“… he resolved never again to kiss earth for any god or man. This decision, however, made a hole in him, a vacancy…” Salman Rushdie in Midnight’s Children.
holehorror.at.gmail.com

24.6.07

Coisas que se podem fazer ao Domingo 2

Adriaen de VRIES
Mercure enlevant Psyché, 1593
(Clicar para ver melhor)

Deixar-se levar nos braços de Mercúrio.

Taxas Moderadoras e Educação Sexual

A Presidência da Comunidade Europeia, a Ota e suas múltiplas variantes, o caso DREN, o caso Licenciatura, a implementação da lei sobre o aborto, assim como o verão e as férias, ocuparão o interesse dos portugueses nos próximos meses, por isso creio que não será de temer uma onda de debate em torno de uma “nova” causa fracturante para distrair o eleitor. Mas o tema eutanásia foi lançado para cima da mesa e é natural que seja repescado daqui a uns meses tanta é a ânsia que existe neste governo - e que não é só “reformista”, de estabelecer o que eu tenho chamado de “nova ordem moral”. Um exemplo flagrante desta “nova ordem moral” é a isenção das taxas moderadoras para quem quer fazer um aborto (será que esta medida vai durar?). Que o aborto livre e “a pedido” seja feito em hospitais públicos e pago pelos contribuintes é discutível, tanto assim, que muitos partidários do “sim” no último referendo mostraram preocupação e desconfiança quanto à forma como a lei poderia ser implementada na sua vertente prática, mas que seja isento de taxa moderadora parece ser uma decisão de inigualável demagogia e até uma forma politicamente correcta de paternalismo estatal. Abortar porque sim é uma decisão, é uma opção livre, não é uma inevitabilidade médica. Todas as decisões e todas as livres opções têm inevitavelmente um custo financeiro, custo esse que é uma das faces visíveis da responsabilidade de quem decide e opta.

Agora que o referendo foi feito com o resultado esperado, e que a lei do aborto foi aprovada, nunca mais se ouviu falar da importância da educação sexual nas escolas, e pouco se tem falado sobre a desejável rede de planeamento familiar. Os partidários do “não” no referendo poderiam ter nesta área uma oportunidade de, através de alguma intervenção cívica, tentarem conter o número de abortos. Mas os partidários do “não” têm demonstrado ao longo dos tempos uma enorme intolerância face aos programas de educação sexual que têm vindo a ser propostos. Nunca me detive em pormenor sobre eles, mas acredito que tenham incongruências e falhas (os outros têm, porque não estes?), mas boicotar sistematicamente a educação sexual na escolas, e sentir arrepios na sua vertente informativa, e desejar uma vertente formativa marcada por uma determinada posição, parece-me uma forma de fugir ao problema. Sou partidária de que a escola ensine, informe e esclareça de forma objectiva, sem rodeios, e num contexto de responsabilização, de exercício de liberdade individual e de respeito mútuo. Só. Tenho sempre medo do interesse da escola (do estado) em “formar”, em dar uma capa moral ao tema, por isso reivindico essa componente para a família. Mas fugir de informar e de ensinar é um bom caminho para mais abortos com os custos inteiramente suportados por nós.

21.6.07

Plataforma contra a Obesidade 10

Renoir
Nature Morte
(clicar para ver melhor)

20.6.07

Quando no Reino Unido se dá um título honorífico a um escritor que, apesar de ser muçulmano, mostrou a sua discórdia perante uma forma de ser e de viver essa religião, países como o Irão e o Paquistão erguem-se em protestos diplomáticos fortes. Não estamos só a falar de gente na rua a queimar bandeiras, falamos também das estruturas de poder. Como se o Reino Unido não fosse um país livre de dar títulos honoríficos a quem acha que os merece e como se o critério de atribuição desses títulos tivesse que passar pelo escrutínio do poder político de Teerão ou de Islamabad. Dizem que a Rainha é responsável por este acto de provocação. Provocação? Salman Rushdie nunca apelou ao ódio, nunca teve um papel político de relevo contra nenhum país islâmico, nunca foi intolerante, limitou-se a mostrar através da sua obra marcante e fascinante - para quem como eu gosta de o ler - quer ficcional quer ensaística desagrado e pouca compreensão perante a intolerância do Islão. Salman Rushdie é um cidadão do mundo, do tamanho de todas as civilizações, com uma obra que reflecte sempre esse mosaico que é a essência humana, cultural e civilizacional que hoje está, mais do que nunca, ao alcance dos homens de boa vontade que a queiram ver. Long live Sir Salman Rushdie.


Começamos agora a ver as primeiras fotografias retratando o drama humano dos conflitos na Palestina entre o Hamas e Fatah. Este é um exemplo, mas mostra refugiados, não mostra crianças mortas nos braços dos pais. As fotografias tardaram se tivermos em consideração a rapidez com que elas nos são impostas quando são os soldados israelitas os directos responsáveis pelas mortes ou exílios. Um pequeno exercício de memória, não foi assim há tanto tempo, lembra-nos todas as fotografias de pais a fugirem com filhos nos braços, ou crianças a morrerem nos braços dos pais. Não faço ironia com a morte e a tragédia que é perder uma vida. Mas não gosto que me manipulem fazendo crer que as mortes veiculadas pelos media, que apontam Israel como responsável, e que enchem as páginas dos jornais e as televisões são mais trágicas do que estas mortes que ninguém filma com a pungência que talvez também merecessem

19.6.07

Combate ao Sedentarismo 27

18.6.07

Le temps des Cerises 6

Osias Beert
Still Life with Cherries and Strawberries in China Bowls (1608)
(clicar para ver melhor, vale a pena)

As naturezas mortas são às vezes olhadas de soslaio como uma forma menor e menos nobre da pintura, mas há quadros surpreendentemente belos e que, apesar de carregados de simbolismo - sobretudo os barrocos, e apesar de compostos de uma forma artificial e quase provocadora, são de uma beleza e contenção comoventes. Este quadro é um exemplo de delicadeza e aparente austeridade e contenção. Numa composição gráfica equilibrada surge uma orgia de detalhes: os caules das cerejas num movimento frenético, a libelinha, os desenhos finíssimos das taças de porcelana fina (Companhia das Índias, a julgar quer pela forma quer pela qualidade), os morangos que são mais pequenos que as cerejas, algo de raro para quem hoje come todo o ano morangos de estufa, o trabalho delicado das taças, a forma como a luz se reflecte nas frutas e nos vidros. São quadros como este que me fazem gostar tanto da pintura flamenga e nunca me cansar de os olhar.


17.6.07

Sorriso audível das folhas

Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?

Fernando Pessoa
27-11-1930

Pergunta

Perguntaram-me se conhecia bem Pessoa. Que pessoa? Foi a minha reacção primeira, só um momento depois percebi que se referiam ao poeta. Hesitei um segundo sem saber o que deveria responder. Sim conheço muito bem, é uma afirmação que soa forçada quando nenhum dos seus livros sai da estante, quando nunca se pegou num dos seus livros para abrir e ver, lembrar, procurar, descobrir. Também não poderia responder não, não conheço, porque realmente conheço bem se nos detivermos exclusivamente em critérios objectivos, só que eu gosto de ler e reler. Reli grande parte das obras que mais me marcaram, e periodicamente mexo nos livros, assim como quem os tenta arrumar para que caibam melhor e se crie mais espaço, dando prioridade a tamanhos e volume e esquecendo qualquer outra lógica para os ter arrumados. São prioritariamente de ficção, romances, contos, novelas que me acompanham ao longo da vida. A poesia parece que parou no tempo e tem sido pouco arrumada. Tropeço num poema de que gosto e por vezes pego num livro para o verificar e reler, mas com Fernando Pessoa creio que há muito não me acontecia.

Vi-me assim, de repente e desprevenida, a mexer nas Poesias de Fernando Pessoa. Não foi incolumemente que o fiz: enredei-me nos versos, li-os, lembrei, comovi-me com memórias, viajei e no fim percebi que o tempo não conta, por isso eu conheço bem Fernando Pessoa.

Coisas que se podem fazer ao Domingo

Étienne-Maurice FALCONET (1716-1791)
Milon de Crotone
(clicar para ver melhor)

Lutar com um leão.

15.6.07

Do you mind not to smoke?

Even after a hard and long week.

Ordene-se

Já aqui e aqui escrevi sobre a hostilidade de alguns sectores do politicamente correcto para com a liberdade dos médicos que recusam fazer abortos. Hoje, ao ler este artigo do DN escrito pela jornalista Fernanda Câncio, volto ao assunto. No debate que precedeu o referendo várias foram as vozes a perguntarem umas, e a terem sérias dúvidas outras, sobre a forma como o SNS poderia digerir a nova lei do aborto. Nada do que se passa hoje é muito surpreendente e basta conhecer um pouco os nossos hospitais públicos, onde hoje se assiste a uma enorme vaga de corte de custos - nuns casos muito bem, noutros já nem tanto, para perceber que poucos recursos sobrariam para os abortos a pedido. Não me parece mal que assim seja. A lei que permite o aborto “a pedido” abriu a porta a clínicas privadas que o podem fazer legalmente, e em total competência e segurança. Parece-me que são a boa solução. Pagar é sempre uma forma adequada de responsabilizar as pessoas pelos seus actos e pelas suas escolhas. Não se trata de as penalizar ou de castigar, somente de responsabilizar, uma noção que deveria andar sempre de mãos dadas com a noção de optar livremente. Pagar um aborto “a pedido” não me parece nada de extravagante, e essas clínicas terão com certeza formas de pagamento adequadas a todos os bolsos. Hoje a flexibilidade da forma de pagar é prática corrente ao contratar um qualquer serviço ou comprar um qualquer bem.

Apelidar esta situação de excesso de objectores de consciência nos serviços de obstetrícia, de caricatural, é mostrar um profundo desconhecimento do que é a realidade do nosso país, dos recursos do SNS, e da mentalidade portuguesa, no que tem de mau e de bom, e é continuar a recusar ver e perceber a diferença ética e moral que existe entre fazer um aborto “a pedido”, ou fazê-lo por “razões médicas” ou outras razões de excepção anteriormente previstas na lei. Mesmo que se ordenem os serviços de obstetrícia dos hospitais públicos a organizarem-se de modo a que haja médicos não objectores nos seus quadros, será sempre difícil garantir a 100% a aplicabilidade de tal ordem. A não ser que se criem quotas nos serviços de obstetrícia para médicos não objectores de consciência, ou que ao admitir médicos para os seus quadros, os hospitais façam “discriminação positiva” perguntando ao admiti-los se eles serão ou não objectores. Também se poderia tentar a chantagem: se fores objector não tens emprego.

Uma ideia da Europa 16

Marx e Engels. O Manifesto Comunista. A Revolução Industrial e o proletariado. A luta de classes. O Marxismo. O Comunismo.

13.6.07

Plataforma contra a Obesidade 9

PaulCezanne
Still Life

Outra vez José Saramago

Saramago, há uns anos atrás, quando lançava Ensaio sobre a Lucidez, incitava publicamente, num exercício de destemida ousadia (pensava ele), os eleitores a votarem em branco. Leio hoje aqui no Público que numa conferência no Norte de Espanha, noutro exercício de destemida ousadia (continua ele a pensar), apela à insubmissão da população contra as “democracias contemporâneas, que na sua opinião não passam de plutocracias”. Eu sei que ser escritor e escrever ficção abre todas as portas do possível e a maioria das portas do impossível, mas em conferências em que se pretende ser lúcido e crítico em relação à realidade e se afirmam inusitadas pérolas de sapiência do género já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder, ou ainda antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda, fica-se com vontade de lhe pedir que, por favor, quede-se em Lanzarote a escrever livros, que esses só lê quem quer e só compra quem quer, pois de cada vez que sai de lá e vai a conferências para mais uma mostra da sua habitual e afectada pomposidade nós somos bombardeados com as suas palavras sem nos podermos defender.

12.6.07

Combate ao Sedentarismo 26

Neste caso com verificação de frequência cardíaca.

11.6.07

Le temps des Cerises 5

Louise Moillon
Coupe de cerises, prûnes et melon

Porque será que esta notícia (via Insurgente) não só não me surpreende como até me parece que tardou. O grande argumento utilizado para a liberalização do aborto tal como foi referendado e legislado, era acabar com o “vão de escada”. Como vemos pela notícia, só no Hospital de Santa Maria, 80% dos médicos invocaram objecção de consciência e os outros têm outras prioridades, o que se traduz no facto de muito poucos abortos serem de facto feitos em hospitais públicos. Também já sabemos, e já aqui escrevi sobre o assunto, que a opção de não praticar abortos por parte dos médicos tem custos (o hospital terá que pagar a intervenção numa clínica ou noutro hospital), mas que a opção de abortar não tem, fazendo jus à frase “aborto a pedido”, podendo haver número ilimitado de “a pedido” sem qualquer custo para quem pede, mas sempre com custo para quem invoca o direito de não o fazer. Como previsto, chegou um novo e próspero negócio: as clínicas que fazem abortos e que serão subsidiadas por todos nós. Pelas facturas que o estado, através de anúncios de televisão, nos lembra simpaticamente que temos que pedir. Nunca perceberam que o “vão de escada” é uma mentalidade, e não uma realidade sociológica, e que o “vão de escada” será sempre mais discreto, mais prático e mais rápido.

Sobre Terrorismo

Depois de Ocean’s 13, vi Munique de Steven Spielberg que não tinha visto quando passou no cinema. É este o registo de Steven Spielberg de que gosto, colocando este filme ao nível de A Lista de Schindler e de O Regresso do Soldado Ryan. O filme, que não pretende ser uma reflexão sobre as origens ou a história do conflito Israelo-Palestiniano é, no entanto uma reflexão sobre o terrorismo. Sobre o jogo minado que o terrorismo trouxe nas relações formais entre os estados e entre os estados e os seus próprios cidadãos, numa altura em que o fenómeno era ainda pouco comum e pouco estudado. O filme deixa um rasto de mau estar talvez porque a sua acção centrada na resposta aos actos terroristas é ainda incerta e oscila entre uma vingança apadrinhada, mas não assumida pelo Estado de Israel, um ajuste de contas e um instinto de sobrevivência, com o excessivo peso moral dos actos de violência a cair sobre o “herói” patriótico. Nós sentimos o que o herói sente e vivemos o seu drama - Eric Bana tem um bom desempenho. Creio que nos dias de hoje o combate ao terrorismo começa a institucionalizar-se, apesar das vozes que tentam sempre compreender e justificar o fenómeno, ultrapassando assim o domínio da vingança, para se tornar uma questão de sobrevivência das nações, da civilização tal como a conhecemos.

10.6.07

Um Jantar de Domingo 2

Floris Van Schooten
Nature morte au jambon

Ocean's 13

Há sempre quem goste dos hambúrgueres do McDonald’s, das diversões da Disneyworld, das pizzas da Pizza Hut, de ler Margarida Rebelo Pinto, de fazer excursões a Londres, de comprar time-sharing no Nordeste Brasileiro, e eu percebo o desejo e vontade de escolher pré-cozinhados, pré-embalados, pré-fabricados, pré-preparados, enfim coisas que de certa maneira têm o conforto de não nos surpreenderem muito, e de não exigirem muito de nós.

Recentemente desfrutei de um destes “pré-qualquer-coisa” na forma Ocean’s 13 de Steven Soderbergh: o conforto de o filme correr exactamente como esperado, a tranquilidade do argumento ser o que gostaríamos que fosse, a familiaridade dos actores consigo próprios na pele que já vestem e despem sem esforço, os gags que são como gostamos que sejam, os diálogos como imaginamos que vão ser, os ambientes como queremos ver, até as surpresas são as que surpreendem só na medida em que queremos ser surpreendidos, tudo tranquilo, sem exigir demasiado de ninguém, nem de um lado nem do outro. Não é um filme para emoções fortes, ou para marcar a história do cinema, muito menos para teses ou para militantes tomadas de posição sobre a arte ou sobre a existência humana. Só para ver e divertir, coisa simples. Eu gostei.

8.6.07

Combate ao Sedentarismo 26

Lugar comum

(Clicar para ver melhor)

Falar de jacarandás em Lisboa nesta altura do ano. Mas por outro lado, como é que não se fala deles? Quando se sobe a Rua D. Carlos e se vê ao fundo uma nuvem roxa, quando se desce a Avenida da Torre de Belém e passamos dentro do roxo, ou quando olhamos os passeios cheios de pétalas roxas ainda frescas e por pisar. Para mim, depois dos dias de sol de Novembro é neste período que Lisboa está mais deslumbrante. Aproveitemos, faltam poucos dias.

Plano Nacional de Leitura

Ontem na Feira do Livro num pavilhão com livros para jovens - como se eles não pudessem ler livros sem ser para “jovens”, vi uns com títulos de uma pseudo-banalidade que dão logo vontade de não comprar. Mas para meu espanto vinham com um auto-colante que dizia algo do género (cito de cor) “recomendado pelo Plano Nacional de Leitura”. Fiquei ainda mais desconfiada.

6.6.07

Uma ideia da Europa 15

Alice no País das Maravilhas, O Gato das Botas, A Gata Borralheira, A Bela Adormecida, Branca de Neve e os Sete Anões, o Polegarzinho, Capuchinho Vermelho. Era uma vez... Perrault, Irmãos Grimm, Hans Christian Anderson. A literatura infantil. As princesas belas e de bom coração e os príncipes encantados que as salvam. Os lobos maus. Mitologias, lendas, sonhos e psicanálise.

5.6.07

Le temps des Cerises 4

Ontem, outro debate na televisão sobre a Ota. Confesso que já há muito que perdi o interesse em tanto debate, tanta análise de conclusões de estudos, tanta opinião. Continuo perdida nesta polémica sem saber bem o que pensar. Uma coisa parece-me certa: não gostaria, que o Aeroporto da Portela fosse desactivado, e temo o pior caso o(s) governo(s) actual e futuros o decidam fazer. O Aeroporto da Portela é uma activo valiosíssimo, que tem a enorme vantagem de estar perto da cidade e torná-la competitiva em termos quer de negócios, quer turísticos, nomeadamente em viagens de curta duração. Os candidatos à Presidência da Câmara de Lisboa deveriam ser claros quanto às intenções relativamente à desactivação do Aeroporto da Portela. A defesa da manutenção do aeroporto, num esquema Portela + 1 é um argumento interessante em tempo de campanha que poderá clarificar posições e ganhar votos. Mais do que debater a Ota é interessante pensar no futuro da Portela. Sim à Portela poderia ser um slogan a adoptar.

No fim-de-semana passado, António Costa fez, de bicicleta, um percurso do Príncipe Real à Torre de Belém. Gostaria de lhe deixar a seguinte sugestão: fazer, igualmente de bicicleta, num dia de semana o percurso inverso, da Torre de Belém ao Príncipe Real. Será que mantém o mesmo entusiasmo por esse meio de transporte que tão bem se adapta a Lisboa? Se a campanha para a Câmara de Lisboa se mantiver a estes níveis banalmente confrangedores, tipo descidas de bicicleta, frases “O Zé faz falta” e outdoors deprimentes, fico sem saber se no dia 15 devo ou não ir para à praia.

4.6.07

Plataforma contra a Obesidade 8

(Clicar para ver melhor)

3.6.07

Combate ao Sedentarismo 25



Computadores e EMEL

Há duas noites, para meu azar, tive o carro rebocado pela EMEL. É verdade que não lembrei, (não quis lembrar) que estacionara em local de parquímetro, e a diligente EMEL penalizou a minha distracção. Na altura fiquei aliviada quando percebi que o carro não teria sido roubado sentindo, por um brevíssimo momento, a alegria que é ter o carro rebocado! Apressei-me a ir ao Parque de Estacionamento de Rebocados em Sete Rios para reaver o carro e pagar as inevitáveis multas e custos. Num escritório pequeníssimo, lotado - parece que as quintas feiras são dias de recolha intensa de veículos indevidamente estacionados - e em tudo hostil, também por causa das luzes brancas e agressivas, dois homens debatiam-se numa secretária cheia de papeis, formulários, telefones, calculadoras, fotocopiadoras e outros gadgets, perante os olhares impacientes daqueles que tinham pressa em levantar o carro. Mas pressa é inútil, e a paciência é um imperativo. Tudo naquele cubículo respirava o ar de burocracia, falta de modernidade e falta de tecnologia que este governo tanto quer combater. Os funcionários preenchiam (este é o único momento moderno: não sermos nós a preencher) vários formulários munidos de todos os documentos que se lembraram de nos pedir, nossos e do carro. Formulários únicos, em duplicado com folhas de cores diferentes, formulários curtos e outros longos. Fotocopiaram documentos, formulários, agrafaram para eles e para nós, e no fim tivemos que pagar. Sim, tinham Multibanco, mas surpresa: a parte que se refere à coima, €30, tinha que ser paga ou em dinheiro, ou em cheque, não podendo sê-lo através do Multibanco por um qualquer motivo simples de explicar para os funcionários, mas terrivelmente difícil de entender para nós. Bafejada pela sorte tinha esse dinheiro na carteira, mas quem o não tinha saiu, aposto que praguejando baixinho, em direcção ao Multibanco mais próximo, no Jardim Zoológico talvez.

Por favor Senhor Primeiro-ministro: quando distribuir os computadores lembre-se que não é só nas escolas que eles fazem falta, ao pessoal da EMEL e aos autuados também lhes dava jeito. Veja também se é possível que o Simplex lá chegue e que os procedimentos sejam simplificados reduzindo o papel utilizado como convém a um bom ecologista, e reduzindo significativamente o tempo lá gasto evitando perdas na produtividade nacional. Por último, será que uma palavrinha a alguém conhecido da PSP Trânsito e a alguém da CGD não poderia resolver o problema da incompatibilidade das coimas e do Multibanco?

O Tejo, hoje

31.5.07

Le temps des Cerises 3

Paul Cezanne

A Galinha e o Ovo


Tive um professor que um dia perguntou à turma o que é que tinha existido primeiro, se o pensamento, se a linguagem. O pensamento, claro, foi a resposta imediata e quase em uníssono. No momento a seguir começaram as hesitações, e o professor meio divertido perguntava-nos como é que nós pensávamos sem linguagem, enquanto alguns dos alunos diziam, pondo em causa a noção da irracionalidade nos animais, que se os animais têm linguagem, então também pensavam. Como se imagina esta pergunta colocada por um bom professor originou uma divertida e exigente reflexão na turma em que nos confrontamos com o facto de linguagem e pensamento serem quase duas faces duma mesma moeda. Cada linguagem espelha uma forma de pensar. Cada forma de pensar é refém de uma linguagem. Tudo isto a propósito das Provas de Aferição (que raio de nome) do 4º e 6º anos do ensino básico e do facto de, em determinadas perguntas de Português nomeadamente nas de interpretação do texto, os erros ortográficos não serem corrigidos pois querem avaliar separadamente diferentes competências. Se não fosse patética, esta frase faria rir pela presunção que carrega em si, de alguém ter sido capaz de separar em compartimentos estanques as diferentes competências que fazem uma língua. Eu não percebi se os erros de sintaxe também não eram corrigidos, e até acho que, em nome da coerência, nenhum erro formal devesse ser corrigido. Ficariam só os erros de semântica, cabendo ao professor corrector das Provas aferir se, para lá da formalidade da linguagem e da arbitrariedade no seu uso que cada aluno clamará para si (sim, pois deve tratar-se de um processo criativo por parte das crianças a ser acarinhado) consegue encontrar um fio de sentido. Se é tão difícil estabelecer separações entre a linguagem e o pensamento, como é que querem desfragmentá-la (ai estruturalismo sempre a espreitar!) e dividi-la em conjunto de códigos estanques, impermeáveis e não relacionáveis, para melhor encontrar o pensamento - o sentido, a interpretação do texto, neste caso? Como é que querem que um aluno - ou pai, ou cidadão - entenda que numa parte de um teste pode escrever com erros e na parte seguinte já não? Isto faz sentido na cabeça de quem? Um erro não é sempre um erro? Talvez estejamos perante um caso moderno de flexi-ortografia.

30.5.07

Hoje há Luar

Small Hours

Let it go
Let it roll right off your shoulder
Don't you know
The hardest part is over
Let it in
Let your clarity define you
In the end
We will only just remember how it feels

Our lives are made
In these small hours
These little wonders
These twists and turns of fate
Time falls away,
But these small hours
These small hours
Still remain

Let it slide
Let your troubles fall behind you
Let it shine,
Till you feel it all around you
And I don't mind
If it's me you need to turn to
We'll get by
It's the heart that really matters in the end

Our lives are made
In these small hours
These little wonders
These twists and turns of fate
Time falls away
But these small hours
These small hours
Still remain

All of my regret
Will wash away somehow
But I cannot forget
the way I feel right now

In these small hours
These little wonders
These twists and turns of fate
Yeah, these twisted turns of fate
Times falls away
Yeah, but these small hours,
These small hours
Still remain

Yeah, oh they still remain
These little wonders
All these twists and turns of fate
Time falls away
But these small hours
These little wonders
Still remain

Little Wonders
Artist(Band):Rob Thomas

Le temps des Cerises 2

29.5.07

Já aqui escrevi sobre o facto de considerar um esbanjamento e inutilidade os exames de aferição. Se precisasse de mais argumentos, estes, que ainda me parecem saídos de uma comédia negra de Hollywood, serviriam e seriam suficientes. Mas o excesso de zelo deixou-nos alternativas suficientes. Resumindo, uma boa Prova de Aferição (ai o nome) é quando:

  • Não conta para a nota
  • Não avalia nada nem ninguém
  • Não penaliza os erros

Do you mind not to smoke?


Someone wants to jog.

Se o ridículo matasse

Portugal inteiro tem que assistir às aventuras de um provinciano em Moscovo, só porque é o nosso Primeiro-ministro.

Já agora: os hoteis em que José Sócrates se hospeda (ou os hotéis ao lado) não têm ginásios devidamente equipados para joggings matinais na mais pura discrição e sem restrições de segurança, tal como José Sócrates diz querer?

28.5.07

Plataforma contra a Obesidade 7

Pieter Snijers,
A Still Life with Fruit,
Vegetables, Dead Chickens and a Lobster

Indian Love

But he continued to remember: when he located his cabin, he found he had a cabinmate who had grown up in Calcutta composing Latin sonnets in Cattullan hendecasyllables, which he had inscribed into a gilded volume and brought along with him. The cabinmate’s nose twitched at Jemu’s lump of pickle wrapped in a bundle of puris; onions, green chillies, and salt in a twist of newspaper; a banana that in the course of the journey had been slain by heat. No fruit dies so vile and offensive a death as the banana, but it had been packed just in case. In case of What? Jemu shouted silently to his mother.

In case he was hungry along the way or it was a while before meals could be properly prepared or he lacked the courage to go to the dining salon on the ship, given that he couldn’t eat with a knife and fork-

He was furious that his mother had considered the possibility of his humiliation and thereby, the thought, precipitated it. In her attempt to cancel out one humiliation she had only succeeded in adding another.

Jemu picked up the package, fled to the deck, and threw it overboard. Didn’t his mother think of the inappropriateness of her gesture? Undignified love, Indian love, unaesthetic love - the monsters of the ocean could have what she so bravely packed getting up in that predawn mush.

The smell of dying bananas retreated, oh, but now that just left the stink of fear and loneliness perfectly exposed.

Kiran Desai, The Inheritance of Loss

Este excerto é um dos mais interessantes e dramáticos deste romance, em que a herança deixada pelas circunstâncias, sejam elas quais forem: os pais, o amor, a família, o país e civilização, a emigração para uma vida melhor, a pertença a uma etnia ou um grupo, o clima, as monções - acaba por se revelar uma forma de perda ou de solidão.

27.5.07

Combate ao Sedentarismo 24

Domingo à Tarde

Auguste Renoir, Le Déjeuner des Canotiers
(clicar para ver melhor)

O Circo pega fogo

Lisboa, Ponte 25 de Abril, ontem à noite
(Clicar para ver melhor)

Ao atravessar Lisboa hoje senti algum incómodo ao olhar e ver todos os outdoors para as autárquicas. As fotografias dos candidatos, os slogans, (O Zé? Mas que é isto?) nada parecia certo e adequado, todos soavam a falso. Algo não está bem no tempo e no local em que vivemos. Os primeiros sinais de um qualquer apocalipse político estão bem evidentes. Qualquer página de jornal aberta ao acaso terá exemplos de frases, ou silêncios, ou intervenções, ou entrevistas, ou gestos, ou adesões, ou suspeitas, ou delações, que analisadas nos deixam em estado de puro espanto. Tanto não era possível. Mas com a complacência habitual, a vidinha vai correndo, as noites sucedem os dias, o tempo da praia está achegar, vemos o circo pegar fogo e já nem queremos saber onde está a água.

Ota, DREN, Câmara de Lisboa, PS, PSD, (e porque não CDS, PCP, BE?), Mário Lino, Manuel Pinho, M. de Lurdes Rodrigues, e claro José Sócrates têm animado a agenda nestas últimas semanas. Cada caso cheio de casos, cada um mais patético do que o outro, cada um mais previsivelmente vazio do que o outro, perigosamente vazio, com um pano de fundo feito do conforto e da certeza de que estamos mesmo na nossa terrinha, e de que já nem nos apercebemos que a falta de vergonha e a falta de noção do ridículo, para não falar de noções que requerem um esforço ainda maior em apreender como liberdade, desapareceram faz muito do mapa político, e que todas estas personagens que tecem os seus enredos fundados nas solidariedades dos partidos que servem o regime, feitos de respeitinho, de medo, de subserviência, de conspiração, em redor de cada um destes casos, parecem marionetas vazias e sobra-lhes só uns pós de dignidade de alguma tragédia e fado que carregam, a de serem prisioneiros de si próprios, mas nem disso se dão conta.

26.5.07

Le temps des cerises

Thomas Corner 1865-1938
Fresh Picked Cherries

25.5.07

Uma ideia da Europa 14

Futebol, Ténis, Rugby. Desporto. Mens sana in corpore sano. Jogos Olímpicos. Competição e fair-play. Amadorismo.

24.5.07

Pela boca morre…

Dantes era o peixe. Talvez agora seja a OTA de tanto se abrir a boca a falar dela. Parecem todos apostados em ver quem consegue dizer o maior número de disparates no menor tempo possível. Já lá vão coisas como faltas de hospitais e escolas nas mediações dos aeroportos, pontes dinamitadas (não é dinamizadas, é mesmo dinamitadas) e uma desertificação precoce da margem sul... Tudo por uma boa causa: convencer os cidadãos da bondade do projecto do aeroporto. Assim não sobrará um céptico, tal a adesão aos argumentos. Pelo menos já há uns tempos que os políticos não me faziam rir assim, e mesmo assim não têm faltado momentos risíveis.

Postal Ilustrado 10

Esbanjamento

Que o nosso estado desperdiça recursos já o sabemos, mas estas provas de aferição que decorrem para o 4º e 6º ano, são simplesmente de bradar aos céus. Começa-se pelo nome: “prova de aferição” assim uma coisa inócua que não dá nem tira não diz nem deixa de dizer, não é nem deixa ser. É um título politicamente correcto feito para não chocar, evitando palavras de significados mais robustos e claros como exames, notas, resultados.

Depois a ideia de pôr alunos a fazerem exames que não contam para a nota, só mesmo uma ideia de quem não sabe que mais há-de inventar para contornar o cerne da questão, que é sempre a de verificar níveis de aprendizagem dos alunos, competência dos professores, competitividade das escolas, e o ajuste dos programas dados aos objectivos previamente definidos pelo Ministério. Claro que é importante medir e aferir tudo o que referi, mas sem viciar os dados à partida. Os alunos, sabendo que fazem provas que não contam para nota (onde já se viu este ridículo?) nunca se comprometerão, nunca se motivarão, nunca se esforçarão para o melhor desempenho possível. Também os seus pais, ou encarregados de educação, com medo de stressar demasiado as crianças, adoptará um discurso brando que desvaloriza a prova. Este factor, pelo menos, dá alguma razão aos professores que dizem - talvez também pelos motivos errados, neste jogo viciado que é a educação em Portugal, que estas provas de aferição não deverão servir para os avaliar. Sem os alunos a darem o melhor de si, e a fazerem a sua parte no processo que é a aprendizagem, é certamente difícil avaliar professores, escolas, programas.

Então para que servem as Provas de Aferição? Não faço ideia. Parece ser mais uma forma de esbanjar e desperdiçar recursos, pondo as escolas em estado de “alerta” e com as prioridades invertidas neste último trimestre lectivo.

23.5.07

Plataforma contra a Obesidade 6



Paul Cezanne

22.5.07

Combate ao Sedentarismo 23

Da Identidade

“Noni had recovered her confidence only when it was too late. Life had passed her by and in those days things had to happen fast for a girl, or they didn’t happen at all.”
Kiran Desai, The Inheritance of Loss

Li, porque fui obrigada e não porque me apetecesse ou tivesse sentido algum impulso empático, Simone de Beauvoir e Benoite Groult, e fui conhecendo os movimentos feministas que tinham despontado em várias partes do mundo nomeadamente em Portugal apesar de nunca ter querido ler “As Três Marias”. Para além das verdades incontornáveis, sempre em número muito menor do que queriam fazer crer, todo o feminismo descrito nas obras lidas me parecia hostil, estranho, demagógico e por vezes de uma agressividade que eu, ainda a aprender a ser mulher, rejeitei. Nunca percebi, por exemplo, porque é que para usufruirmos de igualdade de oportunidades tínhamos de, por um lado ser hostis para com o mundo masculino, e por outro adoptar atitudes e comportamentos (e vestuário) tipicamente masculinos. No entanto o século passado ficou inegavelmente marcado na nossa sociedade ocidental pela grande participação das mulheres na vida pública e pela chegada das mulheres a lugares antes exclusivos dos homens, e muito disso se deve aos movimentos feministas.

No entanto onde se nota uma cada vez maior evolução nas mentalidades bem como na vida vivida por cada uma de nós (mulheres), é no facto de podermos ser sempre mulheres. Explico. Hoje ser mulher não é só aquele breve momento do auge da beleza física (bloom) que começa na pós adolescência quando a rapariga “entrava” para o mercado do casamento à procura de um bom marido, para que logo de seguida deixasse de ser simplesmente mulher para ser “a mulher de”, e terminava muitas vezes com a chegada da maternidade, passando a ser mãe e continuando a ser mulher de. A pouco e pouco a mulher diluía-se nos novos papeis em que outros eram protagonistas. Hoje, a mulher reclama a sua identidade independentemente do estado civil, da maternidade ou não, da carreira profissional ou não. Cada vez mais ela é ela própria. Hoje todos os dias são cada vez mais, dias de novas oportunidades, de novos desafios, de recomeços, e de escolhas, reclamando para nós os mesmos direitos de busca da identidade, de afirmação e de realização pessoal, que os homens têm usufruído ao longo dos tempos. Hoje, de certo modo, já não se joga tudo naqueles breves momentos do fim da adolescência.

Tenho escrito aqui no blogue notas com o título “Véu Islâmico”. Uso esse título porque dificilmente consigo olhar para o “véu islâmico” como um exercício de liberdade individual, mesmo nas sociedades ocidentais onde ele funciona como símbolo de pertença. Não consigo deixar de olhar para esse “véu islâmico” como um símbolo da anulação dessa identidade feminina, feita por sociedades hostis às mulheres e com leis que cerceiam o desenvolvimento da sua identidade e liberdade pois as consideram seres menores e inferiores.

21.5.07

A começar a semana

Pierre Bonnard
Le Café

20.5.07

Postal Ilustrado 9

Mais Pobre

“Quero deixar-vos também uma palavra de confiança, confiança em vós, nas vossas famílias e a certeza que cada um de vós dará o seu melhor para um país mais justo, para um país mais pobre... perdão,...”

José Sócrates, hoje na cerimónia de entrega do certificado de nacionalidade portuguesa.

Foi um lapso, eu sei. José Sócrates corrigiu-o, mas a ironia é que por uma fracção de segundo e inconscientemente, José Sócrates foi honesto. Todos nós, cidadãos, damos para um país que está cada vez mais pobre. Pobre porque a criação de riqueza está longe dos parâmetros desejáveis. Pobre porque a produtividade nacional é baixíssima (comparada com os restantes países da EU). Pobre porque o nosso poder de compra é cada vez menor. Pobre porque o nosso endividamento é cada vez maior. Pobre porque cada cidadão tem uma carga fiscal que não tem retribuição em termos de qualidade de serviço oferecido pelo Estado. Pobre porque o Estado é cada vez maior e consome cada vez mais recursos. Pobre porque é tão difícil, tão complicado, tão exigente e tão pouco aliciante investir, ter ideias, criar, fazer empresas.

Mas também é pobre de espírito, porque o espaço para que o espírito livre cresça, floresça e se desenvolva é cada vez mais pequeno. Pobre de espírito porque os zelosos se multiplicam para impedir que o espírito se solte, e apontar com o dedo espíritos livres, porque os reguladores se entretêm a controlar e atribuir quotas percentuais de quanto e de quem se deve falar e onde. Pobre de espírito porque tantos concordam com tanto, porque quem estava do outro lado depressa passa para este hipotecando a liberdade quando acenado com o poder ou a ilusão dele. Pobre de espírito porque se questiona tão pouco, se ilude tanto, se leva tão a sério, e vê tão pouco à volta.

18.5.07

Para o Fim de Semana

Pieter de Ring (1615-1660)
Still Life with a Golden Goblet
(Clicar para ver melhor)

Divórcio

Não percebo porque é que o BE se empenha tanto em propor já legislação que permita o divórcio a pedido de um dos cônjuges. Não deveria primeiro propor legislação que permitisse o casamento a pedido de um nubente? Creio que resolveríamos assim muitos problemas.
Petição

(via Quase em Português)

Plataforma contra a Obesidade 5

Albert Marquet

17.5.07

Combate ao Sedentarismo 22

Depois de ler aqui o teor do projecto de portaria que regulamentará a Interrupção Voluntária da Gravidez em instituições de saúde fico com a sensação de que o direito a interromper a gravidez é melhor salvaguardado do que o direito, dos profissionais de saúde de recusar a prática de actos que entrem em conflito com a sua consciência moral ou religiosa. Se, numa determinada instituição de saúde, se não puder fazer uma IVG porque os profissionais de saúde são objectores de consciência, essa instituição terá que pagar os custos da intervenção numa outra. O direito a ser objector de consciência tem custos, de forma indirecta, para os profissionais de saúde que o exerçam. O direito a abortar não.

Uma ideia da Europa 13

Sorbet, gelados. Casas do gelo. Férias de verão, calor. Sonhos de evasão.

16.5.07

Plataforma contra a Obesidade 4

Eduardo Viana
Interior

As escolhas partidárias dos partidos do regime, PS e PSD, reflectem a enorme crise partidária a que hoje se assiste no “centrão”, espelho da falta de crença na credibilidade que dá ser apoiado por um partido e, nalguns casos aceitar a causa pública. No caso do PSD, é notória a falta de motivação e de vontade das personalidades fortes que poderiam aceitar a candidatura a Lisboa, se moverem tal a instabilidade do partido e as expectativas de só o futuro dirá. No PS e com a saída de António Costa do Governo, só ficam segundas linhas, verdadeiros meninos do coro que nem sempre cantam afinado e um maestro que já está claramente em curva descendente. É uma cartada arriscada sobretudo se se tiver em mente o “caso Manuel Alegre” nas Presidenciais. Helena Roseta poderá ser uma surpresa.

Com tantas coisas de importância a passarem-se no país e no mundo hoje, já me custa ver a abertura dos telejornais com o caso Madeleine. Eu gostaria que os media tivessem dedicado uma pequena migalha do tempo que dedicam a Madeleine, ao caso da jovem rapariga de 17 anos que, no Iraque, foi apedrejada até morrer na praça pública, culpada de querer casar fora da sua religião (o islamismo, claro). Mas continua-se a pensar que estes casos estão muito longe, em distância, em mentalidade e em probabilidade... Eu não penso assim.

14.5.07

Postal Ilustrado 8

Izmir

Outros Véus Islâmicos

No Público hoje a notícia do apedrejamento por homens de uma rapariga curda muçulmana culpada por querer casar com um rapaz de uma minoria religiosa Yezidi. A notícia chegou aos meios de comunicação por causa dos vídeos amadores postos no youtube e entretanto retirados que não procurei, nem vi nem quero ver. A realidade já é suficientemente má mesmo assim, sem imagens. Perante uma realidade destas, eu pergunto-me que sentido faz falar em democracia? Democracia pressupõe alguma igualdade pois cada pessoa tem um voto. Em sociedades onde muitas mulheres não votam, ou se votam nas urnas eleitorais não votam nas suas próprias vidas, não têm acesso aos recursos em pé de igualdade com os homens, que sentido faz falar em democracia?

Entretanto em Izmir, na Turquia, e segundo o JN, cerca de 1,5 milhões de pessoas voltaram a manifestar-se para defender o secularismo do seu país. Parecem não estar muito preocupados com o futuro da democracia, mas saem à rua aos milhões para defender o secularismo. Como diz o povo: “eles lá sabem!” Se fosse Turca, também sairia.

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