Com o entusiasmo e urgência de quem quer uma caderneta de cromos do mundial, pede um Magalhães. Os argumentos contra são enumerados, são claros, são imbatíveis, são inflexíveis. Segue-se uma crise quase existencial que se ignora estoicamente. Um dia vem o argumento a favor, último e arrasador: a professora perguntou se já todos tínhamos o Magalhães porque mais tarde vamos usá-lo, e já todos (um todos que carrega o peso do mundo) têm, menos eu – dito com a raiva própria das grandes vítimas da injustiça. Semanas depois chega o Magalhães. Desfaz-se o pacote e liga-se o computador com o entusiasmo de sempre. Explora-se o seu potencial (tão limitado, não é?) e jogam-se os jogos, que fáceis demais, depressa se esgotam. Poucas semanas depois, menos do que as semanas que demora a esquecer a caderneta de cromos, o Magalhães dorme sono profundo num canto esquecido, quem sabe à espera que a professora o chame. Já passaram quase dois anos. Houve eleições, crise, mudança de prioridades, mudança de Ministra de Educação. A professora nunca mais falou do Magalhães, nunca o pediu, nunca o utilizou. Ainda bem.
“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com
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26.5.10
16.3.10

Já não é mau e até é um bom primeiro passo, mas a autoridade na escola (tal como a exigência, a responsabilidade, uma menor carga burocrática para os professores, etc) reforça-se com uma maior autonomia da escola, até para que a "sociedade a reconheça". E, claro uma autonomia das entidades avaliadoras.
11.3.10
Do "Bullying"
Entre as autoridades que “palitam os dentes” (e são a imagem da Autoridade no país), e as “comissões interdisciplinares”, o “bullying” entra para a agenda mediática. Por um lado uma velha tradição do: se apanhares, bate com mais força, aguenta, não faças queixinhas e aprende a ser homem (há também uma versão feminina mais insistente no “aguenta”) pois é assim que se forja o carácter; e por outro lado a nova postura proteccionistas dos pais de filhos hiper desejados e planeados, “ai Jesus, que fizeram mal ao meu menino” e que leva os ditos pais dos ditos filhos hiper desejados, planeados, e agora tiranos, à escola em tom de ameaça ao mínimo desagrado ou empurrão que aconteça à criança que é, de tanto ser desejada e caprichada, incapaz de gerir a contrariedade e que entra logo em “descompensação”. Uma coisa é certa: hoje ser escola é difícil: não há tempo para olhar para os alunos com a atenção merecida quer na sala de aula quer no recreio, onde ninguém vê com olhos de ver. Na sala de aula o professor tem pouca autoridade e muita burocracia; no recreio, onde depressa vêm à tona os comportamentos mais problemáticos há escassez de pessoal qualificado a tomar conta das crianças. Este “tomar conta” deveria pressupor um olhar atento, um detectar de padrões comportamentais diferentes, uma intervenção mais clara, firme e segura no caso de confirmação desses padrões de comportamentos violentos e abusivos. Na escola fecham-se os olhos, ninguém do lado dos adultos tem essa vontade de firmeza e segurança: todos temem as consequências – em burocracia e em contestação pelos pares e pelos pais - de “contrariar” os alunos, de denunciar violências, de impor uma disciplina firme, mas justa. Ninguém já deve saber o que isso é, pois os teóricos da pedagogia e da psicologia que é dada à força aos professores encontram sempre uma explicação e justificação desculpabilizantes para a violência de uns e de outros, fica de fora a vítima que vê desvalorizada uma queixa real. Venham então as comissões multidisciplinares, serão um bom pretexto para criar mais um organismo público: um “Observatório” para violência nas escolas. Se não fosse trágico, apetecia rir. O bullying é só mais uma face da enorme violência e indigência do quotidiano do mundo em que estamos, e em que também o respeito que o outro merece é secundarizado face a proveitos e satisfações mais imediatos.
8.1.10
Um Pouco de Bom Senso Nunca Fez Mal a Ninguém
Por isso saúdo o fim da conflitualidade entre o governo e os professores. Dizem que o óptimo é inimigo do bom, e acredito que este acordo não seja o ideal para nenhuma das partes, mas foi o possível e creio que o facto de se declarar findo o período hostil é, só por si, uma coisa boa para a sociedade em geral e para as escolas em particular. Acredito também que ambas as partes estivessem interessadas e empenhadas em procurar um acordo e o bom senso impôs-se, depois de anos de finca-pé e de inabilidades. Ainda bem.
Depois de tranquilizado o ambiente na educação, talvez fosse uma boa ideia dar alguns passos em frente e trabalhar em duas ou três ideias de fundo (que não são novas e às quais já me referi noutras ocasiões) para melhorar a educação em Portugal. Primeiro, reduzir a burocracia, o excesso de relatórios e da tanta papelada a que os professores hoje estão sujeitos e que rouba tempo aos professores cuja prioridade deveria estar centrada no ensino e na sala de aula.
Em segundo lugar, dar uma maior autonomia às escolas, quer na contratação de pessoal docente, quer no estabelecimento de regulamentos internos próprios, nomeadamente no que se refere à forma de lidar com a indisciplina, quer no desenvolvimento de projectos curriculares próprios (já nem ouso falar na definição dos programas a leccionar, e das disciplinas instituídas).
Em terceiro lugar ousar algo de importante para a credibilização do ensino: a separação institucional (uma privatização, por exemplo) da tarefa de avaliação dos alunos da tutela do Ministério da Educação, medida que me parece fundamental para uma avaliação realmente independente das circunstâncias e das pressões políticas (anos eleitorais, necessidade de melhorar as estatísticas de sucesso escolar, etc) e mais consistente.
16.7.09
Com tantos jovens portugueses impedidos de estudar medicina, e com tantos outros, com meios financeiros, forçados a estudar medicina noutros países, porque cá não tiveram notas suficientemente elevadas para entrar nas diferentes faculdades de medicina, este absurdo, serve quem exactamente? E a política de acesso às faculdades de medicina vai-se manter? Para servir quem? Ninguém percebe que isto é mau demais e que já chega? Eu sei que este post é pouco original, mas notícias deste género, apesar de se repetirem com regularidade, ainda mantêm intacto o poder de me revoltar..
14.7.09
Do Rigor 2
As notas do exame de Português do 9º ano foram más, não porque o exame fosse difícil, que não foi, mas porque os critérios de avaliação são uma aberração e as indicações e contra-indicações de ME sobre eles parecem saídos de uma sitcom. Pretende-se avaliar o Português como quem avalia a Matemática, mas sem o seu rigor e o seu inequívoco "errado". É totalmente desencorajada a leitura pessoal dos textos, a criatividade perante um objecto (num exame com três textos, só dois eram literários e só um um clássico da língua) bem como a interpretação individual (a “recriação” do objecto) que não siga os rigorosos e (pseudo) objectivos critérios estabelecidos para as respostas. Foi por isso que os bons alunos não brilharam, os maus se safaram e todos ficaram num caldo de notas medianas muito igualitário. Mas ninguém se importa muito: como estes exames só contam 30% para a nota final, raros são os casos em que os resultados realmente fazem diferença. As férias estão à porta e é preciso virar a página inscrevendo os alunos no secundário, quem quer por isso e nesta altura chatear-se com uma nota que “vale” pouco? No fundo, no fundo, no ensino básico é tudo a feijões.
O ensino em Portugal tem sido ao longo do tempo uma verdadeira comédia de costumes. Estes últimos anos esmeraram-se. Pena que os estudantes sejam cobaias de experimentalismos, estatísticas, buscas de consensos culturais e mediáticos, critérios medianos e de finca-pés políticos. Parece que nunca se consegue estabelecer uma rotina em que se conhece a política educacional, em que é previsível o estilo, o rigor e o bom-senso.
(Quem gostar da língua Portuguesa, quem achar, como eu, que o ensino da nossa língua é vilipendiado nos programas escolares, e sobretudo quem quiser “perder” algum tempo pode verificar o exame e os ditos critérios de avaliação aqui).
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O ensino em Portugal tem sido ao longo do tempo uma verdadeira comédia de costumes. Estes últimos anos esmeraram-se. Pena que os estudantes sejam cobaias de experimentalismos, estatísticas, buscas de consensos culturais e mediáticos, critérios medianos e de finca-pés políticos. Parece que nunca se consegue estabelecer uma rotina em que se conhece a política educacional, em que é previsível o estilo, o rigor e o bom-senso.
(Quem gostar da língua Portuguesa, quem achar, como eu, que o ensino da nossa língua é vilipendiado nos programas escolares, e sobretudo quem quiser “perder” algum tempo pode verificar o exame e os ditos critérios de avaliação aqui).
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9.7.09

Parece que o Zé "faz falta" a ele próprio. Nada que não estivesse já há muito escrito nas estrelas.
Os ganhos na auto-estima dos participantes é um dos efeitos que mais compensou e que, a médio prazo, poderá revolucionar o tecido empresarial. Finalmente, a auto-estima elevada a objectivo político com garantidos efeitos revolucionários a médio prazo.
Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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Se não "rasga", nomeadamente uma grande parte das supostas "medidas sociais" feitas à pressa para cumprir calendário de anúncios eleitorais, eu lamento.
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20.6.09
Do Rigor
As intenções de rigor e exigência patentes na linha traçada pela Ministra da Educação deste governo de José Sócrates estão a desfazer-se perante o nosso olhar. O resultado dos testes de aferição dos 4º e 6º anos com a sua percentagem de positivas de 90% desmente qualquer tentativa séria de avaliação e qualquer intenção de rigor na escola em geral e do ensino - o que de facto se aprende – em particular. O cenário parece querer repetir-se no caso dos exames nacionais do 9º ano, em que estes, ao contrário dos anteriores que são irrelevantes e um desbaratar de recursos para um resultado “político” e estatístico simpáticos, já contam para a nota final - uns meros 30%, mas pelo menos poderão eventualmente fazer alguma diferença. O exame de Português foi muito fácil, dizem os alunos. De facto e depois de olhar com mais atenção deparo-me com esta pergunta extraordinária (que neste vídeo do Público alguns alunos disseram ser a parte mais difícil de um exame facílimo e “básico”) sobre um excerto dos Lusíadas, as estrofes 122 e 123 do Canto III:
Redige um texto expositivo (...) no qual explicites (*) o conteúdo das estrofes 122 e 123. O teu (*) texto deve incluir:
• uma parte introdutória em que identifiques (*) o episódio a que pertencem as estrofes e as personagens históricas nelas mencionadas;
• um desenvolvimento, no qual indiques (*) a decisão referida na segunda estrofe e as razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão;
• uma parte final, em que refiras (*) o sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e a razão que originou esse sentimento.
Lendo esta questão percebemos que o enunciado dá a resposta: explicita a sua estrutura (limitando a escolha) e aponta as soluções; só não escolhe as palavras para responder. Com perguntas destas em que a resposta está à partida formatada e dada é impossível errar e difícil premiar a diferença do mérito de quem sabe e estudou aquele bocado mais que faz a diferença entre o bom e o muito bom. Não sou favorável a que se façam exames dificeis, mas tem que haver em qualquer exame uma ou duas questões feitas para que se pense, para premiar o esforço e trabalho de quem estudou um pouco mais e um pouco melhor. Um exame destes é paternalista, limitativo e condiciona o estudante cortando-lhe criatividade. O bom aluno e o mau darão resposta iguais. Enfim, tudo muito mau, muito medíocre, muito igual, desse perigoso igualitarismo pastoso com que insistem em nos moldar a todos. Se é para isto que serve o rigor...
Notas:
Redige um texto expositivo (...) no qual explicites (*) o conteúdo das estrofes 122 e 123. O teu (*) texto deve incluir:
• uma parte introdutória em que identifiques (*) o episódio a que pertencem as estrofes e as personagens históricas nelas mencionadas;
• um desenvolvimento, no qual indiques (*) a decisão referida na segunda estrofe e as razões que, segundo o narrador, motivaram essa decisão;
• uma parte final, em que refiras (*) o sentimento expresso pelo narrador com a interrogação final e a razão que originou esse sentimento.
Lendo esta questão percebemos que o enunciado dá a resposta: explicita a sua estrutura (limitando a escolha) e aponta as soluções; só não escolhe as palavras para responder. Com perguntas destas em que a resposta está à partida formatada e dada é impossível errar e difícil premiar a diferença do mérito de quem sabe e estudou aquele bocado mais que faz a diferença entre o bom e o muito bom. Não sou favorável a que se façam exames dificeis, mas tem que haver em qualquer exame uma ou duas questões feitas para que se pense, para premiar o esforço e trabalho de quem estudou um pouco mais e um pouco melhor. Um exame destes é paternalista, limitativo e condiciona o estudante cortando-lhe criatividade. O bom aluno e o mau darão resposta iguais. Enfim, tudo muito mau, muito medíocre, muito igual, desse perigoso igualitarismo pastoso com que insistem em nos moldar a todos. Se é para isto que serve o rigor...
Notas:
- (*) Não percebo também a necessidade de, em circunstâncias formais e oficiais, que é o que os exames nacionais são, tratar o interlocutor, mesmo que seja aluno, por “tu”, mas isso será esquisitice minha.
- Como pude constatar (ou confirmar) no vídeo, os umbigos à mostra deram lugar este ano aos “cai-cai”. Também houve quem fizesse o exame de fato de banho com top de alças por cima. No vídeo não pude confirmar as calças dos rapazes pelo meio do rabo a mostrar calções de banho ou boxers, mas aposto que todos andavam de chinelas havaianas. Tenho que dar razão à Sra. Ministra que timidamente e noutros tempos menos eleitoralistas, ousou falar em fardas para as escolas.
4.6.09
Educação Sexual na Escola
Eu sou muito crítica em relação a muito do que é a Escola hoje. E por escola entendo quer a escola pública, quer a privada, pois ambas têm que seguir as disciplinas, os programas e os horários estabelecidos pelo Ministério da Educação. Em Portugal não há, infelizmente, verdadeira liberdade no ensino. A escola privada não pode escolher os seus programas, os pais não podem escolher o que os filhos aprendem. Ninguém se queixa muito!
Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.
Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.
Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.
Não gosto nem das disciplinas, nem tão pouco da distribuição horária. Ao fim de todos estes anos ainda estou para perceber o que é que no ensino básico se aprende, ou quais as mais valias de disciplinas como Educação Cívica (bullshit de quem tem medo da palavra “moral”), Área Projecto (twice bullshit que só serve para debitar banalidades “criativas” em power-point) e Estudo Acompanhado (thrice bullshit). Continuo a perguntar-me se não era melhor usar este tempo para a Matemática, o Português, a História, o Inglês. A distribuição da carga horária parece-me peculiar, há disciplinas cujos dois blocos semanais são dados seguidos – os célebres 90 minutos - e no mesmo dia da semana, claro, o que me parece verdadeiramente antipedagógico sobretudo num país com tantos feriados. Em cada trimestre há sempre um dia da semana que sai penalizado em relação aos outros.
Não gosto de muitos dos programas que conheço: lamento que o programa de Língua Portuguesa se faça totalmente até ao 9º ano à margem dos clássicos da Literatura Portuguesa. Lamento que a gramática seja palco de sucessivas experiências que umas avançam, outras avançam para depois (e felizmente) recuarem (lembrar a TLEBS). Não gosto do Estudo do Meio do 1º Ciclo em que cedo obrigam os meninos a conhecerem o 25 de Abril e a longa noite escura do fascismo de Salazar, antes de saberem quem é D. Afonso Henriques. Não gosto do tom das Ciências Naturais e muito menos do programa de Geografia (3ª Ciclo) em que os estudantes aprendem tantas competências que mal sabem onde são os cinco continentes e principais (maiores) países, mas sabem distinguir os diferentes tipos de planta das cidades (planta irregular, concêntrica ou ortogonal, segundo creio), sabem os problemas ambientais, mas não sabem onde fica o Sri Lanka ou a Bolívia. Poderia dar mais exemplos noutras disciplinas e se mais conhecesse, mais criticava com toda a probabilidade.
Dito isto, não tenho razão para esperar vir alguma vez a concordar com o teor do programa de Educação Sexual que este governo, tão amigo dos temas fracturantes e radicais, pretende implementar. Também confesso que isso não me preocupa tanto assim. Afinal, nos dias que correm é mais fácil em casa falar de preservativos, Kama Sutra ou homossexualidade do que dar a conhecer Fernão Lopes, Júlio Dinis ou Camilo Castelo Branco.
20.5.09
Elogio do Nada
Hoje é dia de Prova de Aferição de Matemática para os 4º e 6º anos de escolaridade. As provas não contam para a nota e, tal como aconteceu com a prova de Língua Portuguesa, esta de Matemática deverá também ser fácil. As “provas” não são “exames”, conceito aterrorizador para as criancinhas, (esta dança de vocábulos no mundo do ensino é espantosa), e as criancinhas não podem ser reprovadas, pois há que combater a discriminação e exclusão, altamente traumatizantes e desmotivadoras, e fazer testes fáceis para que nunca se premeie a excelência, dedicação, esforço e trabalho, e para que possamos ser todos cada vez mais iguais, mais banais, mais medíocres.
Pergunto-me, então, para que servem realmente estas provas, e qual o mérito – sobretudo para os alunos, claro – desta política de Provas de Aferição. São meios, nomeadamente financeiros, que se mobilizam para realizar estas provas que não servem para nada. Perdão, servem fabricar e dar “credibilidade” a umas estatísticas falaciosas sobre a qualidade do ensino em Portugal. Servem para a imagem, o verdadeiro interesse e a real obsessão deste governo PS. Dar a imagem de um Portugal melhor: lavar a fachada, esfregar a soleira da entrada, pintar a porta, o que está dentro pouco interessa.
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Pergunto-me, então, para que servem realmente estas provas, e qual o mérito – sobretudo para os alunos, claro – desta política de Provas de Aferição. São meios, nomeadamente financeiros, que se mobilizam para realizar estas provas que não servem para nada. Perdão, servem fabricar e dar “credibilidade” a umas estatísticas falaciosas sobre a qualidade do ensino em Portugal. Servem para a imagem, o verdadeiro interesse e a real obsessão deste governo PS. Dar a imagem de um Portugal melhor: lavar a fachada, esfregar a soleira da entrada, pintar a porta, o que está dentro pouco interessa.
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26.4.09

A propósito da extensão do ensino obrigatório para 12 anos (pretexto para o meu post de ontem) é de ler o artigo hoje no Público de António Barreto do qual transcrevo o parágrafo final:
Esta teria sido uma excelente oportunidade para repensar o ensino secundário, a sua função e a sua natureza. Poder-se-ia ter examinado o ensino profissional equiparado ao secundário, dando-lhe mais importância. Era uma ocasião excelente para revigorar o ensino tecnológico, que este Governo promoveu, é certo, mas que espera pela definição de uma vocação forte e de uma missão de longo alcance. Teria sido possível rever questões fundamentais como sejam a duração do secundário ou a organização curricular que, actualmente, deixa muito a desejar. Era a altura ideal para apreciar serenamente a articulação do secundário com o ensino superior, tanto politécnico como universitário. Era uma grande oportunidade, era. Mas já não é.
E não é porque é mais importante anunciar neste frenesim mediático do que planear e reformar.
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Esta teria sido uma excelente oportunidade para repensar o ensino secundário, a sua função e a sua natureza. Poder-se-ia ter examinado o ensino profissional equiparado ao secundário, dando-lhe mais importância. Era uma ocasião excelente para revigorar o ensino tecnológico, que este Governo promoveu, é certo, mas que espera pela definição de uma vocação forte e de uma missão de longo alcance. Teria sido possível rever questões fundamentais como sejam a duração do secundário ou a organização curricular que, actualmente, deixa muito a desejar. Era a altura ideal para apreciar serenamente a articulação do secundário com o ensino superior, tanto politécnico como universitário. Era uma grande oportunidade, era. Mas já não é.
E não é porque é mais importante anunciar neste frenesim mediático do que planear e reformar.
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20.1.09

Pedro Passos Coelho, uma produção fictícia e mediática, diz por um lado e desdiz por outro. Diz que não faz oposição activa à líder do PSD e contradiz tudo o que ela diz, cheio de ressalvas e discursos redondos. Agora do alto da sua cátedra discorre sobre o porquê da bondade de uma baixa de IRC e o porquê da perversidade de uma baixa de IRS numa declaração que merece ser lida pelo vazio que encerra.
Hoje um grupo de Pais mostrou que finalmente está a acordar para o que tem sido e promete ser a escola em Portugal vítima do conflito entre o Ministério da Educação e os professores. Alguém devia quantificar os custos do actual conflito e saber definir o prejuízo que já causaram aos alunos espalhados por esse país fora. Não falo daquelas estatísticas, feitas para enganar os números que dão a imagem do nosso país dentro e fora, e que são baseadas nos conhecimentos dos alunos e em que lhes são pedidos no 9º ano de escolaridade as competências e conhecimentos do 6º ano, podendo assim qualquer aluno fraco ter notas espantosas, falo da instabilidade nas escolas, das faltas, das aulas que mal se dão, etc. Estes pais pedem ao PR que use da sua influência para pôr fim à crise na educação. Os sindicatos, depois das cedências da Ministra, num conflito que o governo nunca soube gerir sabiamente, sabem que ainda têm poder negocial e vão tentar aproveitá-lo em ano de eleições e em ano em que os sinais de descontentamento na rua são de temer e evitar, mas as repercussões deste conflito estão por medir. Como é que é afectada a escolaridade dos alunos? O que é que o ensino em Portugal ganhou com esta guerra entre o Ministério da Educação e os professores? Será que alguma vez, e sem enganos, o chegaremos a saber?
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Hoje um grupo de Pais mostrou que finalmente está a acordar para o que tem sido e promete ser a escola em Portugal vítima do conflito entre o Ministério da Educação e os professores. Alguém devia quantificar os custos do actual conflito e saber definir o prejuízo que já causaram aos alunos espalhados por esse país fora. Não falo daquelas estatísticas, feitas para enganar os números que dão a imagem do nosso país dentro e fora, e que são baseadas nos conhecimentos dos alunos e em que lhes são pedidos no 9º ano de escolaridade as competências e conhecimentos do 6º ano, podendo assim qualquer aluno fraco ter notas espantosas, falo da instabilidade nas escolas, das faltas, das aulas que mal se dão, etc. Estes pais pedem ao PR que use da sua influência para pôr fim à crise na educação. Os sindicatos, depois das cedências da Ministra, num conflito que o governo nunca soube gerir sabiamente, sabem que ainda têm poder negocial e vão tentar aproveitá-lo em ano de eleições e em ano em que os sinais de descontentamento na rua são de temer e evitar, mas as repercussões deste conflito estão por medir. Como é que é afectada a escolaridade dos alunos? O que é que o ensino em Portugal ganhou com esta guerra entre o Ministério da Educação e os professores? Será que alguma vez, e sem enganos, o chegaremos a saber?
8.1.09

Sobre o ambiente nas salas de aula dos estabelecimentos de ensino, sobre os professores e sobre a autoridade
(...) ao contrário do que se passava no meu tempo de estudante liceal, a noção de hierarquia perdeu-se (mercê das reformas educativas delirantes que foram retirando aos poucos a autoridade aos docentes). Os rebeldes do meu tempo quando desafiavam, desafiavam a autoridade, por isso quem sabia exercê-la podia aspirar a uma docência sem incidentes de maior. Hoje o conceito de autoridade quase não existe na escola. Aquela insolência (...) é diferente da que eu conhecia. Os olhos destes miúdos (...) têm raios laser, como os dos bonecos dos jogos vídeo. E atiram a matar.
(...) ao contrário do que se passava no meu tempo de estudante liceal, a noção de hierarquia perdeu-se (mercê das reformas educativas delirantes que foram retirando aos poucos a autoridade aos docentes). Os rebeldes do meu tempo quando desafiavam, desafiavam a autoridade, por isso quem sabia exercê-la podia aspirar a uma docência sem incidentes de maior. Hoje o conceito de autoridade quase não existe na escola. Aquela insolência (...) é diferente da que eu conhecia. Os olhos destes miúdos (...) têm raios laser, como os dos bonecos dos jogos vídeo. E atiram a matar.
Teresa Ribeiro in Delito de Opinião.
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26.12.08

A DREN classifica de “brincadeira de mau gosto” o incidente em que alunos ameaçam a professora com uma arma de plástico e filmam o sucedido. Para além dos desajustes da leitura da realidade entre a DREN e o Conselho Executivo da escola, bem como o espanto da Direcção Regional pelo facto de o incidente ter chegado primeiro ao conhecimento da comunicação social do que da Direcção Regional, este é mais um incidente que demonstra o desnorte em termos de responsabilidade e de valores com a DREN a personalizá-lo impecavelmente. Tudo normal num mundo em que se glorifica quem atira sapatos ao Presidente Norte Americano numa conferência de imprensa no Iraque, ou em que se concorda com quem atira ovos e tomates a uma ministra. Não se pára um segundo para exercer algum tipo de actividade crítica sobre as intenções, sobre os meios e o mérito dos actos praticados. Discordar e saber escolher os suportes que exteriorizem essa discórdia, protestar sabendo argumentar o protesto, ou brincar e saber respeitar a integridade e dignidade do outro dá muito mais trabalho do que atirar sapatos, ovos e ameaçar com armas de plástico filmando. Para além disso um atirar de sapatos ou de ovos bem como ameaças com armas de plástico a professores dão uns óptimos vídeos que poderão eternizar esse grandiloquente momento no youtube. E, claro, dar oportunidades únicas à comunicação social que repetirá à exaustão os vídeos que farão a delícia de quem vê e correrão em horas o mundo nas páginas da internet...
12.12.08

Esta é uma boa notícia para a salubridade do espaço político do espaço dos media e das conversas privadas. Tanta negociação que não leva a lado nenhum, com ambas as partes a acreditarem terem a razão do seu lado (venha o diabo esclarecer-nos que coisa é essa da “razão”) tanta negociação já enjoava. Já enjoava vê-los antes e ouvi-los depois. Ver a ministra mostrar intenções dialogantes e os sindicatos intenções empertigadas num processo de argumentos se petrificados. A imagem que se gasta e que gasta a causa seja de que lado for, o que está realmente em causa para um lado e para o outro que se perde no embrenhado condicional que são as negociações. Creio que a “opinião pública” já se cansou, já se fartou. Este intervalo é bem vindo. Pelo menos para isso que sirva o estafado “espírito natalício”.
5.12.08

Manuela Ferreira Leite fez bem em estranhar a ausência de 30 deputados do PSD das votações de hoje na Assembleia da República: colocou a pergunta e chamou quem de direito, responsabilizando os deputados ausentes pelo resultado das votações, mas não fez discursos, não posou para fotógrafos , não inventou um slogan nem uma frase esperta para colar aos ouvidos dos eleitores, não foi a um mercado falar com as vendedoras e fingir surpresa ao ver os jornalistas, não fez um vistoso directo para os noticiários das 8, mas o sinal que dá é inegavelmente forte, quer interna quer externamente.
Maria de Lurdes Rodrigues é cada vez mais um fantasma de si. Parece que tudo lhe correu mal, desde o momento zero, mesmo com uma vontade legítima à partida. Mas a realidade e o ano eleitoral que se avizinha é mais forte do que qualquer vontade de reforma. Ela já lá não está, e deveria sair: não se pode em dias consecutivos defender coisas opostas. Tira credibilidade, respeito a si, e é uma perda de honorabilidade.
Dias Loureiro parece estar cada vez mais cercado e ameaça arrastar consigo outros nomes sonantes do regime. Nada que nos admire, mas veremos até onde é que as investigações irão. Hoje a TVI lançou muitos nomes para cima da mesa de confusões que é o caso BPN. O Presidente da República deve estar desconfortável. Dias Loureiro deveria libertar o Presidente saindo do Conselho de Estado. É a coisa certa a fazer.
Maria de Lurdes Rodrigues é cada vez mais um fantasma de si. Parece que tudo lhe correu mal, desde o momento zero, mesmo com uma vontade legítima à partida. Mas a realidade e o ano eleitoral que se avizinha é mais forte do que qualquer vontade de reforma. Ela já lá não está, e deveria sair: não se pode em dias consecutivos defender coisas opostas. Tira credibilidade, respeito a si, e é uma perda de honorabilidade.
Dias Loureiro parece estar cada vez mais cercado e ameaça arrastar consigo outros nomes sonantes do regime. Nada que nos admire, mas veremos até onde é que as investigações irão. Hoje a TVI lançou muitos nomes para cima da mesa de confusões que é o caso BPN. O Presidente da República deve estar desconfortável. Dias Loureiro deveria libertar o Presidente saindo do Conselho de Estado. É a coisa certa a fazer.
21.11.08
Sair de Cena 3
A partir de ontem tudo será diferente pa Maria de Lurdes Rodrigues. Cedeu provavelmente às pressões eleitoralistas do Primeiro-ministro perante aquilo que se acredita ser a opinião pública (isto é os pais que querem boas notas e bons professores, mas duvido que queiram mais exigência) e, last but not least, perante os sindicatos. Tudo o que foi já era, e hoje já nada era como dantes. MLR já não está no seu cenário. Pode sair de cena sem esperar que tudo piore para ela: não a nível de contestação que vai continuar e issso já é irrelevante nesta abordagem (não o é politicamente, claro), mas a nível da sua credibilidade e da sua honra.
20.11.08

Pergunto-me o que será daqui a um ano e meio a avaliação de professores. Já não me pergunto por este modelo visto e revisitado “n” vezes, falo de avaliação como um conceito global. Será apenas um fumo, uma miragem? Uma intenção? Já terá sido transformado num gabinete que estuda o modelo e outro a estudar a sua implementação?
Também me pergunto como estarão os sindicatos? Continuam iguais a si próprios? E os professores? Continuarão todos a afirmar que querem ser avaliados, mas..., ou só que...?
18.11.08
Os Alunos em Amarante
Ontem vi no Jornal da Noite da SIC a cobertura que a estação fez à manifestação de estudantes do Secundário ( e também do Básico?) em Amarante. Confesso que fiquei chocada com a dita manifestação e o tempo de antena que a televisão deu àqueles alunos que não pensaram um segundo sequer em alinhavar duas ou três ideias simples, mas credíveis e sensatas que justificassem aquele aparato e aquele tumulto. Se alguma dúvida tínhamos sobre o nível da escola em Portugal, aquela manifestação tirou-a. Aqueles alunos trogloditas cujos argumentos fariam corar de vergonha qualquer ser com um mínimo de exigência intelectual são mais um dos retratos de uma escola que hoje parece ter perdido o pé e a cabeça. Nada como ser “chico esperto” e aproveitar os tempos conturbados de tensão professores/governo e sair à rua para criar ainda mais agitação. Porquê não se sabe bem, mas o que conta é a confusão.
Alunos que reivindicam o direito a faltar às aulas porque são “jovens” e os jovens faltam e que reclamam porque têm aulas de substituição em vez de irem para o recreio, são um ex-libris da sociedade complacente em que estamos. Estes jovens sofrem de excessos e de abundância: tudo lhes é dado tudo lhes é devido. Na escola nas últimas décadas o ensino é organizado de modo a não traumatizar os meninos e as meninas, de modo a acomodar os ritmos de aprendizagem de cada aluno sem ferir eventuais “diferenças”, nem premiar a diferença pela positiva, a deixar desenvolver as suas competências à medida que passam os dias, meses e anos com programas escolares que pouco ensinam, a dar espaço à criatividade, a compreender as falhas, e a não exigir qualidade, a não valorizar as faltas. A infantilização completa é mostrada quando alunos que deveriam querer aproveitar tudo, cada aula, cada tempo para se prepararem para exames e para o mundo competitivo da entrada para as universidades ou para a chegada ao mercado de trabalho, se passeiam em grandes números e dizerem querer faltar porque “são jovens” e querer mais recreio num nível próprio dos primeiros anos do ensino básico. Não se vislumbra a ponta de responsabilidade, de maturidade, de querer atingir metas de ter objectivos. Nada, bem pelo contrário, a imagem que é dada é de que se pensa que a vida é um grande carrossel: cores vivas, música, muitos telemóveis e alguém que nunca se sabe, nem quer saber quem, sempre a dar à manivela, e isso é alarmante. Claro que não é só responsabilidade da escola, é a imagem de uma mentalidade de um Portugal no seu pior.
Alunos que reivindicam o direito a faltar às aulas porque são “jovens” e os jovens faltam e que reclamam porque têm aulas de substituição em vez de irem para o recreio, são um ex-libris da sociedade complacente em que estamos. Estes jovens sofrem de excessos e de abundância: tudo lhes é dado tudo lhes é devido. Na escola nas últimas décadas o ensino é organizado de modo a não traumatizar os meninos e as meninas, de modo a acomodar os ritmos de aprendizagem de cada aluno sem ferir eventuais “diferenças”, nem premiar a diferença pela positiva, a deixar desenvolver as suas competências à medida que passam os dias, meses e anos com programas escolares que pouco ensinam, a dar espaço à criatividade, a compreender as falhas, e a não exigir qualidade, a não valorizar as faltas. A infantilização completa é mostrada quando alunos que deveriam querer aproveitar tudo, cada aula, cada tempo para se prepararem para exames e para o mundo competitivo da entrada para as universidades ou para a chegada ao mercado de trabalho, se passeiam em grandes números e dizerem querer faltar porque “são jovens” e querer mais recreio num nível próprio dos primeiros anos do ensino básico. Não se vislumbra a ponta de responsabilidade, de maturidade, de querer atingir metas de ter objectivos. Nada, bem pelo contrário, a imagem que é dada é de que se pensa que a vida é um grande carrossel: cores vivas, música, muitos telemóveis e alguém que nunca se sabe, nem quer saber quem, sempre a dar à manivela, e isso é alarmante. Claro que não é só responsabilidade da escola, é a imagem de uma mentalidade de um Portugal no seu pior.
17.11.08
A Educação Vista ao Longe
Educação, Educação, Educação, Ministra, Ovos, Educação, Educação, Avaliações, Educação, Educação, Manifestações, foram estas as palavras ouvidas e que me trouxeram de volta à terra, no meu caso a Portugal dos portugueses, quando desembarquei de uma viagem de avião tão magnificamente extra-terrestre quanto possível. Sempre por cima de uma fabuloso e esponjoso manto de nuvens, só via o infinito em pôr-de-sol que se perde no tempo e se perpetua por duas horas: uma bola laranja ao longe num fundo de cor viva e num ar límpido como só o frio o sabe ser, que demorou a cair. Momentos pendurados no fio do tempo em que se esquece que lá em baixo é preciso (!) ter Ministérios de Educação, que se tem o Primeiro Ministro, que se atiram ovos a quem desagrada, que as avaliações são o que são e o que afinal já não vão ser. Ainda tenho que esfregar os olhos para ver se vejo melhor.
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