“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
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29.3.10

Olha que chatice... Queriam fotos, sorrisos, conversa de chacha e beijinhos, não era?

27.3.10

Manuela Ferreira Leite

Faço minhas estas palavras de André Abrantes Amaral no Insurgente,


E até digo mais. Havemos de sentir a falta da sua forma pouco complacente de fazer política, da sua insistência em não se deixar maquilhar pelo marketing político, e da sua frontalidade pouco simpática, mas certeira. Entramos numa nova era em que a imagem impera sobre a substância, em que as ideias se moldam conforme as causas que se decidem abraçar, e os discursos se fabricam de acordo com o efeito que se pretenda causar e que tenha sido previamente estabelecido. Nem sempre estive de acordo com ela, mas mereceu a minha consideração e respeito.

E até digo ainda mais. Estamos perante uma nova fase na política portuguesa. José Sócrates, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Francisco Louçã, são políticos feitos do mesmo barro. Sobra Jerónimo de Sousa, um último reduto de franqueza, o único líder que ainda consegue ser razoavelmente genuino e igual a si próprio. Todos os outros parecem sub-produtos embora, para ser justa, deva mencionar que José Sócrates se destaca pela falta de qualidade intrínseca, pelo excesso de plasticidade formal, e pela constância da inconsistência política.

28.2.10

Depois da “Asfixia Democrática” Manuela Ferreira Leite fala, no Congresso dos Autarcas Sociais Democratas, na “Democracia Condicionada” (e a “má qualidade da democracia”) – Diz MFL que “a imagem é tudo para o engenheiro Sócrates e em nome dela vivemos numa democracia condicionada”. Também acusa o Primeiro-ministro de construir uma agenda ao serviço da sua imagem e não do país onde todos os dias pequenas empresas abrem falência aumentando o desemprego para niveis de “emergencia nacional”. Acusa também o Governo de suportar mal o poder local como “suporta mal tudo o que não possa controlar ou manipular a seu belo prazer”. Manuela Ferreira Leite igual a si própria a terminar o seu mandato. Ainda bem, pois até ao lavar dos cestos é vindima.

Estou certa que esta nova expressão de “Democracia Condicionada” merecerá atenção e desdém, e estas críticas, servirão para alimentar a horda de cínicos crónicos em relação a MFL, e que vêem em tudo o que ela faz ou diz, motivo de nojo, e pretexto para acusações de desporporção ou insensatez. No entanto MFL tem funcionado como um oráculo. As suas afirmações mais cedo ou mais tarde acabam por se revelar axiomas, por muito contestadas que tenham sido, ou por muita irritação que tenham causado ao establishment.

2.2.10

Parece que afinal a “asfixia democrática" sempre existe, se até o Expresso, na voz do seu director, já diz que
diz também que
e ainda acrescenta
Manuela Ferreira Leite, a eterna desprezada, a bota-abaixista - entre outros qualificativos, claro - parece que não errou uma declaração, uma previsão.

Sobram dúvidas sobre o tipo de Primeiro-ministro que temos? Os casos passados e este não bastam ainda para discernir um padrão? Acredito que os próximos dias sejam férteis em revelações. Diz-nos a História que a tendência dos homens do poder de chamarem “loucos”, “paranóicos” ou psicóticos a precisar de apoio, a todos os que lhe fazem frente, contradizem e mostram oposição é um mau sinal.

Há um cheiro pronunciado a declínio – a fim. Será que chegamos ao princípio do fim?

10.12.09

Da Igualdade

Parece que a moda pegou e que não há maneira de sair desta linha de argumentação: quem não gosta do PSD, ou melhor, deste PSD, ou melhor, de Manuela Ferreira Leite, mais tarde ou mais cedo, e por muitos ares que se dê de distanciamento político e de isenção, acaba sempre por cair no argumento trivial e grau zero da argumentação política: “são todos iguais”. Eu sei que é fácil ceder ao populismo e à audiência “taxista”, e eu sei que a vida nem sempre é fácil e que às vezes é preciso despachar uma opinião para um jornal ou uma televisão como quem faz a lista de supermercado, mas de certos comentadores espera-se (espera-se mesmo?) um pouco mais de seriedade na análise.

O último caso que me chamou a atenção foi este artigo de Constança Cunha e Sá (via). Esta frase o mal, como se vê, está bem distribuído pelas aldeias, uma versão aparentemente mais elaborada e sofisticada do “são todos iguais”, mostra preconceito (para não dizer má-fé) em relação aqueles que questionam – e querem esclarecimentos sobre – a conduta do Primeiro-ministro. Os factos apontam para que o Primeiro-ministro tenha, numa conversa que foi escutada no âmbito de uma investigação de que era objecto o seu interlocutor, mostrado que interferiu na area da comunicação social através de um negócio que disse, na altura no Parlamento, desconhecer. A ser verdade há aqui matéria para investigar. São questões da esfera política ligadas à forma como tem exercido o seu cargo público. Por isso as questões levantadas são legítimas, tal como as dúvidas, até agora nunca esclarecidas, que todos temos em relação ao caso Freeport, e à questão da discrepância de biografias de José Sócrates no Parlamento, por exemplo.

Dúvidas deste género não se colocam nem no caso de Manuela Ferreira Leite, nem no caso de Aguiar Branco, (ou de outros anteriores dirigentes socialistas, por exemplo) por muitos erros politicos que comentam, por muita falta de “jeito para a política” (seja lá o que isso for) que tenham. Não gostar de um politico não faz dele um “igual” a outro de quem não se gosta também, mas que está (e tem estado em permanência) sob suspeita de ter cometido e cometer actos ou ilegais ou menos éticos do ponto de vista politico. Querer "igualar" é não querer perceber a óbvia diferença. Por muito que insistam, nomeadamente os que gostam de ver a “diferença” em Pedro Passos Coelho (as if...), nunca farão de Manuela Ferreira Leite uma “igual” a José Sócrates, nem (infelizmente) de José Sócrates um “igual” a Manuela Ferreira Leite.

Não, não são todos iguais. Não, o mal não está igualmente distribuído pelas aldeias.
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6.11.09

Ontem, Miguel Sousa Tavares na TVI pôs o dedo na ferida elogiando a intervenção da líder da oposição, sobre o deficit e a insustentabilidade económica do país. Ao contrário do que a televisão (nomeadamente a SICe a TVI) mostram – Paulo Portas - quando em voz off falam de oposição, MST sabe que é Manuela Ferreira Leite e o "seu" PSD com quase o triplo da votação do CDS-PP, a líder da oposição. Essa estranha e persistente atracção (ou má-fé?) da comunicação social por Paulo Portas em detrimento e contra MFL, de tão óbvia, já cansa. Mas, voltando a MST, ele indignou-se perante a indiferença do executivo face à situação económica e financeira do país e à resposta, que ficou por dar, quando o Primeiro-ministro foi interpelado por MFL. José Sócrates continua a não dar respostas. Como sempre.

Também o comentário de MST ontem teve um outro momento de destaque quando falou sobre a corrupção em Portugal e a descreveu não tanto como corrupção de grande dimensão, mas sim como um enraizado e tentacular tráfego de influência e permanente promiscuidade entre o Estado e as empresas participadas ou não pelo Estado. Todos fazem favores a todos, todos “dão um jeito” a todos, todos beneficiam da complacência de todos e da longa e generosa mão estatal através de lugares dados, concursos ganhos, subsídios atribuídos, etc. Mal mesmo fica quem, longe desses “esquemas”, paga imposto, desconta para uma segurança social sem saber se terá retorno um dia, nunca recebe subsídio e nunca mereceu (nem deveria, note-se), ao contrário de tantos outros ali mesmo ao lado, um átomo de atenção do estado.
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19.10.09

Com a Verdade me Enganas

Com o sarcasmo a que já nos habituou, João Miranda põe o dedo na ferida. Imprensa e blogues vivem intensamente o dia de amanhã do PSD e esquecem o país hoje. É um exercício interessante ver na blogosfera o que dizem e escrevem, hoje, alguns dos que no período eleitoral se conotavam com a actual liderança do PSD e faziam campanha política nomeadamente em blogues como o Jamais. Depois dos inevitáveis e normais balanços e análises sobre os resultados eleitorais e sobre o modo como decorreram as campanhas, pararam de fazer oposição a José Sócrates e pararam de denunciar o seu modo de actuação bem como o do seu, ainda em funções, governo, pois estão sobretudo preocupados em encontrarem uma posição no tabuleiro de xadrez que é para eles o PSD numa corrida à nova liderança iniciada pela comunicação social e por eles próprios.

Em tempos de cantos de sereias e de tentações, nada melhor do que alguma estabilidade e solidez para que o tempo (esse grande fazedor) dê, sem precipitações nem ansiedades o sinal de partida. Mas não: esperar, ser perseverante e paciente são conceitos pouco interessantes sobretudo para alimentar uma comunicação social ligeira e feita de casos e intrigas. Manuela Ferreira Leite que parece não se querer (e bem, no meu ponto de vista) recandidatar à liderança em Maio (ou seja quando for), tem toda a legitimidade para dar o tom de oposição que quer que o PSD seja, e que os eleitores escolheram (eu assim escolhi) e quem confiou nela em Setembro, deveria confiar nela agora. Ela não mudou, mesmo que resultados eleitorais não tenham sido aqueles que os militantes e adeptos do PSD esperariam e desejariam. Mas tanto impulso autofágico é assustador para quem olha de fora. Agora é tempo de oposição a José Sócrates. Dias virão para um tempo de maior instabilidade interna no PSD até se encontrar um novo líder.
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29.9.09

Manuela Ferreira Leite e o PSD

Estou certa que após as eleições autárquicas Manuela Ferreira Leite porá o seu lugar de líder do PSD à disposição do partido. Ela sabe que foi derrotada nas legislativas e acredito que ela tem o mérito de não precisar que ninguém lhe lembre esse facto.

Não sou filiada no PSD, nem sou dada a grandes fidelidades institucionais, mas sei que só o PSD pode construir uma alternativa governativa a José Sócrates e ao PS. Por isso não é Manuela Ferreira Leite, com todo o mérito que teve, tem e terá, e respeito que me merece, que será a imagem da construção dessa alternativa. O que ela representa, sim, e isso é um inegável mérito seu: o facto de ser credível, ser igual a si própria, recusar transfigurar-se no que não é, não prometer o que não pode e evitar sistematicamente seguir o script da comunicação social ou responder às suas expectativas. Esta forma, às vezes desajeitada e com erros, concedo, teve sempre “má imprensa” e deu sempre aso a críticas e notas negativas dos comentadores e dessa nova casta (pseudo)-científica e independente (?) a que chamam politólogos. Eles confundem verborreia com facilidade de comunicação, exultam a “coerência narrativa” (palavras caras a Ricardo Costa) esquecendo o debate político e de ideias, confundem discurso populista e simplismo com simplicidade e clareza de intenções e ideias.

Não gosto da política que se fabrica para “ter boa imprensa”, a política dos comícios com música de “criar ambiente” tanto ao gosto do PS, de cenários e de chavões tipo “política pela positiva”. Às vezes gostava que a imprensa desconstruísse esses chavões tentando perceber o que são realmente e o vazio que encerram. Não gosto de políticos excessivamente flexíveis sempre prontos a moldarem-se às ocasiões e às expectativas, definidas pelas agências de comunicação, e esquecendo o essencial da sua política e o supremo interesse do país. O PSD de Pedro Passos Coelho ou de Luís Filipe Meneses não me interessa absolutamente nada, mas como acredito que só nele (PSD) se encontra uma alternativa a JS, espero que encontre um outro líder que, como Manuela Ferreira Leite, seja sério, credível e competente. Não faltarão seguramente candidatos que o sejam e que espelhem melhor a necessidade de renovação do partido que a própria MFL, e antes dela Marques Mendes, se propuseram fazer.

Pior do que ser um político medíocre é ser medíocre, e quando isso acontece não há agência de comunicação ou meios tecnológicos que, por muito que façam e tentem, consigam colmatar esse vazio da mediocridade. Um dia todos veremos que o rei vai nu.
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17.9.09

Erros Políticos e Casos Mediáticos

No Delito de Opinião, Pedro Correia faz um exercício em que enuncia os dez maiores erros de Manuela Ferreira Leite e os dez maiores erros de José Sócrates, mas eu creio que tal exercício se revela faccioso uma vez que coloca os supostos erros de MFL ao mesmo nível dos erros de JS. Isso não é, nem pode ser visto assim. José Sócrates, para o bem e para o mal, (muito mais para o mal do que para o bem, na minha opinião) é o Primeiro-ministro do país e compete-lhe governar e tem que ser responsabilizado pelo resultado da sua governação. Os erros que Pedro Correia lhe aponta e cujo enunciado não discordo em termos genéricos (embora faltem alguns importantes como a sua complicada relação com a verdade) são por vezes abordados de uma forma mais superficial e casual (TVI e Público) não expondo, por exemplo, a sua política de controle (cartão do cidadão, chip do carro), possíveis escutas, controle da RTP e influência nítida noutros órgãos de informação, pressões sobre a justiça; nem expondo a sua política de anúncios e medidas diários e encenações coreografadas, a abundância legislativa de qualidade duvidosa, entre outros casos. São omissões que me parecem importantes, pois definem um estilo de política e uma forma de ser político.

Manuela Ferreira Leite, não tem, nem pode ter, o mesmo curriculum de “erros”, eles não têm o mesmo peso e resultado dos erros de JS. Não são comparáveis sequer e listá-los como iguais parece-me uma forma de distorcer a realidade e absolver a responsabilidade de José Sócrates enquanto Primeiro-ministro. MFL apresenta-se como alternativa a Sócrates. Os seus erros listados por Pedro Correia, e com os quais não concordo (com excepção do erro nº 3, e parcialmente com o nº8), não são erros políticos, nem de política com excepção do caso nº2, que é uma opção da líder. Ao contrário dos erros de José Sócrates - estes são "casos", presunções e ilações tiradas por comentadores e opinadores, e não factos políticos. Nem sequer são enunciados erros sobre as políticas propostas no programa de governo, ou falhas - específicas -do mesmo. Só se apontam “casos” em vez de políticas. Confundir, num óbvio lapso IRC com IRS não pode ser encarado como um erro político, só um preconceito contra MFL pode explicar que se olhe para esse lapso como um erro e que possa ser comparado com os erros de José Sócrates.

Eu sei que a comunicação social se ocupa mais dos “casos” do que da política, e vive dos “casos”, para os quais tem sempre apontado um microfone e virada uma câmara, e que são mais mediáticos e fáceis e menos incómodos e "difíceis" do que a política. Assim, e nas televisões, rádios e jornais vemos sucederem-se “casos” uns atrás dos outros. Todos parecem querer esquecer o que realmente está em causa, como diz João Gonçalves, e que o que vamos julgar é o governo de José Sócrates, olhando para o país e vendo que está pior hoje do que há quatro anos atrás. O voto vai sobretudo dizer se queremos mais do mesmo. Como se costuma dizer, em democracia são sobretudo os governos que perdem, e não as oposições que ganham. Por isso, e por muito que a comunicação social queira com a sua intolerância, impaciência e má fé face a MFL, não são as suas supostas (ou não) gaffes, lapsos, comentários menos felizes, casos (alegados ou não) ou até um raciocino imediatamente toldado por uma sintaxe incompreensível, mas que deu luta e teve graça, sem tentar ser engraçada, na entrevista dos Gatos Fedorentos, que vão a votos. José Sócrates e o que ele fez em quatro anos de governo é que sim.
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13.9.09

A Problemática das Marquises

Logo nos primeiros momentos do debate de ontem, Manuela Ferreira Leite marcou pontos, distanciando-se do seu rival José Sócrates ao expor de forma ousada e frontal a sua “credibilidade” de uma vida construída com trabalho, quer académica quer profissionalmente. Houve quem lhe levasse a mal tal exposição (preferiam certamente vê-la a dizer que chora a ver filmes românticos no programa “como nunca os viu" da SIC). Houve quem o considerasse falta de delicadeza, coisa que não se entende, pois ela tem todo o direito de se orgulhar do seu percurso académico e profissional. Que culpa tem ela de não ter assinado projectos de marquises ,nem de ter tirado uma licenciatura a um Domingo ,nem tão pouco de ter feito uma cadeira universitária de Inglês Técnico por fax? É isto que melindra os comentadores e opinadores, porque há um pacto de silêncio sobre o percurso do Primeiro-ministro e lembrá-lo desagrada a José Sócrates. So what? Mas porque teria MFL que se calar e pactuar com esse silêncio? Não só fez bem, como se demarcou de um certo estilo de “ser” que ela não "é". Mostrou frontalidade e coragem, valores pouco usuais neste país de consensos, paninhos quentes e amiguismos. Mas a sua frontalidade não ficou por aqui.

Ao longo do debate MFL marcou pontos trazendo a política para a mesa e deixando de lado a propaganda, a demagogia e as frases decoradas tão do agrado de JS. Foi assim na análise que fez da economia portuguesa antes da crise internacional ousando dizer que esta só foi boa para JS que se serve dela para esconder as suas más políticas económicas e justificar os maus indicadores económicos nacionais. Foi assim ou lembrar a recusa de José Sócrates em ver a crise económica internacional e reconhecê-la tarde. Foi assim ao recusar falar de casos da justiça, mesmo em seu benefício. Foi assim com a crítica que fez a JS de não ter falado toda a verdade sobre as pensões, a desvalorização das ditas até 50%. Foi assim sobre a pressão espanhola no caso do TGV, apesar de ter sido um pouco confusa a formulá-lo. Foi assim sobre a política económica da ajuda e do subsídio em vez de uma política de promoção da riqueza, que lhe valeu um momento genuino e politicamente incorrecto, e por isso tão criticado quando menciona o caso da criança que mata os pais para se dizer orfã, perante o ar escandalizado e reprovador de José Sócrates, o guru do politicamente correcto. MFL não é fotogénica, nem tem talento retórico para embasbacar os simples nem tão pouco para agradar a quem (por má fé, ou incapacidade) não queira perceber o que ela diz. Mas as suas ideias políticas são claras como água, e quando não são ela diz que não sabe, que não promete, que não se pronuncia. Manuela Ferreira Leite pode não resolver os problemas todos do país, nem é um génio político infalível, mas é credível, frontal, educada apesar de não ceder a nenhum tipo de complacências, e colocou quase sempre José Sócrates à defesa.
(continua)
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7.9.09


No debate de ontem entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã, era impossível não notar, por trás de uma atitude calma e tranquila, a impaciência – ou mais prosaicamente falando, a falta de pachorra, pois é disso que se trata - de MFL face ao discurso de FL. Francisco Louçã é um desses talentos falantes com qualquer coisa de mecânico e automático que parece só precisar que se insira uma moedinha para termos o benefício de um discurso empolgado e retórico, cheio de palavras frases feitas e ideias de esquerda marteladas para ouvidos modernos e ressabiados ou para aqueles que ainda não se tenham conseguido libertar do “complexo de esquerda”. Não importa a verosimilhança do que diz, o compromisso responsável do que propõe ou a honestidade interpretativa de coisas que só ele lê onde elas não estão. Tudo isso é secundário face ao caudal inesgotável (e tão irritante, meu Deus) de palavras que lhe saem da boca. MFL não sabe bem lidar com isso: não lhe está na natureza, e parece não ter interesse em querer aprender e saber dialogar “ao metro”. Momentos houve, no debate, em que me pareceu notar nela umas pequeníssimas pausas, como que uma “ausência” brevíssima de quem ainda não acredita que está ali, a debater com aquele que não se cala mas que diz nada (eu sei que este “nada” seria merecedor de um outro texto, mas o ataque aos “ricos” e os temas “fracturantes”, entre outros, já têm sido merecedores de atenção) e do qual tudo a separa. Um bom treino para o debate com José Sócrates.

9.7.09


Parece que o Zé "faz falta" a ele próprio. Nada que não estivesse já há muito escrito nas estrelas.

Os ganhos na auto-estima dos participantes é um dos efeitos que mais compensou e que, a médio prazo, poderá revolucionar o tecido empresarial. Finalmente, a auto-estima elevada a objectivo político com garantidos efeitos revolucionários a médio prazo.

Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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5.6.09

Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa!

Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa!

Esta frase que Paulo Rangel elegeu para palavra de ordem é um alívio para a alma. Estamos fartos de socialismo. Abstenho-me agora de comentar José Sócrates, a sua imagem cultivada em think tank de marketing, as suas frases inventadas em laboratório de ideias e desenhadas e arquitectadas de modo a bastarem-se por si, no discurso redondo que usa tão típico dos monólogos por ele promovidos às horas que lhe convém, não vale a pena agora explorar o que ele representa de superficialidade e frivolidade, nem alongar-me nas incessantes dúvidas sobre o seu percurso e as razoáveis dúvidas sobre o seu carácter. Deixemos isso hoje.

Basta de socialismo! Estamos fartos do peso do Estado do seu excessivo poder, do crescente endividamento da sociedade portuguesa, do constante e crescente peso do fisco sobre as pessoas e as empresas, da prepotência das medidas tomadas aleatoriamente, dos ajustes directos entre o estado e empresas que promovem as ideias que geram anúncios que nem sempre se vão realizando. Estamos fartos de projectos megalómanos que servem para dar a ilusão e a patine moderna ao país pobre em dinheiro e em espírito que somos. Parafraseando Vasco Pulido Valente hoje no Público: para um povo melancólic(o), desiludid(o) e sem esperança. Que lhe pode trazer um novo regime: uma terceira auto-estrada?

Paulo Rangel conseguiu gerar algum ímpeto e entusiasmo numa campanha eleitoral que normalmente mobiliza pouco e em que a Europa e os seus impasses foram os grandes ausentes, mas que permitiu ao eleitor aperceber-se e ver que se desenha uma alternativa ao PS e a José Sócrates. Muito mérito de Paulo Rangel certamente, mas mérito também de Manuela Ferreira Leite. A líder do PSD que não entusiasma ninguém, que fica bem criticar, e que se confronta diariamente com a má fé e com os seus maiores críticos dentro do seu partido, é a grande responsável pela escolha e pelas decisões tomadas no PSD. Por muito hábil, e comum, que seja a retórica iluminada que tente demarcar Paulo Rangel de MFL, não o conseguirão. Qualquer vitória dele será sempre uma vitória dela. Eu espero por Domingo, e espero que Domingo um passo mais na direcção do Basta de Socialismo na Sociedade Portuguesa! seja dado.
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1.3.09


Tirando a Dra. Manuel Ferreira Leite e uns milhares de ingénuos de província, o PSD não quer ganhar a eleição de Outubro. Meia dúzia de notáveis, a começar por Passos Coelho, querem suceder a Manuela. Dezenas de caciques querem as câmaras. Marcelo quer (presumivelmente) a presidência. E muita gente (mais do que se julga) quer a desforra. E, para chegar a esses nobres fins, quem se importa de abrir a porta ao PS de Sócrates? Quanto ao país, ele que se arranje como puder. E se puder.
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje

Se ainda houvesse alguém iludido, Vasco Pulido Valente neste artigo acabaria com as ilusões. Este último parágrafo que aqui reproduzo não podia ser mais claro: ninguém, incluindo ele próprio, pelo que deduzo do restante artigo, está interessado em que MFL ganhe as legislativas, pelas razões que ele apresenta e que já todos conhecíamos. Tem toda a razão. Eu só não diria que a excepção são uns milhares de PSDs ingénuos de província. Há toda uma panóplia de portugueses, (talvez não tantos como gostaria) que não sendo militantes do PSD (nem sendo gente ingénua nem de província), se revê nessa área e preferiria mil vezes a Dra. Manuela Ferreira Leite com todas as suas limitações, (pseudo) gaffes, e intervenções a despropósito e fora de tom (citando VPV) mas feita de matéria nobre e genuína, a José Sócrates, figura feita de matéria plástica e de passado duvidoso que facilmente encalha em qualquer tipo de escrutínio que lhe seja feito, e cujo mandato como primeiro-ministro se tem revelado desastroso, sem nada de verdadeiramente estruturante feito nestes últimos quatro anos pelo país, e sempre mostrando um desprezo pelos portugueses, pela liberdade e pela democracia. No seu mandato, Portugal distancia-se cada vez mais dos restantes países europeus, coisa que nem a crise financeira e económica internacional conseguirá disfarçar. A alegada falta de jeito de Ferreira Leite, será bem-vinda se com ela vierem medidas menos populistas e demagógicas, maior seriedade, contenção, honestidade e transparência na forma de fazer política.
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18.1.09

Da Má Fé

Ontem, no Jornal da Noite da SIC anunciava-se mais uma gaffe de Manuela Ferreira Leite a propósito do caso do jornalista da Lusa que teria ido fazer “queixinhas” ao PS Espanhol sobre a posição do PSD em relação ao TGV. Já percebi de está na moda falar das gaffes de MFL, e eu fico perplexa com essa moda. Por gaffe entendo lapsus linguae, descuidos, mas sobretudo enganos involuntários, isto é, dizer sem querer, algo que não se queria dizer. Nada mais longe do que acontece com MFL. Ela sabe perfeitamente o que está a dizer e não o diz com leveza nem de cabeça no ar. Ela pode estar errada, pode não “ter jeito” (seja lá o que isso for) para dizer as coisas, pode ter sido mal informada, pode até ser inoportuna, mas que não se chame gaffe ao que ela diz e que quer realmente dizer. MFL não é Santana Lopes. MFL é ousada e até espontânea – e tão diferente de José Sócrates - na maneira algo brusca de dizer o que pensa. Os seus discursos e intervenções não passam pela peneira do marketing comunicacional político, e isso choca uma comunicação social entorpecida e embrutecida pelo socialismo no poder que quando ouve algo mais “brusco” contra o status quo e a manipulação a que ela própria está sujeita, imediatamente tenta desvalorizar e menorizar. Chamar gaffe ao que MFL diz é mais uma das forma em que a sistemática má fé de grande parte dos media em relação à líder do PSD se manifesta. Muita indignação se ouviu, mas afinal ainda ninguém desmentiu o jornalista em causa tenha ido falar ao PS espanhol, pois não?
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10.1.09


Manuela Ferreira Leite ontem no Jornal Nacional da TVI à vontade, tranquila, mas muito clara, frontal, incisiva na crítica às medidas do governo para combater a crise exercendo cada vez mais o seu controle sobre a economia, e segura dos seus argumentos e da validade dos mesmo.s E tem toda a razão em cada crítica que apontou a José Sócrates e no caminho que traçou. Tudo o que disse faz todo o sentido. Espero que a comunicação social, no seu papel de informar, dê o destaque merecido às suas declarações.

Tem razão João Gonçalves na análise que faz do comentário de VPV no Jornal Nacional da TVI de ontem (hoje também se pode ler aqui a mesma ideia). Para além de ser incomparável a nossa AR com a Câmara dos Comuns, convém lembrar que na Assembleia da República está quem o partido designa para as listas e aceita nelas estar (Manuela Ferreira Leite não quis integrar as listas, era presidente do PSD Pedro Santana Lopes) e na Câmara dos Comuns está quem o eleitorado escolhe.
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5.12.08



Manuela Ferreira Leite fez bem em estranhar a ausência de 30 deputados do PSD das votações de hoje na Assembleia da República: colocou a pergunta e chamou quem de direito, responsabilizando os deputados ausentes pelo resultado das votações, mas não fez discursos, não posou para fotógrafos , não inventou um slogan nem uma frase esperta para colar aos ouvidos dos eleitores, não foi a um mercado falar com as vendedoras e fingir surpresa ao ver os jornalistas, não fez um vistoso directo para os noticiários das 8, mas o sinal que dá é inegavelmente forte, quer interna quer externamente.


Maria de Lurdes Rodrigues é cada vez mais um fantasma de si. Parece que tudo lhe correu mal, desde o momento zero, mesmo com uma vontade legítima à partida. Mas a realidade e o ano eleitoral que se avizinha é mais forte do que qualquer vontade de reforma. Ela já lá não está, e deveria sair: não se pode em dias consecutivos defender coisas opostas. Tira credibilidade, respeito a si, e é uma perda de honorabilidade.


Dias Loureiro parece estar cada vez mais cercado e ameaça arrastar consigo outros nomes sonantes do regime. Nada que nos admire, mas veremos até onde é que as investigações irão. Hoje a TVI lançou muitos nomes para cima da mesa de confusões que é o caso BPN. O Presidente da República deve estar desconfortável. Dias Loureiro deveria libertar o Presidente saindo do Conselho de Estado. É a coisa certa a fazer.



23.11.08

Igual a si Própria

Não me apetece fazer um quadro comparativo entre as várias personalidades e carácter dos nossos políticos, nem da forma como eles vivem o ser políticos, mas realmente não percebo que se espere, conte e coleccione as, presumíveis ou não, gaffes de Manuela Ferreira Leite como quem conta as gaffes de Pedro Santana Lopes ou quem conta as desaventuras (diploma, por exemplo) e horrores (“venda” de Magalhães na cimeira Ibero-Americana, por exemplo) do nosso actual primeiro-ministro. MFL é assim: um pouco rude, frontal, sem “jeito” para “a coisa”, séria, até sisuda e nunca pretendeu ser o que não era, nunca pretendeu parecer o que não é, nunca pretendeu mudar o seu “estilo” de fazer política, nunca tentou convencer ninguém que era diferente, nem tentou aprender e dominar técnicas de comunicação e marketing político. E depois as suas “gaffes” mais não são mais do que o reflexo destas características já tão conhecidas – ela não é propriamente uma novata em matéria de vida política. Elas não são propriamente passos em falso, numa já de si encenada falsidade em que tantos outros políticos se movem deslizando para nos fazer crer em algo que nunca é. As chamadas “gaffes” de MFL, de facto nunca o são, porque são manifestações de genuíno “sem jeito” e não pedaços do script que ficou por estudar, ou esqueletos que saem aos tombos dos armários que não ficaram convenientemente bem fechados (parece que nunca ficam). Por isso me parece estranho o interesse em contabilizar as vezes que MFL é igual a si própria. Goste-se ou não, e é tão legitimo gostar como não, pelo menos ela tem esse mérito já tão raro: ser igual a si própria.

8.11.08

Avaliar 2

Sou uma grande defensora de avaliação recorrendo a entidades externas. Não só para professores, mas para alunos também. Aliás acho que se respiraria um ar muito mais puro e salutar se as avaliações de alunos e professores saíssem da alçada do Ministério da Educação. Só assim também se poderá garantir um mínimo de independência e isenção de interesses políticos de gabinete e de jeitinhos que se fazem para dar outros números às estatísticas. Muitos países adoptam este método com sucesso e eficácia. Manuela Ferreira Leite mostra coragem em apoiá-lo e em mostrar vontade de o ver implementado em Portugal, o que considero uma importante inovação (muito mais importante do que as inovações dos gadjets tecnológicos), mas gostaria sinceramente que esta ideia não passasse de palavras ocas num discurso de circunstância em dia de mais uma manifestação de professores. Seria bom que ao propor um projecto sério e concretizável de avaliação ela se demarcasse da vaga “anti-avaliação” que nunca explicitamente, mas certamente de forma implícita domina a classe dos professores. Esse é que é o desafio.

28.10.08

A ligeireza e ignorância quer em termos gerais, quer no que diz respeito ao Portugal real (distante desse país ficcional ao qual ele sempre se dirige e para quem o seu governo age) de José Sócrates são bem patentes na forma como ele, já assumidamente em campanha eleitoral, lida com a crise. Ora uma crise financeira e económica desta dimensão (em duas vertentes não dissociáveis, porque representa uma enorme convulsão e porque é global) é incompatível com a estratégia de campanha eleitoral preparada há meses nas suas agências de comunicação e de marketing político em diálogo com os gabinetes. José Sócrates não está a saber fazer a adaptação dessa estratégia ao Portugal real num mundo real. Manuela Ferreira Leite lembrou bem.

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