“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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16.5.10

Confesso que, depois de ver isto e de ler os elogios de Mário Soares ao actual líder do PSD, senti mais do que nunca a falta (ou as saudades políticas, se é que isso existe) de Manuela Ferreira Leite, do seu ar seco e do seu estilo nada “perdoa-me”. Ela nunca seria elogiada assim por Mário Soares.

29.4.10

Esta formalização do acordo para a subconcessão Pinhal Interior mostra o quão útil foi, também ontem, aquele teatrinho entre José Sócrates e Passos Coelho, que culminou, para êxtase de comentadores e opinion-makers, com o Primeiro-ministro e o líder da oposição, lado a lado, a conjugar verbos na primeira pessoa do plural. Passo Coelho pôs-se a jeito para um dia, que não tardará, ser como o marido enganado: o último a saber.

Entretanto ficámos sem oposição, Paulo Portas compreenderá isso.

18.4.10

Da Mansidão

O Primeiro-ministro continua o seu percurso de optimismo em visitas e inaugurações relacionadas com as suas áreas favoritas de governação e de onde dificilmente descola: tecnologias de ponta, empresas modernas em equipamento e exportadoras de sucesso (nada contra o sucesso e a exportação, antes pelo contrário, note-se), energias renováveis, e turismo. O país para ele resume-se a estes cenários. No seu mundo ficcional não cabe o “desagradável”. Não há crise, não há falências nem novos desempregados cada dia que passa, não há famílias em dificuldade, não há filas de espera para consultas médicas, não há insucesso escolar, não há défice, não há excesso de peso fiscal, não há mercados financeiros desconfiados, nada disso. Para ele Portugal é um país promissor onde as circunstâncias são favoráveis ao crescimento, inovação e sucesso. Esta ideia é normalmente ilustrada com um leque variado de gadgets considerados “Made in Portugal” e essenciais a um modo de vida actual e moderno. Até aqui, nada de novo, nós já sabemos que o nosso Primeiro-ministro vive no seu mundo e nós no nosso.

O problema começa pela ausência de oposição. O PSD embrulhou-se numa vontade de revisão constitucional (nada contra também) e parece ter resumido a sua oposição ao PS e a este governo nesta proposta. A actual direcção que criticou duramente a direcção de Manuela Ferreira Leite por não “fazer oposição” tem-se pautado pela mansidão. O PSD não se destacou no debate parlamentar da semana passada, e a comunicação social reduziu-o ao episódio “pé no chinelo” que ficará nos anais da história parlamentar como “manso é a tua tia, pá!” (já agora: as expressões faciais do Primeiro-ministro nem precisam da intervenção da equipa de “Lie to Me” para serem “lidas” e conclusivas). O PSD passou despercebido e senti falta da secura e acutilância desprendida, que a comunicação social adorava desprezar, de Manuela Ferreira Leite, a quem o tempo se encarregou de ir dando razão, face a José. Mas o estado de graça de PPC não permite críticas, e o silêncio sobre o PSD impera.

11.4.10

Um Deslumbramento

O país político, e sobretudo a comunicação social, está deslumbrado com Pedro Passos Coelho, um verdadeiro líder e construtor de unidade. Ouvi-o brevemente na sexta-feira no discurso inaugural: parecia um aluno bem comportado, muito asseado e com a lição esmeradamente estudada. Um orgulho para os demais, estou certa. Como nenhum músculo meu mexeu ao ouvi-lo, mudei de canal. Mas parece que se esperam grandes feitos e obras dele, e as sondagens, até aqui renitentes para com o PSD, parece que até já se mexem. E isto sem ainda ter tido tempo de fazer os ditos feitos e obras que todos esperam, mas já arrastando consigo os slogans da mudança e da unidade. Como será quando fizer? Tanta eficiência, tanta eficácia, tanto deslumbre. Eu esperarei sentada, se não se importam.

29.3.10

Olha que chatice... Queriam fotos, sorrisos, conversa de chacha e beijinhos, não era?

28.3.10

O PSD de Pedro Passos Coelho Não Faz a Diferença

Pedro Passos Coelho ganhou de forma inequívoca a corrida a líder do PSD. Os militantes do PSD não deixaram dúvidas sobre quem preferiram. Alguns dentro do partido farão as suas leituras e encontrarão as devidas explicações. Duvido, no entanto, que esta vitória corresponda ao desejo daquela que é a maioria do eleitorado tradicional do PSD e que não vê uma diferença substancial e clara entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho. Fica a sensação de que a vontade dos militantes não é a vontade daqueles que, não sendo filiados em partido algum, constituem o eleitorado tradicional e mais ou menos fixo do PSD, e fica a sensação de que os militantes do PSD se fecharam no partido em vez de se abrirem para o país. Será interessante verificar se estou ou não certa, mas este possível desfasamento deveria ser motivo de atenção (e eventualmente preocupação) para PPC .

A maioria do eleitorado PSD, está farto de José Sócrates, dos seus equívocos, inverdades, conhecimentos informais, curriculum, da sua falta de consistência, dos seus anúncios de medidas bandeira do optimismo, do seu marketing político, das suas frases feitas. A maioria do eleitorado do PSD não gosta do “socialismo”, seja ele ideológico ou só nominal, histórico ou Terceira Via, genuíno ou "caviar", e quer uma alternativa política não socialista e credível para o desenvolvimento - eu sei que esta palavra está carregada de “optimismo” e talvez fosse mais realista falar em “evitar o colapso” – do país. A maioria do eleitorado do PSD sabe que isso só se faz com reformas estruturais e, ao contrário do eleitorado socialista, deseja, quer, anseia por essas reformas. Os socialistas evitam-nas e não querem nem sabem fazê-las. Como será, na prática Pedro Passos Coelho diferente de José Sócrates? A maioria do eleitorado do PSD não gosta de clientelismo, da promiscuidade entre o estado e as empresas privadas. Os socialistas, em José Sócrates, arranjaram o expoente máximo da promiscuidade entre o estado e o sector privado. Estará Pedro Passos Coelho ao abrigo desse clientelismo?

Ao ser eleito pelos militantes do PSD, PPC terá que fazer mais, melhor e diferente: terá que falar para fora do partido se quiser também ser eleito Primeiro-ministro, e terá que demonstrar através de uma forma consistente e séria de fazer política - e descolando dos exageros de "imagem" de que abusa o actual Primeiro-ministro, que é capaz dessa mudança de que fez título de livro, e de que é, não só uma alternativa credível ao socialismo e a José Sócrates, como também uma alternativa sólida a Paulo Portas, em quem tantos eleitores tradicionais do PSD já dizem que votarão. Não acredito que seja com PPC que o PSD fará a diferença.


17.3.10

Da Clareza

A clareza de Pedro Passos Coelho, na entrevista a Judite de Sousa hoje na RTP, (que pode ser vista aqui) surpreende-me pois é sobretudo condicional: tem normalmente um “se” (ou equivalente) que a precede. Ora uma premissa condicional do tipo: “de cada vez que concordar com ..., então votarei a favor”; ou “estarei de acordo se..., mas se não...”; ou “quando for do interesse de..., eu concordarei com...”; dá, de imediato, incerteza à frase que nunca poderá ser clara. A clareza traduz-se através de afirmações simples, sem condições, nem condicionantes, nem contradições. Este é um péssimo hábito de PPC, mas acredito que à força de repetir que é claro as pessoas comecem a acreditar que o é. Deve ser mais uma dessas técnicas comunicacionais das agências de marketing político que tornam os discursos dos políticos sempre iguais e os fazem repetir vezes sem conta a mesma frase. Tal como José Sócrates que espalha optimismo, (PEC? Aumento impostos? Nã...) Hoje foi a vez do seu "plano tecnológico" e de uma visita a uma "empresas de sucesso". Uma coreografia e um script já estafados.

Passos Coelho segue-lhe as pegadas e repete as frases e os temas (exemplo: o Estado não devia ser empresário, quantas vezes ouvi isto nos últimos dias?). Mesmo tendo parecido, como tem sido já hábito ultimamente, calmo e seguro, e mesmo tendo sido nalgumas matérias afirmativo, a verdade é que, na maioria das questões, sobretudo de índole mais marcadamente política, foi tão opaco e sinuoso como é seu hábito. Pressentimos assim o seu "vazio".

14.3.10

O quê?

Depois admirem-se. José Sócrates deve estar com dificuldade em conter o riso, e com razão. Foi para isto que se fez um congresso? Eu realmente não entendo a vida partidária, mas esta do PSD passa os limites da racionalidade e da razoabilidade.

Manuela Ferreira Leite, e todos os que denunciaram a asfixia democrática (não é, Paulo Rangel?) que se foi impondo na sociedade por influência directa do governo de José Sócrates, devem estar ou siderados ou anormalmente dissonantes. Santana Lopes, mais uma vez, numa “simpática” jogada política, levou a água ao seu moínho, numa altura de campanha interna em que os candidatos evitam grandes polémicas. Mas, pergunto-me, que género de gente é esta (os delegados ao congresso) que votam maioritariamente tais aberrações democráticas? São assim tão facilmente manipulados? E porque é que fico (eu e outros, com certeza) com a sensação que esta proposta de PSL, com o cheiro do rancor, visa um ajuste de contas com José Pacheco Pereira?

10.2.10

Até que enfim, um bom motivo para ligar a televisão hoje às 20h.

21.1.10


Ao contrário do que se diz aqui, creio que não vamos precisar de esperar pelo que dizem os bloggers sobre o “evento” do jovem político cujo livro, de que ninguém se lembrará daqui a um ano ou dois, é lançado hoje. As televisões não tardarão a encher os ecrãs da juventude e mudança que serão amplamente apregoados, estou certa. No entanto é pena “aquilo” do Sá Pinto, outro jovem que nunca desilude, que poderá, logo nas televisões, roubar algum protagonismo.

Enquanto isso, Manuela Ferreira Leite, avalia o Orçamento de Estado para 2010; mas o OE não é notícia que abra jornais televisivos.


19.1.10

Pedro Passos Coelho teve hoje a seus pés (vi na televisão) uma comunicação social atenta, agradecida e obrigada na apresentação do seu livro com título de inspiração obamiana e com capítulos de títulos giros, tipo “De Boa Saúde”. Depois do que li nesta notícia do “i”, gostei especialmente da parte sobre “medicamentos”. Uma proposta interessante numa área e com uma classe com quem tem sido fácil para os governos trabalhar.

É tão fácil pôr meia dúzia de chavões políticos simpáticos e razoavelmente consensuais em livro. Mas desengana-te Manuela, tu, mesmo que escrevesses os Lusíadas, só terias direito a 22 segundos de notícia e 15 de filmagem que, por coincidência seriam na altura precisa em que a tua cara estava numa posição estranha.

16.1.10

Um Estilo

Não quero, não consigo e não gosto do “estilo” José Sócrates. Ontem, na AR, aquele que sistematicamente se diz vítima de calúnias e ataques pessoais foi, mais uma vez, deselegante no seu ataque à líder do PSD - a propósito do PEC - com pequenas e maldosas, insinuações do género: “É tudo muito simples para quem já desistiu de liderar (...) e para quem quer ir embora” (ver aqui). Isto porque Manuela Ferreira Leite ousou desmontar o “estilo”, a forma de fazer política e a má-fé do governo ao denunciar o anúncio diário de medidas com implicações orçamentais antes da discussão orçamental. José Sócrates está muito enganado: MFL não é do “género” de desistir, e não o faz, sendo contundente nas suas intervenções e sempre presente no cenário da discussão política nacional, pese este facto a muitos, nomeadamente e especialmente a um sector do PSD que minimiza as suas intervenções pois gostaria que ela se tivesse demitido do cargo para que foi eleita no dia seguinte às eleições legislativas.

MFL, como sempre, esteve certeira, mas nunca na comunicação social as suas palavras encontram o eco que merecem. Mesmo não gostando dela, do seu "estilo", mesmo achando-a sem jeito e sem piada, mesmo achando a “velha” (mas já Manuel Alegre, esse, não é “velho”), as suas intervenções enquanto líder da oposição mereceriam, numa sociedade menos “asfixiada comunicacionalmente”, destaque e discussão. De facto, neste mundo pateta, é melhor ser engraçado do que ter graça.

O líder do CDS foi oportuno ao dizer que “quando se negoceia, não se ameaça”, pois estar num processo negocial ameaçando é mais uma prova (como se precisássemos de mais) deste “estilo” que transpira má-fé e muito “à Sócrates”. Primeiro, e pela voz do seu ministro das Finanças, tenta condicionar o PSD e o CDS ameaçando uma subida de impostos caso este mantenha na mesa negocial a proposta do fim do PEC e a revisão da Lei sobre as Finanças Regionais.”. Num momento posterior, e porque a ideia de subida de impostos começa a ser em Portugal e finalmente, cada vez menos popular e cada vez mais olhada com desconfiança, José Sócrates “explica” que o governo não “quer” aumentar impostos e, vitimizando-se (outra das faces do “estilo”) diz que o governo é que está refém das votações da AR.

Tempos difíceis se adivinham, sobretudo para o PSD, nesta fase negocial sobre o orçamento com este governo liderado por José Sócrates, e que, em bom rigor, não sei se deveria ou não ser viabilizado. Sobrará sempre para o PSD. Será preso por ter cão e preso por não ter.

19.10.09

Com a Verdade me Enganas

Com o sarcasmo a que já nos habituou, João Miranda põe o dedo na ferida. Imprensa e blogues vivem intensamente o dia de amanhã do PSD e esquecem o país hoje. É um exercício interessante ver na blogosfera o que dizem e escrevem, hoje, alguns dos que no período eleitoral se conotavam com a actual liderança do PSD e faziam campanha política nomeadamente em blogues como o Jamais. Depois dos inevitáveis e normais balanços e análises sobre os resultados eleitorais e sobre o modo como decorreram as campanhas, pararam de fazer oposição a José Sócrates e pararam de denunciar o seu modo de actuação bem como o do seu, ainda em funções, governo, pois estão sobretudo preocupados em encontrarem uma posição no tabuleiro de xadrez que é para eles o PSD numa corrida à nova liderança iniciada pela comunicação social e por eles próprios.

Em tempos de cantos de sereias e de tentações, nada melhor do que alguma estabilidade e solidez para que o tempo (esse grande fazedor) dê, sem precipitações nem ansiedades o sinal de partida. Mas não: esperar, ser perseverante e paciente são conceitos pouco interessantes sobretudo para alimentar uma comunicação social ligeira e feita de casos e intrigas. Manuela Ferreira Leite que parece não se querer (e bem, no meu ponto de vista) recandidatar à liderança em Maio (ou seja quando for), tem toda a legitimidade para dar o tom de oposição que quer que o PSD seja, e que os eleitores escolheram (eu assim escolhi) e quem confiou nela em Setembro, deveria confiar nela agora. Ela não mudou, mesmo que resultados eleitorais não tenham sido aqueles que os militantes e adeptos do PSD esperariam e desejariam. Mas tanto impulso autofágico é assustador para quem olha de fora. Agora é tempo de oposição a José Sócrates. Dias virão para um tempo de maior instabilidade interna no PSD até se encontrar um novo líder.
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17.10.09

Fiquei admirada por concordar tão facilmente com esta conclusão do Pedro Correia “José Sócrates não tem nada a temer desta oposição”, num breve texto sobre o PSD no Corta-Fitas, mas depois vi o texto de Tiago Geraldo no 31 da Armada que deu origem a tal conclusão, e percebo que afinal só concordamos na conclusão e que divergimos radicalmente nos pressupostos. É por causa de comportamentos como os de Passos Coelho, que não consegue não se pôr em bicos de pés dia sim dia sim, apesar da actual líder do PSD se manter legitimamente em funções, dos restantes PSDs se manterem entretidos e distraidos a olhar para o seu umbigo, e da comunicação social não fazer outra coisa que não seja também olhar para o PSD de todos os ângulos possíveis salivando e especulando sem peias, que José Sócrates não está a ter a oposição que deveria nesta semana em que o tom do seu próximo estilo de governação foi claramente dado: uma encenada e falsa abertura ao diálogo, chantagismo, demagogia a rodos, e a dose certa (para as alturas certas) de vitimização, pois eu sou tão dialogante e os outros líderes tão pouco operantes. É ele, José Sócrates que tem de procurar e encontrar soluções de estabilidade governativa. Por muito que lhe custe, por muito que o não queira esse ónus é seu, foi-lhe dado pelo voto.
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8.10.09


A frase admite ponderar candidatar-se diz tudo. O único problema de Marcelo Rebelo de Sousa é ser Marcelo Rebelo de Sousa. Não fosse isso...

Azares. Isto de deixar o povo decidir e ter que descer à terra é uma chatice.
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29.9.09

Manuela Ferreira Leite e o PSD

Estou certa que após as eleições autárquicas Manuela Ferreira Leite porá o seu lugar de líder do PSD à disposição do partido. Ela sabe que foi derrotada nas legislativas e acredito que ela tem o mérito de não precisar que ninguém lhe lembre esse facto.

Não sou filiada no PSD, nem sou dada a grandes fidelidades institucionais, mas sei que só o PSD pode construir uma alternativa governativa a José Sócrates e ao PS. Por isso não é Manuela Ferreira Leite, com todo o mérito que teve, tem e terá, e respeito que me merece, que será a imagem da construção dessa alternativa. O que ela representa, sim, e isso é um inegável mérito seu: o facto de ser credível, ser igual a si própria, recusar transfigurar-se no que não é, não prometer o que não pode e evitar sistematicamente seguir o script da comunicação social ou responder às suas expectativas. Esta forma, às vezes desajeitada e com erros, concedo, teve sempre “má imprensa” e deu sempre aso a críticas e notas negativas dos comentadores e dessa nova casta (pseudo)-científica e independente (?) a que chamam politólogos. Eles confundem verborreia com facilidade de comunicação, exultam a “coerência narrativa” (palavras caras a Ricardo Costa) esquecendo o debate político e de ideias, confundem discurso populista e simplismo com simplicidade e clareza de intenções e ideias.

Não gosto da política que se fabrica para “ter boa imprensa”, a política dos comícios com música de “criar ambiente” tanto ao gosto do PS, de cenários e de chavões tipo “política pela positiva”. Às vezes gostava que a imprensa desconstruísse esses chavões tentando perceber o que são realmente e o vazio que encerram. Não gosto de políticos excessivamente flexíveis sempre prontos a moldarem-se às ocasiões e às expectativas, definidas pelas agências de comunicação, e esquecendo o essencial da sua política e o supremo interesse do país. O PSD de Pedro Passos Coelho ou de Luís Filipe Meneses não me interessa absolutamente nada, mas como acredito que só nele (PSD) se encontra uma alternativa a JS, espero que encontre um outro líder que, como Manuela Ferreira Leite, seja sério, credível e competente. Não faltarão seguramente candidatos que o sejam e que espelhem melhor a necessidade de renovação do partido que a própria MFL, e antes dela Marques Mendes, se propuseram fazer.

Pior do que ser um político medíocre é ser medíocre, e quando isso acontece não há agência de comunicação ou meios tecnológicos que, por muito que façam e tentem, consigam colmatar esse vazio da mediocridade. Um dia todos veremos que o rei vai nu.
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18.9.09

Ontem na Quadratura do Círculo, António Costa afirmou saber de onde ressurgem as notícias (já antigas) da compra de votos no PSD de Lisboa, e afirmou peremptoriamente que elas tinham origem dentro do próprio PSD. José Pacheco Pereira anuiu com um acenar de cabeça, e essa afirmação deu origem a uma intervenção de António Lobo Xavier sobre o PSD, destacando o facto de dentro do PSD haver uma intensa, feroz e fratricida campanha contra Manuela Ferreira Leite, ao ponto de um determinado sector do PSD, conhecido e com rosto, preferir a vitória do PS de José Sócrates à vitória de MFL. ALX foi muito claro e os outros presentes não só não protestaram como estiveram de acordo. Nada que não se soubesse ou percebesse pela marcação cerrada feita a MFL e pela constante má-fé com que ela é olhada, seus actos dissecados e suas palavras criticadas e objecto de interpretações criativas. Mas agora que tudo foi dito, explicado e afirmado nomeadamente por pessoas que representam sectores e interesses diversos do espectro político nacional, parece que já não sobram dúvidas a ninguém.

Por isso creio que vale a pena repetir alto e em bom som, e - parafraseando Paulo Portas na sua frase fetiche desta campanha – falando claro e em bom português:

NINGUÉM ESTÁ MAIS INTERESSADO NUMA DERROTA DE MANUELA FERREIRA LEITE – E NA CONSEQUENTE VITÓRIA DE JOSÉ SÓCRATES - DO QUE UM CERTO SECTOR DO PSD.

Aguardo os desmentidos na comunicação social.
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6.8.09

Contos de Fadas e Príncipes Encantados

Existe uma grande diferença entre a maioria de futuros votantes do PSD - mesmo os que votarem sem grande entusiasmo, e e os impulsionadores e entusiastas da pessoa de Pedro Passos Coelho. Os primeiros, longe dos dramas internos do partido e da guerra das distritais, estão fartos de José Sócrates, do seu estilo, dos seus casos, das suas mentiras, das suas promessas, da sua governação e querem mais do que tudo uma alternativa política séria e minimamente credível. Manuela Ferreira Leite pode não os entusiasmar, mas acreditam que ela é, substancial e politicamente, diferente de José Sócrates. Os segundos, para além do facto de acreditarem em contos de fadas (ou em príncipes encantados, vai tudo dar ao mesmo), mantidos através de uma atenção ímpar que a comunicação social dedica ao seu “ex-candidato” a líder, revoltam-se mais com o facto de não serem a liderança do PSD ou não terem a liderança do PSD que preferem, do que o que se revoltam com a governação de José Sócrates. Este grau de descontentamento dá que pensar, pois alguns até preferem, ainda que indirectamente, deixar a porta aberta a uma nova victória de José Sócrates, a apostar mesmo que sem grande entusiasmo (mas também, entusiasmo porquê e para quê?) numa alternativa credível, que não é a ideal e que tem todas as fragilidades que todas as coisas que não são contos de fadas nem príncipes encantados têm.
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20.7.09

A ler hoje no Cachimbo de Magritte, sobre o PSD, este post e este post. A estas reflexões acrescentaria uma dúvida minha: qual a diferença do valor - em votos no PSD - entre um PSD com Passos Coelho nas listas para deputado, ou um PSD sem ele. O caso de Manuel Alegre, é diferente porque poderá ter um significado real em termos votos pois, como já sabemos, teve nas presidenciais uma votação expressiva, apesar de ir contra a indicação do aparelho do PS. Passos Coelho nunca foi a votos fora da esfera partidária.
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11.7.09

Fugir para Marte

Não sou um homem de partido - no que sou acompanhado por 95% dos portugueses! - e quero é que eles (partidos) se danem pelo que nos têm tramado. Pode publicar isto...

Assim diz Manuel Villaverde Cabral ontem em entrevista ao i. Também me sinto assim: pertenço aos 95% que nunca militou, nem tão pouco se filiou num partido político e que se sente constantemente refém de máquinas partidárias que não entende – nem gosta do que vê. No entanto isso não tira nenhum tipo de legitimidade de olhar para a “coisa pública” e para a política, pensando, decidindo, pesando argumentos, analisando comportamentos, detectando padrões, nem tão pouco se está inapto a comentar, emitir juízos e claro, exercer o poder formal que se tem sobre a decisão de quem nos governa, votando.

MVC na sua entrevista detem-se sobre o impasse em que o país vive alternando governos entre o PS e o PSD e vai mais longe considerando que o outro lado da nossa ingovernabilidade são a corrupção e a incompetência sistémicas dos dois partidos - até por causa do rotativismo que lhes permite passarem as culpas um para o outro.

Se ainda nutríssemos algumas ilusões quanto à matéria de que são feitos os principais partidos e o tipo de curriculum de tantos dos nossos políticos e detentores de poder (autárquico, governamental, em comissões, etc), José Pacheco Pereira que, ao contrário de MVC, está nos 5% da população que milita num partido e é por isso conhecedor das chamadas “máquinas partidárias”, acabaria com elas num ápice; o tempo de ler o seu artigo de hoje no Público (Edição Impressa, sem link) que nos chega como um balde de água fria. Nada que não suspeitássemos, nada que não se insinuássemos em “casos” que, com um ritmo constante, chegam ao conhecimento público ou aos tribunais, nada que não víssemos nas investigações feitas e publicadas ou ouvidas nesta notícia, naquela referência, naqueloutro recado. Nada que não desabafássemos em conversas mais ou menos informais, nada que não escrevêssemos em posts. Mas dito assim, preto no branco, por quem conhece tem um impacto e um efeito maior, como se a escala com que se olha o mapa mudasse e víssemos muito mais. O artigo é impiedoso recriando histórias de um nascer, fazer e crescer de influência (e nem se falou muito da influência com a comunicação social) desses políticos, cujo prototipo de biografia é esquematizada de forma crua, uma espécie de condenação à morte da inocência com que se poderia ainda tentar olhar para a vida dentro de um partido.

Uma coisa é certa: o sentimento de emparedamento é grande, e a falta de uma luz verde com o sinal “saída” deixa-nos “assim”, no meio de coisa nenhuma porque nem a seriedade e a dedicação de alguns parece chegar para fazer essa luz. Só apetece mesmo é fugir para Marte.
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Acerca de mim

temposevontades(at)gmail.com