Rangel tem toda a liberdade de fazer as intervenções que achar por bem fazer: não são indignas e mostram que Portugal tem outras vozes que não a de José Sócrates. Ainda bem que Rangel falou.

O Quê?

Ouvi no Primeiro Jornal da SIC que os promotores da manifestação de 5ª feira Todos pela Liberdade pedem que os manifestantes se vistam de branco. O quê? Vestir de branco? Para quê? Ninguém explicou e justificou esse estranho pedido e por muitas voltas que dê à cabeça, juro que não entendo, nem a motivação para tal pedido nem o possível simbolismo deste branco. Deve ser algo de muito rebuscado.

Este é um caso típico de decisão folclórica e absolutamente dispensável e desnecessária, (mas certamente tomada com entusiasmo), que irá afectar a eficácia e a seriedade de uma iniciativa por muito mérito que tenha. Também é preciso manter os pés na terra, e do ponto de vista prático, pergunto-me qual a disponibilidade de quem trabalha (é um dia de semana) e em pleno Inverno se vestir de branco, para uma manifestação à hora do almoço.

Dito isto. Assinei a petição e aplaudo a iniciativa cujo mérito está em abordar uma das mais importantes questões na forma como vivemos a nossa democracia: a independência, ou falta dela, dos diferentes grupos de comunicação social face ao governo e que invariavelmente afecta e condiciona a liberdade, ou não, de expressão, nomeadamente a que se manifesta e ganha corpo quer através da livre expressão de opiniões pessoais, quer a livre decisão sobre linhas editoriais nos diferentes meios de comunicação social. Poderia também falar, por exemplo, da forma como o Estado dá publicidade aos diferentes meios de comunicação social, condicionando assim também a liberdade de expressão.




4.8.09

Um Admirável Mundo Novo 2

Querer impor uma total igualdade entre candidatos, que só existe na ficção e que a democracia não reconhece, querer impor um limite à liberdade de opinião, que a democracia não tem, parece ser o caminho traçado por esta entidade reguladoras tão cara ao governo socialista de José Sócrates, que lhe tem dado um relevo e um poder ímpar. Regular, controlar, formatar e conter a comunicação social e o fluxo de notícias e comentários que a alimenta. Igualar com quotas de opinião os partidos ou movimentos, independentemente da expressão representativa de cada um. De facto faltava, um passo só, entretanto dado, para que a ERC interferisse no comentário político desvirtuando o carácter pessoal, individual e único de cada comentador que se converte num mero símbolo ou código acéfalo de um colectivo político e às vezes ideológico, como se fossem meras partes de um todo. Não sei o que será mais interessante e mais saudável para uma democracia: se o comentário de alguém cujos interesses e filiações partidárias são sobejamente conhecidos, e sobejamente reconhecidos nos seus próprios comentários; se a opinião aparente e superficialmente independente de profissionais do comentário que também eles se intitulam de independente, jornalistas, politólogos e outros teóricos da política e da comunicação. Como se essa independência existisse, ou como se fosse mais meritória do que a não-independência. Numa democracia tem de haver lugar para todos.

Neste novo modelo preconizado pela ERC os comentadores deixam de ser vistos como seres humanos únicos, com as suas idiossincrasias, contradições, fobias, indignações, lutas, ódios ou paixões, com a sua retórica própria, o seu humor ou falta dele, e passam a ser vistas meramente como um estereotipo representativo de um partido, de uma organização ou movimento preenchendo uma quota correspondente à organização em causa. As pessoas passam a ser fungíveis, de valor igual: José Pacheco Pereira será igual a Marcelo Rebelo de Sousa; António Costa igual a João Soares, e Lobo Xavier igual a Maria José Nogueira Pinto, para não dar exemplos mais caricatos que facilmente se encontrariam. Esbate-se assim a primazia do indivíduo sobre o colectivo, noção tão cara ao socialismo. Estamos perante o “Admirável Mundo Novo” do comentário político onde – pretensamente - a isenção existe em quem não se “filia” em partido nenhum, ou em quem não se candidata a nada (como se isso fosse possível) nem representa nenhum interesse (seja lá o que isso for, se é que alguma vez o pode ser), a não ser que preencha a respectiva “quota”. De resto sobra a linguagem do “politoliguês”. Que forma tão básica e tão perigosa de ver o mundo.
.

3.8.09

Um Admirável Mundo Novo

Estes são os tempos dos politólogos. Nos últimos anos reproduzem-se com um dinamismo peculiar e a pouco e pouco vão tomando conta de comentário político nas televisões, e outros meios de comunicação. Fazem-nos crer representar um assepticismo pretensamente livre de bactérias partidárias, de vírus corporativos, e não contaminados pelo regime que, no entanto, lhes assenta como uma luva e lhes dá sustento. Falam de alto de uma qualquer cátedra da nossa academia, e comportam-se como se estivessem ”de fora” desse mundo conspurcado que analisam e comentam, assim como quem analisa os comportamentos das abelhas, não fosse aquela luz de cepticismo de quem “já percebeu tudo” e de quem já percebeu “como tudo vai acabar”. Falam de uma realidade que tentam afastar de si, como se nada dentro dessa realidade os movesse ou interessasse, como se nós acreditássemos, e como se isso fosse possível neste pequeno jardim que é Portugal onde todos os interesses se cruzam interligam e traficam. Usam uma linguagem pretensamente académica e normalmente são desprovidos de interesse, de alma e de paixão. Ouvi-los é, para mim, um tédio absoluto e uma irritação.

Parece que este é o caminho que a plastificação da sociedade, que organismos diferentes como a ASEA, ou a ERC, tentam implementar (numa directiva polémica), onde se inclui também a plastificação do comentário político. Na carta que Estrela Serrano escreveu para o Abrupto, ela dá-nos uma antevisão desse mundo de plástico regido por quotas e igualdades impostas artificialmente. Toda a carta é merecedora de atenção e comentário, mas detenho-me numa frase que é exemplar, pois ilustra uma “forma de estar“ que vive da administração, da legislação e da regulação impondo formas pouco naturais (contra-natura), para uma democracia e em sociedades que prezam o indivíduo e a liberdade individual, tal a artificial igualdade e controle que preconizam. Diz Estrela Serrano, nessa frase que

1- a liberdade editorial e os critérios jornalísticos não são absolutos e

2- que em período eleitoral os critérios jornalísticos não podem sobrepor-se ao princípio da igualdade de oportunidades e da não discriminação entre candidatos. A propósito desta segunda parte da frase , mais à frente ela refere-se a candidatos de primeira e candidatos de segunda (acusando JPP de os discriminar uns dos outros).

Em democracia a liberdade de opinião ou é absoluta ou não é. A liberdade editorial ou é absoluta ou não é. Ponto final e parágrafo.

Os candidatos de primeira e os candidatos de segunda não são definidos por JPP, (que parece estar mais do que nunca no auge da sua influência a julgar pela capacidade de irritação que provoca em tantos sectores), por muito que isso lhe custe a ele ou a quem quer que seja que lhe queira imputar essa responsabilidade. O voto popular, traduzido em mandatos, é que determina quem são os candidatos de primeira e os candidatos de segunda. José Sócrates, candidato a Primeiro-ministro e Manuela Ferreira Leite, candidata a Primeira-ministra são simplesmente diferentes de candidatos como Carmelinda Pereira ou como Rui Marques. por muita que seja a simpatia que possamos nutrir quer pelas pessoas quer pelas causas que representam.
(Continua)
.

24.3.09


A questão, ao contrário do que é sugerido aqui por Eduardo Pitta, não me parece ser relacionada com a liberdade de expressão e com o que diz o anúncio - que não é anúncio, nem caricatura, é pura propaganda - mas sim quem o encomendou, quem o pagou e quem o distribui, isto é, em que media ele passou, e a razão (necessidade?) de o fazer. A questão é essa. Se fosse um cartoon numa página de jornal ou um cartaz de um partido político como tantos outros, nomeadamente o de José Sócrates com nariz de Pinóquio a indignação não faria sentido, mesmo que quisessem que fizesse.
.

1.6.08


Há momentos em que tenho nostalgia de monarquia, esta semana isso aconteceu quando vi o Rei da Noruega no Continente do Colombo. O Centro Comercial Colombo que é por excelência o templo e símbolo de consumismo que as elites (intelectuais, sociais, etc) adoram detestar – como se os restantes Centros Comerciais fossem mais bonitos, inteligentes e não padecessem dos mesmos males. O Rei, alheio a essas fúteis considerações estético-teóricas, foi lá. Lá onde os interesses económicos noruegueses se jogam a cada dia e a cada hora, lá onde os portugueses contribuem para o enriquecimento do povo norueguês, e um rei sabe que não está a cumprir um mandato, sabe que não está sujeito a calendários eleitorais que podem comprometer o serviço ao seu país, sabe desde o dia em que nasce que está lá porque tem que servir o povo norueguês, tem que ser o símbolo de união e de identidade de uma nação . E vai ao Colombo com a mesma naturalidade com que os portugueses lá vão. E nisso é tão diferente dum presidente de república.

Nós por cá também temos uma espécie de rei, o Mister Scolari, que tem surgido (desde 2004) no seu esplendor de dois em dois anos apelando aos valores, ao orgulho e à identidade nacional como nenhum presidente da república o conseguiu fazer. Pôs Portugal a comprar bandeiras nacionais para as exibir nas janelas e a cantar o hino sentido e do fundo do coração. Cada povo tem o rei que merece.



Manuela Ferreira Leite assumiu na entrevista à Sábado desta semana que se o boletim de voto das últimas eleições legislativas tivesse o nome de Santana Lopes escrito em vez de PSD, ela não teria votado nele. Esta declaração é ousada e gosto dessa frontalidade, desse carácter que não perde a noção de livre arbítrio mesmo pertencente a um partido. Os partidos ganhariam mais com pessoas livres assim. A pertença não é sinónimo de unanimidade e o valor de uma decisão que é feita solitária e secretamente só se assume plenamente se feita em total liberdade. Manuela Ferreira Leite assumiu essa liberdade e nem tinha que o fazer. Gostei.

10.2.08

Véu Islâmico 9

A saga sobre a aplicação sa Sharia continua no Reino Unido. Uma série Q&A aqui à boa maneira anglo-saxónica.

Este tema é interessante para descobrir algumas nuances do Islamismo, nomeadamente o Islamismo “moderado” um produto essencialmente do ocidente e com nenhuma sustentação teórica ou doutrinal, que se faz com base na “boa vontade” de sectores islâmicos que não querem estar em conflito com as sociedades ocidentais onde vivem e que não querem nem negar a modernidade nem abraçar o extremismo. No entanto, e para já, esta moderação é ainda frágil. Parece-me também, interessante reflectir sobre a nossa noção de liberdade de escolha, tida tantas vezes como um bem absoluto e que se baseia numa noção de igualdade que está totalmente ausente do islamismo e da própria Sharia. A mulher, e a rapariga, enquanto seres menores que são tutelados ao longo da vida, pelo pai, irmão, marido, cunhado, não têm essa liberdade de escolha. A liberdade e igualdade não são dados adquiridos em todo o lado e é bom ter sempre essa noção presente.

17.1.08

Fumos

Num ambiente na comunicação social e nos blogues ainda marcado pela síndrome de abstinência de tantos fumadores que vêm limitado (um pouco, só) o seu direito de acender um cigarro onde quer que seja, leio posts indignados com o ambiente de proibição em que se vive hoje, num saudável saudosismo do “é proibido proibir” dos idos anos 60 que nunca é mau lembrar, e vejo glamorosas imagens de homens (se é que Serge Gainsbourg alguma vez foi glamoroso...) e mulheres de cigarro na mão ou na boca tentando demonstrar e elevar a estética do acto de fumar. Primeiro dos direitos. A seguir do glamour.

Dos direitos

O meu direito e a minha liberdade individual de não respirar em ambientes de fumo e de não ser fumadora passiva foi, desde que me lembro, objecto de muito pouca preocupação quer por parte do estado quer por parte dos fumadores que comigo privavam e ainda privam, com raríssimas e honrosas excepções. Anos e anos trabalhei em ambientes de fumo com fumadores desde as primeiras horas da manhã (e não sabem o que custa) e respirei o ar que eles poluíam, tomei refeições olhando e respirando cinzeiros cheios, arranjei o cabelo em cabeleireiros onde outras senhoras afastavam de suas cabeças acabadas de pentear o fumo dos seus próprios cigarros. São estes alguns dos exemplos de uma lista que poderia continuar. Custou-me sempre acreditar que o meu direito de não respirar ar sujo e estragado pelo cigarro dos outros tenha sido ao longo do tempo objecto de tão pouca consideração, respeito e preocupação. Mais do que o fumo de um cigarro que um amigo possa fumar perto de mim, e que pouco incomoda de facto, o que revolta tantos não-fumadores foi, e é, o facto de ser dado como adquirido o nosso acordo – tácito, em respirar o ar sujo pelo fumador, mostrando, esse sim, pouco respeito pela nossa liberdade e saúde. E tratar da minha saúde é um direito que me assiste e que exerço como e quando quero, tal como o direito dos fumadores de, na privacidade ou em locais apropriados fumarem tanto quanto queiram. Finalmente o estado pela mão deste governo e de outros anteriores (e este blogue não pode ser acusado de simpatias com o governo que hoje nos governa) tem vindo a proteger um direito meu e de uma tão grande maioria de, em locais públicos e fechados se respirar ar sem fumo.
(continua)

29.11.07

Três pequenos instantâneos da “nossa” política internacional.

O sempre diligente, atento e obrigado Primeiro-ministro conseguiu uma proeza: Coube a José Sócrates a declaração explícita exigida pela China. Lembrando a "posição tradicional da União Europeia, que continua a reconhecer a política de uma só China"... Só lembrar que na mesa negocial estava também a exigência feita pela China para que a União Europeia condenasse de forma explícita o referendo em Taiwan sobre a adesão às Nações Unidas, o que acabou por conseguir.

De repente não me lembro da posição da UE em relação ao Kosovo... Terá uma? Dois pesos e duas medidas (o da China e o do Kosovo, I mean).

O discreto Ministro Luis Amado sobre o menos discreto Mugabe: “preferia que não estivesse presente”, mas “tem todo o direito de vir”, “já se sabia há muito tempo. Ele tinha dito que vinha”. Gatos Fedorentos, andam por aí?

Um instantâneo da política internacional:

Uma professora britânica condenada por ter posto o nome de Mohamed a um peluche. A onda de indignação é ainda menor do que a que houve quando Kasparov foi preso.

Moral das histórias: Mugabe é livre de ir e vir. A professora que pôs um nome proibido a um peluche, não está livre. Os líderes Chineses são livres de impor agendas. Os habitantes de Taiwan não são livres de decidir do seu futuro, UE dixit. Quanto ao Kosovo... já nem sei que diga.


Acerca de mim

temposevontades(at)gmail.com